Qual Minotauro?

Daniel Oliveira desenrola o seu novelo de sete parágrafos para meter António Costa num “labirinto” imaginário a que em inglês técnico se chama wishful thinking. A tese é simples. Se o congresso do PS ocorrer após as autárquicas, Tó Zé Seguro sairá “fortalecido”, logo irredutível ao cerco da boa gente que o deseja escorraçar. Se o congresso ocorrer antes das autárquicas, Costa arrisca-se a perder a capital pouco tempo depois, já que “não deverá ser candidato à Câmara de Lisboa”.

Ora é aqui que a porca torce o rabo. “Não deverá” porquê?

Jorge Sampaio, que tinha contra si a faculdade de exaurir os portugueses, nem por isso deixou de acumular airosamente um mandato camarário com o cargo de secretário-geral do PS. A experiência foi tão traumática que a seguir derrotou Cavaco nas presidenciais. Ou seja, o Daniel parte de uma asserção discutível para obter conclusões que já foram desmentidas pela história do regime.

Se António Costa for viril e desempoeirado, como se espera que seja um futuro primeiro-ministro, não se impressionará muito com pequenas perturbações de calendário. Antes ou depois, a opção que deverá propor aos congressistas é cristalina: “ou me nomeiam ou ficam com o artolas até ao dia do juízo”.  Qualquer partido de gente madura sabe o que tem a fazer.

E se não souber, não merece melhor.

Luis M. Jorge

 

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5 thoughts on “Qual Minotauro?

  1. balde-de-cal diz:

    o minotauro é sempre pegado de caras à meia-volta

  2. Patrícia diz:

    é que um PS com o “artolas” a fugir com o dito à seringa da esquerda deixa mais espaço à imaginação…

  3. André diz:

    Não podia estar mais de acordo. E ajunto: seja qual for a configuração política, uma candidatura do populista Costa vencerá sempre a câmara.

  4. Jorg diz:

    Independentemente dos calendários, o Alcaide já mostrou “obra” que antecipa ao que vai – Lx, nesta regência, foi gerida como se estivesse sempre a ser sala de visitas cosmopolita para receber gente outra que não os seus habitantes ou pessoas que nela trabalham e vivem – com estes ultimos a serem encorajados a desaparecer quando há tais eventos.

    Na “evolução” do raciocinio politico expandido e espalhado pela nação regista-se um dualismo assim tipo “dupla rotunda”: revisita o passado para assegurar a permanente caução e aparo de ‘sedere’ do Socretinismo e da anemia das ‘elites xuxas’ perante a hilariação 2005-2011 até á bancarrota; e como projecto para o futuro pede emprestado aquela ideia mote do Sr. Prof. Nazaré – “temos de definir o padrão de vida de que não estamos dispostos a abdicar e então pedir solidariedade europeia”. Ou seja, no fim, o trânsito nâo vai melhorar nadinha, e a poluição continuará a aumentar nas rotundas duplas…

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