Monthly Archives: Fevereiro 2013

Ou seja, uma manifestaçãozinha pequeno-burguesa:

“Nunca protestariam se não existisse redução de salários e de subsídios.  O sistema de valores são os mesmos dos que protestam e dos que são protestados”.

Passe o pontapé na gramática ( dado  pelo jornalista), é o que tenho dito aqui.

 Ainda bem que é Luís Miguel Cintra ( e não o Alexandre Soares dos Santos) a dizer isto, sempre  afasta os  coleópteros da caixa de comentários.

FNV

Novas, nem por isso.

Petula Clark:

Primal Scream:

Yast:

Simian Ghost:

Public Service Broadcasting:

Yeah Yeah Yeahs: Aqui, porque o Sapo é o que a gente sabe.

Luis M. Jorge

Há mais vida para além da vida ( 9)

A melhor bomba é a mais difícil de desarmar. A bomba remete para  som cavo e profundo ( bombus latina, bombos grega). A mulher-bomba é a aquela à qual conseguimos arrancar esse som. As outras,  meias nuas, muitas vezes gordas  à náusea e de rabo à vista, nos passeios   e nas esplanadas, são granadas defensivas.

E como desarmas  a bomba? Pensa como uma mulher, camarada, pensa como uma mulher…

FNV

Com as etiquetas

Et super hanc petram aedificabo ecclesiam meam

The cross of Pope Benedict XVI

“No início do ser cristão não há uma decisão ética ou uma grande ideia, mas o encontro com um acontecimento, com uma Pessoa que dá à vida um novo horizonte.”
Bento XVI, Deus Caritas Est, 1.

PP

Andre Breton est parmi nous

A austeridade tem de ser derrotada: a que está para lá da troika, mas também a que se fica pela troika. Em contexto de recessão, a austeridade é sempre perversa. Não existe uma versão virtuosa. Numa economia em contração, quando o Estado corta na despesa ou aumenta os impostos, o resto da economia cai mais”.

Este senhor, depois de ter  ameaçado  fazer tremer as pernas dos banqueiros alemães, descobriu agora o remédio de que  ninguém se tinha lembrado : derrotar  a austeridade. A que está por baixo, por cima e ao lado,  a  visível e  a invisível, a feia e  a bonita, a com preservativo e a sem preservativo, a à Luiz Pacheco e a  papá-mamã.  Simples e cristalino, é só  mandar vir o guito.

Não espanta que seja uma rising   star no PS anti-Seguro.  Para primeiro-ministro, já.

FNV

Desinflar uma manif?

Os rapazes da assessoria deviam antes fazer a dança da chuva, estas soltas manhosas e mal explicadas  não afastarão o povo PCP-Bloco-PS-CGTP  da rua no  sábado.

FNV

Vertente técnico-táctica ( 3)

1) Esta algaraviada toda para dizer que Roquete e Godinho apoiam  Couceiro.Vai longe.

2) Lima tem a certeza de uma .375 e a tenacidade de um fiscal do IRS. Cardozo tem o vigor da gelatina e a velocidade de um pastel de nata. Queres apostar como teriam sido  estes anos,  com este estilo  de jogo, com dois  Limas na frente?

3) Messi sofreu ontem a sua terceira marcação de jaula. Os nosso vizinhos  chamam assim ao método de Mourinho: três homens sempre em cima dele , sem entrar à queima, numa  espécie de zona-individual. O objectivo é exaurir,  limitar e não deixar arrancar.  Moi, me, o maior treinador de FM do mundo, já fazia isto com o Hulk desde  o FM 2010.

FNV

Ruy Belo

ruy belo 1
Ruy Belo, um dos santos padroeiros aqui da casa, faria hoje oitenta anos. Aqui fica o início de um dos seus poemas, muito a propósito intitulado “Emprego e desemprego do poeta”:

Deixai que em suas mãos cresça o poema
como o som do avião no céu sem nuvens
ou no surdo verão as manhãs de domingo
não lhe digais que é mão-de-obra a mais
que o tempo não está para a poesia

(Aquele Grande Rio Eufrates, 1961).

