Lições de comunicação (2).

Estamos entendidos?

Uma parte do fracasso reside na promessa do programa, desalinhada dos objectivos do protagonista. Se lhe tivessem chamado “a bazuca”, ou algo com idêntica ressonância emocional, teria o mérito da honestidade, que o público respeita e agradece.

A decisão de o transmitir em horário idêntico àquele em que viceja Marcelo Rebelo de Sousa evoca a infelicidade de Schopenhauer na universidade de Berlim, cerca de 1820, quando insistiu em leccionar o seu curso ao mesmo tempo que Hegel. Teve cinco alunos e abandonou a academia.

Luis M. Jorge

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12 thoughts on “Lições de comunicação (2).

  1. XisPto diz:

    Calma, deixemos o homem continuar a falar. Ele é o melhor representante de uma linha política e de uma certa narrativa. Temos direito ao original, certo?

  2. Jorg diz:

    Começando pelo fim, acho que ainda hoje se sofre a prevalência de Hegel – o cepticismo de Schopenhauer é bem mais funcional, não entretem tanto…

    De resto, ‘ na mouche’ sobre o desalinhamento, ainda que tal fosse óbvio – segue outros desalinhamentos, quase de índole patológica, e isso é o diabo quando se procuram requentamentos…. Eu teria sugerido comédia negra – um ‘wicked’ Wallander, isto é mau nas horas e alarve/ressabiado nos instintos transferido para um bairro de S.Petersburgo longe de “Nevski Prospekt” ; ou melhor um Ripley da Highsmith, que recupera e enaltace aquela ‘patine’ de aridez e desolação das três da tarde de Novembro nos arredores de Gotemburgo… – mas de facto isso requeria honestidade a níveis para além do formal e juridico – e isso era pedir ao triângulo que se concedesse um ‘lifting’ libertando-se do constrangimento dos seus três lados, ficado um Mikado minguado…

  3. João. diz:

    Comparar Sócrates e Marcelo a Schopenhauer e Hegel…? Isto sim é que é viver acima das nossas possibilidades.

  4. Gustavo Santos diz:

    A outra parte do fracasso reside no facto de o homem ser uma fraude.
    – O animal feroz serve para conquistar um partido e ganhar eleições (ambas requerem o mesmo tipo de competências: muitas certezas, pouca vergonha, resistência notável).
    – O animal feroz não serve para governar (viu-se) nem para comentar (está a ver-se).

  5. Fernando Cardoso Virgílio Ferreira diz:

    Caros Luís, Filipe & C.ª, é o que dá já não ter por perto o Luís Bernardo, o tal génio do «fico melhor assim, ou assim?»…

  6. henedina diz:

    Não me posso pronunciar vi o primeiro e esqueci literalmente de ver os restantes. Sintomático.
    (estou tão cansada de palavras que nunca como agora aprecio ficar calada)

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