Ou seja, uma manifestaçãozinha pequeno-burguesa:

“Nunca protestariam se não existisse redução de salários e de subsídios.  O sistema de valores são os mesmos dos que protestam e dos que são protestados”.

Passe o pontapé na gramática ( dado  pelo jornalista), é o que tenho dito aqui.

 Ainda bem que é Luís Miguel Cintra ( e não o Alexandre Soares dos Santos) a dizer isto, sempre  afasta os  coleópteros da caixa de comentários.

FNV

13 thoughts on “Ou seja, uma manifestaçãozinha pequeno-burguesa:

  1. Fernando Cardoso Virgílio Ferreira diz:

    Caro Filipe, e que tal isto?

    http://www.bbc.co.uk/news/world-europe-21613939

  2. Mas o Cintra diz mais coisas: «(…) tem de existir o nascimento de uma outra organização política e dos cidadãos que não seja esta porcaria do sistema parlamentar, que é uma fraude total». O Filipe não tem dito isso aqui, pois não? E não me entenda mal: ainda bem que não.
    O problema do Cintra com estas manifestações é o carácter pouco orgânico delas, porque a organização política que ele preconiza, temo, seria bem orgânica — aliás, a Arendt escreveu um belo tijolo sobre esse tipo de regimes.

    • fnvv diz:

      Tenho dito, tenho, Carlos: é que não se pode querer uma coisa sem a outra, foi aliás objecto de muitas discussões aqui e vários textos meus ( chamei Lenine, Gramsci etc)
      Se concordo ou não é outro osso e nem é relevante para o caso.

      ex:
      https://declinioqueda.wordpress.com/2013/02/05/kairos-a-espera-da-politica-vii/

      e para trás há muito mais

      • Filipe, o que eu sei é que o exercício da representação, tal como existe em Portugal, não nos serve. Em todo o caso, não me parece que o problema sejam os mecanismos (regime parlamentar), pois eles funcionam em outros sítios. O problema é mesmo a cultura existente em Portugal (e não só, mas fiquemos por aqui) no que respeita ao exercício dos cargos de representação. E quando alguém ataca o modo como a representação é exercida, aparece logo um grupo de bonzos a berrar que se quer dar cabo da democracia. Dou-lhe um exemplo: se eu disser, e digo, que os partidos políticos são um antro de gente ambiciosa e sem escrúpulos, respondem-me que não pode haver democracia sem partidos. Contudo, eu não ataquei os partidos; pelo contrário, defendi-os, porque só chamando a atenção para o problema que os destrói se pode salvá-los. É difícil argumentar o que quer que seja neste país (num partido, numa empresa, nas universidades, etc.), porque de imediato deparamos com uma de três coisas, ou até com as três em simultâneo: má-fé, falta de escrúpulos e imbecilidade.

        Quanto ao Cintra, acho que ele não quer algo novo: quer simplesmente algo que já sabemos que não resulta — para isso nos serve, ou deveria servir, a História.

      • Mais uma coisa: por exemplo, quando se diz que atacar o Relvas é atacar a Democracia, eu digo: era o que mais faltava. Eu, se cantar algo à sua passagem ou o interromper quando fala, faço-o precisamente porque o acho indigno do cargo que ocupa, ou seja, eu respeito o cargo, e por isso mesmo acho que a permanência dele no cargo, ela sim, é um ataque à Democracia. E não passa de um cobarde por se esconder atrás do cargo que ocupa e com isso diminuir ainda mais o prestígio do regime político que existe no nosso país.

      • João. diz:

        Não é nada necessário que o Cintra advogue modelos passados. Há um modelo que não é nem passado, nem presente, quer dizer, o cumprimento intransigente da Constituição até porque qualquer moralização passa pela intransigência, no fundo é isto que Kant diz com o imperativo moral. A questão a meu ver é esta. Ou se revê a Constituição ou se é intransigente no seu cumprimento. A situação actual é que nem se revê a constituição nem se é intransigente no seu cumprimento. A meu ver portanto basta a defesa intransigente da Constituição como motivo da actividade política para que se tenha algo de novo, nomeadamente se esta intransigência vier do próprio povo. Não é preciso nenhum regresso a modelos anteriores. A nossa Constituição não é soviética.

      • João, o Cintra não advoga a defesa intransigente da Constituição, bem pelo contrário. Eu também sou a favor da defesa da Constituição (embora não recorre-se à palavra intransigente: é necessário interpretar, integrar, etc., o que não se compadece com intransigências). Daí o que escrevi acima. O problema é cultural, se podemos usar a palavra nesse sentido, e, eventualmente, criminal.

    • João. diz:

      A questão é que ainda se pensa que o sistema actual tem salvação sem mudar as suas premissas fundamentais – mas a questão pode ser o que fazer se o sistema falir completamente, se tornar-se incapaz de sustentar a esperança das pessoas. O capitalismo actual vive cada vez mais de futuros e isto não é só na finança é também na adesão das pessoas ao sistema – elas no fundo ainda esperam que as coisas melhorem dentro do sistema actual; mas, e se a esperança se perder? Pode Portugal sustentar cerca de 20% de desemprego real ao longo do tempo? Pode Portugal sustentar os muitos mais que tendo emprego não têm nele meios de ter um rendimento que chegue ao fim do mês, que lhes permitra uma casa, colocar os filhos na universidade, etc?

  3. Fernando Cardoso Virgílio Ferreira diz:

    Caro Filipe, é mais um episódio de nostalgia pelos cidadãos-remadores de Salamina: “Koba”, o ex-seminarista e assaltante de bancos, sempre tinha mais juízo.

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