Se isto é o método, é um excelente método

Há coisa de  duas semanas, Maria Teixeira Alves escreveu  isto. Como sou um ignorante, respondi que não percebi como não pesava aos contribuintes dinheiro que emprestam ao Estado.  Como sou um ignorante, pensava que os empréstimos se pagavam.

Agora, MTA  consegue rematar  a discussão, mudando o argumento: há uma linha especial. Até pode haver  três ou quatro,  mas como sou um ignorante, calculo que o dinheiro dessa linha , que serve para resgatar bancos,  será pago à mesma por todos nós, que é o que sempre esteve em causa ao texto de MTA.

Isto, claro, porque sou um ignorante, não se esqueçam, e  não alcanço onde está  a genialidade discreta em resgatar bancos  usando  dinheiro de uma linha para resgatar bancos.

FNV

27 thoughts on “Se isto é o método, é um excelente método

  1. Maria Teixeira Alves diz:

    Nunca mudei nenhum argumento, isso que diz é uma deturpação do que eu disse. O que eu disse e repito é que salvaram o Banif sem pesar (este banco especificamente) no contribuinte porque os 12 mil milhões já estão contratados já pesam o que tinham a pesar (e não é no défice – directamente contribuintes – mas sim dívida pública, destes só os juros é que vão ao défice). Portanto o caso específico do Banif não pesa nos contribuintes, porque a linha já está contratada e já pagamos juros por ela… não vale a pena tentar arranjar uma maneira de dar a volta ao texto para não admitir o seu desconhecimento, pois arrisca-se a passar por outra coisa que não ignorante…. 🙂

  2. O eurodeputado do PSD colocou as seguintes questões ao comissário europeu:
    1) Qual a possibilidade de Portugal utilizar estes 7,5 mil milhões de euros para apoiar o crescimento económico, a criação de emprego e a geração de riqueza?
    2) A não-utilização desta elevada verba, devido ao facto de estar guardada no Banco de Portugal, implica o pagamento de juros sobre a mesma? Em caso afirmativo, qual o valor dos juros que incidirão sobre os 7,5 mil milhões de euros?

    O comissário responde, entre outras coisas, que «o montante global de 12 mil milhões de euros foi cuidadosamente determinado, de modo a constituir uma garantia suficiente contra os riscos financeiros e, ao mesmo tempo, evitar que montantes significativos não sejam utilizados» e que «os juros sobre os montantes do referido mecanismo são idênticos aos dos empréstimos do FMI e da UE em geral (dado que o capital é fornecido pelas mesmas fontes)».

    Assim sendo, coloco eu as seguintes questões:
    1) Se o montante foi cuidadosamente determinado, de modo a evitar que montantes significativos não sejam utilizados, o que é que o cidadão comum, como é o meu caso, desconhece relativamente à situação da banca nacional? Quais os bancos que ainda poderão necessitar de capitalização?
    2) Se a resposta é «nenhum», o que nos impede de renegociar a reafectação do montante remanescente? O que justifica que aceitemos sem piar pagar juros sobre um montante que não temos liberdade de reafectar?

    • MTA diz:

      Uma vez que o risco (rating) dos bancos está indexado ao risco (rating soberano) ninguém pode garantir que os bancos estão a salvo. Por isso é que na UE se discute a União Bancária, para divorciar os riscos. Agora, se um país for à falência o banco também vai. Por isso é são exigidas grandes almofadas de capital (os banqueiros criticam estas exigências de capital) para mitigar o risco.
      A linha de recapitalização da banca é um obrigatoriedade europeia. Por isso é que não temos liberdade de reafectar o que sobra.

      • Concordo: ninguém pode garantir que os bancos estão a salvo. Daí a imbecilidade da declaração do comissário: ninguém pode dizer que o montante foi calculado de modo a, simultaneamente, ser garantia suficiente garantia e evitar que montantes significativos não sejam utilizados, porque isso implicaria um controlo do sistema que não existe.
        Quanto a liberdade de reafectar, eu sei que neste momento não temos essa possibilidade. Mas, a minha questão é outra: o que nos impede de tentar negociar essa obrigatoriedade? Falo de Estados e de Política.

