Et in arcadia ego

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Com a idade, começo a perder paciência para algumas tretas recorrentes. Por exemplo, para a conversa de que falta cumprir Abril, não vivemos em democracia, dos três Ds da revolução há um por fazer, não foi para ter Passos e a troika que lutámos pela liberdade, etc.
Portugal é hoje mais democrático, mais livre, mais rico (ou menos pobre), mais igualitário (ou menos desigual) e até, ó heresia, mais fraterno do que era antes do 25 de Abril – seja qual for o ponto de vista, a escala, o conjunto de indicadores que se use. Não é uma sociedade perfeita, mas não há sociedades perfeitas.
Negar esta evidência em nome da utopia é esquecer que a democracia é o regime em que até Passos pode ganhar eleições.
Há muito por fazer? Há, mas depende de nós.
O governo é mau? É, mas foi eleito.
Podemos não gostar (eu não gosto), mas a única alternativa democrática é votar contra ele (ou não votar nele). Os nostálgicos de um Abril-por-cumprir estão mais próximos do pré-Abril do que pensam.

PP

8 thoughts on “Et in arcadia ego

  1. João. diz:

    A mim interessa-me antes os que dizem que Abril se cumpriu, e dizem-no mesmo quando já temos 1 milhão de desempregados e quase nenhumas perspectivas de recuperação.

    Esses são a quem devemos prestar atenção – mas não falo do Pedro, falo de pessoal com poder seja financeiro e económico, seja político.

    • ppicoito diz:

      Preferia o que havia antes? Eu também não, e pela mesma razão: porque em democracia há sempre “perspectivas de recuperação”. A possibilidade de mudar de políticas pelo voto é a essência da democracia.

      • João. diz:

        pois é, mas tentam convencer-nos que não há alternativa, não é assim – eu ouço e leio isso todos os dias?

  2. henedina diz:

    “é esquecer que a democracia é o regime em que até Passos pode ganhar eleições.”
    É mais ao menos como dizer que existe Deus porque o mar é salgado e se fosse com a razão tinha de ser água potável, por isso, só pode ser uma afirmação da existencia de Deus. (AC)
    Mas com a frase entre aspas vai ter todos a concordar com a “sua” democracia Pedro.

  3. Miguel diz:

    Tudo depende de como se lê o não se fez o 25 de Abril para isto. Por exemplo:

    Antes do 25 de Abril:

    Não discutimos Deus e a virtude; não discutimos a Pátria e a sua História; não discutimos a autoridade e o seu prestígio; não discutimos a família e a sua moral; não discutimos a glória do trabalho e o seu dever.

    Hoje:

    Não discutimos a Troika, não discutimos a austeridade, não discutimos jubileus para a dívida, não discutimos os méritos da justiça social face à competitividade económica a todo o custo, não discutimos nenhuma alternativa política ou social.

    *********

    Agora, que hoje estamos muito melhor do que antes do 25 de Abril, de acordo; que em democracia Passos pode ser eleito, de acordo. Mas isso são considerações absolutamente triviais e tão consensuais quanto possível numa sociedade.

  4. cc diz:

    Absolutamente de acordo. excetuando que antes o rumo parecia certo e se tratava apenas de lá chegar e agora o rumo é incerto e não poucas certezas sobre o que precisamos mudar e sobre o modo de o fazer.
    ~CC~

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