Vi no outro dia um documentário com um pormenor interessante. Assim que os primeiros corpos foram exumados, não restou dúvida sobre a responsabilidade. Para se protegerem do frio os oficiais tinham introduzido jornais nas botas largas, jornais soviéticos obviamente datados.
Tendo em conta que as primeiras exumações foram realizadas pelo exercito alemão sob orientação directa do Goebbels surpreende que não tivessem encontrado uma kipa e uma medalha de heroi do trabalho, que provaria que tudo aquilo foi uma conspiração entre comunistas e judeus, qual Reichstag..
Já é público há algum tempo, inclusive na wikipedia que é hoje, digamos, a medida da crença popular.
Julgo que o chamado revisionismo não nega que os soviéticos tenham cometido atrocidades – o que discute é o que na história escrita para nós da URSS poderá ser mera propaganda ou trabalho pouco rigoroso.
A ciência da história é também muito interessante já que não se deixa de notar o desinteresse quase completo pela história das atrocidades dos países capitalistas:
Pode e por norma até ocorre em países sem aviões. Agora eu só não percebo a surpresa de quem acha que a dupla georgiana seria mais piedosa e respeitosa com polacos que “combatiam” a URSS ideologica ou praticamente e que se recusavam a ser reeducados do que com os seus camaradas do PCUS, meses antes.
Agora isso de enfiar a repressão generalizada aos prisioneiros polacos de 39-41 no massacre de Katyn (inclusive os que foram fuzilados em Lubyanka como reza a pagina da Wikipedia), o revisinismo polaco não é mais que a manutençao de uma falsificação histórica ao nível dos revisionismos alemães, soviético e ocidental sobe o tema.
teria sido preferível indicar outras fontes – não são propriamente raras – para atestar a verdade acerca do massacre de Katyn. Com efeito, o site linkado é uma publicação negacionista (do “suposto Holocausto”, como por lá se lê) e anti-semita (o tema insistente da conspiração financeira dos judeus tendo por fim um governo mundial, em termos que são imediatamente herdeiros dos Protocolos). Evidentemente, nada disto torns menos verdade que o massacre de Katyn tenha sido obra dos soviéticos. Mas não é infrequente a propaganda mais monstruosa recorrer a umas quantas verdades como adereços e instrumentos auxiliares. E o problema é que, quando citamos órgãos de propaganda como o que nos ocupa para documentar ums verdade histórica, podemos dar a impressão de estarmos a aboná-los, ainda que tal seja absolutamente estranho aos nossos propósitos.
Corrija-me se lhe parece que erro para além do razoável.
Linkei aquele blogue de propósito, precisamente porque tenta o debunking de um artigo anti-revisionista: é um paradoxo delicioso e elimina logo metade da blogosfera portuguesa judeófoba.
Filipe, você talvez goste disto. Dois autores especializados em história da URSS encontram-se numa caixa de comentários a propósito da recepção de um deles ao livro do outro. Os autores são Robert Conquest, cujo livro é criticado, e J. Arch Getty que faz a crítica. Mais do que a critica do livro que dá a entrada é interessante, a meu ver, a disputa que segue entre os dois na caixa de comentários:
Vi no outro dia um documentário com um pormenor interessante. Assim que os primeiros corpos foram exumados, não restou dúvida sobre a responsabilidade. Para se protegerem do frio os oficiais tinham introduzido jornais nas botas largas, jornais soviéticos obviamente datados.
O documentário é este. Sobre Katyn a partir dos 19, tocante aos 21 quando o grande Wajda fala do seu próprio pai ali abatido:
http://videos.arte.tv/fr/videos/l-aiguilleur-des-reves–7294780.html
Tendo em conta que as primeiras exumações foram realizadas pelo exercito alemão sob orientação directa do Goebbels surpreende que não tivessem encontrado uma kipa e uma medalha de heroi do trabalho, que provaria que tudo aquilo foi uma conspiração entre comunistas e judeus, qual Reichstag..
O documentário é este. Sobre Katyn a partir dos 19, tocante aos 21 quando o grande Wajda fala do seu próprio pai ali abatido:
http://videos.arte.tv/fr/videos/l-aiguilleur-des-reves–7294780.html
gracias
Tem uma tradução disponível?
vou ver .
Já é público há algum tempo, inclusive na wikipedia que é hoje, digamos, a medida da crença popular.
Julgo que o chamado revisionismo não nega que os soviéticos tenham cometido atrocidades – o que discute é o que na história escrita para nós da URSS poderá ser mera propaganda ou trabalho pouco rigoroso.
A ciência da história é também muito interessante já que não se deixa de notar o desinteresse quase completo pela história das atrocidades dos países capitalistas:
http://www.guardian.co.uk/commentisfree/2012/apr/23/british-empire-crimes-ignore-atrocities
“Bombing Civilians: An American Tradition”
http://hnn.us/articles/67717.html
e inglesa: não leu o Sebald ( a trad port. é muito boa)?
Mas o post é sobre execuções, o qu eaté pode ocorer em países sem aviões.
Pode e por norma até ocorre em países sem aviões. Agora eu só não percebo a surpresa de quem acha que a dupla georgiana seria mais piedosa e respeitosa com polacos que “combatiam” a URSS ideologica ou praticamente e que se recusavam a ser reeducados do que com os seus camaradas do PCUS, meses antes.
Agora isso de enfiar a repressão generalizada aos prisioneiros polacos de 39-41 no massacre de Katyn (inclusive os que foram fuzilados em Lubyanka como reza a pagina da Wikipedia), o revisinismo polaco não é mais que a manutençao de uma falsificação histórica ao nível dos revisionismos alemães, soviético e ocidental sobe o tema.
a urss encontrava-se nas mãos de vários assassinos: estaline, béria, etc
os comunas portugueses fariam o mesmo se pudessem
as massas são as mesmas
Não, não são!
Na urss as massas eram fabricadas em casa com farinha e ovos. Em portugal compram-se já embaladas num supermercado!
Caro Filipe,
teria sido preferível indicar outras fontes – não são propriamente raras – para atestar a verdade acerca do massacre de Katyn. Com efeito, o site linkado é uma publicação negacionista (do “suposto Holocausto”, como por lá se lê) e anti-semita (o tema insistente da conspiração financeira dos judeus tendo por fim um governo mundial, em termos que são imediatamente herdeiros dos Protocolos). Evidentemente, nada disto torns menos verdade que o massacre de Katyn tenha sido obra dos soviéticos. Mas não é infrequente a propaganda mais monstruosa recorrer a umas quantas verdades como adereços e instrumentos auxiliares. E o problema é que, quando citamos órgãos de propaganda como o que nos ocupa para documentar ums verdade histórica, podemos dar a impressão de estarmos a aboná-los, ainda que tal seja absolutamente estranho aos nossos propósitos.
Corrija-me se lhe parece que erro para além do razoável.
Cordialmente
msp
Caro Miguel,
Linkei aquele blogue de propósito, precisamente porque tenta o debunking de um artigo anti-revisionista: é um paradoxo delicioso e elimina logo metade da blogosfera portuguesa judeófoba.
abraço
Filipe, você talvez goste disto. Dois autores especializados em história da URSS encontram-se numa caixa de comentários a propósito da recepção de um deles ao livro do outro. Os autores são Robert Conquest, cujo livro é criticado, e J. Arch Getty que faz a crítica. Mais do que a critica do livro que dá a entrada é interessante, a meu ver, a disputa que segue entre os dois na caixa de comentários:
http://www.lrb.co.uk/v09/n02/j-arch-getty/starving-the-ukraine
esse vou ver amanhã, obrigado.