Monthly Archives: Janeiro 2013

A Colónia

Aparece Pino Correa.

 

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Mickey Mau, o Rato que Veio com a Troika (3).

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Mickey Mau, o Rato que Veio da Troika, regressa quando regressar.

Luis M. Jorge

Os chinos, nossos aliados

Los PORTUGUESES nos invaden y los CHINOS, sus aliados, nos comen. Mientrass LATINOAMERICA CONQUISTADA POR ARGENTINA¡ SOLO AQUÍ ESPAÑA TRIUNFA !!! ¡¡¡ LUCHA EN LA GUERRA CONTRA PORTUGAL !!!  ( aqui)

 

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Variações marxistas-leninistas-maoístas

Na Coreia e em Cuba, a monarquia. Em Angola, o estrondoso sucesso.

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20 Cigarritos Romeo y Julieta Mini

Aquando da expedição à Sicília, Nícias estava  desconfiado e faz um discurso cauteloso aos atenienses.Resumindo: o tempo não está  para aventuras e  a vossa ambição não será facilmente satisfeita. Alcibíades leva-lhe a melhor, mas as faces das Hermae aparecem desfiguradas. Presságios , augúrios ( nome romano mas enfim…). Por que recordamos isto? Porque nunca é tarde .

Perdoo mas não esqueço. Quando é dito por uma  mulher, significa exactamente o contrário;  o que tem piada é que eles acreditam.

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Monty Python Clube de Portugal

Incendeia catedrais, deposita dinheiro em contas de árbitros para  os tramar, espia as mulheres dos jogadores, vende o capitão ao FCP, deixa escapar o melhor ( único) jogador também para os amigos do FCP e vai encaixar golos do Liedson.

Nos detalhes é ainda mais divertido: o novo reforço Joãozinho terá de ter apenas “João” na camisola, porque  não pode haver diminutivos  no Sporting.  Ficará bem quando estiver em campo ao lado do Betinho e do Zezinho.

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A Colónia

Já lá está mais um pedaço. Aparecem os mordomos.

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Depois de vencermos, ninguém nos pedirá contas

O suicida é o único que dá valor à vida ( ao contrário do que ela pensa).  O louco quer viver até chegar a velho. O outro louco, já velho, fica contente por ter quem o ajude a tomar banho e demorar dez minutos a chegar  à sala.

Fo uma bela temporada de nabos. O Rogério, um homem zelozo ,  que se levanta  de noite para virar meloas e endireitar brócolos, abasteceu-me. O enfermeiro Fernando também: enormes e com rama  tenra. Ele foi nabada, ele  foi com morcela do Américo, ele foi na sopa. Uma camponesa de S. Jorge da Beira ensinou-me o esparregado de nabos. Acompanha tudo, é o inverno, branco e generoso,  no prato.

FNV

As “alternativas”.

Não é surpresa, mas quando vem de onde vem tem mais encanto. Pedro Lains, sublinhados meus:

Uma breve pesquisa na Internet (…), levou-me a um trabalho, feito sob a égide da OCDE, sobre alternativas de ajustamento, justamente intitulado “Portugal: assessing the risks around the speed of fiscal consolidation in an uncertain environment”. Note-se que não é um trabalho “alternativo”, mas sim do coração da disciplina de Economia. E o que faz o trabalho? Compara duas alternativas de ataque à crise. Na primeira, os objectivos são nominais, isto é, fixos; na segunda, os objectivos dependem do progresso da economia, ajustam-se ao andamento da economia. Em inglês técnico, o trabalho compara uma estratégia de “sticking to nominal deficit targets” com outra de “letting automatic stabilizers play”. Estas duas estratégias são semelhantes, relativamente aos objectivos de redução do défice público e da dívida, e não presumem nenhuma reestruturação ou negociação de juros. E têm níveis de risco comparáveis. Na primeira, na que o Governo segue, o principal risco é o de excessiva contracção do produto, do crescimento, que pode acabar por não beneficiar nem a redução do défice, nem da dívida. Tal como aconteceu em 2012. Na segunda, o risco cai sobre a redução da dívida. Mas ambas são arriscadas. E qual é a principal diferença? É de quem manda, quem tem o poder. O risco ou cai para o lado dos credores ou para o lado dos cidadãos. Mas, notem, não são os custos, a desconfiança, ou outras coisas negativas. É o risco.
Pegando nas palavras do artigo: “To sum up, both strategies considered would in most cases result in sustainable debt dynamics, but there is a trade-off regarding the risks implied. Relative to the ‘automatic stabilisers’ strategy, the ‘nominal targets’ strategy brings more certainty in terms of debt decline and lower interest rates in the medium-term, but at the risk of a deeper recession in 2013-14, reflected in higher unemployment and declining prices.” (p. 17).
E o que é que isto interessa? Interessa porque, ao se dar espaço aos estabilizadores automáticos, não são necessários ajustamentos selvagens como o que está em curso, nem a tal “reforma do Estado” dos 4 mil milhões. É fazer o resto das contas. Claro que a verdadeira questão não é essa, das contas, mas sim política. É por isso que é sempre falacioso falar da inexistência de alternativas.

