Acordar

“Lenine, acorda, Brejnev endoideceu” ( Praga,  1968). A exortação serve para os dias de hoje.

Desde ontem que ouço na TSF várias personalidades ( analistas, jornalistas, políticos)   dizer que “o governo perdeu a rua”. Isso pode vir a acontecer amanhã e depois, mas não  faço a mínima ideia que droga  me deram hoje.  Perdi os tumultos, as manifs,  as batalhas  campais, o cerco a S.Bento,  a ocupação das fábricas, o saque dos supermercados.

Ns possibilidade de não me terem dado droga nenhuma e a rua não ter feito absolutamente nada –  ao contrário do que acontece quando um clube de futebol ganha uma taça -, é possível que as tais personalidades tenham endoidecido. A pior loucura é a imersão num mundo paralelo, transformando-nos num infinito multiplicável de cada vez que elaboramos lixo dissociativo.

Claro que também pode ter acontecido que as  tais personalidades tenham apenas interpretado a concepção orgânica de  Saint -Simon, que,  na sua  “De  la physiologie sociale”,  dizia que tudo –  a economia política ,  a moral pública,  a administração dos interesses gerais –  é uma colecção de regras higiénicas. As tais personalidades estão, portanto, a lavar-se*. Nem de propósito, a  TSF acaba de  informar que o PS está à frente das sondagens . Que bom.
Para finalizar, e a  propósito de higiene mental, ler a Priscila Rêgo. Nesta alturas , uma  cabeça fria não é popular, mas pode ser lida.

* Como aqui, ao minuto 2.29 e ninguém pergunta como é que Sousa Tavares, esse  bonzo do regime comunicacional, e ,pelos vistos, agora medium,  sabe.

FNV

15 thoughts on “Acordar

  1. João. diz:

    Uma canção para (os) amanhã(s)….
    As melhores músicas são ainda as dos vermelhos (com excepção às dos papoilas saltitantes da segunda circular, é claro).

    Aqui à capela…e com Brejnev e tudo.

    eheheheheh

  2. João. diz:

    Terror estalinista? Não sei de nada. Deve ser um livro de propaganda contra-revolucionária da burguesia.

    🙂

    Um homem na Praça Vermelha grita: “Brejnev é um idiota!”.
    Preso e levado a julgamento, é condenado a 15 anos de prisão; 5 por ofender o líder e 10 por traír um segredo de Estado.

    • fnvv diz:

      Num café em Viena, um exilado soviético pergunta ao empregado:
      – Tem o Pravda?
      – Não.
      – Tem o Izvestia?
      – Não. O senhor faz-me essas perguntas todos os dias.
      – Gosto de ouvir as respostas.

      • João. diz:

        Um Russo e um norte-americano vão para o inferno. Satanás lhes pergunta: “Que inferno preferem, o russo ou o americano?”
        “Qual é a diferença?” o russo pergunta.
        “No inferno americano, você será forçado a comer um balde de merda todos os dias, na Rússia, dois”, explica Satanás.
        O norte-americano decide ir para o inferno americano. O russo, sendo um patriota, escolhe o inferno russo.
        Um ano depois, os dois homens se encontram. “Como é a vida?” pergunta o russo.
        “Não me posso queixar,” responde o americano. “Eu como um balde de merda a cada manhã e eu estou livre para o resto do dia. Você?”
        “Não poderia estar melhor!” o russo explica. “Ou eles se atrasam nas entregas de merda ou estão com escassez de baldes”.

      • fnvv diz:

        muito boa. vou publicar algumas de que me lembro. A da velha e a das laranjas são bestiais.
        Junte-se que também edito as suas.

      • João. diz:

        Uma das minhas anedotas favoritas é uma anedota russa não-política. Li-a num livro de Zizek. Ela é um pouco pesada. se não quiser publicá-la tudo bem. Fica só para você. No caso de decidir publicá-la eu vou deixá-la em inglês que sempre suaviza um pouco a coisa:

        In one of those long railway cross-country trips in Russia two strangers sit next to each other on the train. After a while one turns to the other and asks, “did you ever fucked a dog?”

        “No”, answers the other in disgust. “And you?” , he asks.

        “Of course not. I’m just making conversation”.

      • fnvv diz:

        claro que publico

      • João. diz:

        Uma anedota também muito boa, a meu ver, e já com algum conteúdo político, encontra-se no livro de Freud, “Os chistes e a sua relação com o Inconsciente”.

        Um pobre dirige-se a um vizinho rico e pede-lhe dinheiro emprestado.
        Mais tarde, o pobre, tendo recebido o dinheiro emprestado, vai a um restaurante comer uma maionese de salmão. O rico, tendo saído para um de seus passeios de fim de tarde, dá de caras com o pobre a jantar:

        – “Então – diz o rico indignado – “você vem pedir-me dinheiro emprestado e agora está aqui a comer maionese de salmão. Você não tem vergonha na cara?

        – “Ora” – responde o pobre – “se não tenho dinheiro não posso comer salmão, se tenho dinheiro não devo comer salmão – quando, então, é que eu vou comer salmão?!”

      • fnvv diz:

        excelente. Vc é brasileiro/a?

      • João. diz:

        Não. Português, mas a morar no Brasil já há uns bons anos.

  3. sá pinto diz:

    no tempo da cortina de ferro havia uma anedota polaca que dizia, “o capitalismo é o sistema de exploração do homem pelo homem, o comunismo é precisamente o contrário

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