Mecanismos dissociativos

O último tempo onde mais negra foi a miséria portuguesa que ainda pode ser lembrado pelos vivos foi por volta de 1943, o ano em que houve um excedente da balança comercial que a imbecil ignorância actual se permite louvar, sem saber do que está a falar. Ter havido excedentes na balança foi bom, a razão por que isso aconteceu foi péssima.

Esta parte do texto de JPP aplica-se ao clangor com que hoje nos  blogues (  no fim de semana provavelmente nos jornais) os apoiantes do governo festejaram o eventual incumprimento da  redução do défice . Em alguns casos foram mais longe, chamando estúpidos  aos que não abriram  as garrafas com eles.

Isto é deveras interessante. O governo reduziu o défice porque tirou dinheiro às pessoas. Como é que isto é meritório é coisa que confesso não ser capaz de entender. Mais  sumarenta é a festa. Significa que os apoiantes do governo entendem que tirar dinheiro às pessoas é bom e festejável. No interessante ano que aí vem, veremos como se posicionarão os agora alegres foliões.

FNV

21 thoughts on “Mecanismos dissociativos

  1. henedina diz:

    “as difíceis decisões que estamos a tomar, fazemo-lo para que os nossos filhos tenham no futuro um Natal melhor.” Eu concordo a Laura e o PPC estão a tomar decisões para que os filhos deles tenham no futuro um Natal ainda melhor.
    Tem toda a razão Filipe, e o JPP, congratular-se com vender as empresas públicas que dão mais lucro e ficar com as que dão prejuízo para cegamente cumprir o deficit. Não ter rasgo para baixar os impostos e assim capitalizar mais por vinda de investimento estrangeiro, diminuição da economia paralela, etc, é lamentável.
    Agora em relação à msn no fb é um faire d., até me ri,…
    Um PM que excluí da msn de Natal os Portugueses que não têm filhos e que manda por tm uma msn no fb, e que na língua de Fernando Pessoa produz esta obra de arte, até que o faz um jotinha engraçadinho, deve ter ido a todas as universidades de verão, merece bem o subsídeo em duodecimos.

  2. Zecas Lopes diz:

    De facto, tirar dinheiro às pessoas é um roubo. O governo devia deixar de o fazer: deixava de dar saúde, deixava de dar educação e deixava de empregar 10 000 000 000 000 000 000 00 de funcionários e assim já não precisava de “tirar dinheiro às pessoas”. Gostei de conhecer mais um blog liberal. Liberal, certo?

    • fnvv diz:

      O título do texto não se refere aos autores: somos 3, cada um por si.
      Quanto à sua contribuição,lamento profundamente a falta de acuidade visual e/ou de capacidade interpretativa: não falo em roubo nem discuto se os cortes tinham ou não de ser feito desta forma. Assinalei a festa por se terem feito.
      Melhor sorte paara a próxima.

      • Zecas Lopes diz:

        Não diz nada, portanto.

      • fnvv diz:

        a iliteracia tem cura, não desista, faça força.

      • João. diz:

        Gostaria que o governo perdesse a polícia e as forças armadas, ao mesmo tempo em que ocorresse uma greve geral insurrecional para ver até onde ia o anti-Estado dos liberais de pacotilha – porque um movimento destes é que é anti-Estado e não as tretas que muitos liberais debitam.

      • fnvv diz:

        há aí umas pequenitas confusõezitas filosóficas ( estado mínimo não é a anarquia)…mas percebe-se o tom geral.

      • João. diz:

        O Estado mínimo é um significante cuja verdade é a colocação dos recursos do Estado ao serviço de uma ideia polítca e económica definida.

        Um estado mínimo, no sentido de super eficiente, sem contradições internas tem um potencial de controlo e intrusão sobre a sociedade enorme. Este é o lado sombrio do Estado super eficiente. Como aprendemos com Hegel uma noção levada à sua máxima explicitação pode inverter-se no seu oposto e esse Estado mínimo, então, tornar-se num Estado máximo, não pelo número de funcionários mas pela sua eficácia.

