Monthly Archives: Março 2013

Vertente técnico-táctica ( VI)

1) Não gostei que Paulo Bento tivsese feito alinhar o Carlos Martins, hoje, em Israel. O Martins vem de lesão e havia lá outros frescos para correr.

2) Aproveitemos este  interregno para avisar as hostes do nosso Glorioso. Nada de festejos antecipados: o Proença está só a quatro pontos.

3) A secção independente de patinagem (proponente  bem escolhido) fez  uma  homengem  a Godinho Lopes em Alvalade. Acho muito bem, deixa um legado inesquecível, que talvez só venha a ser igualado por Bruno de Carvalho. Uma coisa é certa: vença Couceiro, Carvalho ou, sobretudo, Severino, quem ganha é o Sporting.

FNV

Acabou

Com TC quem ganha é você.

Serão as eleições mais interessantes desde a Constituinte de 75. Não venham com a treta  do pretexto ou do alibi. Queriam-no na rua, não queriam?

FNV

Minimalia ( XXII)

Sacha Rupert Masoch  foi superior porque percebeu que a maior graça  é o pequeno intervalo sem dor.

Se a alternância fosse rigorosa,  desaparecia o  instante, ou seja, nunca saberíamos o que é  a felicidade.

FNV

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E muito bem

Disse aqui, há semanas, que o homem não estava ferido de atimia e era, portanto, incompreensível que  bonecos e bonecas continuassem  a falar por ele. A excitação  que por aí vai tem de ser levada à  conta do inevitável  provincianismo.

Isegoria, sempre.

FNV

Minimalia ( XXI)

O remorso é o desejo de  fazer tudo de novo, mas sem consequências.

A culpa é sobreviver às consequências.

FNV

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Eu é que sou o Presidente “de” Junta

Em Lisboa, uma providência cautelar impede que Seara se candidate a Presidente “de” Câmara. Seara diz que vai recorrer.
No Porto, Menezes também se candidata a Presidente “de” Câmara. O PSD acusa Rui Moreira de roubar a base de dados da concelhia para lançar a sua candidatura.
E tudo isto se teria evitado se o PSD tivesse um bocadinho de vergonha “em” cara.

PP

Em resumo.

Não, Danielzinho, a austeridade não se explica “porque nos portámos mal”. Já sei, essa é a história que a mamã e as outras senhoras da mercearia te contam; mas agora lê isto, está bem?

Há uma crise mundial e há uma crise especificamente europeia, muito distintas embora com uma raiz comum. A mundial, que deflagrou vai para seis anos ao rebentar a bolha do subprime, não tem uma única origem, mas várias. Uma das mais relevantes é o elevadíssimo nível de dívida acumulado pelas famílias, pelas empresas e pelos estados. (…)

Abolindo-se como se aboliu a distinção entre banca comercial e banca de investimento e admitindo-se ao mesmo tempo níveis baixíssimos de autofinanciamento das instituições financeiras, criou-se a montanha de dívida que agora pesa sobre todos nós.

Se as economias crescessem, gerar-se-iam recursos suficientes para pagá-la. Mas de onde virá o crescimento, se nem famílias, nem empresas, nem estados têm condições para gastar mais? Exigir-se que a dívida seja inteiramente paga equivale, portanto, a condenar a economia a permanecer estagnada durante uns vinte a trinta anos.

Parece inegável que o desbloqueamento das economias ocidentais exige uma desvalorização generalizada da dívida, seja através de negociações caso a caso, seja através de um aumento generalizado dos preços (vulgo inflação). Uma operação desse tipo implicaria, porém, uma massiva redistribuição de rendimentos dos credores para os devedores, razão por que é obstinadamente recusada por quem detém as rédeas do poder político e económico.

Viremo-nos agora para o outro lado do problema, ou seja, para a crise especificamente europeia. Ao contrário da anterior, esta é, na sua essência, uma crise política com um pretexto económico, fabricada de todas as peças pelo governo alemão coadjuvado pelo BCE (…)

Pronto, filho, diz “obrigado” ao senhor João. Não te enerves, coitadinho.