  3. henrique pereira dos santos diz:

    Filipe, eu também achei a qualificação de pequenos génios excessiva.
    E realmente dizer que não pesa no contribuinte não é totalmente rigoroso, para ser totalmente rigorosa a Maria deveria ter dito, esta intervenção não acrescenta peso ao contribuinte porque o empréstimo está contratado e tem de ser pago no seu montante e juros. É aliás o que a Maria diz acima.
    Dito isto, a Maria tem essencialmente razão e o que diz sobre o Banif parece-me incomparavelmente mais rigoroso do que disse o Henrique Monteiro no link do outro post, quando, inacreditavelmente, equipara as situações do BPN e Banif.
    Vejamos o que um igualmente ignorante como eu percebeu da operação:
    1) O Banif precisa, para operar, de ter um rácios de capital que o Estado alterou;
    2) Dada a exposição do Banif à Madeira e ao imobiliário, o rácio está muito longe dos níveis impostos, tendo-se afastado em vez de se aproximar do objectivo;
    3) Nestas circunstâncias o BANIF teria de encerrar portas, não exactamente por ter falido, mas por não cumprir as regras de operação bancária estabelecida (mutatis mutandis, como as tascas que tinham de fechar por guardarem o fiambre e o queijo no mesmo frigorífico que o peixe e não por não terem clientes);
    4) Aqui chegados, o Estado tem duas hipóteses: ou deixa fechar o banco, ou suprime a falta de capital;
    5) Se deixa fechar o banco, os accionistas vendem os activos, dividem entre si o capital remanescente (se existir), os trabalhadores vão para o desemprego e, não menos importante, o Estado assume alguns custos importantes, incluindo umas obrigações emitidas com garantia do Estado. A ideia de que deixar fechar o banco não tem custos para o contribuinte é uma ideia errada. Eu não os sei quantificar, gostava de os ver quantificados, acho que como contribuinte tenho o direito de saber mas o facto é que sei que existem;
    6) O Estado, neste caso, optou por suprir a falta de capital de uma forma engenhosa. Avaliemos o cenário normal e, depois, o cenário pior, para perceber as razões da Maria;
    7) No cenário normal, o Estado injecta capital no Banco, os accionistas devolvem 450 milhões em seis meses e os restantes 700 milhões no prazo alargado, cobrando o Estado um juro de 9,5% por um dinheiro que lhe custa cerca de 3,2%. Um negócio da China em qualquer parte do mundo;
    8) Se tudo correr mal, o Estado criou um sistema de garantias muito sólido: obrigou o banco a extinguir as tais obrigações, desonerando o Estado dessa responsabilidade, obrigou o banco a comprar dívida pública (vamos admitir que a juros em torno dos 6%, o que não é bem verdade porque para prazos menores os juros são mais baixos, mas de qualquer maneira um prejuízo nos lucros do Estado referidos no ponto anterior e um negócio razoável para o banco, não sei se melhor que o das obrigações porque não sei o juro que o Banco estava a pagar por elas) e, mais importante, ficou com 99% do capital do banco;
    9) Há os que dizem que o Estado comprou o Banco dez vezes mais caro que o seu valor bolsista. É uma afirmação totalmente disparatada: o Estado injectou capital no Banco num montante que é dez vezes o valor bolsista do Banco (antes da operação, as cotações, naturalmente, têm vindo a subir com a operação). A diferença, abissal, é que se tivesse comprado tinha transferido dinheiro para o bolso dos accionistas a troco dos activos do banco, mas assim transferiu dinheiro para o próprio banco, aumentando-lhe os activos (maioritariamente dívida pública, como se viu), pelo que se o banco falir, o Estado tem activos para cobrir o valor do dinheiro que lá pôs;
    10) Resumindo, a operação parece muito inteligente e com baixíssimo risco para o Estado se correr mal e altíssima probabilidade de fazer o Estado ganhar alguns trocados se correr bem.
    11) Confundir isto com a banditagem, em primeiro lugar, e a inépcia, depois, do BPN só para quem confunde a beira da estrada com a estrada da Beira

