Monthly Archives: Outubro 2012

Efabulações

O João Galamba está na AR a dizer a Gaspar que o orçamento é uma efabulação completa. Será.

E também é bom ouvir isso. Em matéria de diversão onírica, identificação projectiva, pensamento dissociativo e disforia, o PS é uma autoridade.  São um  exército de hastati  com o olhar do  dr. Mabuse e   o cachimbo do Freud.

FNV

Cold, indeed (II).

E quanto à “pressão mediática da esquerda”, agora referida pelo Pedro na versão “orgânica” de quem compara títulos de jornais (porque a contabilização dos nomes de articulistas não dá muito jeito), deixo apenas uma pergunta: há quanto tempo se anda a repetir em pasquins, diários e semanários respeitáveis e canais de televisão por cabo que vivemos todos “acima das possibilidades”? Deve ser a esquerda, claro.

Luis M. Jorge

Cold, indeed.

É só para lembrar que George W. Bush invadiu o Iraque. E Obama retirou-se do Iraque. Tirando isso, o Pedro não gosta nada de caricaturas.

Luis M. Jorge

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Na Pontinha  a mulher foi agredida pelo marido  pela quarta vez sempre com queixa feita  na PSP e ele fica sempre em liberdade depois de identificado isto é muito importante porque podia ter -se dado o caso de ela ter quatro maridos e o homem fica com os problemas de despersonalização resolvidos.

O Estados, os povos, as civilizações são esferas de valores que se organizam em redor de um sujeito fictício, o qual,  à medida  que os valores se modificam , se transforma  no espírito da civilização ( Broch). Conceito, portanto, muito próximo de uma maionese  feita à mão.

Por falar nisso, a maravilhosa natureza humana produzida com dois ingredientes à mesma temperatura: o amor e  a compaixão.

 

FNV

Back to the cold cow


Ou voltando à vaca fria, que é como quem diz à “pressão mediática da esquerda”.
Ontem, o Público trazia uma entrevista a Aaron David Miller, “analista do Woodrow Wilson Center que aconselhou seis secretários de Estado, em administrações republicanas e democratas, sobre as negociações israelo-árabes”. Um currículo de peso. Interrogado sobre a política externa de Obama e Romney, eis o que responde a certa altura: “Não tenho a certeza que as políticas de Romney sejam as da Administração Bush. Se alguém tem as políticas da Administração Bush é Obama. Obama é Geoge Bush com esteróides! Intensificou a presença militar no Afeganistão, manteve Guántanamo aberto, autorizou uma campanha de drones que ultrapassa George Bush no número de terroristas suspeitos que matámos. Impôs duras sanções ao Irão, muito mais duras do que Bush. Não vejo Romney como George W. Bush. Obama é George W. Bush”.
Pausa para respirar, seguida de lenta adaptação à dissonância cognitiva: “Obama é Bush”. Com esteróides.
Obama, o Nobel da Paz.
Obama, a esperança do mundo.
Obama, que prometeu fechar Guántanamo e sair do Afeganistão.
Mas quem é o falcão nos jornais? Sempre, sempre e outra vez sempre – Romney.
Quando falo na pressão mediática da esquerda, é exactamente isto o que quero dizer.

PP

Óbvio

O comentador  não sabe o que diz, A Helena Matos tem razão. A narcoestrutura chegou porque a Guiné  é o que é. No seu tempo fartei-me de escrever sobre isto (no Mar Salgado, na Atlântico etc) não tem nada que saber. A atlantização do tráfico de cocaína, em boa medida  por causa da queda do consumo europeu de  heroína pós-SIDA ( estas coisas levam muito tempo a instalar-se),  escolheu os melhores alvos. Os patrões  ainda andaram pela Nigéria, mas o petróleo era concorrencial,  e pelo Senegal ( um bocadinho mais sólido e policiado pelos   franceses) –  a Guiné era mais sedenta e violável.

