Nadar no ferro – blogue terapêutico (III)

Os mortos vivem? Claro que sim.

Se tomarmos  a existência na sua forma sensível, o assunto fica encerrado. Pelo contrário, se sentimos   a existência de alguém como ligada à nossa, o seu desaparecimento físico não impede a reminiscência. A falta , só por si,  já é uma forma de vida: siginifica que uma parte das nossas emoções  ficou sem destino, não quer dizer  que essa parte deixou de se produzir.

Curar significa vigiar, cuidar. O tempo  cura a perda? Claro que não: cuida dela. Os mortos vivem porque cuidamos  deles enquanto pensamos  que nos  estamos  a curar. Tenho na consulta  uma  mãe que perdeu a filha num acidente  há três anos. Dizia-me ela no outro dia: a minha filha preocupava-se muito comigo, queria que eu cuidasse mais de mim.

FNV

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3 thoughts on “Nadar no ferro – blogue terapêutico (III)

  1. henedina diz:

    Os mortos vivem enquanto os lembramos. Como os mortos que lembramos são os que foram importantes na nossa vida, devemos continuar a nossa vida sem eles de forma a sermos felizes porque seria isso que eles quereriam para nós.

  2. Porqie é que a morte dos nossos pais nos deixa sempre este estranho sentido de liberdade… e solidão?

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