Monthly Archives: Abril 2013

Embuste, conspiração, papa-areias

Estão todos feitos com o Gaspar, o Passos e o  independente Pedro Lomba ( que agora  está com eles e a quem aproveito para desejar boa sorte). Quem  é  que se lembra de mexer uma palha por causa de 1,3 mil milhões de  euros? Francamente…

Noutro azimute, mais uma má notícia, porque vai, talvez,  arrefecer o cântico do “não pagamos  não pagamos! ” e congelar outras medidas fabulosas dos novos pequenos  génios discretos  da oposição ( parlamentar, bloguística, mediática , taxística etc). Haja esperança nos rapazes…

FNV

Margaret Thatcher (1925-2013)

thatcher1
Acabo de ler este discurso de Margaret Thatcher, a melhor síntese que conheço da sua visão do mundo. Proferido em 1996, no Westminster College (Fulton, Missouri, USA), comemorava o 50º aniversário de outro célebre discurso de um PM britânico: aquele em que Winston Churchill, no mesmo local, usara pela primeira vez a expressão “Cortina de Ferro” e advertira para a formação de um bloco soviético no Leste europeu. Que Thatcher, a quem o Pravda tinha baptizado de “Iron Lady”, evocasse o nascimento da “Iron Curtain”, cinco anos depois do seu fim, não é a única ironia que estas palavras me trazem à memória. É também profundamente irónico que a vitória do Ocidente (um conceito que a senhora usa sem a menor sombra de remorso) sobre a União Soviética nos tenha conduzido a um estado de coisas, o famoso “fim da história”, que fez de políticos como Thatcher uma espécie em extinção. Lê-se aquilo e a comparação com o presente é dolorosa. Porque tudo o que lá está – a absoluta clareza de ideias e princípios, o juízo moral da política, a consciência da responsabilidade histórica, a recusa de utopias e messianismos, o realismo na acção (que alguns confundem com cinismo), a fé nos individuos e na liberdade (que alguns confundem com individualismo), a convicção inabalável de que são os homens que fazem a história e não o contrário, a desconfiança em instituições internacionais distantes dos interesses nacionais, em resumo, o conservadorismo – só ganha eleições em tempo de escolhas mais dramáticas e mais simples. Nós ou o comunismo. Eu ou o dilúvio. Esta política quase a preto e branco revelou estadistas de uma grandeza hoje ausente em parte incerta. Não é preciso ter lido Tocqueville para saber que a mediocridade é o preço a pagar pelo triunfo da democracia – basta olhar à nossa volta.
Isto não significa que Thatcher, Reagan, Kohl, Gorbachov ou até Mitterrand sejam hoje impossíveis. Significa que os políticos de então prometiam tempos difíceis e ganhavam eleições porque todos sabiam que os tempos eram difíceis. Talvez a grande diferença seja essa: a demagogia era mais rara.
Vejamos o discurso de Fulton. Em meia dúzia de páginas, Thatcher cita Hobsbawm (com humor britânico, atribui ao “historiador marxista” a descrição da “Golden Age of Capitalism”…), o próprio Marx (para dizer que tinham sido as ideias de Churchill a mudar a história e não as “forças” anunciadas pelo marxismo), Martin Gilbert, Hobbes, Clausewitz, Frederico o Grande (a quem reserva a melhor punch line : diplomacia sem armas é música sem instrumentos) e Jonathan Swift. Nada mau para quem supostamente desprezava os intelectuais. Mas nenhuma das citações procura qualquer efeito retórico. Pelo contrário, são a expressão exacta de um pensamento em que a clareza não nasce do simplismo e a complexidade não morre na indiferença. Thatcher sabia o que queria e lutava por isso, não apenas porque fosse determinada, mas porque tinha convicções. Se a política era para ela a escolha do mal menor, era-o por acreditar no bem comum. Como diz aqui, “it is often the case in foreign affairs that statesmen are dealing with problems for which there is no ready solution. They must manage them as best they can.”
Este realismo ajuda a perceber os seus “erros”. A condenação do ANC não representava a aprovação do apartheid, mas o receio das origens socialistas de um movimento que nunca abandonou explicitamente a luta armada – tal como o IRA. O braço de ferro com os activistas irlandeses que morreram em greve de fome, entre os quais Bobby Sands, foi causado pela recusa em conceder-lhe o estatuto de presos políticos, o que seria reconhecer ao IRA a natureza de movimento de libertação e não a de organização terrorista. A “amizadde” com Pinochet traduzia o agradecimento a um regime, a ditadura chilena, que deu a Downing Street informações preciosas sobre a actividade militar argentina na guerra das Malvinas. A aversão ao euro e à União Europeia não era teimosia nacionalista, mas preocupação com a perda de soberania das nações europeias e, portanto, com o tão proclamado (pela esquerda e virtuosamente, claro está) défice democrático da Europa.
Thatcher sacrificou sempre a popularidade ao realismo. Essa foi a sua força e a sua fraqueza. Ninguém lhe perdoou. Nem os companheiros de partido, que a traíram por cobardia, nem os adversários de sempre, que a odiaram até ao fim.
Grande lição.
Grande mulher.