Ontem como hoje.

PP

Demagogia feita à maneira/ é como o queijo numa ratoeira

Em Itália, ganhou o populismo. Grillo e Berlusconi são as duas faces da mesma moeda. O que não são boas notícias, nem sequer em Itália: já os antigos sabiam que a demagogia é a perversão da democracia. Mas os velhos partidos de centro, direita e esquerda devem perceber, de uma vez por todas, que os eleitores estão fartos das velhas políticas e dos velhos políticos. Ou mudam ou morrem. E, por este caminho, não será de morte natural. Lá como cá.

PP

And now for something completely different

images
E quem havia de dizer que este canastrão ganharia um óscar?…

PP

Tennyson/ Roberto de Mesquita

Afogar amores. Um nasceu  já o outro era velho, ainda  se cruzam entre o romantismo e o simbolismo. A mesma seda.

Tennyson tem uma coisa  vertiginosa, “Maud; a  monodram“, em que o protagonista  enterra o pai, apaixona-se por Maud, mata o irmão dela em duelo, ela morre,  ele  alista-se e parte para  a Guerra da Crimeia. O tom da poesia vai-se mexendo, como revueltos,  com o estado mental do desgraçado.  A Guerra da Crimeia produziu  muita memorabilia . Catherine Marsh e o seu  Memorials of Captain  Hedley Vicars, Ninety-Seventh Regiment ( 1836)  vendeu mais de 100.000 cópias, as  versões da carga da brigada ligeira ( Tennyson também tem uma), Elizabeth Gaskell, a poetisa preferida de da Rainha Vitória, escreveu o The Lesson of War. Vamos a Tennyson, que, em Maud, revisita a  amada morta no champ de bataille:

Let it go or stay, so I wake to the higher aims

Of a land that lost for a little her lust of a gold,

And love and peace that was full of wrongs and shames.

Roberto de  Mesquita ( daria um dedo para  passar um dia com ele em frente ao mar  e um braço inteiro para viver aquele isolamento),  anacoreta profissional, açoriano das Flores, primeiro  clarinete da Filarmónica União Musical Florentina, um dos príncipes do simbolismo, assegurava Nemésio. Um só livro , saído em 1931 ( oito anos depois de morrer), Almas Cativas, e muitas passagens  inesquecíveis. Ligando-o ao clacissismo e ao  pós-romantismo  de  Maud, este pedacinho de Epifania abre  magistralmente:

“Sou”, disse ela, “dos tempos sepultados

A alma errante, o espírito de Outrora

Que inconsolavelmente  evoca e chora

A doçura dos dias apagados”.

