Isabel Jonet.

Isabel Jonet pronunciou há dias umas sentenças canhestras sobre os jovens que gastam dinheiro em concertos de rock e o país que vive acima das possibilidades, entremeadas com alusões à necessidade de despedir funcionários públicos ou de recordar ao povoléu que vamos todos empobrecer.

Esta cassete, a que dedico habitualmente uma indisfarçável repugnância, passa por sabedoria profunda nos blogs da direita conservadora e liberal. Já sabemos que Isabel Jonet apoia e apoiará este Governo. Já percebemos que enquanto existirem pobrezinhos ela velará para que sejam modestos, reverentes e obrigados. Talvez reze, nas suas noites mais solitárias, para que continuem pobres.

Só que isso não tem importância alguma. E não justifica um levantamento popular envolvendo o Banco Alimentar Contra a Fome. Como afirma o Lourenço Cordeiro, esta sucessão de banalidades moralistas não nos permite desvalorizar um currículo a todos os títulos inatacável no trabalho de campo de combate à pobreza, nem nos recomenda que as suas considerações sobre os mais desfavorecidos sejam consideradas insultos por quem nada fez. Isabel Jonet tem toda a autoridade para nos transmitir as ideias que tiver, mesmo idiotas, sem  estigmas ou demonizações.

Considero miserável esta petição pública pela demissão de Isabel Jonet do cargo que ocupa na instituição que dirige. Considero que uma petição assim despreza os mais pobres, despreza a estabilidade que é necessária a uma instituição como o Banco Alimentar para fazer o que faz, despreza os milhares de pessoas que se envolvem em projectos de voluntariado para ajudar os outros — e conseguem — e premeia os mais baixos instintos políticos e a moralização tacanha que diz combater.

Num texto incendiário e inconsequente, o Sérgio Lavos escreve que há outras instituições que fazem um trabalho tão ou mais louvável do que o Banco, a começar por exemplo pela Cáritas. Pois há. Só que a Cáritas trabalha em parceria com a igreja católica. Se um dia o presidente da Cáritas expuser ideias semelhantes às de Isabel Jonet, o que lhe chamará o Sérgio? O putanheiro da caridadezinha? E onde encontrará outros bons exemplos alternativos? No Bloco de Esquerda?

Luis M. Jorge

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50 thoughts on “Isabel Jonet.

  1. fnvv diz:

    Subscrevo. Excelente.
    Ia pôr umas notas sobre o assunto, mas aproveito então o teu post:

    1) A senhora devia limitar-se a fazer o seu trabalho, porque já sabemos que estamos a empobrecer.
    2) Ela parece não compreender que se intui das suas palvras um castigo maior precisamente para os que nunca viveram acimas das possibilidades. E isto é vergonhoso.

    • Exactamente, só que a atmosfera de demonização que agora rodeia a senhora prejudica quem diz essas duas coisas. Precisamos todos de mais calma, mas está difícil.

    • Idem (ao post e ao comentário do Filipe).

      E acrescento uma questão: será que quem agora demoniza o Banco Alimentar, deitando fora o bebé com a água do banho, um dia, necessitando, recusará a comida do Banco Alimentar? Cada um de nós pode fazer esse exercício mentalmente; e escrevo isto porque já li textos de pessoas que afirmam nunca mais contribuir para o Banco Alimentar, como se o mais importante não fosse assegurar que todos têm, pelo menos, o que comer. Merda de país.

      • p D s diz:

        Carlos, compreendo em parte o seu ponto…mas não concordo!

        O facto de um dia eu precisar de comer, e receber a caridade de alguem, não converte o “ofertador” em alguem puro e acima de qqr critica.

        Caridade e solidariedade não servem para limpar consciencias ou eliminar erros e pecadilhos de quem oferece. São atos de humanidade e solidariedade cujo objectivo é suprir a carencia de quem recebe…e nunca atos que visam engrandecer quem os pratica (embora sejam de louvar).

        Claro que a acção do BancoAlimentar tem reflexos muito positivos junto dos carenciados…. mas só por si, não ocloca o Banco Alimentar e os seus responsaveis num pedestal á prova de criticas e acima da Humanidade, como que num patamar da perfeição.

        Conheço de perto situações pontuais de muitos kilos de alimentos estragados nos armazens do BA. Não creio que tenha acontecido por intencionalidade de alguem…mas isso de colocar “aureolas angelicais” é tão errado e distorcido, como as petições contra o BA.

        Acha bom senso…mas tanto nas criticas infundadas, como na aceitação da criticas fundamentadas.

        Somos humanos…todos! Tanto os que criticam, como mesmo aqueles que trabalham e promovem as instituições de caridade e de solidariedade!

