Quem te avisa amigo é

Em 75, também houve um enorme balde de água fria. Tirando a secante ao que acontecia em Lisboa e nos  jornais,  a esquerda soviética, albanesa e chinesa  ficou desolada com o resultado das primeiras eleições.

Hoje, como ontem, foram duas dezenas de manifestantes . Presumo que igual número de polícias e de jornalistas.O facto de os media abrirem os jornais como se a povo estivesse na rua,  pode levar a novo erro de perspectiva  e novo estarrecimento. Seria aborrecido.

 

FNV

12 thoughts on “Quem te avisa amigo é

  1. balde-de-cal diz:

    a esquerda festiva, ps inclusive, parece um antigo cabaré de Lisboa conhecido pela designação de ‘sempre em festa’

  2. henrique pereira dos santos diz:

    Tenho lembrado (não sou o único) vezes sem conta os resultados das eleições de Junho de 68, em França, com uma esmagadora vitória do De Gaulle, bem como o resultado das presidenciais americanas de 68, depois das grandes manifestações anti-guerra do Vietname, onde foi eleito Nixon. Não só a rua não traduz o que pensam as pessoas, como as pessoas se assustam com o peso excessivo da rua no seu dia a dia e, na dúvida, votam no “viver como habitualmente”. Veremos os sinais disso já na manifestação de 2 de Março, por comparação com a tal de 15 de Setembro no ano passado.
    henrique pereira dos santos

    • fnvv diz:

      não sei se veremos.continua-se a olhar a rua com os olhos de há 30 ou 40 anos. E eu falo sempre do caso gerego: donde esta la revolucion?

      • henrique pereira dos santos diz:

        veremos no sentido em que mesmo a mobilização da rua vai decrescer por distância às interpretações “revolucionárias” que têm sido feitas sobre a manifestação de 15 de Setembro. Nessa altura, dias depois de anuciada a TSU, as pessoas sairam à rua para dizer que achavam absurdo que se tirasse dos empregados para dar aos patrões, preocupação que une todas as pessoas de bem. Daí para cá muita gente que lá esteve percebeu que a sua presença foi contabilizada nas hostes do “que se lixe a troica” quando uma boa parte das pessoas tem muito mais receio do que possam fazer coelho e relvas que da troica, mas têm ainda muito mais medo do que fariam seguro, arménio carlos e os outros que querem lixar a troica ou os fiscais do fisco (passe o pleonasmo). E pelo sim, pelo não, vão ficar em casa desta vez. A manifestação será grande, mas longe, muito longe do que foi em 15 de Setembro. Penso eu de que

      • João. diz:

        “donde esta la revolucion?”

        Essa é a questão. Mas hoje ela tem um valor bem diferente do que, a meu ver, você lhe imputa. Parece-me que você labora sob a perspectiva de que a dita esquerda radical, quer dizer, por exemplo, os Partidos Comunistas grego e português querem na verdade um regresso à ditadura soviética e que a sua adesão ao jogo democrático, ao pluripartidarismo, não é sincera. A meu ver isto tem algo de sintomático, quer dizer, de velamento da questão verdadeiramente traumática em termos políticos: como é que a democracia de protege a si mesma se os seus mecanismos resultarem numa espiral de pobreza, desemprego, falta de esperança, enfim e em resumo, se os os seus próprios mecanismos actuarem na direcção de uma falência do sistema, daquilo que prometeu e promete?

        Nós sabemos qual é a resposta padrão da direita – e aqui vai claramente do PS ao CDS: se fosse noutro sistema qualquer seria ainda pior.

        Mas o problema pode ser colocado noutros termos e estes, passo a ousadia, são os termos em que se deve colocar hoje a questão na Europa: e se o antigo antagonismo entre democracia e ditadura, entre “o pior dos sistemas à excepção de todos os outros” e “todos os outros” tiver migrado para dentro da própria democracia? Ou seja, e se o que era o inimigo exterior da democracia tiver migrado para o seu interior, não como agentes extremos, que vivam nas franjas, mas no próprio coração do sistema – e aqui, neste coração, não como agentes conspiradores mas como a própria inércia do sistema, se o próprio coração do sistema se tiver tornado preverso, envenenado?

        Numa formulação: como é que a democracia se defende, se preserva, não face a grupos ou supostos grupos que são contra ela, que é a questão clássica, mas face aos que defendem a democracia? Esta questão mais extrema, a meu ver. Se os democratas tiverem a arrasar com a democracia como é que a democracia se preserva de sua destruição às mãos dos próprios democratas?

      • fnvv diz:

        “Parece-me que você labora sob a perspectiva de que a dita esquerda radical, quer dizer, por exemplo, os Partidos Comunistas grego e português querem na verdade um regresso à ditadura soviética e que a sua adesão ao jogo democrático, ao pluripartidarismo, não é sincera”

        A primeira nãp, a segunda, claro: desafio-o, com Zizek-Badiou, a dizer o contrário, João…

      • João. diz:

        O Programa do PCP é claro neste aspecto. Defende o sistema pluripartidário actual. Todo o programa do PCP se enquadra na Constituição vigente, não há, ao que sei, nenhuma proposta de revisão constitucional.

      • fnvv diz:

        E o programa do PSD prevê o crescimento e desenvolvimento do país…ora batatas…

      • João. diz:

        Não conheço iniciativas do PCP que visem uma revisão constitucional.
        É o PSD e muita direita que acha que há demasiados direitos e garantias na Constituição, não é o PCP.

  3. murphy diz:

    Em parte, este fenómeno de interpretar a rua pelo “todo”, deve-se ao “wishful thinking” das redacções… este jornalismo militante que quer cumprir os ideiais e as conquistas revolucionarias!

    http://jornalismoassim.blogspot.pt/2013/02/o-wishful-thinking-das-redaccoes-vs-o.html

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