Porquê ir à manifestação no sábado?

  1. Porque o plano de redução do défice português é o que mais prejudica os pobres em comparação com os planos em vigor dos outros países intervencionados.
  2. Porque as excepções nos cortes dos subsídios e benefícios se acumulam entre uma pequena elite de privilegiados com ligação ao Governo.
  3. Porque um Governo sem pressão popular se acomoda às soluções mais fáceis, em vez de escolher as que menos prejudicam os cidadãos.
  4. Porque embora exista um problema, um buraco, chame-lhe o que quiser, nunca existe apenas um caminho para sair dele, excepto por efeito da arrogância do poder.
  5. Porque a intervenção na TSU, ao transferir riqueza dos trabalhadores para as empresas, simboliza o desprezo deste Governo pelos cidadãos, em particular os mais vulneráveis.
  6. Porque a imobilidade da opinião publica foi responsável por muitos dos erros cometidos pelos governos que elegemos em trinta e tal anos de democracia.
  7. Porque uma perspectiva blasé do confronto democrático é a doença infantil da nossa “opinião esclarecida”.
  8. Porque manifestar-se não é ser esquerdista, estalinista, índio pé-sujo, tocador de djambé, altermundialista de passa-montanhas, imbecil ou terrorista.
  9. Porque se você não fizer uma coisa, alguém de quem não gosta a fará.
  10. Porque até a doutora Manela vai lá estar (ok, eu também não acredito).

Amanhã você tem o direito de se armar em ironista chique, em esteta que abomina a loucura do mundo e em velho sábio da montanha. Mas também tem o direito de se manifestar e não deve sentir-se condicionado por quem despreza esse direito.

Eu não sinto, e vou estar lá.

Luis M. Jorge

Advertisements

39 thoughts on “Porquê ir à manifestação no sábado?

  1. caramelo diz:

    Vão lá à vossa vida, vá. Mas com pouco barulho e sem deixarem copos de plástico e preservativos pelo chão e sem urinarem nas esquinas.

  2. fnvv diz:

    Tovarich,
    Espero enviar-te provas de que estarei amanhã na Praça da República em Coimbra
    Desculpa o desvio menchevique, mas o que é a TSI?

    saudações

  3. henedina diz:

    Solidarizo-me com os dois, e solidarizo-me com a manifestação pública de desacordo, ou, seja solidarizo-me comigo, mas não estarei lá estarei a fazer 24h de urgência.
    Mas o dinheiro que se tira aos trabalhdores tem de ser para pagar a divida publica não para as empresas.
    Se o governo fosse mais islandes menos apoio ao capital e mais as familias já tinha revertido a crise.
    Essa de tirar aos fracos para dar as grandes empresas é tão sem vergonha que espero que todos os meus amigos de bem do PSD me substituam na rua.

    • Fernando Cardoso Virgílio Ferreira diz:

      PSD – Partido Sem Destino

    • Miguel diz:

      “Mas o dinheiro que se tira aos trabalhdores tem de ser para pagar a divida publica não para as empresas.”
      Grande parte da dívida pública é dívida de empresas que foram nacionalizadas pq tinham prejuízo (ou daquelas em que só se privatizou a parte que dava lucro). Outra grande parte são juros usurários para os tubarões do FMI e BCE, que nos fizeram um empréstimo impondo (sem respeito pela nossa soberania) condições políticas de austeridade que levam a que nunca mais o possamos pagar, quanto mais os juros. Por último, os funcionários públicos também são credores do Estado, que lhes deve alguns salários em atraso.

      • Miguel diz:

        Já agora, a maior parte do tecido empresarial do país (PMEs) são contra estas medidas, que vão empobrecer as famílias, baixar o consumo, e como consequência piorar a situação também para estas empresas que já passam dificuldades. Portanto o governo está a tirar dinheiro aos trabalhadores não para o dar às empresas no geral, mas para o dar ao grande capital, que não é taxado.