        (não comparando os casos, mas antes os “á priorirs” : se recordarmos, ainda bem recente, uma casa bem anscestral de solidariedade, que acolhia crianças e seria á prova de qualquer critica, foi-se a ver e … ….remember ???? )

  2. cefaria diz:

    Subscrevo a ideia do artigo, posso não concordar com todas as palavras de Jonet, é normal, mas os seus atos valem mais do que muitos que sendo contra o sistema consumista e liberal, agora se tornaram-se arautos do crescimento económico pelo aumento do poder de compra por que isso lhes dá jeito.

    • XisPto diz:

      …consumista e liberal e (acrescento eu) ecológico…
      .
      A passagem sobre como os jovens agora lavam os dentes está ao nível da campanha dos verdes recomendando urinar só quando se está a tomar banho para evitar gastar água no autoclismo.

  3. Naohapaciencia diz:

    Acho sempre piada ler os nomes dos signatários deste tipo de petições. O signatário Nr. 57 dá pelo nome de “Paulo de Sacadura Cabral Portas”…

  4. ppicoito diz:

    Hummm, tendo em conta a nossa especialização ideológica, acho que devia ter sido eu a escrever isto…

  5. Jorg diz:

    Não me leve a mal, mas não acha que é um pouco extensa a prosa – mas gostei de chegar ao último parágrafo – , perante tão rasteiro jacobinismo…??
    Que aliás não é novo, e vai durar até que o Deus (ou para os politeistas um dos Deuses CEOs..) não lhes conceda privada audiência seguido de acesso “Banda Largar” para calibrar o automatizar de “hindsights”….

  6. A sra. pensa o que quer e como quer. Mas a mim repugna-me ter/haver alguém, com um pensamento que me parece muito canhestro sobre a pobreza e o empobrecimento, à frente de um programa tão importante como o do Banco Alimentar. Se o Banco Alimentar fosse uma obra de arte, era como o outro (por exemplo, sempre li Céline com enorme prazer apesar das suas ideias). Mas como o Banco Alimentar é uma “obra” política e social, fico muito preocupado. Afinal a sra. é cúmplice (objectiva? subjectivamente?) de políticas, de estratégias, de visões do mundo, que provocam e promovem e advogam a pobreza de milhões de portugueses, espanhóis, gregos, etc. Ou seja, como é que alguém que se preocupa em apagar fogos, e presumia-se que o fazia bem, aparece em público, e com alarde, com um camião cisterna cheio de gasolina em vez de água? (espero que esta minha metáfora seja melhor que as que Isabel Jonet usou no “debate” da SIC-N).
    Assinei a petição e não darei mais qualquer contributo para o Banco Alimentar. Seria hipócrita ajudar uma instituição liderada por alguém que é tão solidária com os pobres como com quem promove a pobreza (pobre de mim, vivo convencido que a pobreza não é apenas uma questão de responsabilidade individual…). Além disso, convém recordar que os cemitérios estão cheios de gente insubstituível. O que faltava agora era transformar o Banco Alimentar no Banco Jonet (na verdade nós nem sabemos, de ciência certa, qual a importância de Isabel Jonet na vida do Banco Alimentar; a realidade, recorde-se. vai muito para além daquilo que é o universo mediático).

    • Fernando, o pensamento de quem dirige as instituições é menos importante do que a obra de quem dirige as instituições. E a obra do Banco Alimentar recomenda-se nem que seja por comparação — à volta existe muito pouco. Isabel Jonet está associada a este sucesso, e não se mexe numa equipa de sucesso.

      Querer demiti-la pelo que ela pensa é o equivalente a aceitar crimes de opinião.

      • Ela pode pensar o que quiser, pode e deve abster-se de, sendo a imagem de uma instituição meritória como o BA, tecer afirmações que são contrárias ao espírio dessa instiuição. O Luís pode ter estômago para ouvir dizer barbaridades, mas eu, que contribuo sempre para o BA, não tenho, como muita gente terá. Estaria ir contra os meus princípios estar a usar o BA como intermediário das minhas doações porque, lá está, a senhora dá a cara pela instituição. É que vamos lá ver, a ideia que ela tem de sociedade desmonta completamente o que deve ser a solidariedade. O crédito pelo trabalho realizado pode ser completamente minado por tais delcarações. As acções são mais importantes do que as palavras, mas estas contam, têm de contar. E agora vou usar um argumento redutio ad hitlerum, e que deve ser tomado em linha de conta apenas como fraca analogia: Hitler gostava de animais e produziu leis que protegiam os seus direitos. Este facto desculpa as ideias que ele tinha sobre os judeus?

