Kairos – à espera da política ( 2)

Ricardo Costa e Nicolau Santos  acabam de lançar Antonio Costa: é oficioso, avança contra Seguro. Já tem media ( SIC e Expresso) , veremos  se tem meios.

Como o debate sobre o regresso da dita tralha socrática vai ser a N.E.P. do partido e dos analistas, é curial recordar uma máxima estóica ( Séneca): o passado é a única coisa que nos pertence. É, portanto,  seguro,

FNV

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22 thoughts on “Kairos – à espera da política ( 2)

  1. Eu antes também julgava que o passado nos pertencia. Depois li que na China o passado era imprevisível. Depois constatei que o passado, mesmo sem regime ditatorial, tem capacidade de nos surpreender, através do acesso a informação que desconhecíamos. A seguir tomei consciência que a nossa perspectiva também muda. O Passado? Está cheio de novidades!

    • fnvv diz:

      Não. O passado é, realmente, a única coisa que nos pertence.

      • fnvv diz:

        Não.
        É porque ninguém lho pode tirar. Tudo o resto vc pode perder.
        É ou não é?

      • João. diz:

        E por isso pode ser alterado…

      • João. diz:

        Olhe que não Filipe. O passado pode ser remanejado. Para Lacan, inclusive, a cura psicanalítica passa pela transformação do passado. Em casos extremos, como o acometimento da demência, é o próprio passado, tal como o entendemos de comum (as pessoas que conhecemos, as memórias que guardamos, etc), que se perde.

      • fnvv diz:

        Não. A forma como vemos o passado é que pode ser alterada, ele não ( a menos que vc pertença a alguma igreja especial).
        Nas demências ( faço dezenas de avaliações /mês), o processo de mapeamento é afectado( aliás, o longínquo é o que resiste até quase ao fim), mas o passado não é perdido. Uma senhora com défice cognitivo severo tem tanto o seu passado como vc se estiver em coma 48h, mas ambos são, nessa altura, incapazes de recordar dia do casamento.

        Não deixa de ser notável como os regimes fundamentalistas ( os comunistas, o nazi, os islâmicos) se atiraram ao passado das sociedades que quiseram reconstruir. O Eisenstadt descreve isto muito bem.

      • Em relação ao passado estritamente pessoal, como surfar uma onda gigante, isso é inalterável. Mas as pessoas relacionam-se umas com as outras e, por exemplo, as gratas recoradações que a mulher do Schwarzenegger tinha do seu casamento, ficaram bastante danificadas quando soube que o marido tinha uma filha com uns 10 anos de idade de outra mulher. Não se pode dizer que o passado de Maria Shriver lhe foi em parte destruído?

      • fnvv diz:

        Claro que não. É como quando um doente me diz:” o malandro tirou-me vinte anos da minha vida”. Não tirou .O nosso passado inclui tudo, o bom e o mau.
        Como pode ver nos argumentos do João, há uma confusão entre a memória e passado , de que o mambo-jambo psicanalítico se aproveita e ilude os bem intencionados.
        O passado de M.Shriver não foi destruído, o que houve de bom está intacto: vc próprio falou em “recordações”.

      • João. diz:

        Você está iludido. O passado, na medida em que pertence ao que é a actividade do espirito humano, não é uma coisa. Como diz Hegel, o espirito não é uma coisa, não é um isto, mas é a sua própria actividade. O passado é actividade, é activo, por isso diz-se do passado que cada um o traz consigo e é afectado por ele. Porque é actividade é mudança, é devir, é transformação e é activo e passivo. Uma actividade no plano do espirito humano tanto determina alguma coisa como é determinada por essa determinação; portanto aquilo que o passado afecta, afecta também o passado.

      • fnvv diz:

        Bem, nós, os estóicos, não somos dados ao proselitismo, por isso não o quero convencer de que cada dia é um unidade finita e que encerra o seu proprio mundo.

      • João. diz:

        “Não deixa de ser notável como os regimes fundamentalistas ( os comunistas, o nazi, os islâmicos) se atiraram ao passado das sociedades que quiseram reconstruir.”

        Não deixa de ser notável que os outros regimes fazem o mesmo. Ou a democracia parlamentar não se atira ao passado para justificar a reconstrução das sociedades em que se implantou?

      • fnvv diz:

        claro que não. a memória social nas democracias faz até com que não se rebaptizem cidades com os nomes dos queridos líderes.

      • João. diz:

        Mas é capaz de mudar o nome de pontes.

        Para si há o passado de um lado e há a percepção do passado do outro e o que não muda é o passado mas a percepção do passado. A pergunta é o que é o passado, para nós, humanos, sem a percepção do passado?

        A meu ver o passado é a relação do passado com a percepção do passado. Isto parece-me bem mais afim com a relação que temos com o pasado do que a sua posição que, bem vista, é artificial. Talvez no entanto você até já tenha percebido que a sua posição é, quanto a esta matéria, um pouco frágil e daí que tenha partido para a comparação do comunismo com o nazismo (e com o fundamentalismo). É sempre interessante, embora um pouco desesperado, relacionar o argumento da oposição, no caso sobre a natureza do passado enquanto passado, com milhões de mortos, câmaras de gas e atentados terroristas.

        Se a democracia parlamentar não muda o nome das cidades porque é que mudaram os nomes que os comunistas lhes tinham dado?

      • fnvv diz:

        Não, João, pode achar o que quiser sobre a minha posição, mas a comparação que faço não é nova, já muito escrevi sobre isso, já recenseei Eisenstadt, etc interessa-me imenso o tema.

  2. cristiana fernandes diz:

    Desde logo, o homem tem um predicado : segundo sei ( e sei pouco), andou por menos “firmas”.
    E se convidar o agora seu amigo Pacheco Pereira para o governo e deixar que este último faça o restante elenco governativo, talvez seja de votar nele…

  3. manuel.m diz:

    David & Ed

    Com a derrota nas últimas eleições o Partido Trabalhista teve de eleger um novo líder e a escolha só poderia ser entre um de dois irmãos : David Miliband , (Oxford, M.I.T.) , ou o seu irmão mais novo Edward , (Oxford , L.S.E.) . A opinião unanime era que o vencedor natural só podia ser David , indiscutivelmente o mais brilhante dos dois irmãos, ambos invulgarmente dotados. Mas foi Ed o eleito, para espanto geral , sendo que a causa apontada ter sido o passado de David estar demasiado ligado aos governos de Tony Blair, o que impediria o Partido de voltar a ganhar a confiança do eleitorado . E Ed lá tem feito o seu caminho, apoiado pelo maior capital a que um politico pode aspirar : O juízo que os eleitores fazem do seu carácter.
    Desafia a imaginação como é possivel o PS acreditar que António Costa , uma figura dum passado velho e relho que se quer esquecido , poder ser uma solução de futuro, e se não há realmente melhor entre os politicos que o regime democrático pariu, então é Portugal que futuro não tem.

  4. balde-de-cal diz:

    na opinião de Óscar Wilde
    ‘o passado não se compra’

  5. XisPto diz:

    Confesso que tenho dificuldade em imaginar AC como primeiro ministro considerando que a) a condicionalidade da troika subsiste para lá de 14 b) o programa económico de AC é incompatível com a troika.

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