  3. henrique pereira dos santos diz:

    Acho que vale a pena ler o que o INE publicou sobre as contas trimestrais. O rendimento subiu (apesar das remunerações terem descido), a poupança das famílias subiu (já sei que acha as generalizações abusivas, mas esse é o papel das estatísticas), as necessidades de financiamento diminuíram, etc.. Uma parte da verdade está no que escreve: as remunerações diminuíram, quer sob a forma de diminuição da retribuição pelo trabalho, quer sob a forma, bem mais difícil, de desemprego. E isso é intrinsecamente mau. A questão é saber se é possível manter rendimentos que vivem de empréstimos quando os que emprestam deixam de querer fazê-lo. O que não pode omitir é a outra parte da verdade: a mudança de agulha de muita empresa, que deixou (ou diminiui) a produção para o mercado interno e passou a exportar mais. Com especial destaque para muita empresa de construção civil que faliu ou se dedicou aos projectos noutras paragens. Claro que não vale a pena embandeirar em arco quando o principal produto de exportação de Portugal é o petróleo e a principal exportadora é a Petrogal. Mas não confundamos isso com o que de facto está a acontecer: os empresários estão mais focados em vender fora. Com êxito. Isso é essencialmente uma vitória do Governo? Não, claro que não, é apesar do Governo (este e o anterior). O que seguramente me parece simplesmente estúpido é dizer que há qualquer relação entre a miséria de 1943 (de qualquer modo muito menor que a miséria de 1923 ou 1933, como demonstra qualquer livro de história da economia, mesmo de pessoas seguramente longe de qualquer simpatia pelo Estado Novo, como Pedro Lains) e o excedente comercial de 1943. Miséria houve antes e depois, excedente comercial houve nesse ano, por razões conjunturais que estão muito longe de ser as actuais. Estabelecer uma relação entre uma coisa e outra é simplesmente uma idiotice.
    henrique pereira dos santos

    • fnvv diz:

      O essencial é isto: como gabar o aperto? Sei que o prof. Espada julga que a retórica churchlliana que ensina a PPC é boa, mas não imagino Churchill a elogiar o número de vítimas ( sei que não o fez, tenho duas biografias dele) para gabar a excelência dos abrigos anti-aéreos.

      • henrique pereira dos santos diz:

        O essencial é a retórica? Não estou convencido disso.
        henrique pereira dos santos

      • fnvv diz:

        O aperto não é retórico, logo, gabá-lo também não é. Tenho a impressão que vai perceber isto melhor para o ano.

    • João. diz:

      Henrique a única coisa que me faz confusão é a actual desconfiança em relação ao crédito; é que a meu ver sem crédito não há capitaismo. Mas até aqui a minha formulação ainda não tocou no problema que quero levantar. Dizer que sem crédito não há capitalismo é uma vulgaridade mas o que eu quero dizer é que no capitalismo tal como ele se define a si mesmo a ideia de regular o crédito é na prática contraditória com essa auto-definição do capitalismo.

      Mudaria então a minha primeira formulação e diria que sem crédito desregulado não há capitalismo tal como ele se define. Porquê? Porque o capitalismo se define pela virtude da competição, porque se define pela ideia de que quanto mais competição melhor é o capitalismo. Ora, é aqui que a porca torce o rabo. O crédito é precisamente o meio de que se servem as empresas para competirem entre si e quanto mais competitivo for o capitalismo mais crédito é necessário já que é o crédito que permite que as empresas se antecipem umas às outras. Mas porquê? Porque é que as empresas não se resumem a investir os lucros que têm ao fim do ano para aumentarem a sua competitividade? Porque outras empresas já solicitaram crédito para estar a investir na sua competitividade antes dos lucros do fim do ano e portanto as demais farão o mesmo, ou seja, não ficarão paradas a assistir aos seus competidores desenvolverem antecipadamente produtos competitivos. Enfim, isto resulta numa dinâmica em que o crédito tem que estar disponível o mais facilmente possível.

      Aconteceu porém, também, que o próprio universo das empresas que vivem da venda de crédito de tornou altamente competitivo, ou seja, as empresas que vendem crédito começaram também a não vender esse crédito às outras empresas a partir do que têm em caixa mas a partir de crédito que elas mesmas solicitam. E elas solicitam-no nos chamados mercados secundários ou de derivados financeiros de modo que o crédito que as instituições financeiras vendem às empresas é ele mesmo resultado de crédito que elas solicitaram através desses produtos – isto quer dizer que nem os bancos têm o dinheiro que emprestam, eles têm apenas o crédito desse dinheiro. Já se vê, mesmo nesta apresentação básica, como o sistema se torna muito instável já que qualquer problema das empresas em pagar aos bancos o crédito que solicitaram resulta numa dupla perda dos bancos, ou seja, eles não perdem só o dinheiro que emprestaram eles perdem o próprio crédito, perdem a própria capacidade de pagar as suas dívidas a outras instituições financeiras, a outros bancos.