Luis M. Jorge

Da série “O som e a fúria”

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“Another cultural incomprehension in Washington: it is really true, a bright young journalist asked me, that in the House of Commons there are bars serving alcohol to MPs? I confirmed that it was. She could scarcely believe it. I felt exactly the reverse incredulity. Were there really no bars on the premises in Congress? How could politics possibly be carried on?”

Charles Moore, “The Spectator`s Notes”, in The Spectator, 16/3/13.

Minimalia (XXI)

A maternidade de substituição é coisa de gente  antiquada.

Uso, compreendam, a definição de D. Alfonso  Reyes: anticuados son los qu se prenden a modas transitorias y pronto se quedan atrás com su modas.

FNV

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E se

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Na televisão, um cipriota diz que a taxa sobre os depósitos bancários dos seus compatriotas “é só um teste. Depois serão a Itália, a Espanha e Portugal”.
Primeiro penso: ora aqui está um grego com jeito para a retórica.
E depois: e se for verdade?

PP

Trabalhos e dias

Chega-se  a casa ainda com o sabor metálico na boca ( de convencer uma pessoa de que a doença incapacitante  e letal de que  acabara  de saber que tem  não é motivo para desespero) e eis que um momento de boa disposição me entra sala  adentro. Marinho Pinto está na TV a dar conta  de um congresso em Moçambique: “Trabalhando com pessoas  de países  que estão a fazer grandes  progressos no campo dos direitos humanos, como Angola e Moçambique, ao contrário do que se passa em Portugal, onde ventos obscurantistas e de justicialismo fanático sopram vindos do actual poder político”.

FNV

A única diferença

Destes para os dos  outros clubes é que o chefe da claque   viaja no avião da comitiva oficial. Combinam bem, calculo.

Já agora, uma sugestão ( da minha actual mulher)  para os   desacatos nos  estádios ( eufemismo para violência, destruição, arremesso de petardos   etc). Nas manifestações identificam as pessoas que  partem e queimam , não identificam? Então, em Guimarães,  na Luz ou noutro lado qualquer, na próxima vez  em que,  numa bancada de cinco mil pessoas, isso acontecer, a polícia, em vez de  ir para casa,  fica no estádio e identifica, um a um, os espectadores. Lá pela manhãzinha deve ficar tudo despachado.

FNV

E insiste

Lembram-se da anedota do gajo que tinha vergonha de comprar preservativos na farmácia? Pedia sempre , para disfarçar, comprimidos para o enjoo. A certa altura, o farmacêutico perguntou-lhe: Se enjoa por que é que insiste?

O ex-SEC continua com a ronha:  valente era ter mandado  tomar no cu o ministro seu ex-colega, e não o anómimo fiscal das Finanças, não era?

FNV

Minimalia ( XX)

O que é a felicidade?  É o tempo que demora a  chegar  a infelicidade.

FNV

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E se fosse cá?

Durante o encontro do Eurogrupo, Wolfgang Schauble propunha a aplicação de uma taxa de 18% aos depósitos efectuados em bancos portugueses. Pedro Passos Coelho e Vitor Gaspar elogiariam a sensatez do correligionário alemão.  Na conferência de imprensa garantiam-nos que só o confisco de 30% do valor das poupanças era capaz de colocar o nosso país no “bom caminho”, à falta de alternativas credíveis para assegurar a “retoma”.

Com o enlevo que a pátria dedica a todas as asneiras, uma multidão de gnomos papaguearia nos blogues a clara inevitabilidade do saque. No parlamento, o partido de Paulo Portas contestaria a decisão antes de votar a seu favor. O PS abstinha-se. O deputado Abreu Amorim e dois ou três campónios assolados pela caspa assegurariam a defesa do diploma, logo promulgado pelo Presidente da República com um sério aviso contra os riscos da austeridade. Lá para Outubro tinhamos a decisão do Tribunal Constitucional.

Luis M. Jorge

Ventos (2)

É conhecida a analogia que Schmitt faz do parlamentarismo com as lareiras artificiais ( labaredas  vermelhas pintadas num irradiador para simular  o fogo real). A ideia é que a discussão parlamentar não passa de um aparato propagandístico no qual  os grupos socio-económicos  calculam os seus interesses mútuos. Ou seja, a democracia parlamentar é um agendamento potestativo dos interesses da classe dominante.