FNV

Quando me falam em empregabilidade, saco logo da pistola

Eugene_Bataille_(Sapeck),_Mona_Lisa_with_a_Pipe,_1887,_photo
Voltemos, então, ao camarada Camilo Lourenço, mas não o levemos demasiado a sério. Se lhe perguntarmos o que significa “estas pessoas não servem para nada”, responderá com a falta de “empregabilidade” dos licenciados em História, ou em Línguas e Literaturas, ou em Filosofia, ou em artes, e que nada tem contra eles, e muito menos contra a história, a literatura, a filosofia e as artes, e que a cultura é muito importante, e que somos um país com novecentos anos, e tal. O problema não são as declarações de Lourenço, que estão protegidas pelo direito constitucional de fazer figura de urso.
O problema é que estas declarações são um sintoma. Representam, num excepcional momento de franqueza ou ingenuidade, o pensamento (?) dominante entre as elites que estão no Governo, nos partidos, nas empresas, nos jornais, até nas universidades. Em substância, não são muito diferentes da tirada sobre a “selecção natural” do Primeiro-Ministro ou da frase atribuída a Relvas, há meses, de que sairia mais forte de todos os ataques. Para esta gente, a vida em sociedade, as relações entre as pessoas, as mil e uma circunstâncias da economia e da política são uma luta pela sobrevivência em que só vencem os predadores de topo. Os outros, segundo a lei da selva, são inimigos ou aliados na cadeia alimentar. Palavras “piegas” como bem comum, espírito cívico, responsabilidade social, vergonha na cara ou accountability, um dos barbarismos saxões tão do seu agrado, só existem para florear discursos. Os licenciados sem utilidade são um peso que os vencedores, os empreendedores, os inovadores têm de sustentar. Prescindindo de quem não serve para nada, um futuro radioso espera os portugueses de sucesso.
A dificuldade de explicar o erro aos Camilos, Relvas e Passos é quase insuperável. Porque exige provar a “utilidade” das humanidades e das artes, uma utilidade tão evidente para aqueles que lhes dedicam a vida como obscura para aqueles que as põem a render na vida. Não estou à espera que os filisteus compreendam a resposta, mas recordo aos meus confrades que esta é a pergunta inicial da Apologie Pour L´Histoire ou Métier d´Historien de Marc Bloch: “Papá, para que serve a história?”. Bloch escreveu essa obra-prima, traduzida entre nós com o pobre título camilolourenciano de Introdução à História, na dramática condição de francês, judeu, resistente e prisioneiro de um campo nazi à espera da morte. Contudo, a pergunta que o levava a escrever, enquanto a civilização se desmoronava à sua volta, é a mesma que nos fazem outros bárbaros nos dias presentes de “barbárie acolchoada”, assim os resume o Steiner.
Não tenho a pretensão de dar a resposta do grande Marc Bloch. Limito-me a notar que a pergunta sobre a utilidade da cultura está viciada porque a resposta se mede por uma escala de valores que os utilitaristas não reconhecem. De acordo com a Sophia, “mesmo que fale somente de pedras ou do vento, a obra do artista vem sempre dizer-nos isto: que não somos apenas animais acossados na luta pela sobrevivência, mas que somos, por direito natural, herdeiros da liberdade e da dignidade do ser”.
Talvez isto seja demasiada metafísica para a carroça dos Camilos, pois é exactamente assim que nos vêem a todos – animais acossados na luta pela sobrevivência. Mas é a única liberdade concedida aos Untermenschen. Ensinar história, literatura, filosofia ou artes nos tempos que correm, sem emprego certo porque os úteis decretaram que tais coisas “não servem para nada”, tornou-se um modesto contributo para resistir à barbárie. As musas servem, e muito. Servem para nos devolver a contingência do real: há alternativas à suposta fatalidade e somos livres de escolher. Servem para mostrar a complexidade do real: nada é tão simples como o poder nos diz e estamos atentos às suas meias verdades. Servem para apelar à imaginação do real: há outros caminhos, há outros mundos possíveis.
Coisas inúteis aos olhos dos úteis. Coisas que obrigam a pensar, e talvez seja esse o problema. De modo que, inútil me confesso, quando me falam em empregabilidade saco logo da pistola, lá dizia o… o… o… Ó Camilo, como é que o gajo se chamava?

PP

Não há dinheiro, não há palhaços

Por causa das eleições italianas, ai jesus “que o povo luso  está desiludido com a política e com a falta de verdade”. Pois é, enquanto houve dinheiro para milhares de rotundas  tão necessárias como um segundo apêndice, auotestradas  paralelas,  estádios  de futebol à larga  e outras amabilidades, não havia “desilusão com os políticos” nem “falta de verdade”e  o pessoal trocava o voto pela praia  ou pela lareira. E alguns  eram os mesmos de hoje ( que continuam cheios de coragem).

Aliás, nesses tempos, se bem me lembro, quem apareceu a dizer  as coisas  como elas eram, foi despachada porque não tinha sex appeal nem slogans mobilizadores.