Mas como o Pedro Lains é um economista levemente engagé fica-nos bem escutar outras opiniões:

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“Quatro mil milhões de euros! Quatro mil milhões de euros! Temos de cortar quatro mil milhões de euros! Crruác!”

Excelente, Curropaco. Toma um amendoim.

Luis M. Jorge

Queimar navios

Regressar aos mercados, no mesmo idioma, é igual a poder pedir dinheiro emprestado sem, para isso, depender da troika. É bom porque garante uma maior independência do país, não o colocando sujeito às preferências de quem empresta e porque pode canalizar mais dinheiro para investimentos. É mau, porque aumenta a dívida já de si elevada. E pode ser péssimo se isso significar um abrandamento ou mesmo inversão das reformas”.

Isto é um  exemplo de bizarria intelectual e sintaxe confusa. Por que não assim: É bom que aceitem o adiamento ( mais tempo é melhor do que menos tempo) , é bom que possamos endividar-nos com alguma independência. É mau porque  foi conseguido à custa do empobrecimento brutal do país e   ( embora agora  seja irrelevante) contra o prometido. Tudo sopesado, é razoável.
O que não se pode fazer é o que o autor do texto faz: “E pode ser péssimo se isso significar um abrandamento ou mesmo inversão das reformas”. Então as tais reformas não eram terríveis, inconstitucionais  etc?
FNV

Maria Browne/ Emily Bronte

Duas românticas, com nuances. A inglesa reúne toda   a poesia em  “Poems by Currer, Ellis and Acton Bell,”  editado em 1846, a portuguesa  ( Couto Browne, nascida no Rio de Janeiro) publica entre 1825 e 1851 .

Emily chegou a ser acusada de malícia, profanidade e overdose de expressividade. Morreu nova e às duas da tarde,  como reza a lenda. Maria Browne, depois do amor por Camilo, envelheceu no Porto, recebendo  amigos e literatos  no seu salão.

Cheguemos este pedacinho de Maria:

Sinto que as lágrimas correm

Pelas faces a escaldar!…

E que as saudades não morrem,

Vivem só para matar.

A este da Emily:

I too depart, I too decline

And make thy path no longer mine

Tis thus that human minds will turn

All doomed  alike to sin and mourn.

Consegues imaginar  este mundo , leitor? Eu também não.

FNV

A Colónia

Já lá estão mais umas linhas. O narrador , para já, tenta descrever  o país antes da semana na qual se centra a narrativa. Nesta fase não altero o  original.

Estou com alguns  problemas com o novo blogspot ( a minha máquina é velha ou fui eu que me habituei ao wordpress), pelo que peço desculpa por atrasos na correcção de gralhas.

FNV

Mickey Mau, o Rato Que Veio da Troika (2).

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Mickey Mau, o Rato Que Veio da Troika, regressa quando regressar.