    • fnvv diz:

      “E realmente dizer que não pesa no contribuinte não é totalmente rigoroso, para ser totalmente rigorosa a Maria deveria ter dito, esta intervenção não acrescenta peso ao contribuinte porque o empréstimo está contratado e tem de ser pago no seu montante e juros”
      Henrique,
      Foi sempre o que eu ( outros não sei) contestei ( está escrito) e não é só uma questão de rigor”total”: é uma questão factual. O que há de genial em usar uma linha de resgate para bancos para resgatar bancos, isso é um detalhe que, pelos vistos, autoriza a classifica a operação como genial.

      • MTA diz:

        Ó FNV aceite que na altura em que escreveu a sua crítica ao meu post não conhecia ainda a fundo o assunto. Não tem mal, eu percebo que faça confusão. Mas eu fui sempre rigorosa, desculpem lá mas o que eu escrevi no primeiro post foi:
        “O Processo de Recapitalização do Banif é em si mesmo uma genialidade. Vejamos: O Estado tem uma linha do dinheiro da troika destinada só a intervencionar bancos. Portanto uma ajuda que não pesa no défice do Estado, uma vez que é uma dívida pública já contraída”.

        O défice actual…. é que a dívida é um stock, mas o défice é anual….

      • henrique pereira dos santos diz:

        Convenhamos que a linha de resgate pode ser mal usada ou bem usada.
        Basta comparar a operação do BPN com o Banif.
        Vamos admitir que no tempo do BPN havia esta linha de apoio e que o Estado pretendia salvar o banco, mesmo não sabendo exactamente o que se passaria no banco (convenhamos que seria estranho não saber, dado o facto do governo o classificar como sistémico).
        Poderia ter feito o que fez (nacionalizar o banco e seja o que deus quiser) ou poderia montar uma operação como a do Banif (essencialmente o que lhe propôs Miguel Cadilhe, liminarmente recusado pelo então governo, admito que com razão porque não sei as condições propostas por Miguel Cadilhe).
        O que conheço da operação do Banif (e eu sou tão ignorante nisto como o Filipe) é que é uma operação em que o Estado tomou muitas, muitas cautelas e, aparentemente, de forma inteligente.
        E convenhamos que logo nas primeiras respostas a Maria explicou essa história de não pesar no bolso dos contribuintes de forma bastante clara e razoável.
        Não fosse a sua irritação com os actuais incumbentes (que me parece que de vez em quando lhe tolda a habitual lucidez por se recusar a admitir, no caso deste governo, que mesmo idiotas podem fazer coisas inteligentes) e acho que esta discussão nem existiria.
        henrique pereira dos santos

      • fnvv diz:

        MTA escreveu: “isto tudo sem ferir clientes, bancos, contribuintes. Quem dera que os socialistas tivessem tido tanto tacto com os BPN e BPP”.
        Os contribuintes pagam ou não a linha da troika destinada a resgatar os bancos? Ou tenho culpa que a sintaxe da autora seja diferente do que quer escrever?
        Bem, já percebi que, por alguma razão que me tolda a razão, não.

        E está enganado, já aqui elogiei Paulo Macedo ,por exemplo. Não sou futuro assessor , não tenho filiação, já critiquei ( A questão geracional) a ladaínha do ” há alternativas” seguidas de zero propostas. Que fique bem claro de uma vez por todas.