FNV

Berlin, Isaiah Berlin

Sobre a fé do Iluminismo no progresso científico, que parece ter suscitado dúvidas nos comentários ao meu último post, deixo um parágrafo de Isaiah Berlin:

“O século XVIII é talvez o último período da história da Europa Ocidental a ter considerado a omnisciência humana um objectivo acessível. Os incomparáveis progressos da física e da matemática no século anterior transformaram a concepção corrente da natureza humana e do mundo material e, mais ainda, a da natureza do conhecimento autêntico – a tal ponto que ainda hoje a época se levanta como uma barreira entre nós e as anteriores, fazendo com que as ideias filosóficas da Idade Média e até do Renascimento pareçam remotas, fantasiosas e por vezes quase ininteligíveis. A aplicação das técnicas e da linguagem da matemática às propriedades mensuráveis daquilo que os sentidos revelam tornou-se o único método válido de descoberta e exposição da verdade. Descartes e Espinosa, Leibniz e Hobbes, todos eles, procuraram conferir aos seus raciocínios uma forma de tipo matemático. (…) A mesma mentalidade perdura no século XVIII, fenómeno de cuja explicação o principal factor singular é a influência de Newton. Newton levara a cabo a empresa sem precedentes de de explicar o mundo material, ou seja, tornara possível, através de um número relativamente pequeno de leis fundamentais com um alcance e uma força imensas, determinar, pelo menos em princípio, as propriedades e o comportamento de cada uma das partículas simples de qualquer corpo do universo, e fizera tudo isso com um grau de exactidão e uma simplicidade outrora inimagináveis. Doravante, no reino da ciência física reinavam a ordem e a clareza.” (O Poder das Ideias, Lisboa, 2006, p. 65; o texto original é de 1956.)

Também somos isto. Que nos custe lembrá-lo quando um terramoto mata 300 pessoas na Europa, já é outra questão.

PP

Uma história do futuro ( suite)

Tenho feito a série na minha coluna mensal na Ler – no próximo número, ilustrada com uma  história em ambiente Mau-Mau,   a possibilidade de Portugal vir a ser um narco-estado, em honra de raízes antigas. Por vezes vou ensaiando  aqui.

Joaquim Mendes Robalo, médico  responsável pelos  postos de  saúde de Sul, Covas do Rio, São Martinho das Moitas e Candal, concelho de S. Pedro do Sul, em entrevista  ao Vouga Livre* (grande nome!) em Maio de 1975:

” A sociedade capitalista, de onde viemos, fez da saúde pública um rico negócio. A saúde só era garantida a quem tinha possibilidades para  a pagar (…).  São quatro freguesias sem um médico, sem um enfermeiro, agravado tudo isto  pela quase inexistência de caminhos e outros meios de comunicação ( telefone etc)”.

Ora bem, primeira pergunta: Voltámos ao  futuro do passado ou , apesar de todo o neoliberalismo na Saúde, estamos muito melhor do que em 1974?

Segunda pergunta: A Revolução falhou aqui ou não?

* in  Sónia Vespereira de Almeida, Camponeses, Cultura  e Revolução – Campanhas de  Dinamização Cultural e Acção Cívica do MFA ( 1974-1975), Ed Colibri, 2009

FNV

O futuro


“Seis cientistas italianos e um ex-vice-director da protecção civil foram ontem condenados a seis anos de prisão por terem subestimado os riscos de um sismo que viria a abalar a cidade de Aquila [em 2009], e a matar 309 pessoas”, diz o Público de hoje.
A sentença é um disparate, mas encerra uma perversa moral da história que é também uma alegoria da modernidade. Há séculos que nos dizem que a ciência explica tudo e substituiu a religião: vivemos num universo de leis regulares e necessárias e o progresso traz o conhecimento absoluto e o fim do mistério das coisas. Max Weber chama “desencantamento do mundo” a esta utopia iluminista. Os cientistas tornaram-se magos que dão sentido ao cosmos, fazem milagres tecnológicos e prevêem o futuro. Como é que não nos avisaram do terramoto? Se tomaram o lugar de Deus, como é que não dominam a natureza?
Talvez seja isto o futuro: o “desencantamento do mundo” e o desencanto com a ciência.

PP

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O padeiro de Alenquer está proibido de se aproximar da criança mas acontece que o padeiro é vizinho da criança que  por sua vez  vai a tribunal para dizer que o padeiro a sodomizou  e o instituto de medicina legal comprovou lesões na zona sensível isto tem tudo para acabar bem e por uma vez  eu apreciava imenso que  a criança fosse filha de um juiz e víssemos  a mãe esposa do juiz confiante no bom senso  dos senhores doutores e todos pudéssemos  dormir com o winnie the pooh sem ter pesadelos.

Dizia o Guizot:  Enriquecei para trabalhar e poupar. Depois  conquistaram a Argélia, depois veio a fome  e a 22 de Fevereiro uma  manifestação  na Madeleine daquelas a sério com vontade de comer e o duque de Nemours  pôs-se a milhas. Ou seja, cuidado com a bazófia. Como esta: o marido de uma apresentadora que aufere 24.000 euros  na RTP desfilou contra a pobreza.

