Monthly Archives: Fevereiro 2013

Tiro de Lee Enfield .303

Este texto de Bernardo Pires de Lima é a versão  séria do meu.  Não  dou mais  do que chalaça a esse clube do Bolinha, que define  a direita  assumida contra a envergonhada, a límpida contra  a turva, a rebelde contra  a totó.  Em França, nos anos 90, essa tertúlia encaracolou por causa da questão argelina , mas desapareceu  rápido (e está enterrada, vejam que  ninguém protestou agora   o pedido de desculpas de Hollande).

O que temos é a colagem à mumificação vermelha, logo eles que  tanto se arrogam da pureza ideológica. Isso é  bem demonstrado por BPL,  porque no seu texto faz o debunking da cartilha de forma demolidora: o clube do Bolinha flana no mais despudorado relativismo ( que tanto execra) quando pinta uma ditadura com estatísticas. Os estalinistas fazem o mesmo, basta dar uma volta pela net se não gostarem de livros.

FNV

As nações, comunidades não imaginadas

image002
O nacionalismo é uma das ausências mais enigmáticas da teoria social do século XIX. Já Benedict Anderson (Comunidades Imaginadas) notou que a nação, a mais influente forma de imaginação política dos últimos dois séculos, não teve o seu Marx nem o seu Tocqueville.
É difícil perceber porquê. Os founding fathers da sociologia não estavam desatentos aos sinais dos tempos nem eram avessos à grande teoria, contrariamente a muitos dos herdeiros. Tocqueville e Weber ocuparam cargos políticos. Marx foi um espectador comprometido do som e da fúria contemporâneos e algumas das suas obras nasceram de acontecimentos próximos, por exemplo O 18 de Brumário de Luís Bonaparte. Durkheim escreveu sobre a escola francesa. Porquê o notável silêncio, então?
Um ensaio de resposta: todos eles estavam mais preocupados com a mudança do que com a continuidade e, acima de tudo, com a passagem das sociedades tradicionais à sociedade moderna. O progresso é o dogma científico do século XIX. Ora, o século XIX é também a última época em que a identidade (a célebre “essência”) das nações europeias se dá por adquirida.
Ou seja, e por muito que hoje nos pareça estranho, a nação não é um problema conceptual no século XIX. Tocqueville vê a persistência do Ancien Régime na França revolucionária, mas não o lugar central do nacionalismo na comunidade de cidadãos que é a República – ou na comunidade de iguais sob a lei que é a democracia americana. Comte, o mais abstracto dos sociólogos, lança sobre a história real o manto das sucessivas etapas da marcha do espírito humano, um ponto em comum com Hegel. Marx, que herda a visão histórica de ambos, resume o devir à transição do feudalismo (o passado) para o capitalismo (o presente) e deste para o socialismo (o futuro), sublinhando o papel transformador da Revolução Industrial. Durkheim troca a industrialização pelo individualismo e “pela divisão do trabalho social”, Weber insiste no racionalismo e na burocratização como definidores da modernidade.
Só depois da “cortina de fogo” de 1914-1945, assim chama Pierre Manent às duas guerras mundiais que reduzem a cinzas o equilíbrio geopolítico saído do Congresso de Viena, a nação passa a ser um actor da história e com história, no duplo sentido de responsável pelos acontecimentos e moldada por eles. Anderson e outros, que problematizam o nacionalismo na segunda metade do século XX, tentam ler essas cinzas. As nações perdem em naturalidade o que ganham em historicidade. Já não são destino, são acaso, para usar as palavras do próprio Anderson. Tornam-se, por fim, comunidades imaginadas pelas ciências sociais.

PP

Comarcas

Se a lei é  a mesma e se os fundamentos  da petição da Revolução Branca são os mesmos, por que motivo duas comarcas diferentes  concluem diferente?  Acredito que exista uma  explicação técnica, mas o conhecimento de uma  situação destas, tão prática e política,  também só pode ser acessível a iluminados?

FNV

Asco

Também me lembro, Ana. Na altura foram ao Mar Salgado chamar-me socretino.

É vê-los agora, uns muitos compostinhos contra “a selvajaria da rua”, outros  subitamente perdidos de amores por ela.

 

FNV

O novo ícone dos activistas gay lusos

Ecce homo.

Para  quando um abaixo-assinado da ILGA  em defesa de D. Carlos Azevedo?

FNV

Grândola vila penalty, o gozo é quem mais ordena

( autor – Salvador Martinha)

 

FNV

Ressabiados e botabaixistas de todo o país, recordai:

Viva 2013.

Em alternativa , compreendam que isto é o prolongamento do método “TGV com mão de obra nacional“, cruzado com a frase  escrita na Place  du Panthéon,  em Maio de 68:  Autogestion de la vie quotidienne.

FNV

Há mais vida para além da vida ( 6)

Pazzo d’amore. Nessa matéria, prefiro a Laura, de Petrarca, que foi coisa demorada: Io non fu’ d’amar voi lassato unquancho, madonna (  LXXXII, 4), que é como quem diz,  nunca me cansei de vos amar, senhora.

Ora precisamente. É um trabalho, um esforço. Nada a ver com esta pepineira:

FNV

Com as etiquetas

Bem, sim, já chega.

Se me obrigarem a ouvir de novo a “Grândola” julgo que serei capaz de torturar uma colecção de matrioskas.

Luis M. Jorge

Órfãos de Sócrates procuram liberais para adopção gay. Assunto sério

O artigo de Miguel Vale de Almeida sobre a adopção por casais homossexuais, no Público de hoje, ajuda a perceber a acrimónia dos órfãos de Sócrates com António José Seguro. Depois da vitória do casamento gay na anterior legislatura, o actual PS não tem feito muito pela causa. Com toda a gente preocupada em sobreviver à crise, a questão revela-se o que realmente é: uma bandeira de minorias. E o combate à austeridade parece ser agora a única bandeira no Largo do Rato. Daí o apelo de Vale de Almeida a que os socialistas voltem a pensar na felicidade dos gays, apelo também lançado aos “liberais” do PSD e do CDS (que, afinal, sempre servem para alguma coisa). Curiosamente, os “liberais” do BE e o PCP ficam de fora, talvez por serem uma minoria sem direitos.
Tenho sobre isto uma posição que mudou com o tempo. Fiz campanha contra casamento entre homossexuais, como é sabido (menos pelos meus camaradas de blogue, que se esqueceram de tal prova de atraso civilizacional quando nos juntámos aqui), mas nunca vi grandes razões jurídicas contra a adopção por homossexuais. Se a lei lhes permite o casamento (e um dos argumentos contra é que o matrimónio se destina em grande parte a proteger um efeito natural da união heterossexual: a procriação), não há razões legais para que ao casamento não se siga a adopção.
Pensava eu de que. Há uns meses, no entanto, por via de uma crónica na Renascença e de uma polémica com a Ana Matos Pires que deixou o Jugular ao rubro, levando a Fernanda Câncio à histeria de usar os meus filhos como argumento, mudei de opinião. Passei horas na internet a ler estudos sobre a matéria, ciência algo bizarra, e uma das conclusões a que cheguei é que as uniões gay são estatisticamente muito mais instáveis do que as hetero. Hoje, penso que a adopção por homossexuais comporta riscos para as crianças que a lei não pode ignorar. Isto, claro, se estivermos de acordo que a felicidade das crianças vem antes da felicidade dos gays. Ah, e que a adopção não é um direito nem uma bandeira.
Não sou, portanto, um dos liberais que farão avançar a pátria rumo ao progresso. Está dito. Sintam-se à vontade para me insultar na caixa de comentários (mas aviso que histerias à Câncio vão direitinhas para o caixote de lixo).

PP

Orwell, sempre

600full-animal-farm-poster
Também não gostei de ver Relvas silenciado em duas arruaças seguidas (e sabe-se lá quantas mais se seguirão). Em democracia, os limites do protesto, ainda que justo, são os da legalidade e a legitimidade, ainda que controversa, ganha-se nas urnas. Mas noto que muitos dos que agora invocam a liberdade de expressão, pois claro, ficaram calados quando o mesmo Relvas tentou silenciar uma jornalista com ameaças mafiosas.
Como sempre, as indignações são selectivas. Ou todos os animais são iguais, mas há sempre uns mais iguais do que outros.

PP

Os pequenos génios discretos

Atacam outra vez.  Deus seja louvado por nos ter  entregue ao cuidado de tais almas e o Senhor as proteja dos ressabiados maldizentes .

FNV

O inimigo é o PS

Bem lembrado, porque, apesar de Soares estar vivo ( e a melhorar, julgo),  há muito menino que não sabe o que foi a Fonte Luminosa.

E não saberá. É só fumaça.

NOTA: o link, não sei porquê,  não aponta o post certo, ele está lá.. é de hoje e de Tiago Mota Saraiva.

 

FNV

Mais uma fronteira desbravada

“Tinha” porquê? É para insinuar que a substituta  já não  terá? Agora o MP é pior do que o Sporting? Muda o treinador-adjunto e muda a táctica?

Este DN, um velho conhecido do jornalismo opinador. Só mudam as camisolas dos serventes

FNV

Há mais vida para além da vida ( 5)

“Amantes na internet”, afinal casados  há anos. Por Ola John!, o que gosto ( uso-a em colóquios e congressos ) desta velha história:

“Lui e lei si incontrano in chat e dopo i primi scambi di parole, entrano subito in confidenza passando ore a parlare dei rispettivi matrimoni noiosi e forse anche falliti. Virtualmente lei è “Sweetie”, lui si fa chiamare “Prince of Joy”. I due finalmente decidono di stabilire il tanto agognato appuntamento. Ma… la magia finisce all’incontro quando scoprono di essere moglie e marito.
La notizia è riporatata dal quotidiano britannico Daily Telegraph.
Eppure Sana di 27 anni, quasi incredula di quello che le è capitato, dichiara che in chat era tutto così fantastico: “Mi sono ritrovata innamorata improvvisamente. Era stupefacente”. Mentre Adnan, 32enne, dice: “Ancora non posso credere che la Sweetie, che ha scritto cose meravigliose, sia realmente la stessa donna che ho sposato e che in tanti anni di matrimonio non mi ha detto una parola piacevole”

Como é possível? Por Ola John! Como é possível que esta história seja única, se tudo o que queremos  é alguém com quem trocar mentiras verdadeiras?

FNV

Com as etiquetas

Há mais vida para além da vida ( 4)

Um slow invertido. Boa ideia. Aponta na direcção de La Bruyère: le plaisir le plus délicat est de faire celui d’autrui.

 

FNV

Com as etiquetas

Eu prefiro os cães.

Se um doutor de quatro cadeiras pudesse discorrer numa universidade sem o protesto de quem estuda, paga propinas, se sujeita a exames e tem probabilidades elevadas de ficar no desemprego, então sim, estaríamos numa nação de cornos mansos. Agora já os consideras “perigosos”, Filipe? Muito me contas.

Luis M. Jorge

Há mais vida para além da vida ( 3)

Não me parece. É tentar meter o Rossio na Betesga para defender a família, a tranquilidade etc. Tretas de psicólogos.

Basicamente, existe o encantamento, com ou sem cópula, e a sorte. A sorte, como no euromilhões,  aparece quando um casal, sem saber como, se esquece do mundo. Se forem intímos, só o comentam , como lembra o Bioy Casares.

FNV

Com as etiquetas

Isegoria

Entre os cães e o lobo, prefiro o lobo, como dizia Verger.  Aconteceu-me o mesmo, há uns anos, no teatro Gil Vicente. Como uma  tipa  disse que eu fedia, acendi um enorme Romeo y Julieta,  churchill,  e recusei-me a sair.

Se isto alastra,  só fala quem os meninos deixarem.

FNV

Selecção natural

Cruel ironia. Na semana em que o Primeiro-Ministro descreve a economia portuguesa com outra das suas trôpegas platitudes (“a selecção natural das empresas que podem melhor sobreviver está feita”), ficamos a saber, pelo Público, que nove empresários da restauração se suicidaram nos últimos três meses e 11 mil empresas do sector foram à falência. José Manuel Esteves, secretário-geral da Associação de Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal, acrescenta que se trata muitas vezes de “microempresas de cariz familiar, e por isso as consequências são ainda mais gravosas”.
O Governo, entendamo-nos, não é directamente responsável por estas mortes. Mas a crueza dos números mostra a realidade, na vida das pessoas, do “processo de ajustamento” que Passos quer fazer passar por certo, neutro e necessário como uma lei da natureza. Vivemos acima das nossas posses? Pois agora morremos abaixo das nossas posses. As espécies, quando não se adaptam, extinguem-se, lá dizia o Sartre.
Se o Primeiro-Ministro tivesse um bocadinho de mundo fora das jotas, das empresas dos amigos e dos concursos ganhos pela mão do Dr. equivalente Relvas, saberia que há metáforas venenosas. Sobretudo se vêm de um parasita que sempre fugiu à “selecção natural” pela troca de favores com hospedeiros bem colocados. A selecção natural actua por pequenos passos, mas até as espécies condenadas podem perder a paciência.

PP

Há mais vida para além da vida (1)

Ele quer ter as duas, ela espera,  a outra desespera. Gosto mais de sucessões ou de dedicações. É possível ir amando a mesma pessoa se formos amando partes diferentes  dela ( La Rochefoucauld).

Acho que ele vai escolher a mãe escondida, a mãe que não teve ( contra-édipo).