        Bom, e quanto ao exemplo da Cáritas, apenaso usei porque já vi mais do que uma vez os seus responsáveis a falarem na TV daquilo que lhes compete, a obra de solidariedade. E o discurso é católico, sim, e a organlização é católica, claro, mas não vejo qual possa ser o problema disso: eles têm missão, cumprem-na, são úteis e intervêem na sociedade sem precisarem de puxar os holofotes mediáticos com afirmações insultuosas para as pessoas que protegem e ajudam. Aliás, a minha crítica não à fé da senhora, simplesmente às ideias de sociedade (e políticas) que ela defende. Há limites para a minha paciência.

        E Luís, eu no post não incito a acabarem com as doacções e nem sequer peço para assinarem a petição. Apenas chamo a atenção para isso. Quanto ao ataque eu faço, pode ser considerado um ódio de classe sim – igual ao ódio que ela mostra de cada vez que fala sobre os “pobres” que ela era suposto ajudar.

      • Sérgio, em resumo julgo o seguinte: não podemos, ou não devemos, incentivar a demissão de alguém pelas suas opiniões. Isto é o básico, e julgo que não preciso de lhe explicar o básico.

      • Já agora: peço desculpa pelas gralhas no meu comentário, escrevi de chofre e não revi.

      • XisPto diz:

        O maior problema com o Sérgio Lavos não são as gralhas, é não conseguir disfarçar que não gosta de concorrência no mercado da pobreza. Ainda por cima, concorrência desleal. A Jonet dá comida e não exige que verdadeiramente os famintos aspirem ao reino de Deus; O Lavos oferece ilusões e exige que vão assaltar o Parlamento. Faz toda a diferença.

      • Luís: crime de opinião não me parece. Nem está nas minhas intenções. Mas já não sei se não poderemos “acusar” Isabel Jonet de “pecar em (por?) pensamento” (ou coisa que o valha, que já não me lembro muito bem). De qualquer modo, a polémica provocada pelas suas declarações não me parece gratuita, e muito menos mal intencionada. Em geral, e embora não queira falar por mim, vejo muita gente genuinamente preocupada com o significado, implicações ou consequências políticas, sociais e até morais daquilo que Isabel Jonet disse. Ou seja, Jonet e o Banco Alimentar estão a ser escrutinadas. E por mais meritórias que sejam a pessoa e a “obra”, a verdade é que nem uma nem outra estão acima de um escrutínio por parte da opinião pública.

  7. pDs,

    não percebi em que ponto discorda de mim. Eu não defendi a pureza de ninguém; pelo contrário, subscrevi o post do Luís e o comentário do Filipe. Sou extremamente crítico do discurso de Jonet, mas isso não me impede de ver as vantagens da existência do Banco Alimentar. O exemplo que dei, e justifiquei, é simples: não entendo a represália de deixar de contribuir para o Banco Alimentar, quando a verdade é que há muita gente que depende dele para poder comer. E coloquei a questão: quem agora deixa de contribuir, deixaria, necessitando, de aceitar comida? Parece-me uma questão muito pertinente — decisiva, até.

    • p D s diz:

      Carlos,

      tlvez eu tenha explicado mal. A parte que não concordo é no colocar das coisa sobre o ponto de vista da exclusão mutua : “quem agora deixa de contribuir, deixaria, necessitando, de aceitar comida?”

      Quando não se tem e se precisa…é obvio que qualquer auxilio é aceite e bem vindo. (sejam quais forem as posições no passado.) Isto para mim é linear e simples. Quem no limite passa fome e necessita…não escolhe a “mão”, ou se escolher talvez não seja ainda fome mesmo.

      Estes dois pontos, para mim não são mutuamente exclusivos.

      Não defendo petições para demissões, sem mais. Havendo razão para petições, que se façam para corrigir os procedimentos e os metodos. Estejam estes funcionais, as pessoas e respectivas baboseiras, em nada interferem.

      Agora, é para mim limpinho que por hipotese, se eu hoje, em consciencia, decidir assinar a petição…isso em nada me retira a “legitimidade” de amanhã faminto receber apoio do BA.

      O que o BA distribui é aquilo que os cidadãos anonimos (ou não) oferecem, com o trabalho de voluntários e tb de “não -voluntários”. Existem até cumprimento de penas de “trabalho comunitário” que são cumpridas no BA.

      (já agora a talho de foice, alguem já fez as contas, de quanto lucram as grnds superficies, sempre que existem acções de recolha do BA ?…cada pacote de arroz e leite que é entregue ao BA, deixa a “margenzinha” no Hiper, certo ?…é fazer contas…)

      • p D s,

        precisamente porque eu, numa situação de fome, aceitaria a comida do Banco Alimentar, jamais deixaria de, podendo, contribuir. Eu acho que há uma relação entre ambas as coisas, porque, estando eu a precisar de comida, muito triste seria o Banco Alimentar não me poder ajudar porque resolveram fazer um boicote às contribuições devido às opiniões da presidente; e é precisamente essa a relação: sem donativos não há distribuição. Para mim, também isto é limpinho — para mim, sublinho.