PP

Tentando

Já nem sei se vale  a pena tentar  usar os miolos, mas vai-se tentando. Este governo , se não estivesse sequestrado pelo aparelho autárquico que o pôs lá, pura  e simplesmente devia ir embora.  E amanhã. Que diabo: Guteres pôde provocar eleições só porque perdeu umas regionais – e isto no tempo das vacas bem gordas – e agora não podemos deixar essa enorme massa  de novos pequenos génios discretos ( ainda  há bocado encontrei quatro no meu terraço)   solucionar a situação?

Havia um tipo que  entendia  que um governo só deve governar com o seu orçamento. Pois, mas como estamos em clima de guerra civil de virgens loucas, suponho que não adianta  muito lembrar esta pastosa  evidência.

FNV

“Passou-se”.

Devemos ser “sensatos” e “razoáveis”, e tal, as coisas não são bem como diz o Pacheco. Aliás, Lobo Xavier “desmontou” não sei o quê. O leitor tem dúvidas? Nesse caso chegou a altura de consultarmos uma ex-ministra das finanças. Por exemplo, a doutora Manela:

“O país está a ser destruído”, afirmou, considerando que o despacho do ministro da Finanças que “congela” os gastos do Estado faz parte da “dramatização e teatralização”. “É um despacho totalmente ineficaz”

“Ineficaz”? Ó Manela, isso é pressão mediática da esquerda. Daqui a pouco está a criticar a austeridade:

“Fiquei perplexa por não verem isto [decisão do TC] como uma oportunidade, mas como uma contrariedade. (…) Vão insistir na austeridade. (…) Não estamos a chegar a ponto nenhum”.

Ai, que temos o caldo entornado. Você não percebe que “não há alternativas”?  Vou ler o Pedro Lains:

É preciso manter a cabeça fria. Note-se bem, sem dúvidas, sem hesitações, coerentemente, sem especulação: o presente Governo está a levar Portugal pelo caminho que a Grécia tem seguido nos últimos 4 a 5 anos. Que não haja dúvidas sobre isso. Portugal não está a seguir nem a Irlanda, nem Espanha, nem Itália. Está a seguir a Grécia. Em economia, com números, estas coisas não deixam margem para dúvidas. Sob uma comprovada espiral recessiva, o Governo continua a tomar medidas recessivas. Há alternativas? Há sempre. O Governo podia começar por não fazer o que está a fazer com gosto. A seguir, podia tentar não fazer o que está a fazer.

 

Meu caro Pedro, todos sabemos que o meu amigo tem um prazer doentio em criticar este governo, mas escusava de ignorar os efeitos funestos da decisão do Tribunal Constitucional que pôs em risco patã-patã-blá-blá-blá-blá. Felizmente temos na blogosfera bons economistas de direita, habituados à realpolitik dos mercados, que valorizam o equilíbrio financeiro e a produtividade.

Luis Aguiar-Conraria:

Fico com a ideia de que os tempos são de demasiada gravidade para ter à frente da pasta mais importante do Governo um tipo que se passa com esta regularidade, tomando decisões inúteis e com custos irreversíveis.

