Não seria mais simples?

Quando António Borges chama “ignorantes” aos críticos do aumento da TSU, não se trata de um desabafo. Como diz o Filipe aqui em baixo, é mais uma estratégia. Também Moedas disse o mesmo e pela mesma razão:  falta de contacto com a realidade. Quem se opõe à iluminada política do Governo é “piegas”, não quer “sair da zona de conforto”, está “instalado”, faz de “cigarra”. Já ouvimos isso tudo. Lembra-me aquele poema do Brecht:

Por culpa sua

O povo perdeu a confiança do governo

E só à custa de esforços redobrados

Poderá recuperá-la. Mas não seria

Mais simples para o governo

Dissolver o povo

E eleger outro?

(Sim, já sei, o Brecht era comuna, mas o poema ataca as declarações do secretário-geral do Sindicato dos Escritores da RDA, um lacaio do poder, após a revolta de 17 de Junho de 1953 em Berlim-Leste.  Usem a parábola no sentido que quiserem: da direita para a esquerda ou da esquerda para a direita.)

PP

One thought on “Não seria mais simples?

  1. Sim, camarada. Mas nunca devemos subestimar a incapacidade de alguns em compreender parábolas enquanto tais e em aperceber-se do seu alcance tanto para a “esquerda” como para a “direita”. Digamos que há sempre quem só olhe para a mão do dedo que indica e que não avista aquilo mesmo que é indicado: a sua aflição é somente a de saber se a mão é a esquerda ou a direita.
    (Por exemplo, seria divertido assistir às reacções à tua citação do Brecht, se não tivesses tido o cuidado de lhe acrescentar a génese…)

    A declaração, mais “transparente”, de Borges não deve ser desligada do lamento ressentido e amuado que o primeiro-ministro fez há dias a respeito dos empresários discordantes. Tanto uma, como a outra, traem um “pensamento”. Uma crença cega (ou, pelo menos, de olhar confinado) numa série de teses que seriam milagrosas se aplicadas tal qual as propõem. Como é evidente, só a “ignorância” das gentes explica que a fulgurante bondade das opções não seja reconhecida. Este tipo de cérebros (não os conteúdos) não anda, afinal, muito longe dos “modos de compreensão” das ideologias que asseveram detestar. O que será, talvez, mais grave é que Borges, Moedas, Passos e outros são genuínos no seu choque.

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