Elegia.

Pelas dez da noite fui comer um gelado à Surf. Em frente do Pingo Doce da Avenida de Paris três ou quatro tipos esventravam com método um contentor de lixo. No adro da igreja da Praça de Londres havia serão de fados, a que não faltou o Embuçado nem As árvores morrem de pé. A vinte metros da pastelaria Mexicana meia dúzia de infelizes esperavam pela sopa dos pobres itinerante da Beata Isabel Jonet.  Um maluco de barbas amarelas desejou-me boa noite.

Se tivesse subido ao Técnico encontraria putas de quinze anos ternamente vigiadas pelas chaperones. Assim papei um cone de cheesecake entre ovações à Odete desgraçada, no Portugal sóbrio e comedido, modesto e compungido, parco, indigente e pranteado que agora não vive, e nosso senhor o guarde, acima das  possibilidades.

Luis M. Jorge

7 thoughts on “Elegia.

  1. henedina diz:

    E em Lisboa “a única cidade do país no séc XXI”. Imagine nas que ainda estão no séc. XX.
    Só não gostei de papei…

  2. cdw diz:

    Portugal vive acima – muito acima – das suas possibilidades. Se não vivesse não havia nem dívida externa nem déficit das contas públicas.

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