Venham mais cinco

Está-se bem, não é?  Compra dinheiro ao BCE   a 1% e vende-o a 5 ou  6%.

FNV

23 thoughts on “Venham mais cinco

  1. Afinal o Pedro Picoito tinha razão, você limita-se a ser do Benfica, não é verdadeiramente da direita. Qualquer pessoa da direita não só não vê nenhum risco moral na margem de 4 ou 5% como até fica um bocado preocupada dela ser tão pequena. Nestes tempos de austeridade, o que será dos pobres bancos se não conseguirem uma margem razoável?

    • fnvv diz:

      Sou inclassificável, como me diz sempre , com tristeza, o Nuno Mota Pinto ( ex-patrão do Mar Salgado)
      comecei a ser expulso logo no terceiro dia da pré-escola, com apenas 3 anos de idade.

      • Isso é que eram bons tempos, de pequenino se torcia o pepino, não havia facilitismo! Disse algum palavrão? Se foi isso a exopulsão parece mais do que justificada. Como dizia o mayor de Nova Iorque, tem que se ter tolerância zero!

      • fnvv diz:

        nunca preciso de dizer palavrões para incomodar a autoridade, mas o ponto é haver vulturinos…

      • henedina diz:

        Isso é porque é impossivel de aturar, não é por ser de esquerda 😉

    • João. diz:

      O problema na sua tese é que na compra a 1 e venda a 5 ou 6, a margem não é de 4 ou 5% mas de 400 ou 500%.

  2. Agora falando a sério, os 4 ou 5% são o spread dos bancos conforme referido, por exemplo, aqui: http://pt.wikipedia.org/wiki/Spread, não me parece que se possa dizer que são 400 ou 500% de lucro, porque para se ganhar 4 ou 5 estão a ser emprestadas 100 unidades. E o risco de ausência de pagamento é sobre os 100 e não sobre a unidade de juro desses 100. Diz na wikipédia que na Europa e nos EUA o spread costuma ser 3%. Este portanto é muito alto em relação a esses valores. E parece ainda mais alto por ser um empréstimo a um Estado que tem a capacidade de extorquir dinheiro quase sem restrições aos contribuintes de um país, fazendo aumentos enormes de impostos, como diz o nosso ministro das Finanças.

    • fnvv diz:

      mas o sr Ulrich não consegue o dinheiro do BCE por causa da situação extraordinária? E não é verdade que depois quando é para emprestar a empresas ( vi isso num dos jornais de economia) cobra-lhes couro e cabelo?

      • fnvv diz:

        e depois a coisa simbólica de que falei ao Luis M Jorge: não é para todos? nºao devia ser dado um sinal ?

      • Eu acho esta situação em que o banco recebe um empréstimo a 1% e reempresta ao Estado português a 4% ou 5% completamente imoral, considero-me roubado como contribuinte que vai pagar esse juro e continuo a surpreender-me com o poder dos banqueiros que fazem isto e a quem ninguém pede uma explicação sobre estas operações de financiamento. É o sinal iniludível do poder imenso da actual classe dominante.

    • João. diz:

      Amarante,

      Na matemática da coisa você tem razão e eu estou manifestamente errado, mas na prática o banco não compra os 100 ao BCE, acho até que nem compra nada, ele faz basicamente a intermediação entre o BCE e o Estado e fica com a diferença entre o 1% que vai para o BCE e os 5% que fica para ele.

      Possivelmente falar de negócios no que respeita aos bancos, nomeadamente este negócio de empréstimos ao Estado português, como eu falaria, por exemplo, no que respeita ao Café que tenho com a minha esposa, não é possível. Eu tenho que comprar os produtos, ou seja, não faço de intermediário em negócios garantidos entre os meus fornecedores e os clientes. Eu não sei se vou vender tudo o que compro. Posso não vender. Já o banco quando vai ao BCE buscar dinheiro para emprestar ao Estado ele já sabe que o Estado o vai comprar e que o Estado estará mais disposto esmifrar o povo do que a dar o calote ao banco. O banco tem a faca e o queijo na mão.

      Depois, se há alguém que neste mundo vive exacta e literalmente às custas do dinheiro dos outros são os banqueiros.

      • João. diz:

        Em certa medida o que é fantástico nos bancos é o modo como nestes negócios, de intermediação entre o BCE e o Estado eles da soma de zeros (de investimento próprio) geram números naturais (para as porcentagens de lucro). A soma de 5 “uns” daria os tais 5, como daria a soma de 2 com 3 ou 4 com 1, etc, já a soma de 5 “zeros” nunca deu 5 – nunca…quer dizer, até terem inventado estes novos métodos.