Por falar nisso, o conselho leonino vai reunir-se para decidir o que fazer do estádio Alvaxia  ou Alvalaxe ( não sou bom em nomes de detergentes) quando o clube  acabar. E o Rojo, Ala Akbar!,  o Rojo: para onde irá?

FNV

Regularidades

Curiosa, a reacção de José Maria Ricciardi, Presidente do BES Investimentos, às escutas em que é apanhado a pressionar o Primeiro-Ministro sobre a privatização da EDP. Diz ele que o telefonema “não traduz ilicitude ou irregularidade”. A confissão, vinda de quem vem, tem uma autoridade acrescida: pelos vistos, a coisa é regular.

PP

J`accuse: caricatura!

1- O César das Neves não é “a direita”.
2- O César das Neves não diz que a ditadura é preferível à democracia, diz que o Estado Novo é o único regime em que Portugal teve o défice controlado (uma evidência, de resto já explicada por Pedro Lains e Irene Pimentel).
3- O César das Neves é o teu Romney.
4- Estou quase a dizer que cada um tem o Romney que merece.
5-Só não digo porque te conheço.

PP

Deus, Pátria, Família e almoço

O problema de partilhar um blogue com o Filipe e o Luís é que um gajo distrai-se e eles debatem os fundamentos políticos da civilização contemporânea antes do almoço, sem nos dizer nada. Não se faz. Mas já cá estou e eis o que se me apraz dizer sobre os aperitivos.
Pressão mediática da esquerda: o Filipe tem razão. Não é o número de colunistas de direita que faz uma opinião pública de direita. Em Portugal, os jornais tentam chegar a um público alargado para sobreviver comercialmente e, portanto, o seu leque de colunistas reflecte o que os jornais pensam do público. O leque só parece inclinar-se para a direita (já estou como o Filipe: enfim…) porque há uma direita sociológica. Assim se explica, aliás, a presença de maîtres à penser como Santana e Menezes entre os colunistas arrolados. Direita? Safa!, como diria Sexa. o Senhor Professor Doutor Presidente da República Portuguesa Cavaco.
Mas não é disso que estou a falar. Podíamos ir, sim, para as direcções editoriais e para as reportagens, onde o tom raramente é “de direita”. O Filipe cita as eleições americanas, um bom exemplo. Reagan era um cowboy, Bush era burro, Romney é tudo isso e mais. A história das famosas gaffes de Romney na Europa, a que os americanos não ligaram peva (vá-se lá saber porquê), ilustra bem o ponto. Melhor do que isso só a piada sobre abrir as janelas dos aviões, que deu origem a momentos de surrealismo informativo quando os nossos jornalistas pensaram que o homem estava a falar a sério.
Podíamos multiplicar os casos à exaustão. Deixo apenas mais um, muito recente: a cobertura das manifestações contra a austeridade pelos jornais, e em concreto o cerco ao Parlamento. Alguém me pode apontar um editorial, uma notícia, um artigo de opinião em que se diga sem rodrigunhos que o cerco ao Parlamento é antidemocrático porque se trata de uma forma de violência sobre os deputados e, portanto, sobre a democracia representativa? Um? Não? Pois.
O cerne da questão, no entanto, é outro. Como não podia deixar de ser, e devido ao facto deprimente mas inescapável de vivermos cá na aldeia, o Luís identifica a direita com “a direita ultramontana”, a direita “pura e dura”, a direita “a sério”, etc. Acontece que essa é apenas uma das direitas do universo. Dá muito jeito à esquerda, sobretudo em países historicamente marcados pelo fascismo (Alemanha, Itália, Espanha, Portugal, América Latina, em parte França), colocar toda a direita no saco do Dinossauro Excelentíssimo, do Generalíssimo, ou mesmo – em momentos de especial irritação, ou seja de campanha eleitoral – do Fuhrer e do Duce. Oportunamente, esquece-se a muito diferente tradição das direitas inglesa e norte-americana. Não citei Burke e Tocqueville por acaso. E sublinhei que o problema do nosso conservadorismo é não termos essa tradição de repúdio simultâneo da tirania revolucionária e do despotismo do Príncipe. Os resultados estão à vista: a direita lusa é presa fácil da caricaturas do Luís. Uma boa caricatura. Mas uma caricatura.
É claro que, do outro lado, a “pressão mediática” impede-nos de fazer o mesmo. Como lembrou o Filipe, há várias formas de declinar Deus, Pátria e Família à esquerda, algumas de um atroz ridículo. Assim de repente, estou a pensar nos liberais e nos republicanos a fazerem da Igreja uma dependência do Ministério da Justiça e dos Cultos. Ou no PCP a defendera a continuidade da frota pesqueira nacional (“os pescadores e as pescadoras”, ameaçados de extinção pela então CEE) como condição inalienável da soberania nacional. Ou os gays que exigem o casamento burguês, de papel passado e se possível com filhos em anexo (exemplo já dado, mas entre todos paradigmático).
Não, Deus, Pátria e Família não são sempre contra “a esquerda”. Lá está a caricatura. Peço ao Luís, meu camarada de Declínio, ou mesmo de declínio, um pouco mais de profundidade histórica. É a esquerda, se a identificarmos com a revolução, a utopia e a fé no Homem Novo, que nasce contra o “Deus, Pátria e Família” do Antigo Regime. Uma versão entre outras do credo conservador, repito.
Vamos dar um exemplo concreto: eu. Perdoar-me-ão que me dê como exemplo, mas estou aqui mais à mão. Deus? Sim, mas não num Estado confessional ou em que se limita o direito à liberdade religiosa: sou favorável (ou não tenho arumentos contra, por muito que aquilo me irrite) aos minaretes na Suíça e à burqa em França. Pátria? Sou contra o aprofundamento do federalismo europeu, em nome das nações, mas favorável à eleição dos comissários da UE, em nome da democracia. Família? Sou contra o casamento gay, mas não considero ilegítimo um Parlamento que o aprova – ao contrário dos cercadores de S. Bento, que declaram ilegítimo um Parlamento por aprovar um OGE do qual discordam.
Em todos estes casos, a minha posição é de direita. Mas é também a de muita gente de esquerda. A realidade é uma porra complexa. E agora vou almoçar.