      O método antigo era o de castigar as empresas por não serem capazes de ter pago os empréstimos que solicitaram, enfim a apropriação pelos bancos das garantias colaterais – e isto seria mais ou menos suficiente se os bancos não tivessem eles mesmos débitos a pagar por créditos que solicitaram para vender crédito. Estes débitos, que significa que os bancos venderam crédito com crédito, dívida com dívida resultam numa duplicação da dívida que já não podem ser as empresas a pagar mas os contribuintes, os Estados, alguns Estados, por via destes programas de assistência.

      O que é perverso, a meu ver, é que todos sejam castigados, digamos assim, menos os bancos – a lógica de se ter contraído dívida sem ter realizado a capacidade de a pagar não é aplicada aos bancos e um dos métodos de ausentar os bancos desta responsabilidade é o de tratar o seu negócio como um grande favor que estão a fazer. É o único negócio em que claramente os produtos que vendem, crédito, são tomados como favores à humanidade de que não devemos reclamar sem sermos de uma ingratidão quase sem medida.

      Ora, eu quando vendo um hamburger a um cliente o que ocorre é o encontro de duas necessidades, a do cliente de comer um hamburger e a minha de vender o hamburger – não há uma relação de favor. Eu não faço um favor ao cliente em vender-lhe um hamburger e o cliente não compra o hamburger por um favor ao meu negócio. Mas com os bancos não é assim. Os hamburgers que eles vendem, quer dizer, crédito, são absolutamente tomados como um favor que fazem, como se eles não vivessem disso ou como se o crédito que vendem não fosse parte do negócio que eles são.

      Os bancos, enfim, são os vendedores de indulgências pós-modernos. Como vendem salvação estão acima das coisas terrenas, dos pecadores. Salvar os bancos é como salvar o salvador e portanto salvar a salvação – por isso nos dizem que é do nosso interesse, mais do que dos bancos, salvar os bancos. Que isto seja verdade só mostra a obscenidade a que chegou o capitalismo.

  4. henrique pereira dos santos diz:

    Filipe, claro que o aperto não é retórico. Eu não consigo ler o seu post como sendo uma crítica aos que glorificam o aperto até porque ainda não vi ninguém glorificar o aperto. A sua falácia de que quem glorifica os excelentes resultados do programa de ajustamento (para aquilo que ele foi feito, que foi resolver o problema da falta de crédito do Estado português) está a glorificar os seus efeitos colaterais (o dito aperto) é um bocado frágil. Em especial porque até hoje não vi ninguém explicar como se resolve o problema da falta de crédito sem aperto, excepto os que acham que quem deve manda em quem empresta. É que o governo não reduziu o défice porque tirou dinheiro às pessoas. O governo tirou dinheiro às pessoas para reduzir o défice, porque a redução do défice é um instrumento para a redução das necessidades de financiamente, condição sine qua non para que alguns credores nos continuem a emprestar dinheiro. É que sem a satisfação das necessidades de financiamento as pessoas teriam muito menos dinheiro que lhes seria tirado pelos credores, de forma mais profunda e rápida.
    henrique pereira dos santos

    • fnvv diz:

      Não vou cansá-lo, Henrique, mas olhe:
      http://corta-fitas.blogs.sapo.pt/5195494.html
      Se formos aos oficiosos, é igual e a propaganda ofcial idem.
      O que eu digo é que não devemos saudar a amputação ainad qu eisso salve o doente. Até porque no início prometemos salvá-lo sem amputá-lo.