É impossível uma pessoa não se lembrar da reacção de Mário Soares quando o seu ministro Ernâni Lopes, que tinha uma missão semelhante à de Gaspar, lhe telefonou a dizer que no dia seguinte não haveria dinheiro para pagar salários. Soares respondeu-lhe que tinha de ir dormir porque, a ser verdade tal informação, precisaria da cabeça fresca no dia seguinte. Esta é uma das diferenças de ter um primeiro-ministro a sério e ter Passos Coelho. Com um primeiro-ministro a sério não há lugar para loucuras feitas de cabeça quente.

Mário Soares? Aquele Mário Soares? Ó Luis, que desconsolo.

Luis M. Jorge

Laboratório ( encore)

Muito bem apanhado: Bruno de Carvalho,  um aldrabão confirmado.

É  espantoso e motivador ver como ainda assim há pessoas a acreditar  nos bufarinheiros que o promovem nos media.

Barbas de molho, barbas de molho…

FNV

 

Outra questão patafísica importante

Já me debrucei tantas vezes sobre o assunto que até sofro de vertigens, mas nunca vos trouxe esta aresta: Um rabo fabuloso fica melhor de saia ou de calças? Isto ocorreu-me hoje quando, à saída do Pingo Doce,  deparei com dois 6,8-6,9  ( nada mau para aquela hora e numa situação de resgate) nos respectivos encaixes: saia e calças.

Como disse o grande João Pardal (  numa convenção de caçadores sul-africanos, em meados de 50), a melhor arma é aquela que tem um bom caçador a segurá-la. Ora, começo por estatuir que, seja em calças ou saias, o que é preciso é sempre algo acima do 6,6. Redondo, cheio, contudo gracioso, rebolado  sem exagero, empinado na medida certa. Sim, dizem vocês, mas saia ou calças?

Karl  Dumett, em “An introduction to possibistic  and fuzzy logic’s of marvellous asses” ( 1999) ,  defende que a saia confere ao rabo a  ilusão dinâmica que as calças aprisionam. Já Roger Lequier, em  “Le livre du gentil et des trois sages des culs “( 2010),  entende que as calças  racionalizam a autopoiese  do rabo, uma vez que lhe oferecem uma relação continente-conteúdo para além da verdade platónica dos sentidos.

Confesso a minha preferência pela saia.  Tomemos um 8,1-8,2. As calças  apresentam-no  inteiro, desarmado, total. Uma saia curta ( não mini) hipnotiza-nos na infinitude das formas, na maravilhosa possibilidade de o ver com vida própria, não apenas do movimento ( como diz Dumett), mas da disclosure ( revelação). É como se  ( já) fosse nosso.

FNV

Censurado nos media lusos

Amordaçados pelos  patrões da direita neoliberal, mas como não  quero que vos falte nada: depois  da aparição do  passarinho, o orgulho de qualquer marxista -leninista.

FNV

Notas.

1. Deve ser outra vez “a pressão mediática da esquerda”: por estes dias só oiço jornalistas a darem como facto consumado que a sentença do Tribunal Constitucional “obrigará” o governo a fazer novos cortes. Se o assunto fosse Chavez ou o Fidel tinha o Filipe à perna aqui no blogue. Assim, é a vida.

2.Gustavo Cardoso escreveu um bom texto sobre a austeridade para cabeças duras. Leiam este trecho:

Aproximando-nos do ano cinco da Era da Crise podemos já apontar o que coloca no mesmo plano Portugal, Irlanda, Itália, Grécia, Espanha (e agora Chipre): uma dica, não é a dívida do Estado o problema que os une, ou melhor não era antes dos resgates formais e informais, pois desde que foram sendo resgatados as dívidas públicas cresceram ainda mais – se o leitor tiver dúvidas procure na Internet por “McKinsey Global Institute, Debt and deleveraging” e veja a divisão de responsabilidades destes países às datas dos resgates relativamente às percentagens das dívidas das famílias, empresas não financeiras, financeiras e Estado.

Na realidade o que torna similar estes países (excepto a Grécia) é que neles a crise não foi gerada por se gastar demais no sector público (nem em Portugal, nem na Espanha, nem na Irlanda, nem na Itália, nem em…Chipre). O elemento verdadeiramente unificador é que, em todos, os seus problemas começaram na Banca (pelo excesso de crédito que acumularam e pelas debilidades, por vezes quase criminosas, que assumiram) e hoje na banca continuam devido às responsabilidades que todos os governos tiveram que assumir pelos erros cometidos no sector bancário.