PP

Deus, pátria e família.

O Filipe explica-nos aqui que na perspectiva de uma direita pura e dura os conceitos de Deus, pátria e família em nada são incompatíveis com a democracia, a liberdade ou a tolerância. Pode ser. Só que ao escrever isto ele não utiliza a perspectiva da direita pura e dura que defende, muito pelo contrário: socorre-se de argumentos suaves, matizados e cosmopolitas, que são no fundo os que agradam à esquerda. Isto tem um lado irónico e um lado profundo, respectivamente:

1. Ao afirmar que Deus é nomeado em coroações de raínhas e nas cerimónias de posse do presidente Obama, o Filipe remete a religião para um papel institucional, distante e consolador. Mas uma direita pura e dura não defende nada que se pareça. O que a direita de verdade nos diz é que a religião deve estar bem no centro de toda a experiência política e das suas decisões. Para usar o exemplo americano (o precedente é do Filipe),  a direita propõe que as crianças tenham manuais escolares onde se ensinem “versões alternativas” ao darwinismo não retiradas da ciência mas da revelação. Neste contexto, Deus não é a entidade que coroa raínhas, Deus é o pai de Adão e Eva que concebeu para nosso desconsolo há um punhado de milhares de anos.

2. Ao invocar a pátria através dos discursos do PCP e das manifestações dos indignados, o Filipe esquece o que tantas vezes nos recordou em textos anteriores: que o PCP é hoje um partido reaccionário e que os levantamentos de indignados têm carácter internacional.  Num dos casos, a pátria é um conceito simétrico do que vigorava antes de 74, no outro caso é um produto da globalização. Há um papel para a pátria em momentos de crise? Sim: a Catalunha dará muitas alegrias à Europa nos meses que se aproximam — não sei se a direita pura e dura se reconheceria entre os protagonistas, ou se isso nos faz muita falta.

3. Mas onde o argumentário do Filipe alcança pináculos de improbabilidade doutrinal é na apologia da família pelo recurso ao casamento gay. E aqui sublinho:  ou estamos dentro de uma cabeça de direita para a defendermos usando as suas razões, ou então estamos do lado de fora e não respeitamos os seus argumentos. Quero eu dizer que a defesa da família que a direita pura e dura nos propõe não inclui nem permite as famílias do mesmo sexo. Ninguém da direita séria de que o Filipe sente falta será capaz de dizer “eu gosto tanto de famílias que até admito as famílias homossexuais”. Pelo contrário: a defesa da família é feita contra o alargamento dos santos laços do matrimónio a manifestações corrompidas pela orientação sexual e pela proibição de qualquer veleidade no que respeita a institutos jurídicos como a adopção.

E aqui entramos no lado mais profundo daquilo que o Filipe não nos diz: que os conceitos de Deus, pátria e família de uma direita pura e dura são definidos contra alguma coisa. Contra a ausência de religião no Governo e nas escolas. Contra as instituições internacionais. Contra as bichas que não se satisfazendo em cometer abominações ainda querem casar e ter crianças com o alto patrocínio do sistema jurídico. Este contra é o problema da direita pura e dura. Defendê-la recorrendo a valores de esquerda é apenas um modo de suavizar aquilo que a esquerda deve combater com todas as forças.

Luis M. Jorge

Qual direita ? (III)

Duas notas ainda, agora em debate com o Pedro e uma resposta ( parcial) ao Luís:

1) “Não é uma  questão de nomes”
É sim, muitas vezes. A direita burguesa, social-cristã e liberal ( na tradição do liberalismo político) não tem um Corão Vermelho nem a certeza  de que a História é explicada por uma teoria política. Em cada momento aproveita  mais a capacidade individual de escolas e sintagmas localizados e líderes que são capazes de concentrar  as soluções pontuais,  dependendo dos problemas também pontuais ( daí  a relação sintagmática) . A esquerda de inspiração  marxista-leninista  ( mais ou menos deturpada), resolve o problema à grande: gera paizinhos  dos povos, salvadores divinos, novos Simon Bolívar, monarcas coreanos comunistas etc.
As pessoas contam, o traço individual conta muito, mais  à direita e sempre assente no velho  processo eleitoral burguês . Quando assim não é, aproxima-se dos regimes vermelhos e produz caudilhos.

2) “Não há pressão mediática de esquerda”.
Claro que há.  Os  jornalistas são formados em escolas  que tresandam a marxismo, Badiou, Toni Negri etc. Fica sempre bem à juventude  ser contra o poder antes de ser a favor do Mercedes ou de presidir à UE.
O facto de haver mais colunistas de direita ( enfim….) num jornal não nos diz absolutamente nada sobre a pressão mediática. É dos manuais das teorias de influência social. Quando lemos um colunista sabemos quem é e o que é. Já as notícias, os dossiês, as reportagens especiais, essas,  por exemplo, no Público ou naTSF, ilustram a traço  grosso a agenda da esquerda catita fracturante. Até o dito serviço público sobe ao coreto: a cobertura de qualquer eleição presidencial americana na RTP é uma risota pegada.

FNV

Qual direita ? (II)

Respondendo ao debate ocorrido nos  comentários ao   primeiro post:  uma direita  portuguesa não pode ter medo de falar em Deus, na Pátria e na Família, porque nenhuma destas categorias é incompatível com a liberdade, a democracia e  a tolerância. Antes pelo contrário.

1) Deus está presente na coroação do chefe de Estado britânico e na cerimónia de posse de  Obama. Deus , exceptuando para os pavlovianos ( que acreditam que os ateus  neandartais  eram pacíficos) e para os que juram  que a moral começou com Cristo (desprezando os meus amigos gregos ) , siginifica, numa telha da direita , um entrave  à omnipotência e solipsismo humanos.  Esse Deus  pode ser o das religiões  do Livro, incluindo Alá, mas pode ser outro qualquer.

2) A Pátria não é uma categoria xenófoba de marialvas ribatejanos. Está presente no discursos do PCP , nos cânticos das manifestações  dos indignados, nos apelos de Lula da Siva ao erguer o Brasil da pobreza. Pode ser uma categoria mal usada ( Estaline, em nome dela, matou dezenas de milhões) , mas pode também ser apenas uma defesa  da cultura e da autenticidade. Notem que as  descolonizações ( de vários géneros)   começaram  com os Fanon, continuaram   com os Edward Said ( a Pátria palestiniana e não só) e chegaram à  reparação dos crimes  cometidos contra  os aborígenes australianos. Aborrecido, não é?

3) A Família é muito importante, tanto assim que a principal luta da comunidade LGBT passa, hoje, pelo direito às famílias alternativas.  É uma forma de liberdade positiva bem utilizada e uma angariação de  laços de solidariedade independentes do Estado. Não por acaso, nos regimes de terror os familiares pagam sempre pelos crimes dos acusados.