      • henrique pereira dos santos diz:

        Também não quero cansá-lo e continuo sem ver ninguém glorificar o aperto. Glorificar a redução do défice (e, mais que tudo, a redução das necessidades de financiamento) também eu faço, sem que isso seja glorificar os efeitos colaterais. Quanto às promessas só acredita neles quem quer. Pessoalmente estou convencido de que serão uma minoria muito minoritária os que votaram acreditando nas promessas (ou acha que quem vota no bloco ou no PC vota porque acredita alguma coisa nas promessas de campanha?).
        henrique pereira dos santos

      • fnvv diz:

        Não é elogiar os efeitos colaterais, é elogiar algo que não tem mérito nenhum porque foi apenas empobrecer as pessoas. Caramaba, Henrique, diga-me cá: depois destes cortes todos, acha meritório que o défice tenha sido reduzido?
        É aqui que o regozijo ( e até a farronca insultusoa) devia dar lugar ao recato.

  5. henrique pereira dos santos diz:

    Filipe, sim, acho muito meritória a redução do défice e passo a explicar:
    1) O montante dos juros pagos em 2012 está acima de 10% mais elevados que em 2011, o que significa que se tudo se tivesse mantido, o défice teria subido muito (é bom lembrar que na raiz disto tudo está uma dívida excessiva);
    2) Ao contrário do que diz a sua generalização, o corte na despesa não é apenas em salários e outros pagamentos às pessoas (se retirar o efeito do pagamento das dívidas do serviço nacional de saúde, de 1,5 mil milhões de euros, a diminuição das despesas em bens e serviços andava em Novembro em -5,5%, para já não falar no corte em investimento, acima dos 20%);
    3) Dentro dos cortes às remunerações há alguns que são perfeitamente justos (algumas duplicações escandalosas e excessos de remunerações complementares) e outros, podendo não ser nem deixar de ser justos, são perfeitamente razoáveis;
    4) A sua pior generalização é considerar que foram retirados rendimentos a toda a gente, o que está longe de ser verdade, não só porque os rendimentos mais baixos não foram cortados de todo, como porque há uma progressividade nos cortes em função do rendimento;
    5) Nesse orçamento está um aumento de quase 25% de prestações sociais, em especial no subsídio de desemprego, o que significa que a redução do défice se faz apesar do aumento das prestações sociais. Ou dito de outro modo, a redução das remunerações mais altas da função pública está a financiar a protecção social dos desempregados;
    Dito isto tudo (que era escusado face às previsões catastrofistas de que o défice iria ficar muito acima dos 5% porque era impossível ser de outra maneira face à crise económica, o que demonstra bem como o resultado obtido é de facto notável) importa salientar, mais uma vez, a questão de fundo: face a uma dívida galopante e a um serviço de dívida evidentemente insuportável os credores não estavam dispostos a pôr mais dinheiro num buraco sem fundo. Reduzir o défice é apenas um instrumento para dar sustentabilidade à gestão dessa dívida. Alguém apresentou seriamente outras maneiras de chegar aqui? Até Passos Coelho, quando Manuela Ferreira Leite dizia que este era o caminho, fingia ter alternativas (tal como Manuela Ferreira Leite agora finge ter alternativas). Até Sócrates, o mais brilhante aldrabão (porque acreditava piamente nas suas mentiras) baixou a crista e depois de dizer que nunca governaria com o FMI assinou o memorando que tem lá bem definidas estas medidas.
    Filipe, com este ou com outro governo o caminho seria, mais coisa menos coisa, por aqui. O mérito deste governo foi o de ter percebido que não valia a pena fingir que não era assim.
    Não é pouco face ao antecedente e tem sido uma condição importante para o êxito do programa de ajustamento. Que, porque é inegavelmente um êxito (em função do seu objectivo) merece ser celebrado e referido.
    Sem que isso signifique celebrar os seus efeitos colaterais.
    Celebrar a derrota da gangrena não é celebrar a amputação.
    henrique pereira dos santos

    • fnvv diz:

      Henrique,
      em 2 não generalizei porque não disse o contrário, logo, 4 não pode ser a pior generalizaçao ( porque 2 não foi) e, de facto, nunca seria: o país empobreceu brutalmente é uma generalização tolerável e correcta e só não vê quem não quer.
      De acordo quanto ao essencial: sem uma revolução , isto teria de ser assim, em termos gerais ( O Henrique não pode saber o que nos custou o número do chumbo do PECIV por esta gente que jurava resolver as cosias sem um corte nem um aumento de imposto). O que não pode nunca, do meu ponto de vista, é ser saudado e explico porquê: o que há a saudar? As medidas draconianas terem sido implementadas sem revolução nem guerra civil? Bem, se é isso, como não tenho agenda revolucionária, bebo um trago, discreto e, se fosse governante, calado.