FNV

Há mais vida para além da vida (8)

“Como se revitaliza um casamento?“, perguntam-me  elas ( claro…) tantas vezes ? Por Ola John! ( aos poucos  percebem esta  minha  prece, não é?), que pergunta tão capciosa…

Não há nada de mais subversivo, nestes  dias de pleonexia imposta, do que um longo casamento hetero e com filhos. Todas as mulheres nasceram vulgívagas, pertecendo, sem qualquer excepção, a todos os machos, recordava o Marquês de Sade. Esta lei natural é a base do casamento e , por consequência, das aventuras no casamento . Não por acaso,  os cientistas de feira asseguram que a principal fantasia sexual das casadas é o sexo de uma noite com um completo estranho, ou seja, com todo os  machos.

Assim, a revitalização é um logro. O que é necessário é ensinar à  mulher o caminho da concentração cerebral: um só falo, milhões de autores.

FNV

Com as etiquetas

Vertente técnico-táctica ( II)

A propósito do SportingxFCP do próximo  sábado, levanto algumas questões jurídico-administrativas:

1) É legítimo o clube-mãe disputar um jogo importante  (para a discussão do título) com o clube-afiliado?

2) Podem os jogadores do clube-afiliado festejar os golos que por azar   conseguirem marcar ao clube-mãe?

3) Pode o treinador do clube-mãe recorrer ao banco do clube-afiliado se necessitar de fazer alterações técnico-tácticas durante a partida?

FNV

Assim de repente

Vejo o vídeo que o camarada Jorge postou aqui em baixo e vêm-me várias coisas à cabeça, assim de repente. Fica para mais tarde porque eu, apesar de ser apenas um inútil mestre em História, estou agora a trabalhar. Mas atrevo-me a inutilizar o seguinte, sem pedir que a pátria pague esta informação: os licenciados, mestres e (em casos ainda mais óbvios de desperdício de recursos) doutores na coisa servem para explicar aos Lourenços, Relvas e Passos o que é a “Grândola Vila Morena”.
Já agora, o Gaspar que se engana sempre nas previsões baseadas na utilíssima ciência que partilha com Camilo Lourenço, salvo erro, é um útil ou um inútil?

PP

Pressão mediática da esquerda.

Ao vivo e a cores, nas manhãs da Alberta ou noutro sítio qualquer (via). Já tinha escrito aqui a respeito do sobredotado.

Luis M. jorge

Ainda o Verão Quente de 2012

Filipe Ribeiro de Meneses, autor de uma célebre biografia de Salazar e professor na National University de Dublin, faz uma revisão da polémica recente sobre a história de Portugal coordenada por Rui Ramos no último número do e-journal of Portuguese History, uma revista online da Universidade de Brown. A ler, que o assunto ainda tem muito que se lhe diga.

PP

Desnazificação ( 1)

Sigamos  o livro. A 1 de Setembro de 1938, Schwerin von Krosigk, ministro das Finanças, explicava, em  carta a Hitler, que o Reich  tinha-se obrigado a compar os seus títulos de dívida para evitar  que  a próxima emisão de divida fracassasse  ou ou resultasse impossível. A arianização da economia alemã siginificou, impelida pelo progrom de Novembro,  a aplicação aos judeus do imposto de expiação.  Os mil milhões de RM encaixados a 12 de Novembro  aumentaram as receitas corentes do Reich em 6%. Convém recordar que para trás estavam duas linhas.

O estado socialista popular deu aos alemães pobres um nível de  vida que só mais velhos  recordavam:

-Declaração tributária conjunta

-Subvenções para cada filho

-A lei da liquidação das velhas dividas (  impossibilitava a execução fiscal)

-Protecção ao arrendatário

-Isenções  de execução de sentenças  de embargo alargada ao subsidio de férias e às pensões por invalidez.

Enfim, uma  série de medidas , muitas delas  mais tarde aproveitadas pela República Federal  da Alemanha, garantiram o apoio  dos Volksgenossen  ao regime nacional  socialista.

A segunda  linha foi o rearmamento.  Chupou até ao tutano o esquema engendrado pelos génios financeiros nacional-socialistas e assim chégamos  a Novembro de 1939.  É claro que o saque do judeu começara  antes, em 1935, também por razões  puramente  económicas e continuou com a conversão de posses judias em títulos do Estado. Em 25 de Julho de 1938, Goering, sem crédito para pagar as importaçoes necessárias à guerra futura,  utilizou artigos do Decreto sobre a Propriedade para  obter o que queria: a declaração de todos os bens de todos os judeus A verdade é que  o imposto de expiação foi a pedra de toque para a mentira  histórica. Não foi por razões  doutrinais nem apenas políticas que os  judeus foram massacrados .  Se assim fosse, a França do século anterior ao do III Reich,  a France Juive,  de Drumont, tinha tentado  eliminar os seus judeus. Foi um puro saque, que  continuou nas regiões  ocupadas, naturalmente.

Ora, é interessante , no livro de  Ally, verificar como sem os judeus não teria sido possível construir  o estado assistencialista  e popular que o nacional-socialismo queria. Um outro livro difícil de engolir cose a questão jurídica, aliás, constitucional,  com a política. Para tudo é necessário um edifício legal  e os alemães não o esqueceram. Quando , em qualquer altura me brandem  a  Constituição à frente do nariz, como se fosse algo de lavrado por deuses, lembro-me sempre dos contornos, das maleabilidades, dos contextos. Tudo humano, demasiado humano.

Stolleis mostra como a esmagadora maioria dos constitucionalistas alemães foram cúmplices do nacional-socialismo ( não será novidade), mas, sobretudo, como o fizeram. A técnica foi uma pergunta, a bem dizer, duas, perguntas essas que depois da guerra   continuaram  actuais: pode haver lei num estado como o nacional-socialista  e de que forma essa lei pode conviver com as características do regime? Stolleis formula, a propósitito do filme  The White Rose ( sobre  a resistência dos irmãos Scholl e o debate que provocou em 1983):  pode-se separar a ordem legal de 1933-1945  do sistema nazi de terror que existiu ao lado dela? Como no caso soviético ( lá iremos ), é possível combinar a normalidade e o terror?

No caso do saque dos judeus, e, depois, do seu extermínio, tudo teve o respaldo da lei. A simples adição de  um conceito como o primado da comunidade conseguiu encaixar as disposições constitucionais  weimarianas. Stolleis dá-nos os nomes dos juristas e constitucionalistas alemães que transitaram de Weimar para o nacional-socialismo  e dele para normalidade pós-guerra. Pior, para  a desnazificação. Ou seja, sob o conhecimento e autoridade da ciência jurídica, esses homens conseguiram validar, por esforço ou omissão ( os casos mais  revoltantes são os que se esforçaram) a lei nacional-socialista.

Pior ainda é  análise dos  50 e 60 dos meandros jurídico-constitucionais  alemães. Fica para depois, mas quando sabemos que, em 1976,  Goering ainda  era cidadão honorário de Mauterndorf, na Aústria, e que foi necessária uma discussão pública para convencer os habitantes  a retirar o seu nome  ou  quando recordamos os casos de nazis como Hans Globke ( usado pelos israelitas)  e Theodore Oberlander,  que foram  conselheiros de  Adenauer, podem adivinhar o que aí vem. Quando se lê estes historiadores da  (falsa ) desnazificação,e se analisa os factos, fica-se com a indescritível sensação de que os ex-nazis, para os seus compatriotas,  fizeram pelo menos  uma coisa boa: exterminaram judeus. O que é letal é recordar que não foram só judeus…

FNV

O escarcéu.

O bom povo alvoroça-se por causa das facturas. Não as quer pedir nem receber, e espera que a cobrança de impostos nasça de uma doce balbúrdia resguardada pelo escrúpulo e a honestidade natural dos nossos empresários. O que devia ser uma batalha contra a subida das contribuições transformou-se num levantamento popular pela injustiça fiscal. O cidadão virtuoso não dispensa a factura do médico ou dos livros escolares, mas urra contra a fantasia peregrina de a pedir num café. Tenho ao pé de minha casa uma loja de comida a peso em que não há lista de preços e se faz cobrar há anos por uns números imaginários que o proprietário comunica após extrair a pinta ao cliente. Papéis, só de embrulho. Deve ter casinha em Ravena e fecha aos domingos para ir jogar golfe à Bicuda, o herói.

Luis M. Jorge

Ah, é “um grande amigo de Angola”.

Não surpreende, portanto, que tenha dado especial atenção às investigações.

Luis M. Jorge

“Frequento as instalações da faculdade onde estudo “

De morrer a rir, mas o DO não devia, até porque é lagarto, bater assim nos mais, digamos, desprotegidos.

Já sem rir: estes assessores  de bufaria , e digo-o  há muito tempo, são assaz incompetentes.

FNV

Quem te avisa amigo é

Em 75, também houve um enorme balde de água fria. Tirando a secante ao que acontecia em Lisboa e nos  jornais,  a esquerda soviética, albanesa e chinesa  ficou desolada com o resultado das primeiras eleições.

Hoje, como ontem, foram duas dezenas de manifestantes . Presumo que igual número de polícias e de jornalistas.O facto de os media abrirem os jornais como se a povo estivesse na rua,  pode levar a novo erro de perspectiva  e novo estarrecimento. Seria aborrecido.

 

FNV

Frankenstein.

Recordo bem as catilinárias da direita contra o “facilitismo”. José Manuel Fernandes era director do Público e iluminava os portugueses com uns textos muito atamancados, de uma indigência que é universal entre os convertidos de todas as ideologias, apelando aos “esforço” das criancinhas para embaraço dos gentios e esplendor da nação. Maria de Fátima Bonifácio, Helena Matos, dois ou três gnomos do Insurgente compunham o bouquet de sábios que invectivavam o “eduquês” na língua de pau do liberalismo lusitano. A essa gente espessa, inacessível ao juízo crítico e à circunspecção, a pátria, muito orgulhosa da sua quarta classe, respondeu com a sensatez do costume, escutando e obedecendo.

Hoje observo um pequeno escravo de dez anos assoberbado pelo estudo. Entra na escola às oito e meia, sai às cinco e faz os deveres atè à hora do jantar. Aos fins de semana prepara os testes da semana seguinte. Nos dois dias em que vai à natação deita-se mais tarde, porque a aprendizagem legítima, a da bayer, não perdoa aos meninos que praticam desporto, nem perdoaria a quem quisesse fazer desenhos ou tocar guitarra. Como é natural, abomina a escola.

Um punhado de imbecis produz uma geração de robots. Ao menos escreverá melhor do que eles.

Luis M. Jorge

Há mais vida para além da vida ( 8)

Isto é uma síntese da relação homem-mulher. Elegância, bom gosto, ritmo e superioridade feminina ( duas para um). Também é uma  síntese do meu tempo de faculdade, pois estava impedido, por razões médicas, de frequentar a dita, por isso dancei – sempre bem acompanhado – isto um milhão de vezes. Ajudei a reerguer um velho night club e os Talking Heads  eram meus assistentes.

FNV

Com as etiquetas

Crónicas do Planeta Oval: A meio do Seis Nações

XV de France_0

Nel mezzo del cammin di nostra vita, que é como quem diz a meio do Seis Nações, façamos um relatório e contas.
A Inglaterra confirma-se como a grande favorita, graças às vitórias contra a Escócia (38-18, sem espinhas, ou sem espinhos, que o cardo é o emblema dos highlanders) e a Irlanda (12-6, em Dublin, mais difícil, sem ensaios e um duelo de chutadores entre o jovem Farrell e o veterano O`Gara). É a única equipa que pode alcançar o Grand Slam, mas ainda tem que enfrentar dois pesos pesados (França e Gales) e a Itália. Uma Itália que provou, ao vencer os Bleus na primeira jornada, que já não há equipas fáceis.
A derrota dos gauleses em Roma foi mesmo a maior surpresa até agora. Apesar da tradição de que com eles a tradição não conta, ninguém estava à espera do choque frontal contra uma Itália-Ferrari. E se o motor transalpino gripou na deslocação a Murrayfield, voltando à mediocridade do costume (excepto na poesia, na arte, na música, no vinho, no catenaccio e, em geral, nas coisas importantes da vida), a França foi também atropelada por Gales em Paris. Estamos muito longe da equipa que bateu a Austrália no Outono. Resultado: duas derrotas, último lugar, o espectro da “colher de pau” e uma nação em choque.
O problema, já o disse e repito, está nos três-quartos. Saint-André continua a dar-se ao luxo de exilar o melhor centro do hemisfério norte, Fofana, seguindo a moda dos 12s e 13s sólidos como rochas. Móveis como rochas. Criativos como rochas. E tanto rochedo pega-se. Pior do que a falta de soluções das linhas atrasadas, só mesmo a sua exasperante apatia. Quando o número 8 Picamoles é o único francês que consegue ganhar a linha da vantagem, está tudo dito. Dá vontade de gritar “Philippe, mon vieux, it´s the backs, stupid!”
Basta olhar para os números. Os frogs marcaram até agora dois ensaios, um por Picamoles e outro pelo ponta Fall, ambos contra a Itália. Os escoceses – os escoceses, meu Deus! – marcaram seis: dois à Inglaterra e quatro à Itália, sempre pelos três-quartos. Só Stuart Hogg marcou dois, tantos como a Gália inteira. Sim, Hogg é o arrière mais atacante do torneio, digno sucessor do lendário Andy Irvine, mas vejam os outros marcadores: Sean Lamont (centro), Mathew Scott (centro), Sean Maitland (ponta) e Tim Visser (ponta). Do 11 ao 15, estão lá todos. Ao invés da pobre base de recrutamento da Escócia, onde a população masculina se divide entre o whisky e o golfe (por turnos), a França tem uma matéria-prima riquíssima. Ainda assim, os petits napoleons tentam sempre mudar alguma coisa para que nada fique na mesma. Em Paris, a França acabou com Michalak, médio de formação no Toulon, a abertura; com Fofana, um excelentíssimo 12, a ponta; com Bastareaud, que já não jogava na selecção há três anos, a segundo-centro; com Trihn-Duc, habitualmente abertura, na outra ponta. Esta engenharia social produziu uma caterva de avants e passes errados imprópria do célebre French flair. Nem a Brigitte Bardot conseguia dar a volta à cabeça de tanto homem ao mesmo tempo.
Dito isto, o já muito próximo Inglaterra-França, ponto alto da terceira jornada, não está ganho pelos anfitriões. Além de imprevisíveis, sobretudo com o orgulho ferido, os visitantes têm o condão de se portar bem contra adversários difíceis. No Mundial de 2011, perderam com Tonga e dias depois estavam a disputar a final, centrímetro a centímetro, com os All Blacks. Falamos daqui a umas horas.
Uma última palavra para a meia surpresa da Irlanda. Belo jogo contra Gales, com um O`Driscoll vintage (marcou um ensaio e deu outro a marcar), mas apenas têm hipóteses se a Inglaterra sofrer mais do que uma derrota, o que é muito improvável. E têm um banco curtinho, como a lesão do influente Sexton veio mostrar. Basta que aconteça o mesmo a O`Driscoll ou a um dos pilares para que a equipa fique desequilibrada. Assim sendo, mantenho a aposta na vitória final dos bifes, com ou sem Grand Slam.

PP

Vertente técnico-táctica (1)

1) Gozam comigo há anos por causa dos laterais. Pois sabem qual é a diferença entre  Benfica e FCP? Eu explico-vos, cambada de  tiriricas.

Temos um Melga que já nem é carne nem peixe ( onde estão os tais raides à Coentrão?) um Luisinho ( tão bom que é suplente de um avançado), um Maxi fini e um puto, o Almeida, com alma até á dita, mas verdinho. O FCP? O FCP livrou-se dos Fuciles, Lopes e Sapunarus e gastou 20 milhões, sim, VINTE milhões, em dois laterais de   selecção brasileira. Pois é, meus cachalotes, pois é, gozem agora.

2) Que grande miúdo tem o FCP aqui.

 

FNV

Há mais vida para além da vida (7)

Ora reparem assim ao calhas ordenado:

For now, I will go on living in my pain, almost as if it were my punishment.

But please, if you’re beginning, or considering being involved with a married person, DON’T “.

Isto é do Pliocénico, algures na Cornualha. Na vida real, o principal obstáculo ao affair é material. Dinheiro  para escapadinhas, hipotecas para avançar na separação, horário de trabalho, crianças a levar ao ténis, jantar por fazer.

O castigo é merecido. Navegar no golfo de Setália, ensinava Boccaccio, é encontrar  uma embocadura tão funda que nem  com um mastro  bem grande  um marinheiro precisa de  se desviar dos outros.

FNV

Comédia

Vi ontem na TV vinte jornalistas e dezoito manifestantes à espera de Vítor Gaspar. Se para “fássistas” não são elegíveis, para “povo”  ainda o são menos.

 

FNV

Regata maçon ou seguro contra seguro?

Conta o CM que os vereadores  do PSD, depois de um telefonema do cansativo Relvas, resolveram aprovar a regata  Volvo Ocean Race do dr. António Costa. Lembro-me sempre  de um cata-vento que me enviava e-mails a desancar no Costa, mas  assim que foi trabalhar  com o Relvas passou a escrever panegíricos ao autarca lisboeta. Speed race, menino, speed race.

FNV

Fássistas anti-fássistas.

Henrique Raposo acaba de elevar a hermenêutica a píncaros vertiginosos, designando por “bons aprendizes de fascistas” a mão-cheia de aves canoras que impediram o nosso ministro de mastigar umas reflexões muito fecundas e infligir grande arrebatamento e enlevo ao “clube dos pensadores”. “Fascistas” porquê, perguntará o leitor? Antes de mais porque a Helena Matos lhes chamara “milícias” no dia anterior, o que tornava a palavra indisponível para um novo exercício desconchavado. Em segundo lugar pelos motivos que o próprio Henrique revela, a saber:

1. São “intolerantes” e gostam de “malhar na direita”, um comportamento suspeito que o observador criterioso associará sem dúvida a Hitler e Mussolini.

2. Depois “respiram e transpiram ódio, um ódio que escorre pelos cartazes, pelos rostos, pelas vozes”. Mas atenção, este ódio fascista, “respirado” e “transpirado” contra o Governo em funções, é muito distinto do ódio progressista, exumado e franqueado — por assim dizer — pelo Henrique Raposo contra o Governo anterior. Confundir os dois ódios é um grave amesquinhamento da liberdade de expressão.

3. Por fim, “cultivam a violência”. O Henrique assevera-nos que na mente abjecta desta canalha infame “não faz mal dar uns carolos no Relvas”. “Aliás, só faz bem dar uns tabefes no Relvas”.

Não se atreva o leitor menos dotado a assinalar que Miguel Relvas saiu incólume da traumática agressão. Não procure contusões ou hematomas no rosto sempre amável do ministro. Há muitas formas de violência para lá da violência, caro amigo: existem tabefes psicológicos, carolos espirituais.

Este é um fascismo cantado e desafinado, completamente imaginário, mas tão assustador como o real.

Luis M. Jorge