Para depois a resposta ao Pedro sobre se  em Portugal é ou não um “problema de  pessoas”.

FNV

Não há direita a sério em Portugal?

Talvez, no mesmo sentido em que não há homens a sério em Portugal. O último tipo que mastigou lâminas e matou búfalos ao sopapo, que deixava as gajas em casa e saía à sexta-feira para uma noite de bonding masculino com o Antunes e os camaradas da Guiné responde agora por Milôla e despe-se à uma e meia no Trumps.

Mas, se a direita a sério rareia, a direita a brincar multiplica-se com uma espécie de abandono malthusiano por blogues, governos, semanários e coudelarias reais. O colegas querem Deus, Pátria e Família? Pois cá estão as palavras do Senhor, as bigornas da portugalidade e os serões vaporosos da Francisca Prieto, mãe estremosa do Rodrigo Prieto, da Rita Prieto  e do Manelito Prieto, assim designados para que não se confundam com os Rodrigos, Ritas e Manéis que lambem o ranho nas escolas públicas de Mira-Sintra ou Agualva-Cacém.

Os meus amigos queixam-se da pressão mediática da esquerda? Nesse ponto dou-vos razão. Também eu estou farto de comunas. No semanário Sol enfrentamos a ofensiva marxista de Marcelo Rebelo de Sousa, Pedro Santana Lopes e José António Saraiva. No Expresso, erguem as foices e martelos Henrique Raposo, João Duque, Manuela Ferreira Leite, Martim Avillez Figueiredo e Rui Ramos. No DN abundam passionárias como Adriano Moreira, Alberto Gonçalves, Celeste Cardona, Luis Filipe Menezes e o Lenine do Século XXI, João César das Neves. O Público lidera o levantamento dialéctico com Pacheco Pereira, Vasco Pulido Valente e José Manuel Fernandes.

Esquerda, esquerda, estamos cercados pela pressão mediática da esquerda. Hélas, não há, nunca houve direita em Portugal: e fazia-nos cá tanta falta. Nosso Senhor nos ajude.

Luis M. Jorge

Definição dos críticos do grupo do Pedro

Se são do PCP, são terroristas.

Se são do Bloco, são diletantes.

Se são padres, escarafunche-se-lhes a folha de ordenados.

Se são do PS, são culpados.

Se são do PSD, são vingativos.

Se são portugueses, não são de  cá.

FNV

Atençãoze sefaxafore:

Votai,  mas para contar tem de se pôr “gosto” no facebook da Cidade FM

(  tenho uma  arma encostada à testa e fui obrigado a publicar este anúncio desculpai desculpai)

FNV

Qual direita? A direita


Concordo em grande parte com o que o que Filipe diz aí em baixo sobre a direita portuguesa, mas o problema é ainda mais sério – e digo “problema” porque uma democracia está incompleta quando não tem alternativas à esquerda. Não é apenas uma questão de pessoas. Se fosse, trocava-se o Portas, o Relvas e o Passos por outros melhores – não seria difícil – e estava tudo resolvido. Sucede que não há, entre nós, uma tradição intelectual de direita digna desse nome.
A democracia-cristã morreu, se é que alguma vez existiu, graças à vampirização pelo corporativismo do Estado Novo, primeiro, e à acelerada secularização dos anos 60, depois. O conservadorismo, que produziu lá fora um Burke e um Tocqueville, deu-nos os miguelismo e o Professor Salazar. O liberalismo clássico nem isso (Herculano é uma sequóia solitária) e o chamado neoliberalismo nunca teve impacto fora de alguns Departamentos de Economia (Nova e Católica), colunas de opinião (Pedro Arroja e discípulos) e blogues (Blasfémias, Insurgente, etc.).
O que é que fica de tudo isto? Pouco, muito pouco. Em Portugal vota-se à direita por opção de classe, afinidade tribal, recusa momentânea do PS ou identificação com um chefe (Sá Carneiro, que queria filiar o PSD na Internacional Socialista, é o melhor exemplo do equívoco).
E depois há a própria sociedade – ou a falta dela. A nossa burguesia, sustentáculo da liberdade económica e dos direitos individuais no mundo civilizado, vive demasiado dos negócios com o Estado para poder afrontá-lo. O povo, que deveria temer mais o caos da revolução do que o peso da ordem, recita o credo do ressentimento no Forum da TSF e nas caixas de comentários dos jornais, quando não está nas barricadas da Maria da Fonte ou do 5 de Outubro. Quanto aos intelectuais, a direita pode insultar ocasionalmente alguém como “intelectual de esquerda”, sem perceber que eles gostam, mas a esquerda não chama a ninguém “intelectual de direita” porque, como toda a gente sabe, tal oxímoro pertence ao reino da fantasia, a meio caminho entre o unicórnio e o Roger Scruton.
“Resistir à pressão mediática da esquerda”? A pressão mediática é a esquerda. Para resistir, a direita teria de começar por existir.

