“Quem não é revolucionário aos vinte”…

Não pode ser democrata aos quarenta“. Tretas.

Estava a ouvir José Manuel Fernandes a falar dos seus tempos maoístas como uma ex-matriculada  fala dos seus tempos de lupanar. Isto numa semana em que , por coincidência, numa conversa regular  que tenho com um conhecido, velho revolucionário e poeta ( que não renega nada), dizia-me ele a propósito dos  crimes comunistas: “Nós estávamos isolados, não sabíamos“. Muito difícil de aceitar, mas passemos ao pós 25 de Abril,  a benefício de inventário. Nessa altura ( 74-75), Portugal era uma sociedade aberta. Só não sabia dos crimes  dos khmers vermelhos, dos soviéticos, de Praga 68, dos Guardas da Revolução etc, quem não queria saber. O osso é,portanto, outro.

Há personalidades que se adaptam muito bem a sistemas de pensamento mortíferos. Hoje, no século XXI,  muita gente ainda defende  Estaline, as ratoneras cubanas, o nazismo etc. Reich, no Psicologia de Massas do Fascismo, tentou esboçar o mecanismo: paralisação geral do pensamento e do espírito crítico ( as teorias da sexualidade reprimida  não interessam).

Não chega. Quando os ex- “istas”envelhecem, substituem essa adesão por uma mecânica que guarda os velhos vícios, mecânica essa que  sabemos  reconhecer. Por exemplo, na filiação radical em causas parcelares, com desprezo absoluto  pelos diferentes, na pose iluminada ou salvífica ( complexo de Cassandra), no sintoma de despersonalização que exibem  quando falam do seu próprio passado ideologicamente oposto ao presente.

Se há coisa que um miúdo interessado pela política  não é natural que seja é sanguinário, fanático ou submisso.

FNV

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35 thoughts on ““Quem não é revolucionário aos vinte”…

  1. XisPto diz:

    Mas, como é que uma ex-matriculada fala dos tempos de lupanar? Com emoção raiva e repulsa as de “extracção proletária”, ou com ar blasé as da “nova prostituição”? Vemos ambas as “atitudes” no ex-“istas”.
    O caso “JMF” até não parece respeitar o padrão (“…adesão por uma mecânica que guarda os velhos vícios, mecânica essa que sabemos reconhecer. Por exemplo, na filiação radical em causas parcelares…”).´
    Mas o post é muito interessante, enfim, o “grande mal” europeu, sob as suas várias formas, continua presente sob as formas mais inesperadas.

  2. Bitaites diz:

    Penso exactamente isso quando leio ou ouço três pessoas neste país: o JMF, o Pacheco Pereira (nem sempre) e a Maria José Morgado.

  3. gandavo diz:

    Apenas como combustível para a discussão:
    Olavo de Carvalho descreve a mentalidade revolucionária como uma perturbação mental em sentido clínico estrito, uma variante do “delírio de interpretação”, tal como descrito por Paul Sérieux em “Les Folies Raisonnantes. Le Délire d’Interprétation”.

    Eis algumas coisas que ele diz a respeito:

    é um fenômeno histórico perfeitamente identificável e contínuo, cujos desenvolvimentos ao longo de cinco séculos podem ser rastreados numa infinidade de documentos.
    Não é um fenômeno essencialmente político, mas espiritual e psicológico, se bem que seu campo de expressão mais visível e seu instrumento fundamental seja a ação política.

    Para facilitar as coisas, uso as expressões “mente revolucionária” e “mentalidade revolucionária” para distinguir entre o fenômeno histórico concreto, com toda a variedade das suas manifestações, e a característica essencial e permanente que permite apreender a sua unidade ao longo do tempo.

    “Mentalidade revolucionária” é o estado de espírito, permanente ou transitório, no qual um indivíduo ou grupo se crê habilitado a remoldar o conjunto da sociedade – senão a natureza humana em geral – por meio da ação política; e acredita que, como agente ou portador de um futuro melhor, está acima de todo julgamento pela humanidade presente ou passada, só tendo satisfações a prestar ao “tribunal da História”. Mas o tribunal da História é, por definição, a própria sociedade futura que esse indivíduo ou grupo diz representar no presente; e, como essa sociedade não pode testemunhar ou julgar senão através desse seu mesmo representante, é claro que este se torna assim não apenas o único juiz soberano de seus próprios atos, mas o juiz de toda a humanidade, passada, presente ou futura. Habilitado a acusar e condenar todas as leis, instituições, crenças, valores, costumes, ações e obras de todas as épocas sem poder ser por sua vez julgado por nenhuma delas, ele está tão acima da humanidade histórica que não é inexato chamá-lo de Super-Homem.