      • Maria Teixeira Alves diz:

        Henrique, no tempo do BPN já havia a linha de recapitalização da banca, mas era de 4 mil milhões, foi reforçada para 12 mil milhões aquando do empréstimo da troika. Era uma linha de dinheiro do Estado que estava reservada para recapitalizar os bancos. Foi uma ordem europeia depois da devastação provocada pela crise do subprime. Mas o BPN não foi intervencionado ao abrigo dessa linha porque não tinha rácio de solvabilidade suficiente. Há umas regras que os bancos têm de cumprir para poderem receber dinheiro dessa linha. No entanto o BPN e o BPP foram muito mal conduzidos, porque o Estado nacionalizou o banco e ficou anos a tentar resolver o problema, logo o banco ficou anos a trabalhar com rácios insolventes e isso agravou o problema, todos os meses o buraco do BPN aumentava porque as pessoas tiravam de lá o dinheiro. Foi muito mal feito. Assim como o BPP….

      • Fernando Cardoso Virgílio Ferreira diz:

        Caro Filipe, eu (jurista/politólogo de (de)formação e filho/sobrinho de economistas) que até nem sou de intrigas, gostaria de comentar com factos as novas alegações da “piquena” (Dr.ª Manuela dixit) “génia” MTA, o que passo a fazer do seguinte modo:
        1 – em 2008, o (Des)Governo de Sócrates menor nacionaliza o BPN, obedecendo ao axioma de Ramalho Ortigão (privatização dos lucros, socialização dos prejuízos);
        2 – no mesmo ano, o mesmo (Des)Governo constitui o fundo especial de garantia do sistema financeiro no montante de € 20.000.000.000,00 (vinte mil milhões de euros) para recapitalização das instituições bancárias;
        3 – o BPP estoira a seguir, obrigando à intervenção concertada do Banco de Portugal e da CGD;
        4 – no PEC IV, o mesmo (Des)Governo confessa a pgs. 32 (salvo erro) que o fundo de garantia que constituira em 2008 já só tinha € 9.000.000.000,00 (nove mil milhões de euros);
        5 – com efeito, em 2010, Carlos Costa Pina, então Secretário de Estado do Tesouro, profere despacho publicado na 2:ª série do DR a conceder o “aval pessoal do Estado” à CGD no montante total de € 10.000.000.000,00 (dez mil milhões de euros) para as operações de limpeza do BPN;
        6 – sensivelmente na mesma altura, torna-se público que, para limpar o BPP, o Estado gastara € 1.000.000.000,00 (mil milhões de euros), acordando posteriormente a gestão dos activos tóxicos deste fundo de investimentos com alvará bancário para o…BANIF!;
        7 – ao saldo sobrante de € 9.000.000.000,00 (neve mil milhões de euros) herdado do (Des)Governo Sócrates, o (Des)Governo de Passos Kandimba vai recebendo da Troïka/Tríade € 12.000.000.000,00 (doze mil milhões de euros) especificamente para as operações de recapitalização do sector bancário – uma das quais é a do BANIF, o tal que iria gerir a carteira de activos resulante do encerramento do BPP, e a que a nossa “piquena” MTA tão generosamente se refere…;
        8 – para além dos € 21.000.000.000,00 (vinte e um milhões de euros) acima discriminados, o (Des)Governo de Passos Kandimba e do funcionário do BCE Victor Raspar acorda com a Associação Portuguesa de Bancos, logo em 2011, a transferência imediata dos fundos de pensões de reforma das instituições daquele grémio para a Segurança Social pública, como medida complementar de apoio à sua recapitalização, no âmbito conjugado do acordo Basileia III e do reforço da solvabilidade e dos capitais mínimos dos bancos para 10% (dez por cento) – acresce esclarecer que as instituições bancárias portuguesas nunca cumpriram a regra de pagamento de 23,75% (vinte e três vírgula setenta e cinco por cento) a que as restantes entidades patronais estão obrigadas por lei;
        9 – concluindo, o sector bancário nacional já vai no seu 3.º (terceiro) processo de resgate pelo Estado português, que é como quem diz, pelos contribuintes, por exemplo: Filipe Nunes Vicente, Luís M. Jorge, Pedro Picoito, Henedina, Carlos Azevedo, etc. “capice”, MTA?

