Et super hanc petram aedificabo ecclesiam meam

The cross of Pope Benedict XVI

“No início do ser cristão não há uma decisão ética ou uma grande ideia, mas o encontro com um acontecimento, com uma Pessoa que dá à vida um novo horizonte.”
Bento XVI, Deus Caritas Est, 1.

PP

19 thoughts on “Et super hanc petram aedificabo ecclesiam meam

  1. balde-de-cal diz:

    sou tão velho que assisti em Roma à eleição de João xxiii e Bento xvi.
    saia da Biblioteca e atravessava a Praça quando ouvi gritar ‘temos Papa’.
    apesar de não crente assisti ao aparecimento à sacada.
    espero que o próximo se de fora da europa falida.
    que seja Alguém com a mesma sabedoria e coragem para enfrentar esta m….

  2. Fernando Cardoso Virgílio Ferreira diz:

    Caro Filipe, a Igreja Católica precisa de 2 papas para estes nossos dias de mirra, pois os tempos do ouro e do incenso já passaram e não voltam mais.

  3. Mas como é que se encontram essa “Pessoa” e esse “acontecimento”?

    • ppicoito diz:

      Na queda de um cavalo, a caminho de Damasco (Paulo de Tarso). Ouvindo crianças a cantar no jardim ao lado (Agostinho de Hipona). Depois de dar metade da capa a um mendigo (Martinho de Tours). Depois da fase estética (Soren Kierkegaard). Enfim, parece que não depende só de nós.

  4. Miguel diz:

    “Papa promete “obediência incondicional” ao sucessor ”

    Esse “encontro” não é o meu, mas não me faz confusão. O que eu não percebo são estas coisas mundanas. Será que o “grande intelectual” não compreendeu o diálogo de Sócrates com Eutyphro?

    • ppicoito diz:

      Essa é uma maneira muito escolástica de pôr o problema. a obediência incondicional significa que Ratzinger, apesar de ter sido papa, não irá exercer sobre o seu sucessor e sobre a Igreja qualquer tipo de poder. é uma manifestação pública de humildade, uma virtude de que até os grandes intelectuais estão necessitados.

      • Miguel diz:

        Sim, eu percebo. O único problema é se o sucessor não for virtuoso. Um problema maior para um não-relativista, se seguirmos o texto de Platão.

      • ppicoito diz:

        Fernando, a fé é um dom de Deus, não depende só da nossa vontade. A razão pela qual alguns o recebem, e outros não, é para mim um mistério. Mas acredito que aqueles que procuram sinceramente a Deus hão-de encontrá-Lo, mais tarde ou mais cedo. Em certo sentido, querer encontrar a Deus é já uma forma de fé.

  5. ppicoito diz:

    Ninguém é suficientemente virtuoso para ser papa. Obedecemos ao papa, a este e ao próximo, não porque seja santo, ou inteligente, como Bento XVI, ou carismático, como João Paulo II, mas porque é o papa, a pedra sobre a qual está edificada a Igreja: “et super han petram…” O dilema exposto por Platão é tipicamente pagão e ignora, como é natural, a grande novidade do cristianismo: a religião cristã não é uma moral, nem uma doutrina sobre este mundo e o outro, nem uma classificação do que é e não é sagrado, mas um encontro com um homem que diz ser Deus. Sem acreditar nisto, o resto é mitologia.

    • Miguel diz:

      Tudo bem. Não deixa de ser uma posição relativista. Fundamentá-la com a natureza do cristianismo é ainda mais forte, equivale a classificar o cristianismo como um relativismo. Baseado na palavra de um papa, ou de um Deus, pouco importa. A consequência prática é a seguinte: se um papa promover o mal (de forma camuflada, é evidente), os cristãos continuam a obedecer-lhe incondicionalmente porque é o papa. É essa a ironia (trágica).

      • ppicoito diz:

        Não, não é isso, porque acima da autoridade do Papa está a da consci~encia. O próprio Ratzinger diz isso algures. Nem o Papa, à luz do Evangelho, me pode obrigar a praticar o mal (sendo que mal é aquilo que ofende a Deus: a liberdade de consci~encia não é a liberdade de pecar).

      • Miguel diz:

        Entãp se a consciência está acima, e ainda bem, mais valia não ter falado de obediência condicional. É uma questão básica de consistência lógica, algo que não fica bem a um intelectual desprezar. Até porque assim está a ser pouco pedagógico para com o seu rebanho. 😉

    • João. diz:

      Não é só isso. A meu ver, é claro. É também a comunidade dos que tiveram esse encontro. E esse encontro pode dar-se de várias formas, inclusive a da rejeição da Igreja ou até da religião. A meu ver a pessoa de Cristo [e a Igreja] é de tal modo potente, digamos assim, que a dada altura quase todos e cada um são chamados a tomar posição. Ou seja, a rejeição da religião não significa que não houve esse encontro, pode significar que o houve e que tal rejeição é a resposta subjectiva.

      • ppicoito diz:

        sim, de acordo, mas nesse caso o encontro é um desencontro. A Sophia de Mello Breyner diz que a santidade nos é oferecida todos os dias e temos que a aceitar ou rejeitar todos os dias.

  6. Miguel diz:

    “Ninguém é suficientemente virtuoso para ser papa.”

    É óbvio. Por isso é que a obediência incondicional é um absurdo. Quanto à modéstia do papa em anunciar tal subserviência perante o seu sucessor é automaticamente neutralizada pela hubris do sucessor ao aceitar o papel de papa dogmaticamente infalível.

    • ppicoito diz:

      priemiro, o papa não é dogmaticamente infalível. A infalibilidade papal está reservada para casos muito excepcionais. segundo, a fé não é subserviência porque é uma escolha livre e consciente ao serviço de uma verdade. E a verdade é libertadora. Não é subservi~encia, por exemplo, amar uma mulher e recusar todas as outras. Ou seguir este caminho, esta profissão, este partido, esta especialização científica, este lugar para viver e recusar os outros.

      • Miguel diz:

        Bom, fiquemos por aqui senão ainda passamos ao modo telenovela… 😉 e se eu descobrir que a mulher é uma Messalina, fico a dever-lhe a fidelidade ainda? …. que venha o novo papa. O que sera, sera.

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