Fornos de cal de Penacova aproximam Portugal do Brasil

Não tenho um blackberry nem me sei barbear, não bebo leite de cabra  dos Urais nem percebo o ballet. Tenho armas ( legais) em casa e  ponho os pés em cima da mesa quando as mulheres se queixam dos maridos –  em contrapartida  exploro sempre o affair no horizonte, mas sem divórcio . Estou cada vez mais próximo de Cristo, agora que compreendo que só  a culpa liberta. Que há-de ser de mim, assim, sozinho, no meio dos canaviais?

 Mais uma  inconstitucionalidade. Já ensinava Bioy Casares: a intimidade é comentar o mundo.

FNV

13 thoughts on “Fornos de cal de Penacova aproximam Portugal do Brasil

  1. João. diz:

    we have come a long way since “feios e a cheirar a cavalo”.

    • fnvv diz:

      desafio: onde mordeu o isco? nas armas ou na recusa de esfoliantes?
      dez euros de penalização por cada preconceito.

      • João. diz:

        Era o que a minha mãe me dizia… Em todo o caso, vejo-me ao espelho, uso desodorizante, tenho cabelo comprido que algumas vezes leva com condicionador (não sei se é assim que se diz em Portugal) e calço uns adidas só porque dão mais estilo.

  2. João. diz:

    Alargando o plano, Marx no Capital, Livro I, sobre o fetichismo da mercadoria, não diz que as mercadorias podem parecer carregadas de sutilezas metafísicas mas são na verdade apenas produtos, coisas destinadas ao uso; ele diz antes que se pode pensar que as mercadorias são apenas produtos destinados ao uso mas, na verdade, elas estão cheias de “sutilezas metafísicas e argúcias teológicas” (“propriedades mágicas”, diria eu, metaforicamente e em resumo). E ele não diz que estas “propriedades mágicas” das mercadorias são uma manifestação de alguma distorção do capitalismo mas que é inerente à mercadoria enquanto tal – enfim, independentemente do sistema económico. Daqui se percebe, para quem aceitar estes termos, que uma deriva moralista contra o apego a mercadorias por mor dessas sutilezas metafísicas não combina com as teses de Marx sobre este tema.

    • João. diz:

      Logo no segundo parágrafo do Capital, antes ainda do tema do fetichismo das mercadorias, Marx já diz que as mercadorias satisfazem também necessidades provenientes da fantasia, ou seja, que não são meras utilidades físicas, biológicas, etc. Numa nota de roda-pé ele remete para uma passagem de um tal Nicholas Barbon onde é dito que “a maioria das coisas tem valor porque satisfaz as necessidades do espírito” (necessidades do espírito que, aqui, eu traduziria por todas as necessidades que não correspendem à simples sobrevivência). Enfim, o Barbas pode ser criticável mas não andou a dormir na formatura nem era um ingénuo, um lírico ou um moralista.

  3. balde-de-cal diz:

    diz-se algures num dos livros Bíblicos ‘não te aproximes dos animais’

  4. caramelo diz:

    Ó meu bom eremita, consta por aí que os blackberry estão out. Mas sapatilhas Adidas estão sempre in. Eu dou aftershaves, todos os anos me oferecem aftershaves que me queimam a pele e eu que estou sempre a precisar de meias, um dia experimento assar chouriço com aftershave.

    • João. diz:

      Como aftershave recomendo o “Sea Breeze: Fresh-Clean Astringent”. Não é um aftershave mas funciona muito bem como tal – tem a virtude de proporcionar aquele ardor redentor depois do barbear sem deixar um lastro de perfume nem ser, para tal, como o alcool puro que de facto rebenta com a pele. 🙂

      • João. diz:

        Nada, no entanto, contra o perfume, apenas penso que a maior parte dos perfumes não é muito agradável e que os realmente bons devem ser bem caros. Por exemplo, conheci uma moça francesa que usava um perfume hipnotizante – gostava de lhe ter perguntado que perfume era o que ela usava mas nunca tive a intimidade suficiente para lhe dizer porque razão eu queria saber: ou seja, que ela me hipnotizava com o perfume que colocava…:)

      • fnvv diz:

        não uso nada. népias. isso é tudo falsificação da vida social, produto da organização espectacular-capitalista, como diz o meu amigo Guy.

    • caramelo diz:

      Se é para a redenção dos nossos pecados, o viver acima das possibilidades e tal, é melhor pôr logo bagaço, João, depois de fazer a barba com uma faca de serrilha. Não ponho nada, perdi o hábito de usar aftershaves, nem me lembro porquê, só água, e ainda tenho a pele lisinha. Nos perfumes, durante anos e anos usei o Xeryus, da Givenchy, o preto, nunca houve melhor, depois desapareceu do mercado. Tem razão, a maior parte dos perfumes não é mesmo muito agradável e os bons são muito caros. Tenho alguma nostalgia por aqueles aftershaves antigos de barbearia. Por falar nisso, gostei muito que tivesse escrito algures ai em cima “por mor”. Há que tempos…

      • João. diz:

        É engraçado. Para mim, não pôr um “troço ardido” depois de fazer a barba é mais ou menos como tomar o pequeno-almoço sem beber um café – fico meio atravessado. Em último caso água salgada, tipo mar, também cumpre a função, não a do café…a do aftershave.

  5. henedina diz:

    Eu não uso perfume…Sou “feia e a cheirar a cavalo”!?

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