J`accuse: caricatura!

1- O César das Neves não é “a direita”.
2- O César das Neves não diz que a ditadura é preferível à democracia, diz que o Estado Novo é o único regime em que Portugal teve o défice controlado (uma evidência, de resto já explicada por Pedro Lains e Irene Pimentel).
3- O César das Neves é o teu Romney.
4- Estou quase a dizer que cada um tem o Romney que merece.
5-Só não digo porque te conheço.

PP

8 thoughts on “J`accuse: caricatura!

    • Miguel A. Baptista diz:

      Ò Luis como a mim não me vais acusar de querer ditaduras (tenho uma alma muito mais anarquista do que “fássista”) eu acho que o César da Neves coloca um problema importantíssimo, o da sustentanbilidade das democracias em paises com uma cultura relativamente semelhante à nossa.

      E a questão é, na minha opinião, relativamente simples de ser posta (já as soluções serão difíceis). Trata-se de uma não-coincidência entre políticas desejáveis para um país e políticas que angariam votos.

      O Friedman dizia algo como “os verdadeiros impostos são as despesas” (citado de memória, por certo com erros) e tinha razão (pagamos sempre, ou com dinheiro de impostos ou com um imposto encapotado chamado inflação). No entanto os governos têm a tentação, e a capacidade, de fazer despesa, colher os louros disso, e chutar a factura para a frente. Assim ganham eleições. (estavamos prestes a “bater contra a parede” e Sócrates ganhou as segundas eleições a prometer aeroportos e TGVs.)

      Pode-se dizer que essa tentação é tendencialmente mais de esquerda, pois esta sonha com um Estado protector e omnipresente (exemplos: Sócrates, Zapatero). No entanto a tentação é universal e transversal a todos (veja-se o caso da Nova Democracia na Grécia ou de Berlusconi em Itália) pois todos precisam ganhar eleições. Essa tendência é válida até aos Estados estarem à beira do colapso (um país como Portugal gastar mais em juros do que em saúde é estar à beira do colapso financeiro) num verdadeiro “suicídio colectivo”.

      O problema não é de direita ou de esquerda, o problema tem a ver com a génese do jogo democrático. (como não sou político posso mandar estas atuardas politicamente incorrectas.)

      Como resolver o problema? Como salvar a democracia, sobretudo na versão que entendo ser a melhor e mais civilizada – a democracia social europeia?

      Não penso que exista “A Solução”. No entanto um dos bons contributos seria a constitucionalização do limite do deficite. Essa medida (que tem vários defeitos) iria diminuir (não impedir) as possibilidades dos políticos “fazerem batota” – fazer despesa e “atirar a conta” para o seguinte. Não foi à toa que Luis Amado a defendeu e que Sócrates era contra.

      Claro que numa sociedade europeia civilizada a solução ditadura não se coloca, ou não deveria ser colocada, pelo menos nos modos tradicionais. Somos demasiado insubmissos (felizmente, e mesmo os portugueses) para não aceitar que um “caramelo qualquer” ocupe o poder sem legitimidade. Felizmente para nós a democracia e os votos são a única fonte de legitimidade. Alguns modelos híbridos, como o de Mário Monti em Itália, (um não-político a fazer um cargo político para o qual os políticos não têm credibilidade ou “tomates”) poderão surgir e quanto a mim é relativamente preocupante.

      PS – para ver como essa lógica da despesa está tão enraizada na medula dos políticos em campanha vê o discurso do TóZé Seguro, vê a vergonhosa campanha de Berta Cabral nos Açores e espera por aquela que será a campanha de Luis Filipe Meneses no Porto. E tudo isto no momento presente num país que já deveria ter aprendido alguma coisa com a merda que tem feito.

      Abraço e parabéns pelo vosso novo blog, os três juntos são um verdadeiro dream team,

      Miguel A. Baptista

  1. ppicoito diz:

    Parece-me que, em democracia, pensar (ainda) não é um crime. Se é que é isso que ele pensa.

  2. ppicoito diz:

    Eu sei, por isso és de esquerda. Mas olha que também tens por lá gente pouco recomendável…

  3. Antes de Irene Pimentel ou de Pedro Lains, o próprio Salazar se fartava de explicar a dita evidência. Mas recordava sempre, num misto de ironia, cinismo e hipocrisia, que em “democracia” tinha havido um orçamento equilibrado; com Afonso Costa, ainda antes da Grande Guerra.

  4. rosa diz:

    …mas JCN,não peca por ser um bocado definitivo?Não se diminuiu a divida-em-democracia…ainda!Afinal, a nossa democracia é novissima,comparada com a de França, Japão, EUA…sem contar com a de Inglaterra!E o país estava muito atrasado, em muita coisa!Hoje despesas muito justicadas!È dar tempo…

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