Eleições: com a verdade me enganas

Das duas uma: ou ganha o PS ou ganha a esquerda revolucionária.

Ganhando o PS, ganhamos todos. Em amnésia. O último governo socialista era, para a esquerda mediática -radical, uma lura de negociatas, Sócrates um quase-fascista etc. Como este PS diz que cumprirá o troikismo, estamos  conversados.

A esquerda revolucionária nunca ganha em eleições. Pode, portanto, assumir sempre o papel de padreco moralista, distribuindo vitupérios a torto e  a direito, prometendo a salvação  num inferno  vindouro. Temos pena, Insisto que a cura seria essencial: dois anos de comunismo-trotskysmo  e passavam a ter a votação do Garcia Pereira em quaisquer eleições.

A alternativa não irá  a votos  O PS socrático, vitaminado com dissidentes do Bloco, a meio caminho entre o segurismo e os herdeiros do Terror moderno, está reduzido ao twitter e aos blogues.

Assim sendo, convém não repetir o mesmo erro duas vezes. Este governo deve ficar até ao fim para poder  confirmar que, salvo honrosas excepções,  foi extraído de uma comandita aparelhística sem categoria,  que jurava às criancinhas  nunca cortar o subsídio de Natal. Tal como o de Sócrates deveria ter cumprido o mandato para todos  termos verificado a excelência dos PEC’s.

Já sei: Então qual é a solução? No plano partidário, nenhuma, óbvio. A Assembleia da República, se ouviram o discurso miserável  ( uma colecçção de horrorosos lugares comuns  capaz de fazer corar  a pior aluna de um curso de letras) da sua presidenta no 25 de Abril, está inerme.  No plano político, várias, mas seria necessário que a maioria silenciosa se pronunciasse. Seria necessário que investigadores, juizes, médicos, militares e muitos outros,  saíssem da couve e opusessem resistência activa. As greves só são autorizadas quando há reivindicações salariais? Por que motivo os médicos e os juizes, por exemplo, não podem , em forma de protesto, fazer uma greve de quinze dias? Por que motivo os professores universitários não podem suspender as aulas durante um mês? Por que motivo os brilhantes analistas mediáticos, num assomo de  civismo, não podem recusar analisar  durante três semanas?

Recordando Borges, não sei se seremos suficientemente  civilizados  para alcançar esta forma de anarquismo.

FNV

8 thoughts on “Eleições: com a verdade me enganas

  1. palavrossavrvs diz:

    Andas a ler-me, Filipe.

    Ninguém se organiza ou se une para partir os dentes ao hipertroykismo porque o estupor é geral: a sociedade civil é uma soma de covardias e de condescendências com o PS nefelibata de regresso às ladradelas triunfais e a descer paulatinamente nas sondagens por se abster de cooperar em soluções em tempo útil: quem pariu fechando os olhos aos 3000 milhões em swaps desorçamentados?, quem assinou as brutais PPP para mais tarde pagar?, quem nacionalizou o hemisfério podre do BPN?, quem cavou dívida e mais dívida atirada para as calendas? O PS que fodeu com tudo não estende a mão ao PSD-PP gasparista que fode com tudo para pagar todas as surpresas que não param de brotar.

    O tempo das desorçamentações acabou. Por isso a dívida escala. Os juros explodem-nos na cara e os Congressos em Festa cospem-nos politiquice e tacticismo merdoso. Malicioso e repleto de lodo, Sócrates amerdalhiza o comentário na pantanosa RTP.

    A Alemanha continua grávida da sua própria hegemonia, gestação que nos tragará.

  2. cristiana fernandes diz:

    Concordo. Mas no que diz respeito aos juízes ( que conheço bem, por dentro), só quando lhe diminuirem o salário para níveis de professor do secundário é que eles se mexem – são, dcisivamente, uma “carreira muito carreirista” ( salvo honrosas excepções que não contam, porque precisamente não são carreiristas).

  3. Fernando Cardoso Virgílio Ferreira diz:

    Caro Filipe: “Por que motivo os médicos e os juizes, por exemplo, não podem, em forma de protesto, fazer uma greve de quinze dias? Por que motivo os professores universitários não podem suspender as aulas durante um mês? Por que motivo os brilhantes analistas mediáticos, num assomo de civismo, não podem recusar analisar durante três semanas?”`
    É muito simples: falta de “guito”…

  4. João. diz:

    “A esquerda revolucionária nunca ganha em eleições. Pode, portanto, assumir sempre o papel de padreco moralista, distribuindo vitupérios a torto e a direito, prometendo a salvação num inferno vindouro”

    – você deve viver no mato e vir à cidade uma vez por dia só para mandar uns posts. Mas há partidos mais envolvidos em distribuir vitupérios a torto e a direito do que o PSD e o PS?

    • fnvv diz:

      É isso vivo num buraco, afastado da realidade, preso ao passado e dependo de pessoas como vc para me explicar a realidade.
      ( o Caramelo costumava-me dizer isso mas depois melhorou)

  5. Fernando Antolin diz:

    Hear, hear.

    ( e de culinárias, o que me diz ? )

  6. João. diz:

    A esquerda que você critica é a que defende esses movimentos de insurreição. O que não pode fazer é obrigar as pessoas à greve, a vir para a rua, embora se coloque do lado dos grevistas quando, no decurso de uma greve, vemos a oposição a falar dos prejuizos que causam a quem quer trabalhar, etc, etc

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