  8. Lord Tracy IV diz:

    1. o título do post do arrastão é indecente. Fica já esclarecido.
    2. De uma vez por todas acabem com a mentira: o Banco Alimentar ( e outros) NÃO combate a pobreza. Alimenta, literal e metaforicamente a pobreza.
    3. O momento em que vivemos pede a ajuda de todos, não contribuir para o BA não acaba com a pobreza, apenas aumenta o sofrimento de quem nada tem. Apesar da Jonet continuem a contribuir.
    4. A Jonet já demonstrou, há muito tempo, para quem não anda a dormir, qual é a sua forma de ver este país. Quanto mais pobres, melhor. Quando disse que “não podemos (ela não incluída, claro) comer bifes todos os dias”, queria dizer, “os pobres não podem comer bifes todos os dias, porque são pobres. Comam brioches.”
    5. Ó Luís, o BA também é uma instituição ligada à igreja católica.
    6. A Jonet representa o que mais fraco temos numa sociedade civil: perpetua a pobreza, porque precisa dela para alimentar a visão que ela tem para o país. A pobreza dá muito dinheiro. Não combate a pobreza, porque qualquer pessoa sabe que a pobreza combate-se criando emprego e, mais importante, pagando um salário justo, que permita viver com dignidade.
    7. Durante a guerra colonial umas senhoras “muitos respeitáveis” também me deram um maço de tabaco e um tercinho juntamente com um: “que Deus o proteja.” Esta gente perpetua o mal, eterniza-o.
    7. Este post é o típico “calma, cheguei, eu tenho uma visão diferente da maralha”.
    Eu sempre tive receio dos iluminados. Pensam que a lâmpada deles é a única de ilumina.

  9. O Banco Alimentar fornece a Caritas. O Banco Alimentar está pelo menos quase tão ligado à Igreja como a Caritas (com, pelo menos, um cheirinho a Opus Dei pelo meio).
    Não comprovei pessoalmente estes factos, e perdi-lhes o link, mas andam por aí.
    O que a madame disse, outra vez, fica pelo pornográfico, e não merecia tanta linha.

    O problema é outro, a jusante e na foz: como chegam os bens aos pobres? como seleccionam estas instituições quem fica com um kg, ou quem leva 10 kg para casa? será que aplicam as suas regras morais? tipo só comes se aprenderes a portar-te de acordo com os meus sagrados mandamentos? ou fazem o bem sem olhar a quem?
    A chatice é que responder a isto é trabalho de jornalista.
    E a canalha que come destes bancos nem a TVI chama, nem ela vinha, não há sangue. Por enquanto.

    • “O Banco Alimentar fornece a Caritas. O Banco Alimentar está pelo menos quase tão ligado à Igreja como a Caritas (com, pelo menos, um cheirinho a Opus Dei pelo meio). Não comprovei pessoalmente estes factos, e perdi-lhes o link, mas andam por aí.”

      Claro… andam por aí mas só enquanto essa corja obscura e maquiavélica de malignos incensados não conseguir abafar tudo…

      Falam destas instituições como se fossem coisas sombrias e escondidas que se alimentam do sangue de inocentes…

      Haja um bocadinho, só um bocadinho, de honestidade intelectual……..

    • Fernando Lopes diz:

      De acordo JJC. Resta saber até que ponto o BA e outros, além de suprirem necessidades alimentares (e nem disso temos a certeza) não são a génese de projectos políticos ou pelo menos de mundividências acomodadas. Não consigo deixar de ver estas instituições como cópias da Irmandade Muçulmana, com planos de poder no longo prazo. Semear para colher.

    • Vi os seus links e só tenho uma coisa a dizer: pura teoria da conspiração, no estilo do pior Rodrigues dos Santos. O BA tem ligações com instituições da Igreja como intermediários, mas é laico e não tem donativos que vão parar ao Vaticano (massa, arroz, feijão?). Seria melhor falar com alguém liago ao Banco – que aliás existe em toda a europa – em lugar de consultar obscuros links de blogues pouco sérios.

      • Quando a realidade (ligação à igreja, não institucional, ok, ninguém disse o contrário; e já agora um personagem no mínimo de duvidosa respeitabilidade http://5dias.net/2012/11/09/quem-e-francisco-ribeiro-o-que-faz-no-banco-alimentar-para-que-cargo-e-que-isabel-jonet-o-convidou/), é teoria da conspiração e as fontes são panfletárias.
        Lamento informar: uma fonte é uma fonte: se aponta factos ou se demonstra que os factos são falsos ou permanecem válidos.
        De resto o que disse nem tem nada que ver com financiamentos: gente com moralismos de trazer pelo chá não é de confiança para distribuir alimentos. Existem profissionais habilitados em Portugal, designam-se técnicos superiores de Serviço Social, para essas funções. As Jonet tem tantas competências para isso como as irmandades muçulmanas.