3. No mesmo jornal, Maria João Rodrigues faz um dos melhores artigos que tenho lido a respeito do modo como nos devemos comportar na Europa:

“Se Portugal quiser sair da armadilha em que está metido, terá que enviar a mensagem certa para o sítio certo.

O sítio certo não é só a equipa da troika que vem a Portugal, nem só o Ecofin e o Eurogrupo. O que está em causa em Portugal e na zona euro não é só financeiro ou económico, é político ao último grau, porque tem a ver com viabilidade desta zona, da integração europeia e dos nossos sistemas democráticos, tal como os conhecemos hoje. O sítio certo é a instância máxima de condução da união económica e monetária, que é a cimeira da zona euro, composta pelos primeiros-ministros dos países que dela fazem parte e que acabou de ser institucionalizada no último Conselho Europeu de 14-15 de Março. É esta cimeira que tem poderes para instruir o Eurogrupo e as equipas da troika. E é nesta cimeira que grandes opções têm de ser feitas com plena assunção das suas implicações financeiras, sociais e políticas.

A mensagem certa tem de ser articulada em poucas ideias simples e claras, mas baseadas num domínio profundo dos assuntos em causa: somos responsáveis, confiáveis e temos objectivos claros; fizemos um esforço notável, mas vamos a caminho do desastre; queremos discutir os termos da escolha europeia e a nossa proposta; temos uma visão sobre como a Europa deveria funcionar. (…)

Neste novo quadro, quais são os verdadeiros termos da escolha que se coloca à União Europeia? Essa escolha já não é entre ser firme nas exigências de acelerar reformas e de reduzir o défice público para permitir o regresso ao financiamento pelos mercados, ou então ser mais complacente e atrasar esse regresso, arcando com os encargos financeiros correspondentes. É antes entre empurrar o país para a espiral recessiva que dificultará esse regresso aos mercados, porque poucos quererão investir num país de economia devastada, ou dar-lhe condições para ele travar a espiral recessiva, retomar a o crescimento, fazer as reformas necessárias e pagar as suas dívidas.

A nossa proposta deveria agora assumir como objectivo central esta segunda opção. Medidas de apoio ao crescimento deveriam estar no topo: crédito para as PME, incentivos fiscais para as exportações, fundos estruturais e BEI mais eficazes no apoio a projectos de futuro. A consolidação orçamental tem de prosseguir com real esforço para a racionalização da despesa, mas com uma regra de ouro que é a de não destruir potencial produtivo ou minar os mecanismos de coesão social. É sempre bom lembrar, de acordo com a boa tradição europeia, que o Estado social não é só um custo, é um investimento nas pessoas que alavanca a produtividade e sustenta a procura interna. A sua sustentabilidade exige reformas regulares, mas o seu melhor garante é um nível elevado de emprego. As condições de financiamento externo deveriam ser revistas em conformidade, de taxas de juro, prazos a instrumentos a utilizar.

Mas esta estratégia de real ultrapassagem da crise só será consumada se o enquadramento europeu evoluir no sentido de uma união económica e monetária mais completa, ou seja: dotada de uma união bancária que normalize o acesso ao crédito; duma união económica que coordene as políticas e as reformas económicas e que proteja os países contra choques externos; e duma união orçamental assente numa disciplina comum, mas também num orçamento que complemente os orçamentos nacionais e que reduza o custo do endividamento público.

É hoje sabido que não há zonas monetárias no mundo que tenham sobrevivido sem estarem dotadas destes instrumentos. Esta reforma já está em cima da mesa do Conselho Europeu. A sua discussão e implementação não podem ser mais retardadas. Alguns governos, nomeadamente o alemão, alegam que ela não é urgente. Retardar para eles significa continuar a beneficiar de vantagens competitivas que não são leais: a par de um euro forte, taxas de juro excepcionalmente vantajosas para Estado e empresas. Mas nós dizemos: sem essa reforma, a UE não poderá travar as divergências cumulativas de taxas de juro, investimento, crescimento e emprego, que estão a conduzir a divergências políticas crescentes. Nós acreditamos que um novo pacto, baseado em deveres e direitos claros, pode refazer a unidade dos europeus: disciplina orçamental, sistema financeiro responsável, crescimento, convergência económica e social e mais soberania democrática ao nível europeu deviam ser os seus princípios básicos.”

