O mar ou o rio


Existe uma “enorme” distância entre as funções que os Portugueses exigem ao Estado social e os impostos que estão dispostos a pagar, disse o Ministro das Finanças. A frase, no dia em que o Governo ensaiou uma tentativa de diminuir o subsídio de desemprego, provocou naturalmente polémica. Nem podia ser de outro modo.
Acontece que Vítor Gaspar tem razão. O Estado social está falido, pelos motivos demográficos e económicos do conhecimento público, e rever-lhe o alcance e a sustentabilidade é uma condição básica de sobrevivência . A recusa de Seguro em fazê-lo apenas prova o que já sabíamos: que o PS está afogado em demagogia, qual Ofélia do regime, e dali não nos vem grande esperança. Não é por negar a realidade que ela desaparece.
Mas o momento em que a questão é lançada mostra, mais uma vez, a “enorme” inabilidade política do Governo. Há um ano ou dois, o debate tinha sentido. O PSD, por medo ou irrealismo, não se prestou a isso. Retomá-lo agora, quando o Orçamento Geral do Estado cai dentro de um espectro semântico que vai do “napalm fiscal” de Bagão Félix ao mais directo “roubo” proudhoniano da malta que cerca Parlamentos, é como perguntar a um afogado se prefere o mar ou o rio.
Se o afogado ainda tiver forças, não será imprevisivel que nos mande a um outro sítio.

PP

4 thoughts on “O mar ou o rio

  1. Fernando Cardoso Virgílio Ferreira diz:

    Caro Pedro, tudo seria mais simples se os nossos sucessivos (des)governantes soubessem o que andam a fazer: nunca ninguém seriamente quis “reformar o Estado Social” (inventado por Marcello Caetano e alargado por Sua Anibalidade Cavaco Silva enquanto PM), a não ser para lhe acrescentar camadas de PPP, SCUT, empréstimos vários e manobras financeiras duvidosas para alimento e gáudio de cliques diversas, o que não deixaria (como efectivamente aconteceu) de levar à glória o nosso Estadão…
    Quanto à súbita verve do nosso mal-amado Vitinho Raspar, basta que Nosso Senhor Dos Passos determine a aceleração do processamento das dezenas de milhar de requerimentos de aposentação pendentes na CGA para que a Administração Pública fique reformada por natureza, sem mais delongas.

    • palavrossavrvs diz:

      Bravo. Inteiramente de acordo.

    • Vitor Ramos diz:

      Aprecio muito os comentários e intervenções do “bolog”, desta vez sou levado a comentar a contradição que vislumbrei no discurso apresentado, i.e., por um lado o PP (Pedro Picoito) critica PS não quer discutir o Estado Social e se refugiar na demagogia, por outro diz que agora (discussão do O E) não é o momento… De facto o conceito e ambito das funções do Estado deveriam ter sido discutidas há muito e isso deveria ter ocorrido nas campanhas eleitorais. As opções legítimas do eleitorado deveriam ser feitas também aí e principalmente por aí !!

  2. palavrossavrvs diz:

    Muito bem, Pedro.

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