      • Parece-me que tem bastante mais comeptência para isso: afinal, já está à frente da instituição há quase vinte anos e neste momento preside à federação europeia dos bancos alimentares (http://fr.wikipedia.org/wiki/F%C3%A9d%C3%A9ration_europ%C3%A9enne_des_banques_alimentaires). De resto, não há uma “selecção” exacta das entidades para as quais o BA contribui: atende os diversos pedidos, analisa a fiabilidade da instituição em causa e depois procede-se à distribuição na medida do possível. Ao longo do ano à fiscalizações para avaliar se os alimentos são realmente bem distribuídos e se não há quem leve mais do que o que pediu e outros ficam sem nada (tem acontecido). Há muitas entidades intermédias de inspiração cristã, mas outras de outros cultos (hindus, por exemplo, como os hare krishna) e laicas. Esclareço, para não deixar dúvidas, que sou voluntário do BA desde os anos noventa, em diversos tipos de trabalho, entre os quais administrativos, e tenho algum conecimento de como funciona a instituição.

    • Catia diz:

      Boa noite.
      Só para esclarecer a forma como os alimentos são entregues às famílias: as famílias recebem apoio alimentar através de instituições parceiras do Banco Alimentar, nas quais as famílias se inscrevem (só recebem esse apoio se se comprovar realmente a carência económica).
      As instituições levantam periodicamente os alimentos no BA e dividem-nos pelo número de famílias inscritas, atribuindo uma maior quantidade de alimentos às famílias mais numerosas.
      Há também casos de instituições que, além de prestarem apoio alimentar à comunidade, também recebem elas próprias alguns alimentos do BA, em virtude de terem cantinas sociais, casas-abrigo, etc, como suporte alimentar aos seus utentes.
      Cumprimentos

  10. caramelo diz:

    Falso dilema: deve o pobre criticar quem lhe dá as sopas e ao mesmo tempo o insulta? Assinar tais petições? Enquanto mantiver o seu juizinho, não. Já diz o povo que o calado é o melhor. Mas os pobres, como toda a gente sabe, são manhosos, vingativos, alimentam esquemas, o diabo: aposto que muitos vão clandestinamente assinar a petição e insultar a jonet nas redes sociais. Aí, os pobres não andam nas redes sociais? Pois não, pois não, ai jesus. Não vou gastar mais em megabites, minha senhora. Que ao menos se mantenha o nosso paradigma do pobre:ingrato por ingrato, que o gaste em vinho.
    Cá voltei, rapazes. Gosto de vocês e deu-me uma ânsia. Fazemos as pazes? Prometo desta vez não vir com grandes filosofias chatas. Vale?

  11. Luis M. Jorge, é verdade o que diz sobre a barulheira à volta das declarações… é tal que perdi logo a vontade de as ver…! cheirava a falta de jeito em expressar as ideias, que o Lourenço, no Complexidade e Contradição, tão bem explicou.

    Bom post!!

  12. Miguel A. Baptista diz:

    Concordo, em termos gerais, com o teu raciocínio Luis.

    No entanto deixa-me desenvolver um pouco um ponto com o qual talvez o nosso acordo não seja próximo do total.

    Todos estamos fartos do “vivemos acima das nossas possibilidades”; ok a linguagem é ligeiramente moralista e remete-nos paras as conversas com as nossas avós, há trinta e muitos anos, aquecidos por um calor de fogo de azinho refractado pelo granito de uma lareira beirã. Também estamos fartos da versão tecnocrática, que diz exactamente o mesmo sob vestes ligeiramente mais modernas, que é “temos que fazer um esforço de ajustamento”.

    Está bem, estamos fartos, “so what?” isto altera os dados do problema? O facto de estarmos fartos “aumenta as nossas possibilidades” ou faz com que “o ajustamento já não seja necessário”?

    Não, o estarmos fartos representa o nosso estado de negação. Não queremos admitir que estamos fodidos e que inexoravelmente vamos viver tempos fodidos (ups…já não posso mostrar este comentário lá em casa).

    Acho que o factos são estes e negá-los não adianta nada à ultrapassagem da situação.

    Agora não vejo que a noite austera, pela qual vamos passar, tenha algo de expiatório ou regenerador. Quando nós com uma boa dose de sobranceria desdenhamos as pessoas que trocam de telemóvel anualmente, e vão recolher-se, alcoolizar-se e encher o bandulho em resorts “all inclusive” de Punta Cana, estamos, quiçá, a não entender qual o processo de formação e uma classe média que Portugal não tinha.