      PS:”O mérito deste governo foi o de ter percebido que não valia a pena fingir que não era assim” Mérito? Isso é uma contradiç\ao nos seus termos, porque se não há outro caminho, onde está o mérito? Isto para não repisar a desfacatez de só terem “compreendido”, curiosamente, 24h depois de terem ganho com promessas assentes na “incompreensão”

      • henrique pereira dos santos diz:

        O mérito é estritamente o de não copiar Sócrates: depois do PEC IV viria o PEC V e o outro e o outro.
        Sócrates sempre fez compromissos que nunca teve intenção de cumprir e não cumpria com os pretextos mais mirabolantes. Ainda hoje estamos a pagar juros de empréstimos muito acima dos 7% (para já não falar do muito acima dos 3% a que nos empresta a troica) apenas para Sócrates poder adiar o pedido de ajuda para depois das eleições e fazer a campanha como o campeão anti-FMI e no dia seguinte às eleições assinar um memorando que sabia perfeitamente ser inevitável.
        Se não fosse o golpe de estado combinado entre teixeira dos santos e os banqueiros ainda hoje estaríamos muito, mas mesmo muito mais próximos da Grécia à conta desta estratégia de poder pessoal, pagando pesadamente no empobrecimento mais acentuado do país.
        Não discuto a desfaçatez e etc., não tenho nada que me ligue a este Governo, ou melhor a este primeiro ministro, para o defender da crítica ao modelo de obtenção do poder, que acho miserável (sobretudo na fase de desgaste de manuela ferreira leite).
        O que digo é que felizmente o governo não está a fazer o que disse em campanha mas sim o que é preciso (na minha análise, contra o que seria a vontade de coelho, relvas e outros que tais).
        Coelho tem apenas o crédito de ter optado por Gaspar e Macedo, contra os aparelhismos vários, sempre que o confronto existiu, com a infeliz excepção da TSU, em que Coelho demonstrou bem que nunca será um político de primeira grandeza, recuando inacreditavelmente.
        É verdade que o fez apenas por saber que não tem alternativa, mas também é verdade que o fez, ao contrário de Sócrates, para quem a sua lógica de poder pessoal se sobrepunha aos interesses das pessoas comuns que sacrificou sempre que foi preciso.
        henrique pereira dos santos

  6. caramelo diz:

    Henrique, o Pacheco Pereira foi exacto no que disse, respondendo aos que deram o exemplo de 1943, o governo. Não foi 1923, nem a peste negra na Idade Média. Foi “o último tempo onde mais negra foi a miséria portuguesa que ainda pode ser lembrada pelos vivos”. Foi esse o exemplo dado pelo ministro a economia, se não estou em erro, de excedente comercial. Nessa altura morreram pessoas de fome, incluindo crianças, por falta de alimento, sobretudo do pão, o alimento básico. Lembrava-se a minha avó de ir para a bicha do pão de madrugada. Nessa altura o que interessava ao Salazar era fornecer tanto os alemães como os aliados, fechando as fronteiras à importação. Como não haveria o racionamento do consumo provocar excedente comercial? O Pacheco Pereira limitou-se introduzir uma dimensão ética e histórica ao assunto, coisa que não está ao alcance destas alforrecas do governo, e não se lhe perdoa isso. A ética deve ficar reservada para os conselhos de economia doméstica aos pobres.
    Quanto às estatísticas do INE é preciso interpretá-las. Deve pensar como se compatibiliza a “subida de rendimentos” e das poupanças, com a subida em flecha das falências e insolvências de empresas e particulares, e isso é só a ponta do icebergue, porque a grande massa dos falidos nunca chega a ser declarada. O mesmo para as estatísticas do desemprego e para as exportações, a grande falácia. Não vale a pena desenvolver esta, incluindo a grande componente do ouro que é exportada.
    Quanto aos rendimentos mais baixos que não afectados, continua com uma análise puramente nominal. Esses rendimentos já não permitem uma vida digna e serão sempre afectados pela subida dos preços dos bens, além de servirem muita vez de curta almofada para os familiares.

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