      • fnvv diz:

        “sensivelmente na mesma altura, torna-se público que, para limpar o BPP, o Estado gastara € 1.000.000.000,00 (mil milhões de euros), acordando posteriormente a gestão dos activos tóxicos deste fundo de investimentos com alvará bancário para o…BANIF!;”
        Como????Muito bonito.

  4. Maria Teixeira Alves diz:

    Foi aliás por causa dessa linha que a UE autorizou os seus membros a violarem o pacto de estabilidade, podendo aumentar a dívida acima de 60% do PIB e o défice acima dos 3%. Foi essa autorização europeia que nos condenou à morte, porque como tínhamos à frente do país um louco, que todos votavam nele, não por gostarem dele, mas porque este país tem um ódio de estimação à direita. Sócrates usou a benesse da UE e aumentou a dívida pública para 80% do PIB, isto sem intervencionar um único banco. A linha estava intacta. Pois o BPN quem pagou foi já este Governo e o BPP foi a linha de indemnização aos investidores e o fundo de garantia de depósitos….

    • Fernando Cardoso Virgílio Ferreira diz:

      Cara MTA, V.Exa ainda não percebeu que Sócrates menor só foi apeado porque Ricardo Salgado mandou? E ainda não compreendeu que este país é gerido exclusivamente de acordo com os interesses estritos da casta banco-burocrática (Ramalho Ortigão, de novo) que nos (des)governa (é só recordar a “estórinha” da escuta a Passos Kandimba por atender o “amigo” Ricciardi do BESI)? E que tomara as empresas da “economia real” (as que fecham e vão à falência porque não são “recapitalizáveis”) poderem contar com resgates regulares do Estadão, em vez das visitas do fisco?
      Basta relembrar-se, cara MTA, de que Oliveira e Costa (o homem que come sopa ao pequeno-almoço) está a ser julgado pelo “desvio colossal” de € 2.800.000.000,00 (dois mil e oitocentos milhões de euros) que, com os seus amigos, causou ao BPN; que se saiba, o “aval pessoal do Estado” prestado pelo (Des)Governo da época em 2010 era somente um pedacinho maior (€ 10.000.000.000,00). Creio que o BdP e o Ministério das Finanças podem ter aproveitado a nacionalização para concentrar no BPN-“bad bank” todos os activos tóxicos conhecidos que afligiam então a banca portuga… e nem assim, pelos vistos, chegou…
      Cara MTA, convém saber fazer contas, e não apenas de “sumir”.
      Seu, Fernando Ferreira

    • Fernando Cardoso Virgílio Ferreira diz:

      Cara MTA, desculpe voltar à carga, mas não me parece aceitável confundir o fundo de garantia de depósitos bancários gerido pelo Banco de Portugal (que, em caso de falência da instituição gestora, reembolsa cada depositante até ao limite máximo de € 100.000,00) com o fundo especial de garantia do sistema financeiro instituído e gerido pelo (Des)Governo de Sócrates menor em 2008 a.D. com vista à recapitalização da banca portuguesa e mantido/referido nos OE de 2009/2010/2011 e nos PEC.
      Quanto à verdadeira isenção fiscal retroactiva concedida de mão beijada ao sistema bancário pelo actual (Des)Governo de Passos Kandimba-Raspar através da transferência dos fundos de pensões para a Segurança Social, cujos efeitos devastadores só agora começam a emergir com os seus sucessivos deficits, registo que V.Exa nada diz.
      É o jornalismo económico cá do burgo em todo o seu resplendor do “pensar-com-a-boca”…

  5. Jorg diz:

    Esta discussão faz lembrar uma anedota onde se relata uma conversa entre um engenheiro, um físico e um matemático que viajam de comboio e, pela janela, vislumbram uma ovelha negra a pastar.
    “Olha, nesta região as ovelhas são negras” diz o engenheiro.
    Replica o físico: “Perante a evidência presente, podemos apenas dizer que nesta região há pelo menos uma ovelha que é negra”.
    Por fim o matemático: “Não, não, a única coisa que podemos dizer é que o flanco da ovelha na nossa linha de vista é negro”.