    • João. diz:

      Seja como for o Olavo Carvalho não teríamos chegado aqui sem revoluções – políticas, científicas, artísticas, o que seja…

      O argumento dele é fraquinho, a meu ver. Dizer que é preciso ser louco para se engajar numa actividade revolucionária é dizer que a situação, que essa actividade revolucionária visa transformar, é que define o que é a loucura. Mas isso sempre foi assim. O Olavo está a ser apenas um homem da situação.

    • XisPto diz:

      Pois, com simplicismos, eu já suspeitava de que se pode começar por “…Há personalidades que se adaptam muito bem a sistemas de pensamento mortíferos…” e se acaba em “…a mentalidade revolucionária como uma perturbação mental em sentido clínico estrito…”. Gulag com eles!

    • João Pedro diz:

      Olavo de Carvalho, que militou em tempos no PC brasileiro. mudou de ideias, mas o sectarismo e a forma mantêm-se intactos.

  4. caramelo diz:

    Em 74/75, aos vinte, vinte e tal anos, ou não se sabia mesmo ou não se confiava do que dizia o inimigo. É agora que vivemos numa sociedade aberta, não nessa altura. Sabiam os mais velhos e mais cosmopolitas. Num mês, saiu-se de uma época em que não se sabia nada para além de Vilar Formoso, para uma época invadida pela vulgata do arco- íris do marxismo. O espectro de discussão era sobretudo à esquerda e ia do Bernstein ao Lenine, ou da mulher do Mao aos que na China julgavam a mulher do Mao. Nessa altura, eu, com onze, doze anos, sabia tanto como um gajo de vinte e tal anos. Íamos ambos à biblioteca buscar o Engels e líamos os poetas franceses da resistência.
    Havia alguma dose de fanatismo, mas também muita ingenuidade e eram poucos os que defendiam os campos de concentração para os inimigos do povo, e menos ainda os que se tornariam sanguinários se chegassem ao poder. Em Coimbra, havia umas zaragatas ali para os lados da Sé Velha e nos liceus, que agora são recordadas com orgulho e bonomia em jantaradas. Não servimos de grande exemplo para o fanatismo revolucionário.
    A grande maioria dos ex “istas” apenas querem agora tratar da vida. Muitos continuam à esquerda, escolhem causas no facebook, têm as suas causas parcelares, como toda a gente, tão pacatas como colecionar borboletas. Ao contrário do que é entendido por muitos, não é por se dedicar aqui parte do dia a defender o casamento gay, que um dissidente chinês é preso. Noutros, o Popper deu-lhes forte e essa também é uma causa parcelar, muitas vezes mais radical.
    Essa frase do JMF, tão batida, é apenas uma forma patética de justificação. Para se ser democrata, é apenas preciso alguma consciência politica e cultura histórica, não se tem de passar por uma fase em que se adora o Estaline, o Hitler, ou o Salazar.
    O Olavo de Carvalho é muito fraquinho. Aquilo é mesmo tonto.

    • João. diz:

      Ao Olavo escapa-lhe inclusive a quantidade de revolucionários que, como se diz, foram devorados pela própria revolução – o que indica que o que possa sair de uma revolução nem sempre é simpático aos que a lançaram. A meu ver Robespierre é o exemplo paradigmático. Ele dizia, parafraseando, que não se poderia saber de antemão quando uma revolução tinha terminado e era a hora assentar o campo e dar o novo regime por estabelecido, dizia isso, se não me engano, a propósito dos que criticavam a fúria do povo que ele, Robespierre, apoiava: aconteceu que verificou certamente que um novo regime já se estava a assentar quando viu a sua cabeça ser colocada na guilhotina.

      “Citizens, did you want a revolution without a revolution? What is this spirit of persecution that has come to revise, so to speak, the one that broke our chains? But what sure judgement can one make of the effects that can follow these great commotions? Who can mark, after the event, the exact point at which the waves of popular insurrection should break? At that price, what people could ever have shaken off the yoke of despotism? For while it is true that a great nation cannot rise in a simultaneous movement, and that tyranny can only be hit by the portion of citizens that is closest to it, how would these ever dare to attack it if, after the victory, delegates from remote parts could hold them responsible for the duration or violence of the political torment that had saved the homeland? They ought to be regarded as justified by tacit proxy for the whole of society. The French, friends of liberty, meeting in Paris last August, acted in that role, in the name of all the departments. They should either be approved or repudiated entirely. To make them criminally responsible for a few apparent or real disorders, inseparable from so great a shock, would be to punish them for their devotion.” (Robespierre)

      Citado por Zizek num artigo, a meu ver, muito bom:

      http://www.lacan.com/zizrobes.htm

  5. Vasco Gama diz:

    Como ex-maoista (que fez a sua vulgar e normalizada deriva para posições mais democráticas, moderadas ou reaccionárias) tenho de protestar.