    A falta de dinheiro não nos dará um povo melhor. Antes pelo contrário, vai-nos dar um povo mais mesquinho, mais curto de vistas e mais egoísta. Vai potenciar os gajos submissos para o “de cima” e tiranos “para o de baixo”. Em termos sociais, e mesmo civilizacionais, vamos regredir vinte anos.

    No entanto penso que tudo o que seja tourear o problema, e não o enfrentar pelos cornos é pior para nós. Só enfrentando de caras o problema poderemos ambicionar estar “dois anos na merda” e não “vinte anos na merda”. Matar o mensageiro não adianta rigorosamente nada.

  13. João. diz:

    O nosso capitalismo tem a aparência de ter falido, e quando digo capitalismo falo da mais valia que traduzia o capitalismo para o imaginário colectivo, quer dizer, que permitia um ir além da mera sobrevivência quotidiana e que é significado por exemplo pelo tal concerto de rock de que fala a sra.

    O concerto de rock, a meu ver, não é para ser lido literalmente, ele ocupa antes o lugar daquela mais valia que permeou o imaginário capitalista – uma mais valia que ela, com razão, diz que acabou. Claro que ela parece derivar pelo moralismo, como se essa mais valia, a nossa aspiração a concretizá-la, fosse por si mesmo um mal. Não é um mal, sem a mais valia, para além da sobrevivência, não se constituem sujeitos mas apenas assujeitados.

    Assujeitados a quê?

    À absolutização do princípio da vida sobre o do desejo.

    Hegel explica bem o que isto significa – é o próprio conceito do escravo, na dialéctica do Senhor e do Escravo. O Escravo, conceptualmente, não significa o trabalho não ou mal remunerado, a dependência económica completa em relação ao Senhor. O Escravo é, no seu conceito, o domínio absoluto da vida sobre o desejo. O Senhor, ao invés, prefere o desejo à vida, o que não é sem grandes impasses já que sem vida não há também desejo e em certa medida é do lugar do escravo que há desenvolvimento da consciência mas só enquanto ele vai negando a negatividade do Senhor, enfim, finalmente, quando, se constitui um Senhor do Senhor – a Substância ética, em última análise, a Lei, o Estado e o Cidadão.

    Mas mesmo assim o desejo desliza e aparece para além do Estado, enfim da estrutura de satisfação das necessidades associadas à vida, que é significado pela Arte, Religião e Filosofia – ora, a meu ver, na Arte já encontramos um dimensão de relação com a matéria para além da utilidade vital, quer dizer, o que vale na materialidade da arte é o belo, o sublime, o expressivo; a religião já é a relação com a imaterialidade enquanto tal e a Filosofia já é o lugar do puro conceptualizar do Espírito, do ser humano, da vida e do desejo enquanto é matéria e consciência, necessidade e liberdade.

    Mas a dialéctica hegeliana aplica uma torsão neste movimento que vai do Estado à Arte-Religião-Filosofia, ou seja, é só na medida em que há acesso à Arte, Religião e Filosofia que o Estado adquire a sua plena função – sem este retorno ao Estado pela mediação da A-R-F e o que elas permitem lançar e realizar, é o próprio Estado que se distancia do seu propósito – o de ser um de homens livres, de cidadãos, de sujeitos desejantes; no caso teríamos uma regressão às relações directas de senhor e escravo.

    É por isso que o concerto de rock é importantíssimo, porque sem ele, sem o lugar que ele ocupa, a própria religião não passa pela mediação da imaterialidade do material e da materialidade do imaterial e, concerteza, se tornará opressiva, moralista, enfim, não uma adesão de fé e liberdade mas uma de desespero e necessidade, uma tentativa de alçar directamente da pura materialidade ao imaterial – algo que Hegel já trata na Consciência Infeliz, quer dizer, numa religião que é uma de escravos. A própria filosofia, num Estado sem arte, seria toda ela abstracta, moralista, enfim, uma extensão da religião de escravos.

    Se o nosso capitalismo chegou ao ponto em que as pessoas devem abdicar do inútil, ou seja, chegou ao ponto em que útil e inútil são mutuamente exclusivos, então chegámos ou regressámos a um Estado de escravos. Daqui, então, para o que é a verdade, a meu ver, do discurso da Isabel Jonet: é o discurso da situação a que chegámos, é o discurso da religião e filosofia moralista de um Estado de escravos. Mas é mais do que isso, é também o lugar de onde esse discurso é pronunciado – enfim o lugar do Senhor, da elite, cujo se percebe quando ela diz que NÃO PODEMOS comer bife todos os dias. Ora, ela pode. Ou seja, temos quem pode a dizer que não podemos, o que quer realmente dizer VOCÊS NÃO PODEM.

