No saco e sem saco

Ausente uns dias, constato, sem  surpresa, que um discurso de Cavaco a sublinhar a desnecessidade de  fazer eleições intercalares  enquanto estamos amarrados  a  receber  o dinheiro  necessário para pagar os ordenados de médicos e professores, e isto  num país falido e entregue  aos bichos,  foi recebido como o maior ataque à democracia desde o discurso de Almada  do Vasco Gonçalves.

Bem, no meu saco trouxe coisas boas.  Entre outras, uma  edição de 1950 de The Cocktail Party, na qual Eliot mandou publicar o elenco da primeira apresentação pública da peça ( um ano antes, no Festival de Edimburgo), bem como a pauta de One-eyed Riley. Também de chupeta, uma preciosidade para os coleccionadores de afrikana: Sport in Brittish Burmah, Assam and the Cassyah and Jyntia Hills, do Ten-Col. Pollok, 1879, de um tempo em que depois de disparar as double-barreled, uma nuvem de fumo negro ( cordite)  não deixava perceber se o bicho estava morto ou se o caçador  já estava quase.

FNV

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16 thoughts on “No saco e sem saco

  1. caramelo diz:

    Foste por uns dias, regressaste, e encontraste o país a receber dinheiro para funcionar normalmente, com um presidente que é uma espécie de roosevelt? Foste para onde? Também quero ir lá.

    • fnvv diz:

      Sabes o que quero? Que se lixe a Troika, quero o PCP e o BE e o Boaventura e o Garcia Pereira e a TSF e o Publico no poder. Quero o meu banco nacionalizado e a minha hipoteca resolvida, quero deixar de ter d e trabalhar e ter doentes para ver, quero ter a minha crise dos 50 no regresso ao CITAC e fumar outra vez uns charros, beber e coisar largo e escrevinhar umas cenas e curtir à maneira.
      Juro.

      • caramelo diz:

        E voltar a descer as escadinhas do etc… etc. Eu não queria tanto, pá, só uma vida simples. Correr com estes gajos, por exemplo; não sou lunático nem ambicioso.

      • fnvv diz:

        Expliquei-me mal: o regresso ao passado era só porque ficava desocupado ( o pessoal ficava sem guito para as consultas).
        Ai só queres correr com estes gajos? Queres ficar amarrado à Troika, mas com outros gajos? E dizes tu que és simples, quando na verdade és um gourmet.

      • caramelo diz:

        É, com outros gajos, já não posso com estes. E então, no passado, a malta ficava sem guito para as consultas? Que mau que era. E que mais coisas más é que havia. papá?

      • fnvv diz:

        É o que eu digo, já não sei escrever: regressso ao meu passado, em que não trabalhava, quando era novo e tal.
        Desta vez julgo que não restam dúvidas.

      • Fernando Antolin diz:

        Perfilhe-me !! Também quero ir !! Já não dou trabalho, como de tudo, visto-me sozinho. Vá lá !!

  2. João. diz:

    É bom ver bem o que diz Cavaco. Na parte mais polémica ele diz que não se deve explorar politicamente a ansiedade dos portugueses devida à incerteza em que se vêm, nomeadamente sem saber se o troikismo vale a pena ou não.

    O que é que isto quer dizer?

    Que a situação é de incerteza, que não se sabe se o que estamos a fazer é melhor ou pior e não só no que respeita à troika como no que respeita aos conflitos políticos. Ou seja, Cavaco não sabe o que está a acontecer, não sabe para onde vai o país e, portanto, acha que o melhor é deixar ir sem fazer ondas. É isto. O resto, para mim, é conversa.

    • João. diz:

      “…devida à incerteza em que se vêem”

    • fnvv diz:

      O regresso da direita islandesa ao poder, a mesma que levou o país à bancarrota? ” Fadiga da austeridade”.
      Bom proveito, João.

      • João. diz:

        Você simplesmente aderiu ao discurso de que fora da troika e do Cavaco não há salvação. Faça bom proveito.

      • fnvv diz:

        Pois pois , atire para o lado, no mensageiro, onde quiser, mas atribuir-me coisas que não escrevi já lhe disse que não o autorizo nem a ninguém.

      • João. diz:

        Você, assim me parece, pensa que pode manter-se à margem, que pode criticar tudo e todos sem que isso não tenha consequências políticas. Se tudo é igualmente criticável, e não há uma alternativa porque valha a pena colocar o nosso nome, então vale, por default, o que está em vigência – vale o governo actual mais o Presidente deles.

      • fnvv diz:

        Errado. Há alternativas sim senhor. Dou exemplos de levantamento e insubordinação no post Eleições-com a verdade me enganas.
        E darei mais.

  3. […] Esgotámos o estoque da indignação e deixámos apodrecer o do escândalo: falta-nos só um bocadinho, o Filipe resume-o bem, para esgotarmos as reservas de absurdo. […]

  4. palavrossavrvs diz:

    O PS vive o seu delírio e a sua festa, quase acredita no que promete com dinheiro duvidoso [não foi por falta de dinheiro que falimos: falimos apesar de décadas com juros baixos e excesso de ideias-obras públicas nos Governos].

    Quando e se estes gajos forem corridos haveremos de querer correr com os outros gajos que já corremos para completar o circuito islandês. Bizâncio colapsou por muito menos que isto.

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