  6. MTA diz:

    (publico outra vez o comentário) Fernando Cardoso Virgílio Ferreira, ainda não li todo o seu (s) comentário (s) mas começa logo com um erro: CONFUNDE a linha de recapitaização com a linha de garantias do Estado para emissões de dívida dos bancos (20 bi) e que foi criada para resolver a crise financeira de 2008, numa altura em que os mercados, por causa do Lehman Brothers, deixaram de se conseguir financiar no MMI. No seu ponto dois diz que a linha de 20 bi foi criada para a recapitalização da banca. Desculpe não ler o resto, mas esse erro colossal deixa-me a pensar que não passa de um leigo no assunto.
    Depois em relação à frase de privatização dos lucros e nacionalização (chama-lhe socialização) dos prejuízos é uma frase que a esquerda adoptou, mas que a mim me parece um pleonasmo. Obviamente que se vende um bem com valor, o que não tem valor não pode ser vendido, a não ser com perdas para o vendedor. Se eu tiver um carro estragado, terei de assumir os estragos antes de o vender. Ou não? Depois o papel do Estado, na minha perspectiva, daí eu ser orgulhosamente de direita, não é o lucro. O Estado não é um empresário, é um regulador dos desiquilibrios. Isto implica que assuma as funções sociais que não são lucrativas, para as lucrativas estão cá os privados.

    O Estado para os que precisam e apenas para estes é sem dúvida a minha tese.

    • Fernando Cardoso Virgílio Ferreira diz:

      Cara MTA, e que tal tentar explicar como se evaporaram, entre 2008 e 2010, € 11.000.000.000,00 (onze mil milhões de euros) do fundo estatal que V.Exa agora designa por “linha de garantias do Estado para emissão de dívida dos bancos”, como resulta directamente do PEC IV de 2011 apresentado pelo (Des)Governo de Sócrates menor e “chumbado” na AR?
      Não ignora V.Exa por certo que os mesmos milhões coincidem milimetricamente com o que foi desperdiçado (digo eu, que também sou um ignorante, a aquilatar pelo seu alto e refinado padrão de avaliação do comentário alheio) no BPN e no BPP; também V.Exa não ignora – pois é tema da acusação pública formulada em processo penal contra Oliveira e Costa & Associados – de que o denominado “escândalo BPN” trata do “buraco” de aprox. € 2.800.000.000,00 (dois mil e oitocentos milhões de euros) causado por fraude e má gestão (com pior supervisão de um tal Victor Constâncio, hoje VP do BCE)… e não dos € 10.000.000.000,00 (dez mil milhões de euros) avalizados pelo Estado português em 2010.
      Por seu turno, “linha de capitalização” é a denominação pomposa dado pelas nossas cliques dirigentes em sede de memorando troïkeiro aos tais € 12.000.000.000,00 (doze mil milhões de euros) para recapitalização da banca nacional – o tal “graveto” que V.Exa sustenta, com garbo mas sem brilho, não nos custar nada, embora sirva esse propósito insigne e serôdio de operar “nacionalizações-SCUT”.
      Desconhecia que V.Exa é orgulhosamente de Direita, para quem singelamente “o papel do Estado não é o lucro”; resta saber se V.Exa saberá efectivamente a que Direita se refere porque, se o papel do Estado não é dar lucro, também não é certamente papel do Estado dar lucro a alguns poucos com grave prejuízo para todos: para V.Exa saber tal facto elementar ter-lhe-ia bastado, em tempo mais propício, folhear Aristóteles (não o Onassis).
      Afirma V.Exa que a frase que citei em comentário antecedente ao seu (privatização dos lucros, socialização dos prejuízos) lhe parece um “pleonasmo”, e de Esquerda ainda por cima: desconhecia eu que Ramalho Ortigão é, segundo o consumado critério literário de V.Exa, um rematado autor de Esquerda, um “dreyfusard” ou coisa ainda pior, sei lá…mas estamos sempre a aprender, porventura graças aos recheados “curricula” da Univ. Lusófona…
      Declina V.Exa, por fim, a teoria pseudo-apolítica do “valor” que tem fundado a recente venda de bens públicos ao maior licitante, sem cuidar do interesse nacional; admito, por conveniência de estudo e reflexão, que Portugal não só já não seja país soberano e independente, como esteja à beira do seu termo histórico. Ainda assim, não consigo compreender como V.Exa justifica a venda pelo actual (Des)Governo Passos Kandimba-Raspar da rede de balcões e de 1.200 funcionários do BPN ao BIC por € 40.000.000,00 (quarenta milhões de euros) pagos às prestações, quando o mesmo (Des)Governo recusou entretanto vender a TAP a pronto pagamento: concluo que há umas empresas públicas mais falidas que outras, as tais que podem continuar a ser financiadas por cortesia dos bolsos sem fundo dos contribuintes…
      Já em comentário anterior sobre esta matéria velho de semanas, pedi encarecidamente a V.Exa o subido favor de me elencar quais as reformas estruturais tomadas pelo presente (Des)Governo desde 21 de Junho de 2011 até à presente data, designadamente quanto à “Reforma do Estado”, o que desde já muito lhe agradeço.

