Antes fosse?

Compreende-se a insinuação da pista doméstica no atentado de Boston: a pista islâmica é o pior anticlímax da década. Com Obama, os americanos pareciam ter cicatrizado o 11 de Setembro. Abandonaram o Iraque e o Afeganistão, executaram sumariamente Bin Laden, ajudaram a derrubar Khadafy, fizeram os devidos filmes de Hollywood. O terror estava cada vez mais distante.
Boston mostra que, afinal, não estava. O radicalismo islâmico continua vivo e odeia a América. Como sempre. Pior do que isso, actua no coração do império. Os suspeitos eram compatriotas, viviam no país há dez anos e até se tinham naturalizado. É o maior medo de qualquer sociedade: o mal invisível no meio de nós. O padrão repete o dos imigrantes de segunda geração que puseram bombas no Metro e nos autocarros de Londres ou o do filho de magrebinos que matava judeus no sul de França.
Há aqui um problema delicadíssimo de integração. Tratá-lo apenas como uma questão étnica ou religiosa lança a desconfiança sobre uma comunidade inteira, mas ignorar o paralelismo entre todos estes actos arrisca novas surpresas fatais. Seria mais simples se estivéssemos a lidar com maluquinhos louros do Bible belt, mas tudo indica que não é assim. Antes fosse?

PP

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14 thoughts on “Antes fosse?

  1. O tio diz aqui (http://www.bbc.co.uk/news/world-us-canada-22219116): »There had never been any apparent sign of “hatred toward the US” or else he would have turned them over to the police himself, he added.

    Asked what he thought provoked the bombings, the uncle said: “Being losers, hatred to those who were able to settle themselves.

    “These are the only reasons I can imagine of. Anything else, anything else to do with religion, with Islam, it’s a fraud, it’s a fake.”»

    Será a vingança dos losers?

    • fnvv diz:

      Atenção que as ligações as diversas brigadas islâmicas não tem nada a ver com “Islão”.

    • ppicoito diz:

      Talvez, mas a pergunta é qual é a relação entre essa vingança e a sua aparente aproximação do Islão nos últimos tempos. Por outras palavras, uma coisa é ser um inadaptado e um ressentido, outra coisa é pôr bombas. Para passar dali para aqui faz falta um motivo muito forte. Será o radicalismo islâmico esse motivo?

  2. João. diz:

    Ninguém fala dos drones do Obama, ninguém fala como para matar um terrorista se considera aceitável inúmeras baixas civís – isto sistematicamente.

    Mas a verdade é simples: são árabes, são não-ocidentais, portanto que se fod@.

    http://edition.cnn.com/2013/03/15/world/asia/u-n-drone-objections

    http://www.dailymail.co.uk/news/article-2208307/Americas-deadly-double-tap-drone-attacks-killing-49-people-known-terrorist-Pakistan.html

    http://www.infowars.com/pakistan-interior-minister-80-killed-by-drones-are-innocents/

  3. caramelo diz:

    O “mal invisivel no meio de nós” sempre esteve presente na América e em qualquer sociedade e não chegou com os imigrantes. Pode ser o vizinho do lado, um “maluquinho loiro do bible belt”, também com problemas de integração, que pega numa arma automática e invade um liceu ou um cinema ou explode um edifício governamental. Há muito americano da decima geração que pensa que a América está hoje tomada pelo demónio. Não é só um problema de maluquice, é ideológico mesmo. A resposta a “Antes fosse?”, parece-me ser Não.
    Não sei se na imprensa americana se tinha avançado a hipótese do terrorismo doméstico, ou antes “louro”, e tenho acompanhado mais ou menos pelo menos a cnn e o ny times, nem se isto lá será considerado anti-climax. Parece-me que desde muito cedo se avançou a hipótese de uma conexão ao radicalismo islâmico, tendo como base a origem tchetchena dos autores.
    Atenção que são muitos raros na américa estes actos de terrorismo “estrangeiro”. Doze anos depois do 11.9, parece-me ser o primeiro em território americano, se não estou enganado, e mesmo na Europa, mais permeável, são raros, apesar de muitos comentadores ocidentais continuarem incessantemente a martelar a tecla do ódio do Islão (não só o radicalismo islâmico) ao ocidente e à américa, em particular.
    Fala-se que isto pode prejudicar as novas propostas legislativas sobre a legalização de emigrantes e vai haver quem o aproveite neste sentido. Seria importante que não se estigmatisassem as comunidades imigrantes, em nome de uma suposta especificidade destes actos. Não me parece que haja qualquer problema delicadissimo de integração dos emigrantes, antes um problema delicadíssimo na maneira com isto se pode tratar.

    • ppicoito diz:

      Here we go again. É claro que o mal invisível pode ser o ariano de bíblia e suástica, mas esse já os americanos conhecem. A novidade é que agora o terrorista é maericano e muçulmano. Isso é que levanta problemas de integração, como levantaria no caso do maluquinho loiro. Mas é um problema novo na América, é esse o ponto. Quanto à Europa, só quem está desatento é que pode negar que há um problema com de integração com os muçulmanos. Não vale a pena entrar em histeria porque as sociedades modernas têm os recursos suficientes para lidar com o chamado multiculturalismo, mas também revela alguma cegueira ignorar deliberadamente a delicadez do problema.

  4. caramelo diz:

    Sobre as distorções na percepção, no estado e na sociedade, e diferentes respostas, de um acto terrorista praticado por um maluquinho louro do bible belt, por um lado, e de um islâmico, por outro, um artigo interessante:

    http://www.salon.com/2013/04/16/lets_hope_the_boston_marathon_bomber_is_a_white_american/

  5. ppicoito diz:

    Ainda consegui ler até à frase do “white male privilege”. Quando cheguei a essa parte, tomei a decisão de perder o meu rico tempo com outras parvoíces.

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