Os neo-trotskystas dizem o mesmo por outras palavras:

“Nenhuma classe dirigente habita num vácuo; ela se ergue em relações definidas com outras classes. Todo regime político, numa sociedade em que subsiste a propriedade privada dos meios de produção e a acumulação privada dos meios de subsistência dos homens, possui suas bases nessas relações de classe específicas, apoiando-se na posição prevalente de uma classe dirigente que visa a manutenção de seus privilégios no domínio tirânico das relações econômicas. Neste caso, deve-se constatar que um regime democrático, uma democracia, não fica suspensa no espaço: na moderna sociedade burguesa, ainda mais incisivamente numa época histórica produto recente da conversão do capitalismo em imperialismo, a democracia também está com os pés cravados no regime ditatorial de uma das duas classes fundamentais da sociedade industrial: ou ela é democracia burguesa ou democracia proletária. Não há uma democracia “pura”, sem classes”.

A diluição do poder dos partidos funcionará como um par de boas pantufas  sem dono numa casa invernosa: alguém as usará.

FNV

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Ventos (1)

Em 1926, os líderes do Partido Nacional Democrático organizaram o  Grande Acampamento e a Pogotowie Patriotów Polskisch ( qualquer coisa como “Prontidão patriota polaca”)  e Pilsudski trabalhou para acabar com o regime parlamentar. Em Maio, marcha sobre Varsóvia.  A tentativa de estabilização  monetária falhara e  a inflação cresceu , impante  e atemorizadora. Em Lvov, Lodz,  Lublin e Varsóvia, o desemprego atingiu um terço da população activa. Porque  Pilsudski,  como muitos proto-fascistas, tinha um passado  socialista,  Berend recorda que  os operarios apoiaram  a greve geral por ele convocada ( 19 de Maio).  Warski, o líder comunista,  viu o golpe  de Pilsudski como uma oportunidade  para a instalação da ditadura  revolucionária democrática.

Rapidamente, no entanto, Pilsudski estabeleceu a sua orientação proto-fascista.  O objectivo era  superar a corrupção  e caos criados pelo multipartidarismo. Criou o Bezpartyjny Blok ( Bloco não-partidário) como apoio para  sua sanacja ( reabiitação económica do regime) incubida de estabelecer a centralização do poder do Estado. Uma memória de Pilsudski:

FNV

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Minimalia (XIX)

O melhor presente para o pai nestes tempos  alagadiços? Um teste de paternidade.

FNV

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Minimalia ( XVIII)

A libertação feminina libertou o pai do seu último dever.

Agora comporta-se como qualquer babuíno. Fecundando aqui e acolá,  deixa um rasto de filhos biológicos, que, de vez em quando, leva a jantar fora.

FNV

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Novas, nem por isso (2).

The Embassy, “It pays to belong”:

Rhye, “The fall”:

Electric Guest, “This head I hold”:

Devendra Banhart, “Golden Girls”:

Luis M. Jorge

Remota

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Há uma frase de Santo Agostinho, na Cidade de Deus que me vem sempre à memória em latim. Na sua música severa, recorda o que os romanos ensinaram ao mundo: a legitimidade de um império repousa na força da lei.
A frase é esta: “Remota itaque iustitia quid sunt regna nisi magna latrocinia?” O que, em tradução livre, vem a ser mais ou menos “Longe da justiça, o que é o Estado senão um grande roubo?”
Para os gregos, homens da polis, a própria ideia de império era ilegítima. Por isso combateram os persas, a democracia ateniense na guerra do Peloponeso e a hegemonia da Macedónia – sem sucesso, e assim morreu a Grécia clássica. Para os “bárbaros”, da Pérsia ao Egipto, a lei era uma extensão arbitrária do poder imperial e uma manifestação da vontade absoluta do imperador. Os romanos são os primeiros a conjugar, numa união que durou séculos, o poder do império e o rigor da lei.
Não sei como é que isto se traduz em grego, mas acredito que hoje os cidadãos do Chipre, entre a Europa e o Oriente, entre o império e o roubo, entre o Estado de direito e o desprezo dos direitos, compreendem muito bem o velho bispo africano.

PP

Emma

FNV

De rastos

Uma tentativa espertalhona de criar “uma narrativa”, mas que não adianta  porque as coisas são o que são.

No blogue oficioso ( até é moderado, os fanáticos estão  espalhados por aí)  do governo, o melhor que se arranjou foi o josésocrático   “só dizem mal “.

FNV

Afinal

Podemos acusar o Tribunal Constitucional de tudo e mais alguma coisa. Notem que não é “discutir” ou “discordar”, é acusar .

É asqueroso saber que se for um banqueiro ou um empresário  a tentar o mesmo,  levam com o 25 Abril sempre e o ai-jesus-que -atacam-o-estado-de-direito.

FNV

Pai, também nos vão tirar o dinheiro do banco?

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Ó meu anjo, claro que não — Portugal não é o Chipre. Não fiques preocupado, que os bons senhores do nosso Governo sabem o que estão a fazer.

Luis M. Jorge

Schyzo

1) António José Seguro perfila-se como  ” a alternativa”.

2) Seis milhões de  vermelhos  preparam a maior manifestação  de alegria do ano ( ligeiramente abaixo da de 2 de Março último).

FNV

Génios discretos: procuram-se

Exige-se  licenciatura em totobola ou em euromilhões ( nunca em História, Letras ou Filosofia) , boa voz ( pode ser fina ou arrastada), experiência em blogues ( dispensa-se o uso correcto das vírgulas) e  grande de capacidade de produção de saliva.

Oferece-se boa posição na EDP, lugar de assessoria compatível com a dedicação,  terapia de electrochoques para atenuar a dissonância cognitiva ( ou lugar nas secções de Turismo e Cultura) e autarquia no distrito do Porto.

FNV

Minimalia ( XVII)

Há sempre uma alternativa: não haver alternativa.

FNV

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É tarde.

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Os pobres imbecis falharam em tudo. Falharam na redução do défice, nas previsões do crescimento, no combate ao desemprego, nas contas da procura interna e do investimento. Falharam em todas as promessas eleitorais, como a de não subirem impostos. Falharam até na moralização da vida política: Relvas ainda é ministro. Pior que isso, falharam onde governos anteriores tinham acertado. Falharam na no combate à burocracia, no acesso à educação, no reforço da independência energética e na justiça.

Portugal está hoje mais pobre, mais desigual, menos soberano e menos democrático do que era em 2011. Os sacrifícios que nos foram impostos não serviram para nada. Portanto, aceito com todo o gosto o convite do João José Cardoso para me associar a quem pede a demissão de Pedro Passos Coelho. Qualquer gesto, mesmo ineficaz, é melhor que gesto nenhum.

Luis M. Jorge

Octavio Paz/ Isabel Landázuri

Mexicanos.

O primeiro é conhecido e editado  em Portugal. Filho de um zapatista ( Octavio Paz Soriano) , muito viajado e  europeizado ( Breton, todo Breton) , rompe com o estalinismo de Neruda e amiga-se com trotskystas exilados no México ( Victor Serge, Malaquais etc). Influência  evidente nesta “Dama” (de  En Uxmal, 1955):

Todas las noche  baja al pozo

y a la mañana reaparece

con un nuevo reptil entre los brazos.

A outra é louça diferente. Pouco ou nada apreciada por cá, Isabel ( 1833-1876) é uma  referência da literatura mexicana. Usando um cliché, foi uma espécie de mana Bronte,  ou de Josefa de Lencastre,  de Guadalajara. Destruiu mitos na sua época: nem muñeca  artifcial nem matrona agenciosa, tão pouco la perfecta casada. Vivia apenas e fazia versos. Nesta pequena ficha ( na página de um matemático mexicano, sobrinho-bisneto de Isabel), encontram  o essencial, pese o poema que lá está ser fraquito. Prefiro este, cheio de ironia  actual:

Sólo la niña loca e indolente

que ni aun sombra de pena conocia,

pudo, mientras que sonreia,

expresar un dolor que no sintió.

FNV

O partido mais perverso da história política portuguesa

Se fosse num romance, as pessoas diriam que tamanha canalhice  só em ficção.

Uam operação de limpeza será inútil. É acabar com ele, marcar os artistas com ferro em brasa, exportá-los para a Madagáscar  e  fazer outro.

 

FNV

Minimalia ( XVII)

Não, não põe,  antes pelo contrário. Se o homem tivesse corrido a maratona com a filha antes  do cancro terminal, talvez pusesse.

Vive reconhecido sem esperar nada do dia de amanhã. Depois podes correr para parte nenhuma.

FNV

 

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Crónica da genialidade discreta anunciada

1) O PEC IV empobrece o país. Não ao estrangulamento fiscal. A situação internacional é uma desculpa. Sabemos  melhor.

2) Afinal temos de cortar o natalinho e outras vitualhas. A situação intenacional é terrível, mas  confiem em nós.

3) Sim, a coisa está mal mas nossas previsões são boas para 2013. Estamos no bom caminho.

4) Tudo faremos  para derrotar as nossas previsões.

FNV

Crónicas do Planeta Oval: Última Jornada do Seis Nações

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E pronto, a ronda final do Seis Nações é já amanhã. Tal como previ, o jogo do título será o Gales-Inglaterra (17h). Os bifes são a única equipa só com vitórias e com aspirações ao Grand Slam, mas os red devils vencerão o torneio por goal average, apesar da igualdade pontual, se ganharem o jogo por mais de oito pontos. Até vai ferver. Ainda por cima, a batalha é em Cardiff e os galeses, que levaram uma coça da Irlanda logo a abrir o torneio, estão a subir de forma e de confiança. Os da rosa, pelo contrário, tiveram muitas dificuldades para vencer os toscos dos italianos há uma semana e conseguiram a proeza de nem sequer marcar um ensaio (recordo que a Escócia despachou os azzurri com quatro ensaios).
No ano passado, triunfou Gales com o ensaio de Scott Williams que o boneco documenta. Amanhã, apesar de tudo, prevejo uma vitória de branco. Prognóstico arriscado, mas os pupilos de Stuart Lancaster mostraram, ao dar a volta ao jogo contra a França, que aguentam a pressão. E pressão é o que vão ter no Milenium Stadium. O público galês, o mais apaixonado do hemisfério norte, quer ver o fim dos sonhos de grandeza do velho inimigo entre sangue, suor e lágrimas.
A outra grande dúvida de amanhã é se a França, a inacreditável França, conseguirá finalmente uma vitória contra a Escócia, a primeira e única na presente edição, fugindo assim à colher de pau que recompensa o último lugar, cenário que ninguém imaginava há mês e meio. Em condições normais, diria que sim. Mas estes gauleses, com quatro derrotas e um empate, não são os normais: caiu-lhes o céu em cima da cabeça. E esta Escócia, com duas vitórias, também não é a boa e velha Escócia que ficava contente se não levasse a colher de pau. De modo que já nem digo nada.
Completa a jornada o Irlanda-Itália, que também tem os seus quês (uma onda verde de lesões) e não está no papo dos homens capitaneados por O`Driscoll. A propósito, talvez vejamos amanhã a derradeira partida do grande centro com a camisola do trevo. Enfim, emoções para todos os gostos.

