Cassetes da direita (1): a “produtividade” aumenta se “trabalharmos mais”.

Já é um clássico: para o poltrão comum, educado entre carros de bois e versado nos bons valores patrioteiros da virgem da azinheira  e do santo condestável, o mal português é a preguiça. Se esta canalha chegasse a horas ao escritório converteria a Rússia e desancava Castela à espadeirada.

Corta para a realidade:

 

No lado esquerdo encontramos um sumário eloquente do contributo das pequenas, médias e grandes empresas para o emprego nas manufacturas de vários países. É fácil observar que a Alemanha emprega uma percentagem muito maior de trabalhadores em empresas de grande dimensão do que a nossa patriazinha ditosa. No lado direito vemos o que significa isto em produtividade.

Podem chegar mais cedo ao estaminé, que vos há-de valer de muito.

Luis M. Jorge

 

 

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14 thoughts on “Cassetes da direita (1): a “produtividade” aumenta se “trabalharmos mais”.

  1. João Pereira da Silva diz:

    São economias de escala inevitáveis. Já agora, o último parágrafo:
    “As important as it is to get macroeconomic stabilisation policy right, structural reforms to address these sorts of economic ailments will be necessary to help the periphery crawl out from under its balance-of-payment issues, and to ensure that Europe’s welfare states are sustainable amid broad demographic change. “

  2. Não é o Portas que diz que a riqueza é criada nas pequenas e médias empresas? Ou será o governo todo? Porque será que não conseguimos encontrar governantes com um mínimo de qualidade?

  3. henedina diz:

    Fazer mais por Portugal que o ministro Portas…Porque que a KLM tem um vinho chileno?
    Se a Merckel ou os parceiros europeus querem ajudar Portugal pq nao sugerirem coisas que sao possiveis e com lucros reciprocos…vinho portugues na KLM.

  4. henedina diz:

    Obrigadinha pela piquena oracao. Ja a fez? Foi junto ao Jeronimo ou aos jeronimos?

    A oracao a Santa Ursula pq? Nao e advogada dos jovens? Ja uma vez chamei cota ao Filipe e ele disse que eu tao cota qto ele e eu confirmei. Santa ursula…?
    Prefiro nao perguntar no post acima…;)

  5. Pois é, Luís M. Jorge, como 2 gráficos tão simples explicam tanta coisa.
    Pena que haja quem não os conheça ou não os queira interpretar.
    Em tempos trabalhei numa empresa portuguesa que tinha capital alemão.
    E enquanto na fábrica portuguesa tinhamos de fazer mudanças semanais de produção ( o máximo de tempo de produção para o mesmo produto na mesma máquina eram 3 semanas), na fábrica alemã chegavam a ter a mesma máquina dedicada à produção do mesmo produto 52 a semanas (!!) ,ou seja 1 ano !!!
    “Pequenas” diferenças.
    Bom fim de semana.

    • 1berto diz:

      Dou outro exemplo, que vale o que vale.
      Há uns anos na empresa nacional em que na altura trabalhava, proposemo-nos executar um trabalho de alta tecnologia para um equipamento desenvolvido com parceria alemã. Os portugueses previram 3 meses para a execução do trabalho, os alemães recusaram porque era muito tempo, e resolveram eles executá-lo. Só demoraram 6 meses! Devido a isso, a apresentação do protótipo atrasou e perdeu-se negócio importante. Os alemães encolheram os ombros, os portugueses encolheram-se todos. Poderia dar mais exemplos destes até dentro de uma multinacional alemã a operar em Portugal.
      Não me venham com mais cantigas sobre produtividade.

  6. NS diz:

    Uma média de produtividade de 20 países europeus dá-nos tanta informação sobre a resolução dos nossos problemas como uma epístola de S. Paulo aos romanos. A dimensão das empresas em Portugal é um dado, não é alterável por decreto e é com esse dado que temos que trabalhar.
    O aumento das horas de trabalho são serve para aumentar a produtividade, que é um rácio, serve precisamente para tentar contornar a baixa produtividade, aumentando a produção por cabeça. A produtividade é outro dado com que temos que trabalhar e não vai lá por decreto.
    Se calhar barra-me o comentário pela citação de um apócrifo, mas vou arriscar: “Descer salários não é uma política, é uma emergência” (António Borges). Ou seja, entre os efeitos de longo prazo das políticas adequadas para a resolução dos problemas de fundo, como aquele que apresenta, e o momento actual, convém sobrevivermos. Por isso, é preciso trabalhar mais horas (ou seja, descer salários) até conseguirmos obter maior produtividade.

    • Nunca barro comentários por motivos de opinião, NS. E concordo que se calhar é preciso descer salários — o problema é como se descem.

      • Zuruspa diz:

        Comece-se por baixar os salários dos gestores de topo para valores perto do índice (média dos gestores de topo)/(média dos trabalhadores “de linha”) na Alemanha e aumentá-los tanto quanto aumentam os salários dos trabalhadores “de linha”…

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