Lus M. Jorge

Se isto é o método, é um excelente método

Há coisa de  duas semanas, Maria Teixeira Alves escreveu  isto. Como sou um ignorante, respondi que não percebi como não pesava aos contribuintes dinheiro que emprestam ao Estado.  Como sou um ignorante, pensava que os empréstimos se pagavam.

Agora, MTA  consegue rematar  a discussão, mudando o argumento: há uma linha especial. Até pode haver  três ou quatro,  mas como sou um ignorante, calculo que o dinheiro dessa linha , que serve para resgatar bancos,  será pago à mesma por todos nós, que é o que sempre esteve em causa ao texto de MTA.

Isto, claro, porque sou um ignorante, não se esqueçam, e  não alcanço onde está  a genialidade discreta em resgatar bancos  usando  dinheiro de uma linha para resgatar bancos.

FNV

Do Califado Europeu

1) Ooopppsss.

2) Aplicável à Europa, mas depois teríamos de ver a fidelidade de cidadãos  europeus ( e não” Islamitas”) à pena de morte para homossexuais, como defendem muitos líderes religiosos na  França, Noruega etc.

 

FNV

Envelhecer

 

Com classe, mas envelhecer. E a morte, claro.

 

FNV

Cristina Galvão, pela saúde da Nação

Agora , no último Expresso, na página 21: “Comprometidos com a saúde“.  Resumindo: a dona Doroteia espera muito tempo  no Centro de Saúde porque o Manuel ofereceu ao Ricardo uma consola de  jogos em vez de uma bicicleta de fazer exercício. A autora conclui que a sustentabilidade do SNS passa, por exemplo,  por não  beber cerveja nos cafés  ( como o “Júlio” e o André” do texto), ou seja , por tratarmos da nossa própria saúde.

Concordo, mas acrescento um ponto. Devíamos  também tratar  da saúde dos outros. Por exemplo, daqueles grandes  escritórios de advogados/legisladores/ conselheiros  de negócios, sobretudo de Lisboa, que  se envolveram de todas as maneiras imaginárias em quase todas as patifarias fiananceiras dos últimos anos, custando ao contribuinte milhares de milhões  de  euros. Estou certo de que a doutora Sofia Galvão, dada a sua experiência  e mérito,  daria uma  preciosa  ajuda nesse combate.

FNV

A Colónia

Uma novela minha, gratuita, on line.

Todas as semanas publicarei dez páginas, o original tem cerca de 120.

 

FNV

Mickey Mau, o Rato Que Veio da Troika (1).

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Mickey Mau, o Rato Que Veio da Troika, regressa quando regressar.

Luis M. Jorge

Sofia Galvão, a Nuno Brás da Nação

O futuro, em todas as suas componentes, é algo profundamente incerto hoje” foi como Sofia Galvão abriu a sua participação no Expresso da Meia-Noite, que está agora   a passar na SIC-N.

Desde o remate surpresa muito denunciado, do grande  Nuno Brás, que não ouvia  coisa tão acertada. Pensando bem, a Chatam House Rule foi muito bem aplicada por esta compenetrada senhora ( especialista em turismo e em fazer quase o  pleno dos grandes escritórios  de  advogados de Lisboa) em que a SIC-N depositou  grandes e dickenianas esperanças para nos explicar o que o futuro ( que hoje é algo que ocorre amanhã) nos reserva..

FNV

Palúrdios

Aposto que 99% dos  palúrdios  que em blogues cacarejaram a Chatam House Rule, para defender a estupidez do Palácio Foz, nunca tinham ouvido falar dela.Por que o fizeram?

O mecanismo é simples. Apesar  de todas as citações de  Zezé Camarinha  e textos escritos com o garfo  sobre  valores profundos, a maioria não passa de escreventes alinhados, pagos ou em via de o ser ( alguns  por amizade, muitos por interesse),  acepilhados de provincianismo até ao gorgomilo. Ora, uma teoria explicativa caida do céu,  e ainda por cima com um nome que lhes lembra a Downton Abbey, cai como mel na sopa. .

No dia em que um ministro for apanhado de cuecas  a sair  do ministério, os bertoldos morderão o primeiro osso que lhes atirarem. Por exemplo, que em  Downing Street é muito comum vestir casual no fim do expediente.

