Médis.

Talvez a “mania da igualdade”, tão abundantemente denunciada por todos os liberais sem cheta da Damaia a Mira-Sintra, seja agora mais fácil de compreender. Ou talvez a Dra Isabel Jonet lhes leve umas sopinhas.

Luis M. Jorge

15 thoughts on “Médis.

  1. caramelo diz:

    É extraordinário. Talvez eles se tenham esquecido do que significa “conselho de ética” ou “ciências da vida”, ou “ética”, simplesmente, e estejam convencidos de que são contabilistas de um qualquer departamento do ministério das finanças ou do tribunal de contas. Eu aconselho fortemente a que não se corte na comparticipação dos antipsicóticos.

  2. E eu, como escrevi na minha tasca, sublinho a necessidade de nos vermos livres de gente como Miguel Oliveira e Silva, independentemente do modo como isso suceda.

  3. O critério “custe o que custar” tanto dá mau resultado no SNS como no programa de austeridade do governo. O tema é complicado, as pessoas gostam de dizer que uma vida não tem preço e varrem o problema para debaixo do tapete. Qualquer SNS tem que tomar decisões económicas.

    • Sem duvida: mas essas decisões devem ser baseadas num calculo de probabilidade sobre tempo de vida? E qual o critério para ter acesso ao serviço a serio? O cartaozinho do partido conta? Um conselho de ética não se devia pronunciar sobre questões de poupança, mesmo que a poupança seja necessária em alguns casos.

  4. caramelo diz:

    Por orientação da troika, a Ordem dos Médicos vai aprovar um novo Juramento de Hipócrates: “Eu juro, por Apolo, médico, por Esculápio, Higeia e Panaceia, Vítor Gaspar e Merkel, e tomo por testemunhas todos os deuses e todas as deusas, tratar os doentes até onde me permite o dever de cumprimento da meta do défice de 2,15% em 2014.”

  5. Jorg diz:

    Correndo o risco de ser advogado do diabo em causa dificil e extremamente sensível, parece-me que se está a apressar consequências contaminando-as de politica abreviada.
    Este tipo de discussão – e já agora a integração do critério de ponderar beneficios e custos na tomada de decisão médica inclusive em tratamentos complexos e mais dispendiosos de condições clinicas graves- é recorrrente e permanente em Países, e.g. do Norte da Europa, que muitos dos criticos dos ‘liberais’ frequentemente elogiam nestas áreas e não implica, de modo tão avulso e tão simplista como parece transparecer da critica postada, cortes a bruta em tratamentos para “cancro” ou outras condições graves só para ‘poupar’!!

  6. Fernando Lopes diz:

    Correndo o risco de parecer cínico, isto é,sobretudo, inabilidade política. Os recursos do SNS sempre foram finitos. Há muito que as equipas médicas decidem quando desistir, numa decisão colegial, tendo muitas vezes em conta a idade do paciente e custo do tratamento. Uma espécie de eutanásia escondida. E Luís, acho que nenhum seguro de saúde cobre tratamentos oncológicos “no matter what”.

    • Fernando, em parte até concordo consigo. Mas neste caso não parece ser a equipa clínica a fazer essa escolha, e sim a escolha a ser encorajada por uma comissão de ética que mais parece uma comissão do orçamento. Ou seja: temo que os critérios de razoabilidade sejam substituidos por outros, que me inquietam. Se o combate ao défice for um critério, estou como o outro: piro-me.

  7. óbvio diz:

    O SNS é um serviço comparativamente com outros SNS estrangeiros eficiente, – melhores indicadores gasto per capita menor – com % de PIB muito aceitavel (se pensarmos que o BPN custa bem mais que o SNS logo veem do que falo). Antes de mexerem neste serviço eficiente os doentes eram tratados sem necessidade de comissões de ética acharem etico que o melhor tratamento se for caro passa a não ser o melhor tratamento.
    Se a saude dos portugueses não fosse um manancial os privados não estariam interessados na saude.
    Porque continuar a ADSE? A ADSE é que permite a proliferação de hospitais privados e menos dinheiro fica para os hospitais publicos. Os gestores privados, claro que querem ganhar dinheiro foi o estado que os pões na saude, tem mais capacidade de contratarem e isso permite por vezes equipas ideais que a pesada maquina do estado não permite com celeridade mas, claro que encarece e não diminui a despesa do estado, o estado estava a espera que fossem o quê madres Teresas de Calcuta?
    Ah! Parem com a hipocrisia isto é um plano bem urdido.

  8. Núncio diz:

    Acho que o ar dos tempos nos contagia e torna-nos incompreendidos ou incompreensíveis.
    Retirando do parecer os aspectos de oportunidade, competência e aptidão, saber se devemos (ou podemos) prolongar a vida indefinidamente e a qualquer custo (não só económico, mas físico e emocional) é uma questão claramente ética e que, infelizmente, o SNS tem de ter em conta.
    Dito isto, não tenho ainda opinião definitiva sobre se o Conselho se pronunciou com sensibilidade e bom senso.

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