 

FNV

Com as etiquetas

Rattle

The rats.

 

FNV

A “nova direita descomplexada” arrasa mais mitos:

1) Afonso Henrique era um filho da mãe.

2) Geraldo Sem Pavor era um medricas.

3) Viriato era gay.

4) D. Afonso III plantou cedros.

5) Camões  tinha cataratas.

6) Calecute não é Calcutá.

7) A Terra é redonda.

8) O Duque de Palmela não viva nela.

9) Cunhal não era democrata.

10) O acidente  de Camarate foi um acidente.

11) Chuva em Novembro, Natal em Dezembro.

FNV

Num jornal nacional online ( é estranho, mas é a vida):

Liberdade.  rebeldia,  direito natural contra  a violência do Estado. Thoreau, Foucault, Berlin? Contra o governo, a tropa, os tribunais plenários?  Não, contra o Malaquias ,um funcionário das finanças que às vezes tem dias.

FNV

Duche frio

Ontem, depois da irritação por terem perdido o prémio de jogo prometido  pelo   calor da noite, imaginem que os rapazes da Académica, entre autocarros, tinham sido acalmados por este treinador-adjunto ( na vez do  sportinguista  desbocado que treina o SLB).

FNV

Tomar no cu.

Logo eu, Mizete, que gostava tanto do senhor. Era muito lido, muito simpático, e tinha maneiras como um lorde inglês. Estávamos a ver o telejornal, eu o António os miúdos, e começam cu para aqui cu para acolá. O mais velhinho perguntou se era tomar ou levar. A outra está sempre distraída, mas quando dá para a maldade quer logo saber tudo. O António coradíssimo ensaiou-se com a abelhinha e a florzinha, mas a minha sogra que está com Alzheimer contou a história da tipa das Doce, não a do nosso Primeiro mas a outra que levou pontos por causa do Reinaldo — e depois era o cu, era o tarolo dos pretos, e o António aos berros com a mãe para se calar por causa das crianças e a velha a falar dos tarolos que tinha visto em África quando era solteira porque eles tomavam banho no rio todos nus e a velha pôs-se a abrir as mãos assim e a dizer que eram deste tamanho, pareciam burros, e que nenhuma mulher aguentava aquilo principalmente por trás, Mizete. Então a Raquelinha, que é muito reguila mas sensível, começa a ficar assustada e a chorar e a minha sogra a dizer que o falecido tinha um tarolo piqueno, embora maior que o do António, e eu a julgar que o meu marido se atirava à velha, e a raquelinha a chorar a chorar e eu perguntei-lhe “o que é que tens filha?”, e ela diz-me aos soluços “ó mãe, eu não quero tomar no cu!”. Ó filha havias de tomar no cu, disse-lhe eu, claro que não meu amor. Nem quando for grande pois não pergunta ela, não filha nunca. O pai nunca fez isso contigo pois não mãe, não filha cá em casa ninguém tomou no cu. Fala por ti, disse a velha. E o António levanta-se, muito lívido, muito calado, pega no telefone e nessa mesma noite deus seja louvado foi pôr a carqueja ao lar. De modo que é assim, Mizete, eu já não gosto do senhor mas por outro lado filha não posso dizer que me tenha feito mal. Antes pelo contrário.

Luis M. Jorge

Macacas de auditório

A TSF queria saber por que motivo Miguel Relvas não quis conversar com quem lhe chamava  ladrão  e outras coisas impublicáveis. A TSF está tão infantilmente parcial  que recebeu uma bela resposta de Miguel Relvas: “ Só falo com quer falar comigo”. Inacreditável, não é?

Amanhã, a notícia vai ser “Relvas não quis ouvir jovens“. Isso é o que importa, o espectáculo tem regras.

FNV

Santana ganha indemnização

Estou, como Correia Garção, nas despidas paredes / que me abrigam no tormentoso inverno. Falta-nos um Arosto, com o seu super-judeu, capaz de curar casamentos, ou seja, de escurecer o dia ,  aclarar a escuridão e  transformar os homens em bestas. Por exemplo, arrancar os estudantes do torpor ( i-phones, hamburgeres, campanhas de shots baratos até às onze da noite porque só as smartshops  são o diabo) em que estão enfiados, enquanto a CGTP desfila nas ruas a horas e dias  certos.

Assim será.  Trazes o polvo à lagareiro e eu levo coisas desta casa , que visitei,  ao vivo e a cores, há uns anos. A certa altura,  a minha cria mais nova , então com sete anitos,  saiu-me da vista e quando olhei estava ladeada por dois enormes, mansos  e estelíferos cães. Sobre o assunto, uma única linha de trabalho: a criação é a única força que se opõe à destruição.

FNV

Amendoeiras em flor

Amendoeira-em-flor
Sou talvez a única pessoa no hemisfério norte que não tem certezas sobre o aquecimento global. A história ensinou-me que as grandes mudanças climáticas só se sentem a uma escala muito longa e que já passámos por épocas mais quentes (Idade Média) e mais frias (século XVIII), sem que daí viesse o fim do mundo. Se não acreditam, olhem pela janela (e, se estão na Rússia, descontem os meteoritos).
Mas há coisas que mexem comigo. Por exemplo, esta semana vi as primeiras amendoeiras em flor aqui no bairro (Olivais, Lisboa). Sinal de que a Primavera está a chegar – mas falta um mês para a Primavera. E no ano passado foi a mesma coisa.
Em São Martinho do Porto, onde passo as férias, costuma dar-se um fenómeno bem conhecido de todos os amantes da baía: nevoeiro bretão até ao meio-dia, mesmo em pleno Agosto. Pois bem, não houve uma única névoa matinal no Verão passado. Uma única…
O que é que isto significa? Sei lá. Só sei que as amendoeiras estão bonitas. Quanto à neblina de São Martinho, logo se vê.

PP

Ainda Bento XVI

Aqui, vinda da cidadela do anglicanismo, uma das melhores coisas que li sobre a abdicação do Papa.

PP

Kairos – à espera da política (11)

Chego da clínica, janto e sento-me em frente da televisão com um belo trabalho nas mãos, que a seu tempo trarei para a série  Lidos velhos &novos ( não sou daqueles jornalistas  culturais que conseguem ler   dez livros por semana) . Na minha televisão está Nuno Melo, a falar na décima comissão de inquérito a Camarate. Trinta e dois anos e dois meses depois. É importante sublinhar que connosco a regra da transformação do provisório em defiitivo não se aplica apenas aos  pré-fabricados  escolares ( que Sócrates  perturbou). Não queria que os deputados tivessem o sentido do ridículo ( para muitos seria perder a identidade) nem o do respeito ( não vai com a função  habitual de pau-mandado). Julgava que pelo menos  o cansaço  fizesse o seu trabalho.

Hoje, também na AR, Passos Coelho e o papelinho imposto a Seguro por Costa discutiam as responsabilidades do passado. Tal como com Camarate, é sempre melhor transformar  o passado num actor mudo do que enfrentar  a realidade. Somos bons a derrotar o real.

FNV

Valentes proctologistas

Um governo e um ex-governo  literalmente  escatológicos para com os  fiscais da AT. 

Quando é com banqueiros, muda  a linguagem.  Afinal, estão  à mesa. 

FNV

Lidos velhos & novos ( VII)

1) Muito , muito bom. Dezenas de mortos que nem recruta tiveram, um cabo em ceroulas a safar uma barcaça no meio  do fogo inimigo, praças assarapantados a confundir boches com hipópotamos. E muita empáfia dos homens de monóculo e bengalim, desordem logística monumental e portuguesa, uma  jovem república a querer ficar no pódio dos vencedores. Escrita  sã, toneladas de documentos, cartas, depoimentos . Vai a Quionga, vais querer sair de lá  com o rabo entre as pernas.

2) “A terra de meu pai “, uma coisinha arrancada ao esquecimento: Alexandre Pinheiro Torres, Plátano, 1972. Arranjei o original, quem quiser vai ter de esperar.  “O dia é uma opinião privada que os anos  tornam pública”. O arquivo da poesia faz-se, também , de resgates assim.

3) Recordar o início do califado. Recordar que  os comunistas iranianos foram passados a fio de espada pelos guardas da revolução ( não combina muito bem com  a miserável abertura de Argo, em que os revolucionários  são uns solidários justos  em luta contra aos mauzões do sha, pois não?).

FNV

Fondamenta degli Incurabili.

PC090701

Na Pastelaria Suíça, uma empregada de balcão narrava as aventuras da colega que se escapuliu em excursão a Roma, Nápoles, Florença, Veneza, sabe deus que mais. E de repente, como nos maus romances, o meu coração encheu-se de alegria por essa outra empregada de balcão desconhecida, inacessível às sentenças dos basbaques do regime, que cagou do alto em exortações sovinas e virtudes fraldiqueiras e se atreveu a conhecer o mundo como uma Lou Andreas Salomé das classes procriadoras, e a pousar em Roma e a descobrir Florença e, em Rialto, a emudecer.

Luis M. Jorge