  4. Fernando Cardoso Virgílio Ferreira diz:

    TSI – Taxa Social Iníqua

  5. Miguel diz:

    Se esta manifestação tivesse algum propósito “positivo” eu tambem ia…
    Mas juntar-me apenas porque estou “contra” o pior governo que tivemos nos últimos 100 anos..não me motiva.

    Foram precisamente os rbanhos de vozes “contra”, sem uma única alternativa (porque seria impossivel entenderem-se!) que nos trouxeram aqui.

    Não sendo eu um lider de massas, anseio por alguem que lidere um movimento, um partido, um grupo..algum coisa com a qual eu me possa identificar.

    Sobre o ponto “Porque se você não fizer uma coisa, alguém de quem não gosta a fará.” eu diria que é pior estar lá e dar força a alguem de quem não gosto.
    De certeza absoluta que não vou servir de pano de fundo para o Louçã perorar para as televisões..

    Miguel

    • Se o hunos estivessem à porta da sua cidade também exigia um propósito “positivo” às revoltas?

      • Miguel diz:

        Eu coloquei a minha dúvida em termos positivos, porque me parece mais produtivo.
        Agora…essa é uma excelente questão, que me deixou aqui a pensar.

        o que inicialmente me baralhou foram os “hunos”…ohhaa! temos de combater os “Hunos” e assume-se que nada poder ser pior do que os “Hunos”.

        Mas pode. E esses que podem tornar a minha vida ainda mais miserável (é sempre possivel fazer pior…) estariam ali ao meu lado a comandar as tropas contras os “hunos”. A comandar-me a mim. naa….

        Miguel

    • caramelo diz:

      Eu vou estar na de Coimbra.
      Miguel, que raio, uma manifestação não é um grupo de estudos, não tem de fazer propostas. Aquilo tem um propósito “positivo”: é fazer barulho. Quem quiser mandar embora o Passos não está obrigado a organizar ali eleições e quem quiser dizer que já não aguenta mais tanto aumento e corte, não tem de fazer ali um novo orçamento geral de estado. Quando o Louçã estiver a falar para a televisão, pode esconder-se ou assobiar para o ar, ou levar um cartaz a dizer: não tenho nada a ver com aquele tipo que ali está a falar para a tv. Mas é de facto o medo das más companhias, de ser conotado com quem não concorda, etc, que afasta muita gente disto e é pena. É que assim nem vale a pena criar movimentos cívicos (e espero que saia disto alguma coisa mais permanente). Há sempre o risco de entrar para lá gente suspeita. Ficam os partidos que estão, já bem formatadinhos desde há pelo menos cinquenta anos e abrangem todo o “espectro”.

    • Miguel diz:

      ” De certeza absoluta que não vou servir de pano de fundo para o Louçã perorar para as televisões..”
      Infelizmente, o BE é o único partido que resta na defesa da social-democracia. O PS de Sócrates e o PSD de Coelho engoliram a cartilha ideológica do neo-liberalismo. É pena.

    • Apesar de compreender e subscrever parte do seu comentário, pois eu também considero que os políticos são todos sardinha da mesma canastra.
      Penso que devíamos estar todos presentes na manifestação, em prol da defesa de todos os portugueses. Temos de dar força a Portugal e aos portugueses isso sim. Aproveitadores haverá sempre porque vivemos num estado oligárquico e quem cala consente. Por isso se não consentes, tens de estar presente na manifestação.

  6. Espero que os portugueses adirem em massa, porque precisamos da força de todos para correr com essa corja de corruptos do poder.

  7. Bitaites diz:

    O Francisco José Viegas vai? Não quero ser maldoso, mas lembro-me de que quando o Passos Coelho começou a dar as primeiras entrevistas para mostrar-se disponível, o Viegas foi um dos que disse que o achava bem preparado (um dos poucos momentos em que dissenti do homem):
    http://origemdasespecies.blogs.sapo.pt/825383.html
    http://origemdasespecies.blogs.sapo.pt/825965.html
    http://origemdasespecies.blogs.sapo.pt/1084484.html

    Já agora, é ler a entrevista do Pedro: http://www.cmjornal.xl.pt/noticia.aspx?contentid=B2AD81A6-335B-41C4-95C6-163CF85415DE&channelid=00000229-0000-0000-0000-000000000229

  8. Eu irei, pela primeira vez, por ter saturado todas as compressas. Vou de coquilha, botas e com qualquer coisa nos bolsos que me permita estar mais tranquilo.