PP

Responde o Pedro

Antes de ir às acusações dos meus cobloggers declinistas a Bergoglio, duas ou três ressalvas.
Alguns católicos argentinos, incluindo membros do clero, poderão ter apoiado a ditadura de Videla? Sim.
Devem esses católicos ser levados à justiça se foram cúmplices de crimes contra a humanidade? Sim, como qualquer outro cidadão.
Bergoglio apoiou a ditadura de Videla e foi cúmplice de crimes contra a humanidade? Pelo que sei até agora – não.
Sigamos o link que o Luís aqui deixou. Em síntese, o que nos diz?
Que Bergoglio foi acusado por um jornalista, no auge das suas polémicas com os Kirchner, de ter denunciado e entregado dois jesuítas à polícia militar, em 1976. Que foi levado a tribunal por esta acusação em 2010 e absolvido. Que Bergoglio se defendeu, alegando ter intercedido pelos dois padres junto de Videla, pelo contrário, e ter conseguido a sua libertação cinco meses depois. Que, apesar disso, “la querella del caso” (suponho que o correspondente ao Ministério Público, ou seja, à acusação) diz que Bergoglio “mentiu” (porquê e em quê, a notícia não diz). Que as Avós da Praça de Maio acusam Bergoglio de saber do desaparecimento de crianças, familiares dos opositores, durante a ditadura e de nada ter feito para o impedir, o que Bergoglio nega.
Eis os factos linkados. Vamos à minha interpretação. Bergoglio foi julgado pela colaboração em “crimes contra a humanidade” e absolvido, mas isso não chega porque há quem queira sentar a Igreja no banco dos réus. O Arcebispo de Buenos Aires era apenas um pretexto. Estela de Carlotto, presidente das Avós da Praça de Maio, di-lo muito claramente em 2007: “Ainda estamos à espera que a Igreja faça uma autocrítica sobre a sua actuação durante a ditadura”.
Tenho o maior respeito por esta associação e sei o que lhe deve a democracia argentina, mas não sou ingénuo. Até os que lutam sinceramente pela justiça e pela liberdade podem ter alguns pontos na agenda menos idealistas. Ao que parece, isto faz de mim um cínico, mas garanto-vos que me poupa a grandes desilusões. Repare-se na frase de Estela de Carlotto: é genérica, não distingue os católicos a favor e contra a ditadura e não apresenta qualquer prova. Convenhamos que talvez seja preciso mais para obrigar a Igreja à autocrítica, sobretudo se um Cardeal é levado a tribunal, absolvido e mesmo assim continua a ser acusado de colaboracionismo.
Acrescenta o Luís, e também o Filipe, que Bergoglio parece ter sido tão silencioso perante Videla como eloquente perante os Kirchner. Costuma acontecer. Em ditadura, por razões óbvias, as pessoas criticam menos o Governo do que em democracia. Não é só Bergoglio, é uma regra universal. Mas os meus amigos estão a esquecer-se de um ponto importante. Durante a ditadura, Bergoglio era provincial dos jesuítas: a sua voz era menos ouvida do que quando se tornou arcebispo de Buenos Aires.
E o problema não está só aí. O excesso de eloquência de que o acusam teve alvos muito concretos: o aborto e o casamento gay. Aqui para nós, não é útil para ninguém misturar crimes contra a humanidade e a oposição a medidas fracturantes. Compreendo que o Luís o faça. Estivemos em lados opostos da barricada quando estas coisas se discutiram entre nós e trocámos os devidos insultos (ganhou ele, tinha insultos muito melhores). Mas uma coisa é condenar o aborto mesmo em caso de violação, o que cai no domínio da opinião ou do princípio, outra é colaborar na detenção ilegal e na tortura de dois homens sobre os quais se tem poder hierárquico ou no desaparecimento de crianças por razões políticas, o que cai no domínio do crime contra a humanidade, do pecado gravíssimo e da canalhice. Quando se mistura tudo, como aliás faz o artigo, a invocada cumplicidade de Bergoglio com a ditadura parece um meio de desacreditar o seu antagonismo ao aborto e ao casamento gay em democracia.
Francamente, acho que todos – o Papa, as vítimas da ditadura argentina, os meus camaradas declinantes e eu próprio – merecemos um pouco mais de seriedade.

PP

Ainda sombras ( de acácia), fim

Quando escrevia sobre Ratzinger, discutindo-o e elogiando -o (  o gabinete de D. Carlos  de Azevedo chegou  a convidar-me para umas coisas mas não pude aceitar porque não sou da tribo)   recebi o fogo de um exército. Agora, porque  fiz eco  da zona  sombreada de alguém que, no mínimo,  não falou durante  a ditadura mas não  se calou  desde que há liberdade ( como o Luís sintetizou) , recebo o fogo do outro exército.

Tudo normal excepto o tom: os exércitos arrumam-me em falanges opostas  consoante  o que penso e escrevo.  As pessoas, de facto,  não gostam de leopardos.

Fiquem bem e bom fim de semana.

FNV

Minimalia (XVI)

Não é bom ter respeito à pessoa do ímpio, nem privar o justo do seu direito” (Provérbios 18:5).

Sem dúvida. Aliás, uma coisa leva à outra.

FNV

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