Ahahahahahahahahahahaha.

O Governo vai organizar uma conferência sobre a “reforma do Estado” para criar uma “dinâmica na sociedade civil”. Desta dinâmica, no entanto, ressalta um pormenor:

“Não haverá registos de imagem e som [durante os painéis]. Não haverá [reprodução de] nada do que seja dito sem a expressa autorização dos citados”.

Escreve o Público que vários jornalistas abandonaram a sala, presumivelmente para incendiarem as ruas com manifestações de arrebatamento e fervor.

(Via Arrastão).

Luis M. Jorge

22 thoughts on “Ahahahahahahahahahahaha.

  1. fnvv diz:

    É espectacular. Estava a ouvir e a pensar que foi para isto que arrebanharam uma camioneta de bloggers especialistas em comunicação. eheheheh….

  2. É o que eu não me canso de repetir: nunca, mas mesmo nunca, podemos dizer que atingimos o grau zero. Esta gentalha é, reconheçamo-lo, surpreendente!

  3. jcd diz:

    Junto a minha voz ao coro: ahahahahahahahah.

  4. António diz:

    À primeira vista dá vontade de rir – com franqueza, acho que dá mais vontade de chorar.

  5. Figueiredo diz:

    Já ouviram falar da Chatham House Rule? Não?
    Vejam aqui: http://www.chathamhouse.org/about-us/chathamhouserule

  6. murphy diz:

    O “jornalismo militante” já boicotou o relatório do fmi, segue-se o boicote à discussão da reestruturação do Estado…MAs, um dia, aquele partido que se denomina socialista, vai ter de fazer cortes similares aos que o relatório do fmi refere (a realidade a isso vai obrigar). Nesse momento, o frenesim da comunicação social vai virar a agulha e mostrar ao cidadão qualquer coisa como o seguinte: se não cortarmos 50.000 – 100.000 funcionários, é toda estrutura, composta talvez por uns 700.000 funcionários e suas famílias, que pode colapsar. Jornalistas e comentadores, encarregar-se-ão de recordar que seria irresponsável, ignorar esse evidência…
    Os cortes passarão então a ser necessários para assegurar a sobrevivência do Estado Social. O povo, mais conformado, viverá menos revoltado.
    http://jornalismoassim.blogspot.pt/2012/12/saber-comunicar-o-glamour-da-esquerda.html

  7. Aos que invocaram a Chatham House Rule vale a pena lerem isto:

    http://jugular.blogs.sapo.pt/3440859.html

    Mas suponho que não era necessário um exercício de grande brilhantismo para concluir que:

    1. Um jornalista não deve estar limitado no exercício da sua actividade aos momentos de propaganda seleccionados pelo Governo.

    2. Um dos deveres do jornalista é o de veicular as opiniões dissonantes, criticas e pouco alinhadas dos intervenientes de uma reunião como esta. Caso contrario não se chama jornalismo, chama-se publicidade.

    3. Se um jornalista não tiver a capacidade de veicular informações, não está a fazer o seu trabalho, e portanto não se justifica que seja convidado para este tipo de iniciativas.

    4. A chatam House rulem afirma que os conteúdos podem ser usados por quem tem acesso a eles, mas sem lhes atribuir uma autoria, o que não é o caso.

    5. Quanto aos riscos da “frase assassina”, percebo: ninguém naquele local gostaria de ouvir falar em “espiral recessiva” ou em “falhanço” da contenção do défice. Mas isso não deve ser um problema dos jornalistas nem dos portugueses.

    Finalmente, uma pergunta: aquilo “dinamizou” o quê, e “esclareceu” o quê para além da propaganda do Governo?

    • Figueiredo diz:

      Estamos manifestamente a ver ‘filmes’ diferentes!
      Não há, a avaliar pelas afirmações (apesar de tudo) reproduzidas nos OCS qualquer limitação ao relato do que ali se passar: sem imagens, som ou personalização de afirmações.
      Não vejo que um jornalista competente seja incapaz de fazer o seu trabalho nestas condições (ou noutras ainda piores).
      Penso que comentador Murphy tem razão: “O “jornalismo militante” já boicotou o relatório do fmi, segue-se o boicote à discussão da reestruturação do Estado”.

      • Pois estamos. Muito diferentes. Só que o seu está errado: houve de facto limitações ao que se pode reproduzir – nada excepto a apresentação do sr moedas e a conclusão do sr passos. Nem sei porque lhe respondo, pois poderia ter verificado isso com os seus olhinhos se eles não estivessem enviesados.

  8. caramelo diz:

    Isto está a ficar estranho e ainda mais estranho fica por haver quem se preste a defender isto. Se me é ainda permitido ter voz nisto, eu não quero viver num país em que os jornalistas ficam impedidos de divulgar o que ouvem numa reunião onde se discute o futuro do meu país. Quem acha que os jornalistas deturpam, façam um jornal onde retratem de forma fiel o que se passa. É muito raro ler, num país ocidental, que os jornalistas devem ficar impedidos de divulgar o que ouvem, porque não são de confiança, e que se aceite como normal que os jornalistas sejam agentes de comunicação do governo, divulgando peças condensadas escolhidas pelos seus assessores de comunicação e em que precisam de autorização de um participante para o citarem. Espero não ler isto muitas vezes.
    A discussão é livre e pode ser feita nos cafés, nos salões de hotel, nos gabinetes de ministros, etc, e é natural e muito visto que as portas se fechem aos jornalistas em reuniões formais e informais. Isto é que é uma coisa inteiramente nova. Quem aqui invoca a Chatam House Rule não a leu. As regras apenas limitam os seus próprios participantes, garantindo-lhes ao mesmo tempo que os disparates que possam dizer não passem para fora. Nunca passou obviamente pela cabeça dos seus redatores que a lei servisse como limitação à liberdade de imprensa. A Inglaterra não é o uzbequistão. Portugal, já não sei. O Pior é que há quem goste.

  9. João. diz:

    Eu lembro-me de um partido-laranja que aqui há não muito tempo fez uma campanha contínua contra a asfixia democrática muita centrada nos meios de comunicação. É com gosto que vejo pessoal desse partido-laranja vir agora tentar vender banha da cobra sobre este caso. Veja-se a comparação aqui com a tal de Chatham House Rule (acho engraçado como nos dizem “não conhecem a CHR?”, como se tivessemos que a conhecer desde sabe-se lá que idade.): essa comparação com CHR nem sequer colhe, porque a “rule” permite que se cite o que se queira desde que não se citem nomes; aqui é outra coisa – é citar só o que é autorizado.

    Deve ser a Chatham House Rule dos pobrezinhos…

  10. caramelo diz:

    Deve ser isso, Carlos. Chattam House Rule e estatuto dos jornalistas para dummies: das duas uma: ou o jornalista é participante, vai lá sem ser em serviço e nem é suposto sabermos que ele participa, e então funciona em modo chatam house, ou vai em serviço, e tem obrigação de relatar o que vê e ouve.

    Alguém mais letrado lembrou-se dessa do chatam house e aí vai disto. A Sofia Galvão é jurista e não se atreverá a citar a coisa, porque até a interpretação das normas, já tão elástica, tem os seus limites (pelo menos terá consciência do sentido do ridículo, não garanto) mas estou curioso para saber como irá justificar tal originalidade, se é que se vai dar ao trabalho.

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