Revoluções (II)

Qualquer assembleia só é democrática  e representativa da vontade  popular se  reconhecer o exercício  de direito  de revogação dos eleitos pelos  eleitores ( Lenine,  23 de Novembro,1917,  Izvestia). O que as centenas  de trudoviques que se confrontam com a polícia espanhola  dizem é  exactamente o mesmo (os mihares  que estão nas filas de trás , por enquanto,  hesitam). Traduzindo por miúdos, nenhuma  instutição burguesa é representativa: os “manifestantes” falam  de uma (il)egitimidade  assente  em apenas 11 milhões de eleitores. Negri, hoje, ( o tempo parece não passar)  diz o mesmo no Le Pouvoir Constituant: a democracia absoluta nasce da desinstitucionalização do poder constituinte, e assenta , portanto,   na destruição  sucessiva das figuras da modernidade burguesa.

A diferença entre os burgueses radicais das ruas e os velhos leninistas é esta: só a destruição da economia mercantil permite  a Revolução. O que seriam, no entanto,   os radicais burgueses sem os seus gadgets sociais, ganhos  precisamente à custa da cultura do  mercado? Querem ir cavar batatas,  trabalhar nos moldes, viver sem Blackberrys, não  hacer botellón e fazer a Revolução? Pois sim.

FNV

3 thoughts on “Revoluções (II)

  1. João. diz:

    A força da situação, quer dizer, do modelo burguês não está na posse do blackberry mas na sua promessa; a meu ver é só enquanto conseguir ainda fazer promessas de blackberrys, mesmo que só lá mais para a frente, digamos, no pressuposto fim do processo de ajustamento, como gosta de dizer o governo, que o sistema burgês sobrevive. O sistema burguês só está verdadeiramente em risco, quer dizer, de ver o povo a desistir dele, quando a esperança se perde – por isso, no que respeita à nossa situação, julgo que você vai ver como passaremos a viver acima de tudo de amanhãs. Numa autêntica inversão irónica da história, os amanhãs que cantam em Portugal vão ser cada vez mais os cantados pela burguesia – para tal temos já uma comunicação social nas mãos do capital devidamente fornecida desses cantores de amanhãs burgueses.

  2. fnvv diz:

    Julgo que o caso grego deve ser acompanhado.Ele há certezas que estão a abanar.

  3. jcd diz:

    Quem sabe se não estaremos (exactamente por causa dos blackberrys) perante um ‘burguetariado’.
    Joana

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