PP

KLJ/($()%)98790

Um veículo suspeito a rondar a freguesia de Santo Varão vão de porta em porta a perguntar onde fica o café a população suspeita de burla ou plano para  assalto a GNR  de Montemor o Velho reforçou patrulhamento para ver se consegue referenciar o dito veículo é assim a vida na gemeinschaft e muito bem que não há pachorra para gatunos que não sejam dos nossos.

Lívia perde Druso, Octávia perde Marcelo, Séneca explica porque se dá à luz a morte. E podia ser de outra maneira?

Quem não morre é o governo que nomeia e volta a nomear. Faz bem. São necessários muitos especialistas e assessores que o governo é pequenino e ainda não anda.  E a vida  está difícil, a hipoteca da casa está cara,  não andámos  a alombar para ficar no desemprego e sou do partido há muitos anos. Consolida filho, consolida.

FNV

Antena islâmica

1) Uma intranet iraniana. O primeiro passo para a guerra.

2) A  arte da síntese.

 

FNV

Salazarismo vermelho

Van Zeller foi  obrigado a sair ao fim de oito dias,  porque expressou uma opinião. Certa ou errada, uma opinião: sem sombra de racismo, sexismo e outro ismos area studies.

A história é antiga e o PCP está enterrado nela ( verdade seja que se não fosse o PCP  não haveria ninguém  para defender os trabalhadores,  porque o PS  está do lado do capital  e o Bloco só aparece em greve de jornalistas et pour cause).

O que é preciso é fingir. Como no antigamente.

FNV

Portas, la coiffeuse

(Li Zhensheng – Contact Press Images/12.set.1966)

FNV

E vão duas

Tal como  a dos portos, esta também  começou  em Setembro. Os governantes responsáveis devem estar entretidos no twitter.

É certo que a CGTP/ PCP sabe onde dói ( sector exportador) e vai à jugular do quanto pior melhor, mas se lerem o comunicado lembrar-se-ão  que estes tipos da Galp vivem como nababos.

FNV

Em suma.

“Fazer política é prever o que vai acontecer e evitar as coisas perniciosas que vão acontecer”. A doutora Manuela, ensaiando um grande resumo para demonstrar que é mulher de esquerda.

Luis M. Jorge

Qual direita?

Uma das coisas  que esta crise fez,  foi provar , uma  vez mais, que não existe direita  portuguesa.

Reparem  na coligação que está no governo. Peguem em Passos Coelho e Miguel Relvas.  Dois aparelhistas com a clarividência ideológica e  a consistência  intelectual do barbeiro da esquina. Peguem em Paulo Portas ( que só ainda faz política porque empregou  muita gente no Independente e é amigo da Lisboinha) e revejam o percurso. A coragem de um esquilo ( das duas vezes que foi para o governo assumiu pastas  moles e bem longe do fogo, in the rear with the gear), a coerência de  um comentador de futebol (  comparem  o silêncio de hoje com as catilinárias securitárias e anti-impostos  de ontem, de dedo em riste e voz de falsete)  e  o sentido de Estado bem expresso quando num governo de um país de tanga não se lembrou de mais nada a não ser encomendar peças militares  próprias de um  reino do Golfo.

As figuras menores ( Cristas, Teresa Leal Coelho etc ) fazem jus ao nome mas nunca a uma escola de direita, os assessores e os planfetistas constituem uma mole de vira-casacas e rapazolas que, num partido  de direita, quando muito  serviriam cafés e bolos. No CDS, Lobo Xavier, na Quadratura, perguntado sobre os desabafos dos meninos  nas redes sociais, definiu bem: “ Quero lá saber de twitters e essas coisas, do que eles dizem , são para aí uns 20 vice-presidentes…”.

