Nadar no ferro – blogue terapêutico (I)

A mediação conjugal não tem nada  a ver com a americana  terapia conjugal. Recuso-me a a ter casais sentados  à minha frente, sessões a fio,  ouvindo conselhos sobre como  melhorar o sexo e a comunicação. A mediação conjugal faz-se numa única sessão ( duas no máximo) e tenta identificar  as fortalezas irredutíveis. É nelas que  reside a distância e, normalmente, a origem da ruptura. Com tempo, darei exemplos.

Para já, um e simples.  O casal discute violentamente  à frente dos filhos. Ai e não sei quê não podemos evitar/  o que é que quer que a gente faça?/ não podemos estar sempre a ir para outra sala discutir.

O que lhes digo: Ai não podem? Quando querem fazer sexo também é logo ali entre os cereais do pequeno almoço  e a manteiga? Ou seja, se os casais  sabem obter privacidade para se enroscar, também o sabem para se atacar.

FNV

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7 thoughts on “Nadar no ferro – blogue terapêutico (I)

  1. jcd diz:

    Hummm Filipe, há qualquer coisa aqui que não bate certo. Quer dizer que quando discutem violentamente (na outra divisão da casa) moderam o tom de voz e abafam os gritos com a meticulosidade com que o fazem quando fazem sexo? E os filhos, também nunca percebem?
    Joana

    • fnvv diz:

      Não, Joana: significa que se sabem escolher o tempo e o lugar para coisar, também o sabem para discutir, não é?

      • jcd diz:

        É? Sou uma céptica, está visto. Porque a dinâmica de “discutir violentamente” parece tão longe (mais genuína?) da de “coisar” de um casal. E o acto de escolher o tempo e o local, tão racional e certinho, quase nórdico.

  2. fnvv diz:

    essa dinâmica não me parece nada longe da outra e esperar que os miúdos vão para a rua brincar ou que estejam a dormir para cortar goelas e despejar rancor, também não me parece nada nórdico ( não gosta do Wallander?) é até um bocado siciliano.

    • jcd diz:

      Chamei dinâmica (a palavra que calhou usar na altura, nada de muito científico) ao facto de grande parte das discussões serem espontâneas, inevitáveis, surgem do nada, e por isso são difíceis de controlar. E se o cortar de goelas e despejar de rancor (siciliano, claro) se pode adiar, já o azedume, a meia piada que fere, o insulto (disfarçado ou não), o ignorar, desmerecer ou desprezar dificilmente se adiam quando a chispa se solta. Não é por ser menos coreografada e mais silenciosa que a discussão deixa de ser violenta e de ferir. Já a espontaneidade ou inevitabilidade do sexo de um casal… o Filipe saberá melhor do que eu. Só por causa dessa espontaneidade ou inevitabilidade disse serem ‘dinâmicas’ diferentes.

      • fnvv diz:

        Mas ó Joana: a meia piada e azedume estão muitas vezes dentro do suportável pelos miúdos.Falava de discussões violentas, berros etc.

  3. henedina diz:

    Siciliano, a vingança serve-se…

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