FNV

Zico Rule

O que me baralha na pseudopolémica do Palácio Foz, tão típica como evitável, não é a Chatam House Rule, ou lá como se chama. É que o Governo do “método Relvas” para calar jornalistas tema a publicação de meia dúzia de banalidades num acto de propaganda. Ou não acredita na liberdade de imprensa, e então devemos perguntar-nos se acredita realmente na democracia. Ou desconfia dos seus convidados, e então deve perguntar-se por que razão os convidou. Ou tem medo da própria sombra, e então a única pergunta a fazer é se não precisará de um cão.
Parece que o Zico está disponível.

PP

A questão geracional (2)

As gerações  que se formaram ( secundário, universitário, primeiros anos de trabalho não qualificado e qualificado ) em  90 e 00,  são as que estão agora  a receber o maior impacto da transformação social. Exceptuando umas centenas de jotas, são jovens adultos que confiaram nas decisões da classe dirigente. Mesmo os mais interessados, o mais longe que foram foi divertir-se com as diatribes de Santana Lopes nos congresso do PSD, com as notas atribuídas por Marcelo Rebelo de Sousa,  com as peripécias autárquicas (por ex.,  o episódio  do wc de Carrilho). Podemos supor que a emigração e a desqualificação profissional ( um professor a guiar um táxi) serão as principais  respostas que essas gerações darão  ao ambiente social que lhes foi entregue. Isto configurará uma outra forma de despolitização.

O problema é que não é este governo que é o problema, porque o seguinte fará mais ou menos o mesmo. Isto significa que estas gerações podem estar receptivas a outras linhas de fidelização política diferentes das tradicionais. Por exemplo, calculo que o empobrecimento e  a insegurança sejam factores  que orientem  o alinhamento partidário  para a impossibilidade de um domínio semelhante  ao que ocorreu nos decénios  precedentes: maiorias – relativas ou absolutas . serão impossíveis. Em situações de stress social – e salvo a vinda de um Messias – , os grupos tendem  a pulverizar a coesão.

É de notar que estas modificações serão lentas e complexas. Gosto da maneira como Broch analisava as mudanças de época. A opacidade orgânica é  a forma como cada época  se exprime num perímetro de eficiência.  É  tradição que liga a passagem entre  duas épocas que chocam e se combatem. A tradição é, assim,  uma espécie de filtro ( o curso concerto da História) através do qual  o quotidiano de uma época se instala na época seguinte. A discussão tem a ver com as eficiências do domínio de cada época. Broch  entende que apenas na bordure fica  a memória do passado que não acorda ( o preâmbulo socialista da nossa Constituição é um bom exemplo).

No caso em dicussão, veremos que persistirão gotas  do antigo quotidiano no novo ambiente. Estou a ouvir o debate na AR e a confirmar a tese de Broch. Os aparelhos de dominação ( o Bloco Central)  comportam-se como se  os seus jogos e acusações mútuas ainda significassem uma adesão à realidade da época. Durante algum tempo assim será.

(cont.)

FNV

Blondie (2).

Luis M. Jorge

A âncora de 4 mil milhões de euros.

A história é narrada por Daniel Kahneman, um psicólogo que ganhou o Nobel da Economia, no seu livro “Thinking, fast and slow”. Ele conta-nos como construiu uma roda da fortuna que só parava nos números 10 e 65. Depois recrutou alguns estudantes da universidade em que leccionava para uma experiência. A roda era activada perante cada um, e todos respondiam a uma pergunta: “qual julga que é a percentagem dos países africanos entre todas as nações representadas na ONU?”

Os resultados de uma roda da fortuna não deviam ter influenciado as respostas dos alunos, mas foi exactamente isso que aconteceu. Aqueles que viram a roda da fortuna parar no 10 estimaram em média que a percentagem de nações africanas na ONU rondava os 25%. Mas, entre os que viram o número 65, essa estimativa subiu para 45%.

