Depois de vencermos, ninguém nos pedirá contas

O suicida é o único que dá valor à vida ( ao contrário do que ela pensa).  O louco quer viver até chegar a velho. O outro louco, já velho, fica contente por ter quem o ajude a tomar banho e demorar dez minutos a chegar  à sala.

Fo uma bela temporada de nabos. O Rogério, um homem zelozo ,  que se levanta  de noite para virar meloas e endireitar brócolos, abasteceu-me. O enfermeiro Fernando também: enormes e com rama  tenra. Ele foi nabada, ele  foi com morcela do Américo, ele foi na sopa. Uma camponesa de S. Jorge da Beira ensinou-me o esparregado de nabos. Acompanha tudo, é o inverno, branco e generoso,  no prato.

FNV

7 thoughts on “Depois de vencermos, ninguém nos pedirá contas

  1. caramelo diz:

    Sei de uma camponesa
    Que canta com a expressão
    De quem vai ter um filho
    Mesmo pelo coração
    E que me ensinou
    Esparregado de nabos
    Lalala

    O que a boa da camponesa te ensinou foi esparregado de nabiças ou grelos de nabo.

    • fnvv diz:

      Como diz a MTA, a ignorância é muito atrevida: esparregado de nabos, de cabeças de nabo. Branco. O outro toda a gente conhece.
      Afinal não topas nada disto. és só macrobiótica.

  2. caramelo diz:

    Pronto, não sabia que havia esparregado de cabeças de nabo. Isso parece-me é puré de nabo. Olha, gostei muito ali em baixo da Emily Bronte (pôe também da outra Emily, a Dickinson, essa é que é da minha devoção particular). Mas a Mary Brown, pronto, que dizer?… O que não faltam por aí é edições de autor com esse ultra-romantismo lacrimejante.

  3. caramelo diz:

    Percebo bem, mas eu gosto dos poetas todos, bons e maus e tudo, não por serem maus ou bons, mas por serem poetas. Gosto que existam poetas, porque são seres especiais. Por cada especialista em finanças, devia haver um poeta, não, dois, três poetas, ainda que com esse ratio precisássemos de importar poetas da china, esvaziar pequim. E de cada vez que o Gaspar falasse, nasciam três poetas, mesmo que só para dizer que vai alta a lua na mansão da morte. No fundo, que é o que interessa, não há grande diferença entre a Maria Browne e a Emily Bronte. E mais: não sei como é que é esse esparregado de nabo, mas já marchava bem com um fio de azeite, alhos e um raminho de coentros.

    • fnvv diz:

      not so fast… há diferenaçs, quanto mais não seja de vigor e rasgo. Sabes que a Maria Browne traduziu muitos dos inspiradores das manas Bronte ( Sheley e por aí)

  4. caramelo diz:

    Eu sei, Filipe. Há um abismo de vigor e rasgo e mais tudo aquilo que distingue a boa da má poesia, entre a Maria Browne e a Emily Bronte, por exemplo. Mas eu falava de ser poeta. É aquilo que dizia a outra, que ser poeta é ser mais alto, é ser maior, morder como quem beija, mesmo que só a fazer quadras com raminhos de violetas. Um mundo sem poesia é triste, e os bons poetas são raros e não chegam para o gasto. Gostaria muito de ter conhecido a Maria Browne que, ainda por cima, era tradutora do Sheley. Acho mesmo que toda a gente devia ter um poeta na família. Eu tive uma tia avó pintora que fazia enormes quadros a óleo de cenas da via sacra, pouco melhores do que os daquela senhora espanhola, que é o meu orgulho.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: