Fernando Ulrich explicou-se à canzoada e logo saltou das pedras, com a inelutabilidade do hábito, uma legião de gnomos pronta a “contextualizar” o banqueiro. Que era “uma verificação da realidade”. Que Ulrich se limitou, em “puro bom senso”, a discretear sobre o talento humano “para aguentar o sofrimento”. Enfim, que o homem “tinha razão”.
E tinha.
Não nos é difícil supor que Fernando Ulrich “aguentaria” passar noites ao relento a beber água de um charco e a vasculhar lixo doméstico mesmo que um colega de infortúnio lhe partisse a cremalheira. Se contraísse tuberculose, ou febre da carraça, “aguentaria” entre meses e anos de sã indiferença liberal. Se por outro lado fosse garroteado, esquartejado ou guilhotinado pelo povo amável a que dirige as suas prédicas talvez o esperassem alguns minutos de estrebuchamento — mas o Homem, já diziam os árabes, está tão próximo da morte como a camisa do corpo, e também isso é “aguentar”. Estamos portanto de acordo quanto ao alcance prático da palavra.
Já o alcance político merece outro tipo de interlocutores. Escrevo “interlocutores” em vez de “análise”, “crítica” ou “meditação”, porque me parece infrutuoso maçarmos a direita portuguesa com os abalos da nossa revolta moral.
A direita é aquilo, e acabou-se a conversa. Com Isabel Jonet ou Fernando Ulrich, com punhos de renda ou moca ribatejana à ilharga será sempre uma agremiação arcaica de senhores feudais e criadagem servil disposta a atravessar-se pela bem-aventurança dos “meninos”. A única razão que conhece é a força, o único diálogo que trava é com os seus pares, a única ideologia que respeita é o esclavagismo.
Não está ao nosso alcance converter Ulrich, ou envergonhar Ulrich, apenas escorraçá-lo.
Luis M. Jorge

Há duas dimensões do “aguentar a austeridade” que não são necessariamente coincidentes. Há o aguentar a austeridade e há o aguentar do aguentar da austeridade. Quanto ao primeiro aguentar da austeridade podemos inclusive remeter para conhecimentos médicos: a quantidade mínima de nutrientes que um organismo precisa por dia, a temperatura mínima ou máxima que um organismo aguenta em exposição sistemática, enfim a níveis de resistência máxima de um organismo no que respeita à sua sobrevivência.
O segundo aguentar é um pouco diferente já que ultrapassa a mera dimensão orgânica e entra na dimensão psicológica, sociológica e até política: aqui trata-se de aguentar o aguentar da fome, do frio, da ansiedade, da frustração, ou seja, de aguentar o primeiro aguentanço. Este segundo aguentar, como já vimos exemplos na história, pode ser capaz de grande paciência ou de grande perda de paciência – e é, enfim, de certo modo imprevisível. Mas o que esta imprevisibilidade nos diz é que tanto pode aguentar em relativa paz social o primeiro aguentanço quanto pode aguentar o primeiro aguentanço apenas despoletando actos de violência que podem ser particulares, dizer respeito apenas ao aguentanço daquela pessoa ou de um pequeno grupo e temos o que se chama de crime ou podem ser políticos em que a violência é tanto um acto particular de um indivíduo ou de vários quanto é ao mesmo tempo um protesto contra a situação ou mesmo um ataque à situação.
A minha posição é que para o ser humano não há o primeiro aguentar e pode haver ou não o segundo aguentar, o aguentar daquele primeiro aguentar, mas sim que já há desde logo e sempre o segundo aguentar e que o primeiro aguentar – o meramente orgânico – só é percebido a partir do segundo.
É portanto a redução do ser humano ao puramente orgânico ou mecânico – do aguentar a fome, frio, etc – que é ignorar completamente a questão e o problema. O erro está logo aqui e nem tem de ser um erro puramente moral ou político é desde logo um erro fenomenológico, digamos assim.
Mas com certeza que aguentamos. Os seres humanos aguentam as coisas mais extraordinárias.
Aguentam os campos de concentração nazi, o frio da Sibéria, o calor do Tarrafal, o Pol Pot, viver na Coreia do Norte, ter os dedos decepados no Irão, fome, miséria, a morte dos filhos. Os seres humanos aguentam coisas inimagináveis. Às vezes também morrem de não aguentar. Às vezes suicidam-se. As pessoas normais não sabem que tudo é possível, dizia o David Rousset que sabia do que falava, ao contrário do banqueiro.
Uma dúvida, porém, me encanita. O contexto do Ulrich era uma conversa sobre o sentido da vida ou sobre a crise económica e os lucros pornográficos do seu banco?
Quanto ao resto: se ele pode um dia vir a tornar-se num sem-abrigo? Pode. Em abstracto, pode. Mas enquanto essa possibilidade abstracta não se torna concreta, os sem-abrigos de que ele fala têm nome.
O que esse senhor disso é obsceno. Mas já no outro dia, o japonês dizia que os velhos deviam morrer mais depressa. Ele incluído? Não me parece.
Pois, eu concordo com ambos. O problema é que o Ulrich não concorda.
O “aguenta, aguenta” lembra-me aquela leva do fim dos anos 70, que com argumentário superficialmente análogo induzia e paternalizava os ‘so-called’ “retornados” – enquanto, para consumo interno, contavam que essa gente andava era habituada a ter “pés lavados pelos pretos” e “vieram para cá para roubar os ‘bons’ empregos dos outros”. Entretanto passeavam pelas “Europas” – que já nessa altura sem a querem conhecer muito, aspiravam antes a emular poses e manias-, a ufanar-se da “exemplar descolonização” e a anunciar caminhos a percorrer que iriam apaziguar os “pecados do ocidente”.
O desfiar deste novelo pode invocar eternos retornos – desde o holocaustos na Polónia, na Sibéria até Guantanamo..-, ou num fácil ‘payback’ um inversão da assimetria. Na verdade, se entalou quem antes e até aqui se ia safando com leves escoriações – os outros, sintetizados nas bandeiras negras de 84, no vale do Ave e suas réplicas, nas cidades e vilas a norte e sul do Tejo com idades médias acima dos 60 anos, nos suburbios de Lx ou do Grande Porto aonde regressam depois de trabalharem em tantos, multiplos “serviços”, ou nos pequenos comerciantes ‘desactualizados’, mesmo ‘atrasados’ perante a genialidade dos supers- e hipers-, retail centers e Gourmets, esses percebem Ulrich, mesmo que não lhe concedam procuração. Não vêm tanto essas palavras como o caminho a seguir, percebem que está a falar do caminho que elas fizeram, e que o futuro, se se quer melhor, não se abocanha logo hoje. Como dizia a sra. Thatcher “you can’t enjoy the fruits of effort without first making the effort”….
A prepotencia não é o importante porque já a teve antes apenas repete porque fica impune. A impunidade é que é preocupante.
De facto.
Brilhante!
Danke sehr.
O que é verdadeiramente pornográfica é a canalhice de usar o sofrimento dos sem abrigo para a classe média tentar segurar os seus níveis de vida. Isso sim, é obsceno. E é isso que distintos representantes da classe média têm vindo a fazer: usar o sofrimento dos sem abrigo para fundamentar a ideia pateta de que o país e a classe média não aguentam mas austeridade. Se for precisa mais austeridade, e todos estamos de acordo em ter esperança de que não seja preciso, ai aguenta, aguenta. A classe média e o país.
henrique pereira dos santos
PS suponho que quem insulta outros apenas por pensarem de forma diferente, como se faz neste post, esteja disponível para publicar o que escrevo neste comentário, e por isso o escrevo
Esta de considerar o analfabetismo moral de Ulrich como “pensar de forma diferente” é linda, linda…
O que o banqueiro disse não é uma perspectiva diferente de outra possível sobre um assunto, não é, por assim dizer, um posicionamento teórico. Isto é, não se “concorda” ou “discorda” daquilo que o homem disse. Ou se vomita ou se aplaude alarvemente – como um lacaio.
Não vale a pena invocar outras (putativas) “canalhices obscenas” para relativizar a “canalhice obscena” em apreço. O que Ulrich disse ficou dito. E ninguém diz uma coisa daquelas impunemente.
Carlos Botelho, o autor do post usou no seu post, entre aspas, várias expressões que eu usei em comentários sobre o assunto. É a mim que insulta por eu pensar de forma diferente, o Ulrich que se defenda do que quiser. Tal como o Carlos Botelho também prefere chamar-me lacaio que aplaude alarvamente em vez de discutir racionalmente argumentos. O facto de eu achar que Ulrich se limitou a responder ao argumento (usado sobretudo pela classe média) de que o povo (e o país) não aguenta mais austeridade usando as imagens e as comparações que quiz não lhe dá razão para me chamar lacaio que aplaude alarvemente. Da mesma forma que eu achar obsceno que pessoas cultas e capazes de ler torçam o que ele disse de forma a poder esgrimir emocionalmente o sofrimento dos sem abrigo para defenderem os seus ordenados lhe dá o direito de dizer que eu sou um lacaio que aplude alarvemente. Tem esse direito porque o direito à asneira é sagrado e porque há liberdade de expressão. Mas o facto da sua escolha ser dizer o que diz em em vez de discutir o que digo define-o mais a si que a mim.
Como o retrato neo-realista completamente desfasado da realidade que o post contém de sem-abrigos a beber água das poças, o que qualquer pessoa que contacte minimamente com sem abrigo em Portugal sabe que não passa de retórica medíocre (o autor não sabe, porque não se mistura com essa gente, que qualquer café dá um copo de água a um sem abrigo, não sabe que qualquer sem abrigo come, melhor ou pior, todos os dias em portugal, não sabe que nem precisa de sair do sítio onde está porque existe gente que todas as noites percorre as ruas de lisboa com refeições quentes para distribuir e distribui-as de facto mas o autor deve ter medo dos piolhos, deve ter nojo do cheiro e por isso escreve má literatura neo-realista a pensar que assim consegue convencer as pessoas de que os seus rendimentos não podem descer mais porque há quem beba água das poças em Portugal).
Essa arma retórica que consiste em pôr-se numa posição moral superior, insultando os outros e acusando-os de falta de sensibilidade social para evitar discutir os factos e a realidade comigo não pega porque não me intimido com esse anátema da falta de sensibilidade social que seria um exclusivo vosso, seu e do autor do post.
Lamento desiludi-los e não enfiar o rabo entre as pernas à primeira acusação brutal que façam do alto da vossa pureza imaculada.
henrique pereira dos santos
Henrique Pereira dos Santos,
quem não quer ser lacaio, não lhe veste a libré. (Mesmo tratando-se de um lacaio que alardeia esmolas.)
Alardeia esmolas?
Suponho que esta afirmação, que evidentemente não consegue explicar em que se fundamenta no meu caso é mesmo só para poder reafirmar o insulto sem ter de passar pela maçada de ter de argumentar.
O Carlos Botelho insulta-me porque penso de maneira diferente e não satisfeito diz-me que se não quero ser insultado o melhor que tenho a fazer é mesmo dizer o que o Carlos Botelho quer que toda a gente diga.
O seja, o seu insulto é da minha responsabilidade.
Deixo-o com um clássico:
““Oficial de diligências: Excelência, este é o homem que assassinou Babbie.
Juiz: Esse homem tem de ser enforcado. Como foi que ele a matou?
OD: Cortou-a aos bocadinhos e pô-la de escabeche.
J: Isso foi uma grande malfeitoria… tem de ser enforcado.
Lothardo: Excelência, eu não assassinei Babbie! Dei-lhe de comer e de vestir e cuidei dela… posso apresentar testemunhas em como sou um homem bom e não um assassino.
J: Tem de ser enforcado! Agrava o seu crime pela soberba. Não é próprio de um sujeito que é… acusado de qualquer coisa considerar-se um homem bom.
L: Mas, meu senhor, tenho testemunhas que o confirmam. E visto que sou acusado de assassínio…
J: Tem de ser enforcado! O réu cortou Babbie aos bocados, pô-la de escabeche, e mostra-se soberbo… três crimes de morte!… E quem sois vós, minha boa mulher?
Mulher: Sou Babbie.
L: Deus seja louvado! Meu senhor, bem vê que não a matei!
J: H’m… pois… talvez! Mas ainda há essa questão de tê-la posto de escabeche!
Babbie: Não, meu senhor, ele não me pôs de escabeche. Pelo contrário, foi muito bondoso comigo. É um homem bom.
L: Ouça, meu senhor, ela está a dizer que sou um homem bom.
J: H’m… portanto a terceira acusação mantém-se. Oficial, leve este homem daqui, ele tem de ser enforcado. É réu de soberba”
“Da mesma forma que eu achar obsceno que pessoas cultas e capazes de ler torçam o que ele disse de forma a poder esgrimir emocionalmente o sofrimento dos sem abrigo para defenderem os seus ordenados lhe dá o direito de dizer que eu sou um lacaio que aplude alarvemente.”
O sofrimento dos sem-abrigo é algo que amedronta quem se percebe em risco de ir lá parar. Não tem que ser moralidade nenhuma – o receio de virar sem abrigo é suficiente. Para o Ulrich, pessoalmente, esse receio não existe.
Eu vejo as coisas diferente de você. A meu ver, enquanto a classe média tiver receio de virar sem abrigo o sistema vigente, que inclui os banqueiros e a sua vidinha, tem nela objectivamente um aliado. Já se o dia houver em que a classe média perca o medo de virar sem abrigo, pode bem ser que aí seja também o dia do Ulrich pensar seriamente em dar corda aos sapatos o mais rápido possível.
“O que é verdadeiramente pornográfica é a canalhice de usar o sofrimento dos sem abrigo para a classe média tentar segurar os seus níveis de vida. Isso sim, é obsceno.”
Sim, era isto que faltava. A classe média é que é obsecena. Muito bem, proponha lá ao seu pessoal que resolva isto atirando a classe média para baixo dos níveis de obscenidade em que vive. A classe média que era o orgulho do capitalismo passou a ser agora uma corja de mamões parasíticos e irresponsáveis.
O que e verdadeiramente pornografico e o sr Ulrich invocar os sem abrigo como ilustração da capacidade de “aguentar” do cidadão médio.
Como afirma acima o João o ser humano tem uma capacidade de resistência que frequentemente supera as expectativas. Mas o que o sr Ulrich faz e utilizar este facto para legitimar o discurso da austeridade a todo o custo …
É verdadeiramente enternecedor observar o esforço de contextualização e a subtileza lavradas pela pena do Henrique — colocando os pontos em todos os is e os traços em todos os ts da condição de sem-abrigo, que por mero precalço foram omitidos, quiçá por perfídia jornalística, no discurso do banqueiro Olrik, e o rigor é indispensável em temas como este! Para quando a tese e a monografia? (Olrik não deixará de apreciar a variedade e a riqueza das justificações possíveis para as bojardas do outro dia, e na criatividade incansável dos seus capatazes). E, claro, não deixa de sublinhar a traço grosso de modo inequívoco, embora de forma ínvia e pouco explícita, que se dessolidariza da tal (benza-o Deus por ter de sujar a boca ou a pena com tal palavrão) “classe média”. Que como é sabido não existe, nem nunca existiu. Tal como a sociedade. O que existem são os indivíduos responsáveis, e esses é bem sabido aguentam. Ai aguentam aguentam. A classe média são os outros, os que querem viver à custa. Nada a ver com o banqueiro Olrik, é evidente. Com os sem-abrigo não se solidariza também porque, como está claro de ver e ficou brilhantemente demonstrado, não precisam pois meio mundo já corre em seu socorro.
Todos sabemos que os sem-abrigo são tratados como príncipes pelo nosso “estado social”. Se andam aos caixotes e a escarrar sangue é porque ninguém os informou das prebendas elencadas pelo Henrique Pereira dos Santos. Graças a Deus ainda há quem não se deixe enganar.
Luís M. Jorge, apenas demonstrei de forma clara que a sua visão neo-realista da coitadinha da tísica não cola com a realidade. Há problemas, são muitos e o sofrimento deles é grande. Não, não são tratados como príncipes pelos nosso estado social, até porque as prebendas que eu elenquei são fornecidas pelos que substituem o estado social quando ele falha, e não pelo estado social (cuja função é evitar que existam sem abrigo, não dar-lhes uma sopa se tudo o resto falha, isso é tarefa de quem não se contenta com retórica e vai ter com essas pessoas). Percebo que quem acha que a defesa da frugalidade coisa de grunhos e o luxo como sinal de distinção tenha pouco conhecimento desta realidade.
henrique pereira dos santos
Caríssimos Luís e colegas comentadores, o Sr. Fernando Ulrich (Sr. e não Dr., como Relvas Miguel) limita-se a exercitar em pleno a retórica apologética do regime político-dietético que garante ao BPI a que preside os maiores e mais substanciosos lucros obtidos desde 2007: o Estado (leia-se “os contribuintes-mamões da classe média em vias de proletarização”) cauciona e empresta “graveto” ao BPI para que esta “instituição sistémica” adquira dívida pública do Estado e arrecade a mais-valia entre os juros pagos e os recebidos. A oeste nada de novo, pois a Sr.ª Eng.ª Isabel dos Santos continua rindo…
Entrámos na era do pensamento linear. Isto é desarmante, não estávamos preparados para isto; eu, pelo menos, não estava. Estes meninos selvagens não percebem as hipérboles, a ironia ácida, não percebem que as pessoas se zanguem, se axaltem; se alguém fala nos pobres beberem água choca, perguntarão pelas análises à água e responderão que os empregados de café dão água limpa aos sem abrigo; acham natural que se diga que as pessoas aguentam, porque, como está amplamente documentado, o corpo humano é resistente; dirão que faz mal comer bifes todos os dias e receberão palmadinhas nas costas uns dos outros por tanta perspicácia e senso comum.
Isto é tão bom que proponho que se estenda a toda a população. Uma operação simples no córtex e está feito. Melhorará a economia, evitará um ou outro desfalecimento psicológico e tem ainda a vantagem de promover a paz social. Se eu disser a outrém para se ir foder, o outro, naturalmente, dirá que isso é uma impossibilidade fisiológica. Se eu lhe disser de seguida, vai para a puta que te pariu, o bom menino dirá que a mãe nunca teve proveito económico em fornecer orgasmos e que, de qualquer maneira, agora não poderia ir ter com ela, porque há greve dos comboios.
Sobretudo a classe média precisa de ser desprogramada de tanto neo-realismo piegas e estéril. O Shakespeare já disse tudo sobre as paixões humanas há quinhentos anos. Não precisamos agora que a classe média se intrometa a desequilibrar a harmonia entre os sem abrigo e os ricos. Um sem abrigo percebe perfeitamente que um banqueiro diga que eles aguentam. Os da classe média mereciam é que um daqueles meninos os levassem nas suas rotineiras visitas nocturnas aos sem abrigo, para estes lhes dizerem o que pensam do facto de ainda terem um sofá onde se sentam a debitar sentenças sobre a pobreza.
Sim, sim, é muito interessante. Trata-se de um tipo de reflexão completamente despojada de empatia, com imensos adeptos entre nós. Possivelmente interessará a quem desejar escrever uma história natural do Mal.
“A direita é aquilo, e acabou-se a conversa.” Não, não é.
É, é.
devias acabar com a direita. Ficavas tu a direita do Garcia Pereira ou assim.
O Garcia Pereira, aquele lacaio do capitalismo neoliberai?
that’s the spirit
Ao dizer que ” a direita é toda assim”, o que é que o distingue de um apoiante da revolução de Outubro ou dos apoiantes do PREC? Também faz a lunática confusão entre “fascistas, neoliberais e conservadores”?
Você transformou “a direita é aquilo” em “a direita é toda assim” e agora pergunta-me “o que me distingue” não sei quê. O que é que o distingue de um analfabeto?
Então explique a grande diferença. Quando diz “aquilo”, está a fazer uma referência directa a um todo, não a uma parte. Se queria evitar “analfabetismos” de comentadores, dizia algumas direitas, ou parte da direita (sobretudo quando só se viu uma ou duas interpretações a favor de Ulrich), não se punha agora com joguinhos vocabulares
Nhó nhó nhó, rnhó nhó, e tal.
Em vez de responder com infantilidades, podia esclarecer porque é que é assim tão complicado reconhecer que a sua frase tem apenas um sentido. Podia não ser aquele que lhe queria dar, mas tal como escreveu, engloba toda a “direita”. E já agora, esclareço que o leio regularmente não o confundo com um saudosista da Albânia do iluminado Hoxha, mas da forma como este post está escrito, é o que parece.
Pronto, pronto não se zangue.
Luis Jorge,
o povo tem que sofrer pelos excessos e ignorância que as elites não foram capazes de iluminar e eliminar. Se por um lado os repulsa não serem como eles, por outro não os querem como eles.
“Duas coisas há nos homens que os costumam fazer roncadores,porque ambas incham: o saber e o poder.”
— Padre António Vieira, Sermão de St.° António aos Peixes
Ah, este post valeu só para ter ver a citar António Vieira.
A grande capacidade de expressão escrita potencia-lhe vezes de mais generalizações absurdas e ligeiramente insultuosas. À Ulrich.
Talvez um dia me dedique a demonstrar, com a minha grande capacidade de exegese, que não se tratam de generalizações.