  9. Não mudaria uma virgula!
    Espero que não se importe mas partilhei também na página do blog de modo a chegar ao maior número de pessoas possível.
    No entanto, se quiser posso retirar, basta dizer-me.

  10. henrique pereira dos santos diz:

    1) Para mim é novidade que os pobres portugueses estejam pior que os pobres gregos;
    2) Não percebi de que excepções fala. A dos gabinetes? Para resolver esse problema não me parece que a melhor solução seja uma manifestação contra a troica, que não tem nenhuma relação com o assunto;
    3) Não me diga que nas manifestações se vão defender as soluções difíceis em vez das fáceis, do género não pagamos e não queremos saber quem paga nem as consequências de não pagar. Seria a primeira vez que uma manifestação com esses propósitos teria mais de meia dúzia de pessoas;
    4) Sim, claro que há vários caminhos. Até agora foram apresentados dois. Este em execução contra o qual se vai manifestar e o de sócrates e todos os outros que continuam a propôr-se resolver um problema de excesso de dívida com mais despesa;
    5) Ainda que de forma nebulosa, parece que os mais vulneráveis irão ter um tratamento diferente. Se a manifestação for para ganratir isso, tem alguma utilidade, mas suspeito que não é essa a intenção da maioria dos que a apoiam. De qualquer maneira, os mais vulneráveis de todos são os que perderam o emprego ou estão em risco de o perder. Esse não são seguramente afectados pela medida e podem mesmo (sobretudo os que estão em risco de o perder porque a empresa não tem crédito para a tesouraria e outros problemas menores) ser beneficiados por ela;
    6) Veja bem a sua justificação 3) e pense bem se é compatível com esta;
    7) O que é mais blasé: ir a uma manifestação com a troica com base em justificações como a 3) ou discutir seriamente que alternativas existem para importar menos e exportar mais?
    8) E não manifestar-se não é ser cão de fila do governo, amarelo, snob, elitista e com falta de sensibilidade social;
    9) Isto é que não é mesmo verdade. Se eu não pagar a dívida que temos, ninguém a pagará por mim;
    10) E o Dr. Bagão Félix, para já não falar do Miguel Sousa Tavares. Vai ser uma festa.
    Mas que vá em paz:

    • Henrique todos os argumentos do meu post tem sido bem documentados, mas o primeiro é talvez o que as pessoas mais desconhecem, por isso respondo a esse. O que eu digo não é que os pobres portugueses estão melhor do que os gregos, mas sim que na definição das políticas de austeridade houve uma ponderação relativa dos efeitos sociais sobre os pobres que não existiu aqui. Ou seja, em termos relativos, face a outras classes sociais, os pobres portugueses foram mais prejudicados. Esta conclusão consta de um estudo com alguns meses, para o qual vou tentar encontrar o link se tiver tempo. Mas se quiser ter uma discussão séria sobre o assunto também pode fazer o seu trabalho de casa e procurar. As suas outras objecções infelizmente parecem-me tendenciosas.

      • henrique pereira dos santos diz:

        Já fiz esse trabalho de casa. E o estudo tem uma série de pressupostos que convém ter bem presente quando é lido. Sim, claro que as minhas objecções são tendenciosas, tendem para a minha opinião, como as suas tendem para a sua. Nenhum problema com isso.

      • Então porque é que se fez desentendido, gosta de tomar os outros por parvos? Consigo não gasto mais latim.

    • fnvv diz:

      o 2 e o 3: muito bem, Henrique.
      O 8 é sobre o espírito de manada, mais comum em Portugal do que a silva.
      Atenção, no entanto, ao ricochete: manifestar-se também não significa ser vermelho, doido, irresponsável etc. É bom não comer tudo o que nos põem à frente.
      abraço

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: