Guns & Amo ( 3) : Jokela e Kauhajoki

In 2006, Finland had the second-highest suicide rate for teenagers between 15-19 in the European Union, after Lithuania, according to EU statistics agency.

Whether that signals a problem with guns is debatable. Especially in rural areas, Finns say their hunting traditions justify widespread gun ownership and claim that gun violence is still relatively rare.

The nation’s overall crime rate compared to the U.S. and other European countries is also considered low, according to the U.S. State Department Web site.

A arm ausada foi a Walther PPK, uma variação da P38, pistola  com que fiz tiro  e que usei ( selada) como oficial de dia. Não é um big bore, não é nada de especial. Matou, nos dois massacres, 18 pessoas ( mais os dois assassinos). Passemos  ao que interessa.

Nesta discussão amavelmente abrigada  pelo Miguel Serras Pereira ( que não teve ninguém  a dar-lhe  a entender que é um  maníaco das armas), o ponto é, de facto, o meu: as estruturas psicóticas não se inibem diante do gun control, a discussão devendo  assentar na expressão do acto. Como vimos nos exemplos finlandeses e noutros americanos (o de James Oliver  Huberty). Que uma dessas expressões seja viral e dedicada ao extermínio concentrado e aleatório de humanos,  afasta-nos logo da esperança de a extinguir via restrições legais e administrativas.

Como dizia Foucault a propósito da concepção de loucura novecentista – formou-se no interior de uma consciência histórica e  só foi corrompida pela psicologia e pela psicanálise, que a colocaram do outro lado da sociedade – , também a psicose homicida espectacular sofre da necessidade de revisão. Quando um grupo de narcos mexicanos assassina vinte pessoas num restaurante  só por retaliação, tendemos a ver  uma loucura  justificada pelo próprio acto. Nessa altura não nos lembramos de medidas administrativas. Nos casos americanos, a loucura homicida  reinicia velhas dependências.  Uma delas é o sonho: poder ser limitada ( conquistada) através da razão.

FNV

9 thoughts on “Guns & Amo ( 3) : Jokela e Kauhajoki

  1. João. diz:

    Estou a ver o vice da NRA na CNN. Segundo a NRA a solução passa por colocar um agente treinado com armas de fogo em cada escola. Não é um absurdo se considerarmos que está a responder a uma demanda nacional por segurança nas escolas contra actos da natureza dos de Connecticut; mas, ao mesmo tempo, a meu ver, uma medida destas seria muito mais eficaz se ao mesmo tempo a possibilidade de se adquirir uma arma se tornasse bem mais apertada; ou seja, em princípio nada contra uma pessoa ter direito a possuir uma arma para a defesa da sua pessoa e da sua família mas uma restrição ao número e tipo de armas que se podem legalmente possuir pode ser proveitoso.

    Ao mesmo tempo um aumento do grau de penalização para a posse de uma arma ilegal pode também dissuadir alguma gente (não toda, longe disso) a arriscar comprar uma arma no mercado negro.

    Nada nunca vai impedir que existam massacres desta natureza nem sequer guardas armados em cada escola, afinal se um atirador entra de surpresa com uma arma numa escola nada impede que a mesma surpresa abata o agente em primeiro lugar. Dois agentes já poderia ser diferente, é verdade. Em todo o caso para quem quiser matar em massa, tendo uma arma eficaz o suficente, não vão faltar locais onde grupos de pessoas vão estar indefesas. Mas se nada nunca vai impedir poder-se-á, contudo, prevenir alguma coisa. Como vi escrito em algum lado, o cianeto não se vende à vontade do freguês, precisamente devido à sua potencialidade letal, de modo que não sei porque razão armas com grande potencialidade letal têm tão poucas restrições em certos Estados. Dada a especificidade dos EUA nesta matéria julgo que referendos Estatais seriam proveitosos, ou seja, que o povo, directamente, assuma a responsabilidade pelo grau de permissividade em seus Estados.

    • fnvv diz:

      Ó João: é claro que big bores devem ter restrições , isso nunca esteve em causa nos meus textos.

      • João. diz:

        Sim, ok. Não estava propriamente a discutir a matéria dos seus textos. Estava mais a partilhar o que pensei com os meus botões sobre o tema que lhe está subjacente.

  2. João. diz:

    O comentário mais engraçado que li (The Guardian) sobre esta conferência de imprensa da NRA:

    “Sounds like going to school at the OK Corral.”

  3. caramelo diz:

    Eu já disse a mesma coisa que o João, ou seja, que se deve limitar a venda e uso de armas, pelo menos com certas características e a certas pessoas. Se tu, Filipe, dizes também que se devem limitar os big bores, estamos afinal todos de acordo. O motivo só pode ser um: limitar os riscos, salvar vidas.
    Li hoje que a familia do Adam Lanza ainda não reivindicou o seu corpo, nem sequer o seu pai, que de qualquer maneira já se tinha afastado. Era uma pessoa obviamente doente mental, que devia ter tido uma atenção especial da familia e dos médicos, e que apesar disso vivia rodeado de armas e de uma cultura do culto das armas. Não estamos exactamente a falar de um pai de familia que vai às perdizes ou aos veados ao fim de semana, por desporto. O Filipe que desenvolva, que é do foro dele. A familia que agora abandona o seu corpo, não se terá preocupado muito com o seu estado em vida, e agora nunca se saberá o que teria acontecido se ele tivesse tido a atenção devida. É isto o controlo de riscos, que também se faz por via administrativa (como o cianeto). Os gangs do México têm outro tipo de controlo administrativo, o policial. Não foi a arma que matou, pois não, mas se calhar aquela matança teve outros autores e cúmplices e provavelmente o que pegou nas armas foi o menos culpado, coisa que eu já não diria acerca dos assassinos profissionais mexicanos.

    • fnvv diz:

      Caramelo,
      limitar big bores é um princípio de boa práticas, nunca disse o oposto.Se leres o que escrevi, verás que o que discuto, desde o início, é a fantasia que isso impede os psicopatas de fazerem o que têm de fazer.

      PS: profissionais mexicanos? alguns têm, 14 anos…

      • caramelo diz:

        Ou mais novos ainda… é melhor não continuar, ou caio na lamechice tão desprezada pela nossa beautiful people neoliberal do “a culpa é da sociedade” 😉

      • fnvv diz:

        por acaso o “a culpa é da sociedade” ouço é às tias ( sobre gaiatos mal educados e assim,) , mas tu lá saberás eheheh

      • caramelo diz:

        As tias que eu frequento dizem que a culpa é da falta de uma galheta dos pais

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