      Seu, atenta e respeitosamente,

      Fernando Ferreira

      • MTA diz:

        Assim de memória: Portugal em 2011 exportou 35,5% do seu PIB, é um número record. revolução no regime de licenciamentos industriais (no sentido da simplificação e da redução de custos), que é essencial para tornar Portugal amigo dos investidores internacionais e assim criar uma dinâmica fundamental para a reindustrialização do país que leva ao aumento das exportações. Depois há ainda a destacar a reforma laboral; a nova lei da concorrência; o novo código de insolvências; a reforma das empresas públicas e o seu reequilibro orçamental (em particular no sector dos transportes); o corte nas rendas excessivas nas energias e PPP; a liberalização do sector da energia.

        Estancou as perdas no BPN.

        Cito ainda os números de Fernando Ulrich: O défice orçamental, sem medidas extraordinárias, em 2009 e 2010 foi praticamente igual 17 mil milhões de euros, o que representou 10,2% do PIB num ano e 9,8% no outro. Em 2012, aquilo que se estima, sem medidas extraordinárias é um défice de 10 mil milhões de euros, 6,1% do PIB. Desde 2010 até 2012, o défice, sem medidas extraordinárias, reduz quase sete mil milhões de euros em dois anos, o que são quase 3,7 pontos percentuais de PIB e, a primeira coisa que temos de assumir é que é um resultado muito bom em qualquer parte do mundo”.
        Por sua vez, o “défice sem juros e sem medidas extraordinárias foi à volta de 12 mil milhões de euros em 2009 e em 2010, que dá cerca de 7% do PIB em cada um dos anos”, sendo que, prosseguiu Fernando Ulrich, “Em 2012, será de menos 1600 milhões de euros, menos 1% do PIB. É um ajustamento de 10,4 mil milhões de euros em dois anos o que representa seis pontos percentuais no défice primário e sem medidas extraordinárias. Isto é notável e é um motivo de orgulho para todos os portugueses, estejam no Governo, estejam na oposição”.
        E o presidente do BPI referiu-se, ainda, à despesa primária que, “sem juros e sem medidas extraordinárias, ela atingiu o pico histórico 83 500 milhões de euros em 2010, 48,4% do PIB. Este ano deverá atingir pouco menos de 70 mil milhões, ou seja, 41% do PIB. São menos 13.700 milhões de euros, em dois anos, o que são 8,2 pontos percentuais de PIB”.

        A taxa de juro implícita na dívida pública portuguesa está em queda na generalidade das maturidades e os juros a 10 anos ficaram aquém dos 6%, pela primeira vez em mais de dois anos.