A isto chama-se o “efeito de âncora”, e ocorre quando as pessoas atribuem um valor determinado a uma quantidade desconhecida antes de calcularem essa quantidade. A psicologia demonstra que elas são influenciadas pelo número que tinham na cabeça antes de procederem ao cálculo, mesmo que o número seja irrelevante!

Vem isto a propósito dos 4 mil milhões de euros que o Governo, e os papagaios que o apoiam, querem cortar “em permanência” ao orçamento de estado. Ninguém sabe de onde vem este número. Ninguém explica como lá chegou.

Nem é preciso, porque a eficácia do número não precisa de uma justificação. Não é um valor sério, nem assenta em qualquer espécie de realidade.

É uma pura mentira. É uma âncora.

Luis M. Jorge

As regras da casa

Remédio para a lengalenga da ” não nos deixam  discutir” e “ a esquerda infecta o debate sobre a reestruturação do Estado“:

E num blogue “da esquerda bem-pensante e  situacionista“, que também promove “a destruição do debate”  ( comentário de João Miranda no texto citado), não é?

É sempre vivificante notar o desejo   que os nossos liberais têm de um   debate  sério e indestrutível. Com as regras da casa, I presume.

FNV

Blondie (1).

Luis M. Jorge

Aqueles que esquecem a história estão condenados a repeti-la, e tal

Seguro já pede maioria absoluta. Foi ontem na SIC. O que não deixa de ser espantoso – porque estamos a meio da legislatura e porque não consigo imaginar o homem Primeiro-Ministro. Mas a verdade é que também não conseguia imaginar Passos Coelho…

PP

A questão geracional (1)

Podemos  supor que três gerações de políticos ( puros ou convertidos a partir da técnica) que moldaram o país depois de 1974 falharam. Três resgates financeiros, um 2013  ao nível do decénio de 90 do  século passado, um bloco central sequestrado pelos aparelhos concelhios  e distritais, uma abstenção crónica nos actos eleitorais, uma justiça permanentemente sob fogo e  reestruturações intermináveis, uma burocracia ainda neoplásica ( como qualquer advogado especializado em direito  administrativo  nos explica).  De um Soares a um Freitas do Amaral, de um Sampaio a um Sócrates,  de um Portas a um Bagão Félix, de um Constâncio a um Barroso: gerações comprometidas.

Os intelectuais orgânicos e os analistas mediáticos  também se comprometeram com o  período. De uma forma ou de outra, benzeram  o fracasso um António Barreto, um Pacheco Pereira, um Balsemão, um Marcelo Rebelo de Sousa, um Louçã. A crítica foi sempre circunstancial, mais ou menos  amarrada às afinidades ou fidelidades pessoais e partidárias. Os media não fugiram à regra. Se nos recordarmos  de que O Independente, apresentado como inovador, serviu sobretudo um projecto político e partidário e que Emídio Rangel se gabava de a SIC vender políticos como sabonetes,  recordamo-nos de tudo.

Não há nenhum drama, nem é invulgar, que uma sociedade precise de se adaptar. A mudança  ocorrida em 1974 foi paralela ao sentido comunitário. Exceptuando  o PCP, ninguém deu o sangue e a vida contra o regime, o país vivendo numa modorra construída com paciência. Tanto assim é que inúmeras formalidades e informalidades se mantiveram depois do PREC: o respeitinho, o horror ao conflito etc.  Depois de dois resgates, veio o dinheiro  da CEE/UE e nada estava estabilizado. A despolitização cavaquista  encontrou  o bando de patos-bravos e fomos andando. Como é natural, chegou a hora de acertar  o passo.

(cont.)

FNV

Alfredo Barroso incomodava a pessoa cheia de classe

Deixar  uma  almotolia   a falar sozinha?

E agora com que pretexto  vai ela pôr as mãos nas ancas?