    O bife aqui representa também a mais valia, enfim, tem fundamentalmente o mesmo valor do concerto de rock. Comer bife todos os dias quer dizer ir a um concerto de rock de vez em quando e não poder comer bife todos os dias quer dizer não poder ir a concertos de rock, o que, por sua vez, quer realmente dizer: vivam apenas para sobreviver e esqueçam/esmaguem/reprimam o vosso desejo.

    Não é difícil imaginar que um tal desiderato se assim mantido indefididamente acabe em violência, talvez num frenesim de violência, como, por exemplo, foi o caso da revolução francesa.

  14. Zé Bastos diz:

    a jonet q trate da sua banqueta que eu faço com o meu dinheiro o q quero..
    ganda panhonhas , fonix!

  15. cristiana fernandes diz:

    A senhora é uma autêntica “tia”; como tal, fica bem no curriculum a “caridade”. Há, pois, que preservar o tecido onde “elas podem brilhar e cumprir”. A senhora tem um pensamento pouco “solidário” e ao contrário do que diz, não respeita verdadeiramente o outro, porque não o vê nunca como igual. Aliás, segundo consta , é a mesma senhora que um dia disse que “investiu muito nos seus fihos quando eles eram mais jovens, porque ese investimento ela vai cobrar/receber com muitos, muitos juros”…

    Se verificarem, o “voluntariado” está a tornar-se uma coisa “chique, chiquérrima”, em PortugaL- para se entrar tem que se ter “pedigree” ( de acordo com o conceito das tias, claro…)
    Nesse pedigree, segudno vejo e sei, nunca entra o verdadeiro valor do respeito pelo outro ser humano, enquanto meu igual. E isso torna tudo, por vezes, um “nojo”…

    Esta gente nunca tem “pudor” em fazer tanto voluntariado e antes pelo contrário, fica envaidecida – ora isso, a meu ver, é tudo menos “respeito pelo outro”.

  16. Miguel diz:

    Tens razao quando dizes que o BA desempenha um papel util para situacoes que deviam ser tendencialmente de emergencia e por isso nao se deve boicotar o seu trabalho. Acho que estas errado quando sugeres que isso implica renunciar a desmontar a patranha ideologica propalada pela Isabel Jonet — como se o sucesso do BA disso dependesse. Alguem na posicao dela vir falar da necessidade de cortar na alimentacao como se estivesse a falar do consumo de produtos de luxo e’ assim, como dizer, um bocadinho absurdo, ou nao e’?

    • Mas eu sugeri isso? Vai lá ler o texto.

      • Mila diz:

        Pois eu vi o discurso e sinceramente acho que as reações contrárias são dos meninos mimados que sempre tiveram tudo e agora não se convencem da realidade em que estamos. As coisas que ela diz, já as previno eu há muito tempo e felizmente hoje posso dizer que nem um cartão de crédito tenho, porque fui muito, muito pobre, e habituei-me a dar valor ao que tinha e ao pouco que ganhava e a não dar passos maiores que as pernas. desde sempre lavei os dentes com um copo, apanho a água do anho antes de chegar a água quente para um balde, tenho na bacia de lavar o rosto um bacia de plástico e aproveito a água de lavar as mão, e depois todas essas águas são aproveitadas na sanita. A água é um bem escasso, e caro e à boa maneira dos verdes eu faço-o. Não por ideologia, porque reconheço que além do ambiente, a minha carteira também agradece. Traduz-se numa poupança de cerca de 10 euros mensais. Aprendi com a minha mãe a colocar em cima das panelas uma grande panela com água, que quase ferve, onde aptroveito a energia e utilizo essa água que quase ferve para acrescentar a sopa, a água para oarroz, ou para o que preciso, e quando já não preciso de mais vai para lavar a louça, na cozinha quase só gasto gás para cozinhar. Isso traduz-se numa poupança de cerca de 10 a 15 euros mensais. Tenho tarifa bi-horária e só utilizo as máquinas quando estão cheias.
        Trabalhei, estudei com o meu esforço e poupei e porque sei o valor das coisas, levei e levo uma vida simples, sem luxos, mas confortável e até agora sem dívidas e que de vez em quando me permito uns devaneios de umas pequenas viagens. Mas comecei a fazer isso, depois que consegui arranjar um pé de meia, investir em coisas que me dão algum dinheirito para agora poder desfrutar do que consegui. O problema é que as pessoas acham que têm direito a tudo sem fazer por isso. Vemos jovens desempregados ou com empregos precários nas esplanadas dos cafés, nos jogos, nos concertos, a fazerem viagens a crédito. Claro que as coisas rebentam algum dia por algum lugar.
        Quando alguém alerta para o problema, é crucificado como está a ser esta senhora agora. Vem os orgulhos ao de cima e se for preciso abrem a geladeira e é um vacuo porque nada há lá dentro.
        Caiam na real, ela está certíssima. Não tapem o sol com a peneira. E queiram ou não, caridade e pessoas que se dêm, precisam-se. Algum de vocês por acaso já precisou de uma malga de sopa quente e não a teve para comer? Pois eu já! Vão dizer aqueles que perderam tudo no craque de 1929 quando estavam na fila para terem uma sopa quente, que quem lha fornecia era uam tia ou tio de Cascais. Vão aos sem abrigo que preambulam pela noite se não devem aceitar a refeição quente que pessoas abnegadas, que deixam os seus lares para estarem ali, que não devem aceitar porque é caridade vinda das TIAS ou dos TIOS. Meus caros, a fome é negra. Independente de que atirou para a situação em que milhares de pessoas se encontram, haja sempre pessoas como a Isabel Jonet e tantos outros, que abdicam da sua vida, dos seus momentos com a Família para estrem ali a ajudar o próximo.
        Caiam na real e meditem no que ela disse, não para a criticar, mas para tirar dali lições de vida.
        Bom senso Precisa-se!