        Lembro que os juros da dívida vão ao défice e representam despesa do Estado na ordem do 8 bi por ano. Cada vez que os juros baixam melhora a despesa do Estado.

  7. MTA diz:

    * Os bancos em vez de mercados

    • Fernando Cardoso Virgílio Ferreira diz:

      Cara MTA, constato que V.Exa é leitora afincada do Diário da República – eu também o sou por formação e dever de ofício.
      Menciona V.Exa uns diplomas legais que foram publicados na “folha-de-couve” oficial: constato igualmente que V.Exa é (para lhe devolver o cómodo epíteto que tão comedidamente me lançou em comentário anterior) “uma leiga no assunto”; tais diplomas resultam, em boa medida, da rica consultadoria de sucesso das férteis empresas de engenharia jurídica aqui da capital, e não de um esforço coerente e concertado por parte deste (Des)Governo para liberalizar a economia portuguesa ou “reindustrializá-la”, o que hoje em dia depende quase em exclusivo da política concebida e enunciada em Bruxelas.
      Melhor teria sido executar um programa consistente de reforma legislativa, judiciária e tributária, o qual, apenas na sua 2.ª vertente, só agora parece começar o necessário itinerário de aprovação; e nem falo da sua decantada “liberalização do sector da energia” que não passou da venda das participações do Estado aos chineses do Governo de Pequim da EDP e da REN (caso não saiba, a hoje famosa “Três Gorjas” é aquela empresa chinoca que desalojou dez milhões de pessoas do vale do rio Yang-Tzé para fazer o maior pântano artifical do nosso planeta com uma barragem que raramente funciona), ou dos “cortes das rendas excessivas nas energias e PPP”, com o temor reverencial a que todos os últimos (des)governos nos têm habituado.
      É muito, muito pouco para quem apresentou um programa de governo alicerçado na “mudança” radical do país…
      Refere V.Exa em apoio da sua tese “os números de Fernando Ulrich”: será porventura aquele senhor presidente do CA do BPI que, sendo adepto do “Zebôôôrdiiing” e depois de NÃO ter concluído a licenciatura em Economia no ISEG, se dedicou ao comentário de matérias económicas no semanário “Espesso”? O do “ai aguenta, aguenta”? Creio que a banqueta a que esse personagem preside também está sob resgate do Estadão, “nicht war”?
      Cara MTA, não seria melhor utilizar mais amiúde nas suas esforçadas tarefas jornaleiras “os números do Instituto Nacional de Estatística”, vulgo INE? Reconheço que talvez possam perturbar o refrão do actual (Des)Governo, uma vez que, para além dos dados que menciona, também referem com pormenor “os números das empresas que cessaram a sua actividade ou faliram” ou “os números dos emigrantes que saíram de Portugal”, entre outros indicadores menos agradáveis de se citar.
      E com isto termino, esperando que o presente a encontre bem e de saúde a festejar com gáudio o regresso aos mercados com o sucesso da emissão de € 2.000.000.000,00 (dois mil milhões, e talvez mais uns “picos”) de OT a 5 anos com um cupão de 4,35%, o que torna Portugal muito amigo dos investidores internacionais, sem qualquer margem para dúvida…

      Seu, sempre a considerá-la

      Fernando Ferreira

  8. JGF diz:

    Qual novo código das insolvências? A pantomineirice das supostas decisivas alterações introduzidas pela Lei 16/2012 de 20.04?! Por favor, MTA, cinja-se à discussão económica e financeira, porque na parte jurídica já se percebe que não é a sua praia…

    • Maria diz:

      Ah!ah!ah! É um artigo de opinião que obedece à musicalidade das palavras em detrimento do rigor técnico.
      O que eu disse é que está certo. Acredite.

      • Lucas Galuxo diz:

        Obedece à musicalidade das palavras e da razão. O seu não tem música e obedece apenas à satisfação dum preconceito ideológico-partidário.

  9. MTA diz:

    Acho que me está a confundir consigo!

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