    Bem vistas as coisas, a uma distância considerável, penso que o meu precurso foi compreensível e razoável. Parece-me que as concepções de juventude enfermam por algum idealismo e entusiamo que levam qualquer mortal a enveredar e defender concepções extremas e simplificadas da sociedade e dos seus dramas do quotidiano(menos as pessoas sábias, as ponderadas, as sensatas e aquelas que são iluminadas com uma inteligência e clarividência fora do comum, quiçá por obra do divino Espirito Santo, ou qualquer outra entidade de ordem superior). É então natural, que com o decorrer da vida, a experiência nos vá ensinando uma ou outra coisa, e a concepção das pessoas vá evoluindo com o tempo. Isto apenas pode ser válido para as pessoas mais comuns, dado que as tais pessoas sábias, ponderadas, sensatas e iluminadas, para essas as coisa devem-se passar de modo diferente, talvez tenham já nascido ensinadas (quem sabe?), e assim arrisco-me a pensar que talvez não aprendam nada com a vida. Gostava de ter inveja destas pessoas (mas não tenho uma vez que uma das coisas que mne dá gozo é ir aprendendo qualquer coisita pelo caminho).

  6. Eu estou como o outro: “sempre detestei os apóstatas desse período: eles querem-nos envergonhar por não termos partilhado as suas ilusões, e também por não as termos perdido”. Sobre o José Manuel Fernandes, o malquisto Bourdieu já escreveu abonde sobre as pessoas da sua geração que passaram sem dificuldade de um fatalismo marxista a um fatalismo neoliberal ( sim, they live!). E os neoliberais são uns miúdos que só gostam de política quando ela é a arte de se tornar dispensável.

  7. João. diz:

    “Isto numa semana em que , por coincidência, numa conversa regular que tenho com um conhecido, velho revolucionário e poeta ( que não renega nada), dizia-me ele a propósito dos crimes comunistas: “Nós estávamos isolados, não sabíamos“. Muito difícil de aceitar, mas passemos ao pós 25 de Abril, a benefício de inventário.”

    Ok, mas ao que sei o primeiro livro que estabeleceu a contabilidade do estalinismo saiu em 1968, o de Robert Conquest, portanto durante ainda a guerra fria. Qualquer pessoa minimamente isenta – o que talvez não exista – haveria de desconfiar do que os opositores ao comunismo diriam sobre o comunismo: a propaganda não era só soviética.

    Hoje, o trabalho de Conquest, de onde se estabeleceu a contabilidade estalinista que o anti-comunismo atira de um lado para o outro, é muito questionado na própria academia. Acontece porém que não há verdadeiro interesse público em debater o trabalho de Conquest e por interesse público eu digo visibilidade nos meios de comunicação. O que passa é que alguém que ponha em causa o que Conquest escreveu é rotulado de proto-estalinista, branquador de genocídios, etc.

    Este é um comentário de um leitor no Amazon sobre o livro de Conquest:

    “Veteran Sovietologist Roberta Manning of Boston College said of Conquest, “He’s terrible at doing research,” and, “He misuses sources, he twists everything.”
    Data from the recently opened Russian archives prove that Robert Conquest hugely inflated figures for deaths and deportations in the Soviet Union in the 1930s. Too many writers on the subject, like Stephen Cohen, Alan Bullock and Martin Malia, relied on what Pofessor R. W. Davies called, `Conquest’s very high figures for deaths from political causes under Stalin’.
    They all claimed that the opened archives would prove their figures true, but when the archives were opened, they went very quiet.
    As Professor Richard Overy, Professor of History at King’s College London, writes, “For years the figures circulating in the West for Soviet repression were greatly inflated. … The archive shows a very different picture.” Victor Zemskov, who Conquest called `a thoroughly reliable researcher’, said the figure of 7 million executed in 1935-41 was `overestimated by a factor of ten’. Archive figures are 799,257 between 1921 and 1952.
    The number of those sentenced to prison in those years was 3.85 million. Prisoners in 1939, Conquest said 9 million, a figure again repeated by Cohen. The camp and prison population in January 1939 was two million, not the 15 million that Robert Conquest alleged, which would have been half the adult male population. Alec Nove wrote that Conquest’s figures `are indeed incredible’. Conquest alleged that 12 million were political prisoners; the NKVD figure was under 500,000. D. J. Dallin claimed that there were 10-12 million in the camps, 30-40 per cent of whom, that is 3-4 million, died yearly (this from an adult male population of 50 million). Wheatcroft and Davies point out that recent Russian estimates for the numbers in the camps are `far lower than those by Robert Conquest’. Conquest claimed that there were 12 million people in the camps in 1950: the real figure was 578,912. 166,424 died in the labour camps in 1937-39, not 3 million. Conquest’s figure of 13 million exiled or sent to the camps during collectivisation was `four times the true figure’. The highest number in the camps was 2,417,468 in 1941, 2.4 per cent of the adult population. Compare the USA in 1996, 5.5 million, a record high, 2.8 per cent of the adult population. Gabor Rittersporn agreed that Alexander Solzhenitsyn’s figures for deportations during the 1930s in the Soviet Union were `grossly exaggerated’.

    Conquest wrote in 1969 `Great Terror’ that 5-6 million died in the famine; by 1986, 14-15 million.
    There were 17 million excess deaths in 1930-38, according to Conquest.
    As Davies pointed out about excess deaths and the numbers in camps, “Extreme (and untenable) figures often prevailed.” Zemskov claims that “the statistical data adduced by Robert Conquest and Stephen Cohen are exaggerated by almost 500 per cent.”

    Conquest alleged that in 1937-38, 35,000 of the Red Army’s 70,000 officers were arrested. The archive showed indeed that 35,000 officers were arrested or discharged, but also that 10,994 were reinstated. It also showed that there were 178,000 officers in 1938, not 70,000, so the arrest rate was about 15 per cent, not 50 per cent. After the war, returning POWs were not `either executed or sent to the Gulag’ as Malia claimed. 6.5 per cent went to the NKVD’s `special contingent’, 58 per cent were sent home, and 33 per cent returned to the army.

    Davies summed up, “Russian historians who have worked in the formerly secret archives peremptorily reject the high estimates of Conquest and others. … The archival data are entirely incompatible with such very high figures, which continue to be cited as firm fact in both the Russian and the Western media.”

  8. Fernando Cardoso Virgílio Ferreira diz:

    Caro Filipe, talvez o conceito de “pneumopatologia” proposto por Eric Voegelin se aplique em cheio…
    Como diria Luís M. Jorge, trata-se apneas de mais um “Curropaco”.

  9. fnvv diz:

    Vários pontos a tantas boas críticas:

    1) Qaundo se é novo, apaixonado e idealista ( a vulgata mais vulgar e errada) não é nada expectável que se adira com força a sistemas sinistros de pensamento político.Antes pelo contrário:o que é normal é rejeitá-los ( o caramelo diz uma coisa parecida).
    Para o Vasco Gama: não, não é necessário ser sábio desde pequenino, basta não ser cego ou não gostar de antolhos.

    2) Muitos ex-“istas”, e isto é importante, já não eram moços e moças de 16-18 anos nem viviam sob ditadura quando aderiram com violência a esses sistemas e/ou quando continuaram a defendê-los.

    3) O caso francês é exemplar . Para o João: Sartre não precisou dessa contabilidade para se afastar, enjoado e enojado , da URSS. Já Aragon e Elsa continuaram na mesma senda, com verdades reveladas ou não.

    4) O caso de Zita Seabra também é exemplar. Ela hoje não se limita a atacar os crimes do terror vermelho: defende agora, com a mesma violência com que defendia a URSS e a RDA nos anos 80, o capitalismo e o mercado.

    • João. diz:

      Filipe, eu não vou sugerir que a URSS não era um regime discutível, quer dizer, criticável. Disse antes que os números de Conquest parecem ser, a ver por outros historiadores, discutíveis, ou seja, criticáveis.

    • XisPto diz:

      Bem, o Sartre afastou-se do estalinismo, mas isso não o impediu de fazer a apologia do maoismo, acreditando na vulgata estalo/maoista da “revolução cultural” sendo possuidor de toda a informação que acima alguém disse que não existia. Sempre existiu desde o início a informação, desde logo Trotsky no caso do comunismo, a dissidência do Tito, etc

    • Vasco (da) Gama diz:

      Reduzir tudo a lugares comuns e estereótipos é bastante saudável, para começar a realidade passa a ser bastante mais simples.

      A outra realidade é que há pessoas que são “cegas ou gostam de antolhos”, aparentemente deve ser o meu caso, assim com aquela irracionalidade juvenil (própria de uma juventude um pouco impressionável e quiçá apalermada) aderi àquela parvoeira sinistra, mas foi divertido (tenho de confessar).

    • Vasco (da) Gama diz:

      Em minha defesa devo referir que para além dos capitalistas um dos nossos alvos principais eram os comunistas (que carinhosamente designávamos por sociais-fascistas)

      • Vasco (da) Gama diz:

        na realidade não tenho defesa alguma, tristemente tenho de confessar que sempre fui uma pessoa insensata (ainda que procurasse ser racional)

      • João. diz:

        Curiosamente o social-fascismo foi um termo cunhado por Stalin para caracterizar os sociais-democratas.

  10. João. diz:

    “Muitos ex-”istas”, e isto é importante, já não eram moços e moças de 16-18 anos nem viviam sob ditadura quando aderiram com violência a esses sistemas e/ou quando continuaram a defendê-los.”

    De minha parte, acordei para a política pelo CDS e pela simpatia que a família do lado da minha mãe tinha por Salazar, os meus primeiros votos foram para o PSD e só depois é que me mudei para o PCP, onde permaneço hoje. Dada a figurinha que é o José Manuel Fernandes é com algum agrado que o meu percurso é o oposto do dele.

    • João. diz:

      Lembro-me também de um outro primeiro acordar para a política, também ainda uma criancinha, quando vi o meu pai chorar pela primeira vez ao receber a notícia da morte de Sá Carneiro. Como seria de esperar, Sá Carneiro foi uma das minhas primeiras referências políticas.

  11. caramelo diz:

    João, na minha terra, ser do CDS em 74/75, era um bocado chato (nada que se pareça com ser do PC noutros lados do país). Um colega no ciclo ia para as aulas com um pin do CDS na camisola e parecia um ET. Uma professora de português que andava aos fins de semana com o MFA por trás-os-montes dava-lhe cabo do juizo, mas ele era teso. Compensava com uma professora de moral que rezava pelo Salazar na aula. Filipe, como é que não percebes porque era divertido? No 2º ano do ciclo, discutimos durante semanas na sala de trabalhos oficinais e nos pátios se deviamos ou não fazer um kart; uns que não, que era um brinquedo de burgueses, outros que sim, os moderados. Depois iamos a correr ver os pequenos vagabundos na tv. E a malta mais velhinha também não se safava mal, na paródia, à esquerda e à direita. Acho que ninguém tem de sentir que foi sodomizado. As pessoas sempre acreditaram no que querem e é uma ilusão pensar que temos à nossa disposição toda a informação suficiente para fazer as escolhas certas, mesmo nesta sociedade aberta, tão transparente, como o tal relatório. Aquilo demorou dois anos, deixou algumas marcas, mas nunca provocou nenhum trauma ou rupturas sociais como a guerra civil de Espanha, por exemplo. Há distância de 40 anos é altura de alguma perspectiva mais serena.

    • fnvv diz:

      2º ano do ciclo? Isso já tem nada a ver com o que meu texto.
      quando quieser escever sobre pilhérias de garotos faço-o, até porque ia para a rua 5 ou 6 x por semana mais as faltas disciplinares, etc.

      • caramelo diz:

        Pá, foi o meu PREC, não quis fazer uma tese sobre a revolução. Mas se vires bem, está lá mais qualquer coisa do que historietas de garotos. ,

  12. vasco Silveira diz:

    …”uma mecânica que guarda os velhos vícios, mecânica essa que sabemos reconhecer. Por exemplo, na filiação radical em causas parcelares, com desprezo absoluto pelos diferentes, na pose iluminada ou salvífica ( complexo de Cassandra), no sintoma de despersonalização que exibem quando falam do seu próprio passado ideologicamente oposto ao presente.”
    zita Seabra é um bom exemplo: vê a luz já perto dos 40 ( por coincindência estavam a desmoronar-se os muros de lá), adere ao PSD e a qualquer líder que este tenha, é instrumental na Opus Dei, e, ao escrever um livro ( por sinal muito mal corrigido e editado) a relatar a sua “ingénua” participação, fecha com chave de ouro, dizendo que ninguém tem o direito de lhe apontar o dedo

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