 

FNV

Crónicas do Planeta Oval: Breve Parábola que Não Interessa a Ninguém

Sean+Fitzpatrick+Brian+Moore+Harlequins+v+wWJiAj_UXs7l
Li não sei onde que dois jogadores da NBA se pegaram em pleno jogo, há dias, porque um deles terá dito ao outro “a tua mulher sabe a chocolate”. O caso meteu uma tentativa de invasão do balneário e acusações mútuas nos jornais, obviamente com dirigentes e treinadores pelo meio. Desconheço os costumes da NBA, o que é vergonhoso, e também não recordo o nome dos jogadores, das equipas e até da Helena que provocou a guerra, o que é ainda mais vergonhoso. [PS: nos comentários, corrige-se a minha má memória. “A Helena chama-se Lala. O marido é o Carmelo Anthony dos NY Knicks e o outro é o Kevin Garnett dos Celtics. o Kevin disse ao Carmelo que a Lala cheira a honey nut cherios.” Obrigado. Afinal, havia boas razões para a má memória.] Mas lembro-me de uma história parecida que acabou de modo muito diferente. No rugby, claro.
Entre meados dos anos 80 e meados dos anos 90, os melhores talonadores do planeta eram Sean Fitzpatrick, capitão dos All Blacks, e o inglês Brian Moore. Grandes especialistas, da mesma geração, ambos white collars (Fitzpatrick gestor, Moore advogado), com um percurso que os juntaria mais tarde aos microfones da BBC, tinham temperamentos opostos. Fitzpatrick era um verdadeiro herói nacional, homem de família, campeão do Mundo, filho de outra glória neozelandesa, líder incontestado de Lomu e companhia, a imagem da calma dentro e fora de campo. Moore, pelo contrário, era vulcânico e desbocado, um troublemaker sempre em despique com adversários, colegas, árbitros e Helenas (casou três vezes). Ficou célebre por festejar uma vitória dos British Lions, em Sidney, fazendo de avião em cima de uma ponte – provavelmente movido a álcool. Ou por chamar estúpido (“You halfwit!”), em directo e na BBC, a um compatriota que jogara uma bola de recomeço inválida vinda dos franceses, logo dos franceses, levando a Inglaterra a perder uma mêlée de graça. Sardónico, intitulou as suas memórias, e não é qualquer um que escreve as memórias aos quarenta, Beware of the Dog (Cuidado com o Cão). Um sucesso, como seria de esperar.
Em suma, Brian Mooore tinha – e tem – o pavio curto e a língua afiada. Ora, num dos muitos embates entre ambos, Fitzpatrick, que estava em casa e a vencer, perguntou ao inglês se não queria ir embora para não levar mais. A resposta foi uma explosão de fúria: “Não, porque ontem comi a tua mãe e vou lá voltar esta noite!”
O estádio emudeceu, lívido perante o ultraje. Só o semideus manteve a cabeça fria. “Brian, a minha mãe tem sessenta anos. Como é que te enganou?”
E Brian, pela primeira vez na vida, ficou sem palavras.

PP

Introduz o título aqui

Brancaleone destruiu 140 casas senhoriais  romanas em 1257 . O número tão longe de nós, a precisão tão perto deles. É o que acontece quando  Marisa discute com Tiago:  Este mês é a décima  terceira vez que olhas para a minha irmã.

Em Vagos, no café Ferreira, um indíviduo agrediu outro que estava a colocar no Facebook os insultos que o agressor lhe dirigia. Como explicava Kojéve, enquanto lia o relatório do FMI, se o  Conceito é eterno, é porque existe no Homem algo que o coloca fora do Tempo. No caso vertente, a profilaxia de situações semelhantes passa por converter as tascas em cyber-cafés.

E não se esqueçam de que as duas primeiras demolhas do bacalhau definem o resto do processo: vinte minutos de intervalo.

FNV

FNV

Citação de um comentário ao meu post anterior.

Isto está a ficar estranho e ainda mais estranho fica por haver quem se preste a defender isto. Se me é ainda permitido ter voz nisto, eu não quero viver num país em que os jornalistas ficam impedidos de divulgar o que ouvem numa reunião onde se discute o futuro do meu país. Quem acha que os jornalistas deturpam, façam um jornal onde retratem de forma fiel o que se passa. É muito raro ler, num país ocidental, que os jornalistas devem ficar impedidos de divulgar o que ouvem, porque não são de confiança, e que se aceite como normal que os jornalistas sejam agentes de comunicação do governo, divulgando peças condensadas escolhidas pelos seus assessores de comunicação e em que precisam de autorização de um participante para o citarem. Espero não ler isto muitas vezes.
A discussão é livre e pode ser feita nos cafés, nos salões de hotel, nos gabinetes de ministros, etc, e é natural e muito visto que as portas se fechem aos jornalistas em reuniões formais e informais. Isto é que é uma coisa inteiramente nova. Quem aqui invoca a Chatam House Rule não a leu. As regras apenas limitam os seus próprios participantes, garantindo-lhes ao mesmo tempo que os disparates que possam dizer não passem para fora. Nunca passou obviamente pela cabeça dos seus redatores que a lei servisse como limitação à liberdade de imprensa. A Inglaterra não é o uzbequistão. Portugal, já não sei. O Pior é que há quem goste.

Gostam, gostam. A tragédia é essa.

Luis M. Jorge

O futuro é muito tempo

Neste caso não  o de Althusser, mas o de Rui Rio. Pedro Lains diz aqui que andam a  preparar” o  nosso Monti”.

Se uma  das possibilidades é Rui Rio, a mim me parece um risco. Um homem que jurou acabar com os arrumadores   e não  conseguiu , o que vai fazer com o país?

FNV

Seguro. De vida

O PS do Tozé nunca desilude. Ontem, conseguiu apresentar tantas versões sobre o futuro da ADSE quantos os porta-vozes oficiais, oficiosos e oficiantes do partido.
Seguro continua a ser seguro: o seguro de vida do Governo.
Com ou sem ADSE.

PP

Duas boas biografias, só uma boa biografia

Colecciono memorabilia: memórias, correspondências e biografias. Nos escritores, prefiro as correspondências, nos estadistas, as memórias, nos políticos,  as biografias.  Este ano  a safra  foi boa. Entre outras, As Memórias do Duque de Palmela, com uma edição notável de Maria de Fátima  Bonifácio ( já dei conta noutras paragens) e de Estaline, mais focada na corte do Czar Vermelho, de Simon Montefiore. A correspondência de Jorge de Sena com Delfim Santos ( 1943-1959) soube  a ginjas.

Falemos de duas que ilustram o problema da biografia. A de Marcelo Rebelo de Sousa, de Vítor Matos, e a do Cardeal  Cerejeira, de Irene Pimentel ( que está na blogosfera aqui). Esta já tem uns anos mas só a li agora. Cumpre todas as  regras da boa biografia: equlíbrio entre o lado pessoal e o papel social do biografado, escrita impecável, contextualização permanente, visão crítica do alvo. Some-se o interesse do personagem e da época e temos o tempo dado por muito bem empregue.

A de Marcelo rebelo de Sousa também está bem escrita, embora num estilo mais jornalístico : equlíbrio, contextualização,  distanciamento crítico. Surge, no entanto, um pequeno problema: a biografia  , espremida, é uma colecção de anedotas ( algumas deliciosas), intrigas, reuniões. Serve para nos recordarmos que  o PSD é uma confederação de ambiciosos e de representantes de guildas regionais e para reavivarmos a memória com casos como o Totonegócio ( não me lembrava que António Lobo Xavier tinha sido favorável a essa negociata tão tipicamente socialista). E pouco mais.

Ou seja, uma biografia , para ser boa, para além de cumprir as regras, necessita de uma  coisa essencial: de um biografado com corpo, cor e aroma.

FNV

Ahahahahahahahahahahaha.

O Governo vai organizar uma conferência sobre a “reforma do Estado” para criar uma “dinâmica na sociedade civil”. Desta dinâmica, no entanto, ressalta um pormenor:

“Não haverá registos de imagem e som [durante os painéis]. Não haverá [reprodução de] nada do que seja dito sem a expressa autorização dos citados”.

Escreve o Público que vários jornalistas abandonaram a sala, presumivelmente para incendiarem as ruas com manifestações de arrebatamento e fervor.

(Via Arrastão).

Luis M. Jorge