Uma  escola portuguesa de direita teria de ser implacável ( já o escrevi várias vezes) para com os arrivistas e os oportunistas. Dispensaria os beatos ex-maoístas  convertidos a Oxford ( como Espada), as sociedades secretas e os possidónios do dinheiro fácil. Teria de ser  insensível à  pressão esquerdista-mediática, assumindo a tradição intelectual de  um Amaro da  Costa ou de um Adriano Moreira.

Sem os rabos de palha de hoje, poderia defender, sem complexos, Deus, Pátria e Família,  não se calando perante  a conotação salazarista  tal como os comunistas de hoje  defendem, sem complexos, o comunismo,  não se calando diante  da memória  sangrenta das suas raízes.

FNV

O essencial é ter o vento

O essencial é ter o vento.
Compra-o; compra-o depressa,
A qualquer preço.
Dá por ele um princípio, uma ideia,
Uma dúzia ou mesmo dúzia e meia
Dos teus melhores amigos, mas compra-o.
Outros, menos sagazes
E mais convencionais,
Te dirão que o preciso, o urgente,
É ser o jogador mais influente
Dum trust de petróleo ou de carvão.
Eu não:
O essencial é ter o vento.
E agora que o Outono se insinua
No cadáver das folhas
Que atapeta a rua
E o grande vento afina a voz
Para requiem do Verão,
A baixa é certa.
Compra-o; mas compra-o todo,
De modo
Que não fique sopro ou brisa
Nas mãos dum concorrente
Incompetente.

Reinaldo Ferreira

(Dedicado à chegada do Outono. E ao Governo da nação.)

PP

Lisboa 2015

 

FNV

Moralidade para parolos.

Dando voz à máxima profundíssima segundo a qual os nossos desempregados devem merecer os subsídios para que descontaram anos a fio, Fernando Ulrich propôs em entrevista que o Estado os coloque a expensas suas em algumas grandes empresas, como por exemplo, sei lá, o BPI. Faz sentido. Desde que, como sugere o Bruno Vieira Amaral no Facebook, uma parte dos lucros do banco dirigido por Fernando Ulrich revertam para a Segurança Social. Pode ser, não pode?

Luis M. Jorge

1952-2012

Suponho que hoje é dia de onanismo para quem está nos cinquentas.

Luis M. Jorge

“Les plus grosses putes de Fontenay”

Confuso? Compreensível. Então esclareça-se.

Pois é, um luto pela cultura, uma vitória da horda. Agora irritem-se, como eu me irrito quando  me vêm com as tangas que os  miúdos e miúdas de dez e onze anos estavam a pedi-las, que já têm prazer etc.

A horda , muitas vezes,  comanda os tribunais.

FNV

Mais cercos e circos

Acabo de saber que o número de revolucionários presos no heróico cerco à Assembleia Constituinte, perdão, à Assembleia-que-está-a-votar-o-orçamento-do-grande-capital foi o dobro do que digo mais abaixo. Um erro que nasce, sem dúvida, da minha cumplicidade com o pacto de agressão da Troika imperialista e da Merkel nazi.
Impõe-se a autocrítica, talvez mesmo a reeducação.
Os manifestantes detidos pelas forças do fascismo ao serviço dos interesses da classe opressora foram exactamente – dois.
Dois.
Tremei, ó lacaios da burguesia: a revolução está em marcha.

PP

Oiça, muito barulho por nada

Afinal, o CDS vai votar a favor do orçamento do Governo. Tanto teatrinho para quê? Faz-me lembrar aquela peça do Shakespeare, Much Ado About Nothing, mas em português beto.

PP

As horas

É necessário procurar quando queremos  fugir das aves,  dos navios e de todas as preguiças bolorentas que aniquilam a síntese e a arte. De um homem entre séculos ( XVI e XVII), Dom Luis de Góngora:

La Fortuna mis tiempos ha mordido

Las horas mi locura esconde

E estes:

Mal te perdoñaram a ti las horas:

Las horas, que limando están los dias;

Los dias, que royendo están los anos.

 

FNV

Campo Pequeno Revisited

Otelo diz que “está latente” uma nova revolução, “agora sem cravos”.
Sem cravos: o velho sonho do Campo Pequeno…

PP

Ainda sobre as eleições nos Açores


Dá para perceber que isto está mal quando o PS ganha eleições.
Dá para perceber que isto está muito mal quando o PS ganha eleições com maioria absoluta.
Dá para perceber que isto bateu no fundo quando a hipótese de Seguro ser Primeiro-Ministro é tão provável como a de Passos Coelho alguma vez o ter sido.

PP