      • Obrigado, Mila. Vou meditar imenso.

    • Mila diz:

      Ao Miguel
      Desculpe dirigir-ma a si. Mas se analizar objetivamente o que a senhora diz, vê que ela não diz que se deve cortar na alimentação. Diz sim, é que se não tem dinheiro para comer bifes, não os pode comer. No meu entender que estou com espírito aberto, é que cada um tem que fazer vida para o que ganha e sim, terá que comer o que o dinheiro que tem lhe permite comprar. Sentido figurativo, como poderia ter dito que quem não pode ir às Maldivas, tem que se contentar ir à Serra da Estrela, ou outra qualquer coisa do género. Olhe eu raramente como bifes e não passo fome. Não compro garoupa ou cherne, compro carapau, sardinha e pescada, que é o que o meu dinheiro me permite comprar.

      À D. Cristiana Fernandes

      A Senhora investir nos seus filhos para receber com juros e correção monetária, pois se a senhora julga que ela está errada por dizer isso, a senhora não entendeu nada do que ela disse. Os filhos são o nosso maior tesouro e o investimento na educação deles é primordial para recebermos nós e a sociedade o que investimos neles. Esses são os Juros. Sabe D. Cristina há muitas formas desses juros serem pagos e felizmente não é em dinheiro como a senhora parece estar a perceber. Os juros, são o afeto que nos dedicam, a atenção, o carinho, para connosco e com os outros, o bom caráter que desenvolvem, que se refelete na sociedade, o altruismo que os faz serem voluntários em comunidades desfavorecidas para depois serem criticados por pessoas que se calhar nunca mexeram uma palha em prol do seu semelhante. Não tivessem feito os pais bons investimentos morais e sociais, não teriamos voluntários a percorrer as ruas à noite, não teriamos ONGS em países africanos, não teriamos Banco alimentar, não teriamos nada disso. Infelizmente para mentes deturpadas estas pessoas são vistas como querendo aparecer ou ser chique, no seu dizer um “nojo”. Gostaria de saber o que faz a senhora em prol do seu vizinho que perdeu o emprego e nada tem em casa para comer. Ah, já sei…Não faz nada porque acha humilhante, vai ferir o orgulho dele e o estado é que terá obrigação de fazer. E escuda-se nesta capa, e ataca quem faz.

      Olhe eu nunca tinha ouvido falar da senhora, não a conheço, conheci agora por causa desta polémica toda e digo-lhe TEM O MEU APOIO E A MINHA ADMIRAÇÃO. É corajosa. Tocou na ferida. Disse o que as pessoas não gostam de ouvir.

      • João. diz:

        “Disse o que as pessoas não gostam de ouvir.”

        Pessoalmente, de uma certa perspectiva, até gostei de ouvir.

        – É que ajuda a perceber, melhor do que a conversa de muitos técnicos, o estado a que chegámos, quer dizer, não as explicações concretas de Jonet, que são um discurso já antigo, mas que a Jonet dê explicações e que essa discurso tenha regressado ao horário nobre.

  17. anita diz:

    Canhestras é uma delicadeza da sua parte. Como presidente da Federação e do Banco Alimentar Contra a Fome tem de ter autocontrole nas palavras e nas declarações. Mas ainda bem que não o fez: ficámos esclarecidos quanto ao nível de pensamento e grau de inteligência da Isabel. Até já lhe chamam Xoné, mas de ovelha xoné ( a esperteza saloia) não tem nada. É mesmo básica. Coitada.

  18. J. Oliveira diz:

    Acabei de ver e ouvir a intervenção televisionada de Isabel Jonet e concordo em absoluto com o que afirmou . É incrivel a burrice ou a má vontade de quem a critica .

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