  3. Como dizia o John Galbraith, a maneira como os bancos ganham dinheiro é tão simples que é repugnante.

    • fnvv diz:

      Acho bem que ganhem, mas acho bem que se adequem aos contextos; não são orgãos independentes, alienígenas , fazem parte da comunidade.

  4. henedina diz:

    Falar, falar…actuar.
    Retirar o dinheiro do banco que tem um presidente que acha que os alemães são o maximo e que os burros dos portugueses merecem ter mais austeridade.

  5. henrique pereira dos santos diz:

    Confesso que não esperava vê-lo alinhar neste populismo fácil. Os empréstimos do BCE não são nem eternos, nem infindáveis, bem pelo contrário, foram uma maneira de comprar tempo para os bancos se refinanciarem. E os bancos só emprestam aos Estados porque eles lhes pedem. No caso do Estado grego já perderam 70% do que emprestaram (uma das razões pelas quais ficaram em situação financeira mais frágil). Mas sobretudo nada disso tira nem põe para as afirmações de puro bom senso de Ulrich: claro que o país aguenta mais austeridade (como se verá no futuro) e é preciso ter consciência de que a alternativa não é menos austeridade mas sim mais austeridade, como acontece com os gregos. E se os gregos saírem do euro, a alternativa será ainda mais austeridade.
    Claro que tudo seria mais fácil se nos emprestassem dinheiro sem juros (também é verdade que seria muito mais difícil se nos emprestassem aos juros do mercado, que chegaram a ser três vezes os juros que estamos a pagar).
    Mas parece que os donos do dinheiro (os contribuintes dos países que nos emprestam) não acham muito bem.
    A banca tem responsabilidades nisto tudo? Tem.
    Mas comparada com as responsabilidades dos que elegemos convenhamos que é menor.
    E no caso concreto de Portugal, em 2009 (em 2011 a coisa não era clara e muito menos nos sobravam escolhas) as pessoas tinham pela frente uma escolha claríssima entre mais endividamento e austeridade resultante da opção de resolver o problema do endividamento.
    Escolhemos mais endividamento.
    henrique pereira dos santos

    • fnvv diz:

      Henrique,
      Também confesso que não esperava vê-lo alinhar nessa invectiva fácil do populismo fácil, uma espécie de esponja do mar que engole tudo.
      Vejamos:
      1) constatei um facto que vc não desmente para sublinhar a falta de sentido comunitário do sr. Ulrich: não precisamos que nos avise que aguentamos mais, nós sabemos.
      2) No tempo em que a banca oferecia crédito fácil todas as semanas na volta do correio, esse dinheiro também não era dos “contribuintes dos outros países”? Onde estava o bom senso do sr.Ulrich?
      É desprezível a forma como a conta vem sempre, de uma maneira ou de outra, parar à mesma mesa.
      3) Em 2009 fiz campanha por MFL excatamente por isso, não porque goste da senhora ou por devaneios adolescenciais e narcísícos que ( acabam em contratos de assessoria).

      ( vou aproveitar as suas críticas para o texto que estou a preparar sobre a falta de referentes simbólicos nestes tempos de ferro, aqui no blogue ou na Ler)

      • henrique pereira dos santos diz:

        1) Provavelmente lemos coisas diferentes sobre o que Ulrich diz. O que ele diz, com toda a razão, é que o discurso “o custo de vida aumenta/ o povo não aguenta” não conduz a menos austeridade mas a mais austeridade. Em nenhum momento me parece que ele esteja a avisar-nos de que aguentamos mais austeridade mas sim a chamar a atenção para o discurso dos que nos empurram para mais austeridade dizendo que o povo não aguenta mais. Enfim, são duas interpretações diferentes do mesmo discurso, em que provavelmente valorizamos de forma diferente o que ele diz;
        2) Não, não era dos contribuintes dos outros países, era dos investidores que corriam os riscos que entendiam (e por isso deixaram de emprestar quando acharam que o risco era demasiado alto). Agora é que o dinheiro que nos emprestado é dos contribuintes dos outros países que estão a correr os riscos que os investidores não quiseram correr. O preço que estamos a pagar por esse dinheiro é abaixo do considerado razoável para o mercado, embora pesado para nós, e faz parte das condições que tornam aceitável, para os contribuintes desses países, emprestar-nos dinheiro. Ulrich nessa altura correu muito menos riscos que outros bancos (por exemplo, a sua exposição à dívida grega e mesmo portuguesa é bastante menor que a de outros bancos). A razão pela qual recorreu à linha de financiamento da troica (a juros muito mais altos que aqueles que a troica nos cobra, já agora) é porque está pressionado, incluindo pelo BCE, a fazer uma recapitalização que aumente a solidez e resiliência do sistema financeiro.
        3) É nessa afirmação de que a conta vem sempre parar à mesma mesa que parece que divergimos mais. uma parte da conta veio parar aos do costume, é certo. E estamos de acordo em que os bancos deveriam ter parado de financiar Estados falidos bastante mais cedo (a questão não é tanto com o crédito oferecido todos os dias na caixa do correio). Se há sector que está a pagar uma conta altíssima disto tudo é o sector financeiro, em prejuízos, em diminuição de actividade, em diminuição de rentabilidade e em destruição de valor. Também por responsabilidade própria, claro, e não tenho pena nenhuma dos seus accionistas nem dos banqueiros, mas negar a evidência da enormidade da conta que estão a pagar não me parece uma boa base de discussão;
        4) Eu sei que fizemos campanha por ferreira leite nessa altura exactamente por essa razão, mas não conseguimos ser convincentes e, enquanto comunidade, escolhemos o endividamento.
        henrique pereira dos santos

      • fnvv diz:

        vamos acertando a aguulha, mas um detalhe: nesse tempo o dinheiro era de investidores, pois, mas muitos desses não foram os que levaram estruturas financeiras à falência, acabando os contribuintes por ter de pagar? Ou seja, alguma vez houve dinheiro fácil, Henrique?
        Quanto ao sr. Ulrich, desenvolverei o meu desacordo mais à frente. Não foi o barbeiro da esquina que falou.

      • henrique pereira dos santos diz:

        Sim, os investidores fizeram investimentos que puseram risco o sistema financeiro, de acordo (o cisne negro é um livro já antiguinho que me ensinou umas coisas sobre isso). Mas essa é a natureza das coisas. Nã podemos pedir aos investidores que actuem como se fossem o que não são.
        Uma vez chegados a uma qualquer crise, há duas hipóteses: ou deixamos rebentar o sistema financeiro (como fizemos com Lehman Brothers), ou assustamo-nos com os riscos do sistema financeiro estoirar (como aconteceu depois da falência do Lehman) e o Estado procura por todos os meios manter o funcionamento do sistema financeiro porque os principais prejudicados do estoiro do sistema financeiro são as pessoas comuns, não são os accionistas e banqueiros.
        Poder-se-ia limitar os estragos antecipando os problemas e criando melhor regulação?
        Sim, com certeza, mas a linha de equilíbrio entre eficiência e regulação não é nada óbvia.
        O facto é que a ausência de regulação que permitiu a crise também foi, em parte, responsável pela enorme riqueza de que disfruta o mundo neste momento, onde somos todos, genericamente, bastante mais ricos do que éramos no início dos anos 80.
        Dinheiro fácil? Não me parece que exista, a não ser em dimensões muito limitadas.
        Eu sei que não foi o barbeiro da esquina que falou. Mas isto é assim tão estranho: “Fernando Ulrich afirmou que não só país tem de suportar a austeridade, como ainda deve estar preparado para o agravamento do ambiente económico e social. “Não gostamos, mas aguenta e choca-me como há tanta gente tão empenhada, normalmente com ignorância com o que está a dizer ou das consequências das recomendações que faz, a querer nos empurrar para a situação da Grécia”, respondeu o presidente executivo do BPI, depois de ter sido confrontado, no III Fórum Fiscalidade Orçamento do Estado 2013, se Portugal aguentaria mais austeridade”

    • João. diz:

      “A banca tem responsabilidades nisto tudo? Tem.
      Mas comparada com as responsabilidades dos que elegemos convenhamos que é menor.”

      Mas a banca nenhum de nós elege.

  6. Lucas Galuxo diz:

    Vamos lá ver.
    Só não empresta dinheiro ao Estado Português a 5 e 6% quem não quer (ou quem não tem). E quem arriscou emprestar há um ano até já ganhou + de 50% na valorização dessa dívida.
    Talvez se esse mercado fosse mais popular sobrasse menos espaço para tubarões comissionistas.

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