Antes fosse? (2)

O meu último post provocou alguns comentários previsíveis. Que não há nenhuma relação entre o atentado de Boston e o islamismo dos seus autores, que os dois terroristas são apenas frustrados para os quais o Islão não passa de um pretexto, que os muçulmanos representam tanto um problema na Europa ou na América como a extrema-direita, que lançar o manto da desconfiança sobre toda a comunidade islâmica é racismo, que não se pode generalizar, etc.
Pois bem. Há alguma verdade em todos estes atalhos para fugir aos factos, mas não é por repetirmos frases feitas que a realidade muda.
E a realidade é esta: o atentado de Boston obriga-nos a fazer várias perguntas. Por que razão imigrantes muçulmanos de segunda geração, já distantes das suas raízes étnicas e religiosas, se voltam para o Islão quando o ressentimento contra o modo de vida ocidental passa à violência? Por que razão o seu islamismo assume uma forma mais radical do que o dos seus pais? Por que razão a sua expectativa em relação à sociedade em que vivem é tão diferente?
Depois de Obama, a América deixou de fazer estas perguntas porque pensou que já não tinha um problema com o terrorismo e muito menos com a imigração islâmica. Boston veio mostrar que esta falsa segurança pode ser trágica. Quando trocamos perguntas incómodas por meias verdades, a resposta chega sem bater à porta. Ou bate, mas com uma explosão.

PP

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5 thoughts on “Antes fosse? (2)

  1. Paulo diz:

    Sim.
    Entretanto, do médio oriente só se dizem inteirissimas verdades e as respostas rebentam-lhes as portas todos os dias

  2. «Depois de Obama, a América deixou de fazer estas perguntas porque pensou que já não tinha um problema com o terrorismo e muito menos com a imigração islâmica. Boston veio mostrar que esta falsa segurança pode ser trágica.» Que América é que deixou de fazer essas pperguntas? Certamente não foram as suas agências governamentais. Ainda no outro dia mataram o consul americano em Bengazi. Estes bombistas tinham sido interrogados há uns tempos pelo FMI. A América deixou de fazer perguntas? Só os distraídos que nunca as fizeram…

  3. caramelo diz:

    Na caixa de comentários do seu post anterior, o Pedro mostrou-se mais hesitante e contemporarizador do que agora sobre alguns desses “atalhos para fugir aos factos”, em resposta a alguns dos seus comentadores. Está agora impaciente, exigindo, com este caso como pretexto, respostas globais sobre a imigração islâmica e o ressentimento de jovens da segunda geração contra o modo de vida ocidental. Esse é que é um atalho para se chegar mais rapidamente a conclusões apressadas. Não está em investigação a imigração islâmica, mas um atentado cometido por dois irmãos, um dos quais, vai-se agora descobrindo, tem um historial de violência, sendo muito provável (é só uma hipótese) que o mais novo tenha agido com ele por uma questão de ascedência e lealdade, não por razões doutrinais. A única coisa que podemos fazer por agora é procurar não generalizar.
    Por acaso, ao contrário do que diz, parte da “América” (A “América”, o que é?) nunca deixou de pensar que tem um problema com a imigração islâmica. Outra América questiona isso. É a América que pensa, e bem, que não tem um problema com a imigração islâmica, tem um problema com a violência, que não é de agora, nem nasceu com o terrorismo praticado em nome do Islão. Sobre isso, linkei ali em baixo um artigo do salon, julgando que seria útil, e o Pedro desprezou-o de forma liminar porque encontrou uma expressão de que não gostou, suponho que por a achar “politicamente correta”. Acontece que o reverso do politicamente correto pode ser tão ou mais cego. No caso, ignorar que existe um white male privilege, é ignorar, para mais, séculos de história e especificamente aquela América (também a há) que é constituída por cidadãos americanos islâmicos, ou imigrantes, que apenas querem fazer a sua vida, e esses são praticamente todos, e que vivem acossados e olhados com desconfiança desde o 11.9., e que terão o “privilégio” de serem vigiados mais de perto pelas autoridades e pelos seus vizinhos.

  4. Cr diz:

    Ver e ouvir Olavo de Cravlho entre outros.

  5. Cr diz:

    Olavo de Carvalho

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