4. “Ganhem Vergonha”.

A geração dos emigrantes a fazer o que deve. Uma óptima iniciativa.

Luis M. Jorge

Sexo , mentiras e blogues ( 4)

– Falta-me qualquer coisa.

– Um Ferrero?

– Olhe…por acaso Um motorista simpático.

– …

– Ele tem-me por certa. E a horas certas. É suposto fazermos.

– Isso é bom e mau.

-Mau. Já não me agarrra…sabe…não é bem isso…não me toma.

– Toma-a ou não a  toma?

– Que raiva. ..Toma-me por certa e depois, por isso, não me toma, não me leva…

– Estamos  a falar de um bocadinho de …ganas?

– Estamos. Mas não só. Você sabe, quando há muita vontade, quando não se aguenta…

– Mas você está lá sempre, coitado do homem…

– Pois, mas ele não devia  saber isso, não é? Devia fazer comigo como se eu fosse… outra.

– Como assim?

–  Falta-me a sensação de ser apanhada, roubada a  alguém.

– Kinky…

– De ser merecida, bolas!

FNV

Com as etiquetas

Laboratório ( suite)

O CM assegura que Bruno de Carvalho exigiu (  f-a-b-u-l-o-s-o) aos credores que fosse desbloqueado cacau ( guito, dinheiro)  até ao passado dia 6. Parece que houve , digamos , discussão acesa.

A maquineta de propaganda do BC já começou a disparar: aculpa é dos tipos  com duas consoantes no nome e toda a gente sabia que os  famosos investidores só avançariam depois de os credores darem mais guito. Ora, ora, amiguinhos: então não estava já tudo combinado?

“Tivemos reuniões com os parceiros financeiros, mostrámos o nosso plano financeiro e de gestão e mostrámos também alguns parceiros que estão interessados em dar o seu contributo nesta fase para que realmente esta situação aflitiva de tesouraria seja ultrapassada. A partir daí, chegámos a um entendimento que nos permite estar descansados em relação às necessidades de tesouraria até ao final da época”, explicou”.

Live and learn my friends, live and learn.

Gatos fedorentos

Em vez dos herdeiros do nome de Mário Viegas.

Não, porque está de chuva.

FNV

A Colónia

Gil Gose é preso. A SEPARA e a Lei ROSETE.

A colónia está bem e recomenda-se.

FNV

O despacho e o despachado

Se têm ZON, voltem atrás e vejam  o António Lobo Xavier, na Quadratura, a explicar,  em duas  penadas, que o famoso despacho de Gaspar é um mero acto legal e que na quinta-feira serão definidos os novos limites da despesa *. Cabeça fria é sempre precisa e a legalidade não pode ser só a do TC.

António Costa, também na Quadratura,  referiu-se aos assessores do governo formados sabe-se lá onde , que ajudaram a redigir o orçamento.  Bem, eu teria mais cuidado na avaliação curricular. Até porque  se formos  por esse caminho – “o acordão do TC arrasa” juristas de aviário” – damo-nos mal, não é , dr. António Costa?

* a TSF , claro, já está em modo automático a repetir (apenas) a versão de Pacheco Pereira.

FNV

Minimalia ( XL)

Em cada aniversário queremos mais anos para ficarmos mais velhos.

O instinto de morte é, portanto, uma necessidade.

FNV

Com as etiquetas

Minimalia ( XXXIX)

Se a depressão é  a raiva virada para dentro, o ciúme é a raiva vestida para jantar.

FNV

 

Com as etiquetas

Jornalistas-estagiários, repitam comigo:

A violência  e o vandalismo  são :

a) Apanágio de nazi-fascistas

b) Apanágio de cruzados

c) Resultado da infiltração dos acima referidos em acções legítimas de  protesto popular contra o neoliberalismo.

Pronto. Serve para as escadarias  de S.Bento, manifs e Casa da Fundação Saramago. É assim tão difícil?

FNV

Laboratório

Começou. Claro que não havia investidores privados.

Um bom ensaio para outras realidades e para os que acreditam em milagres e promessas de feira.

FNV

Da colonização

Kateb Yacine foi uma espécie de Edward Said argelino.  Mais berbere do que islâmico,  defensor da igulade de género, anticolonialista  feroz. Acabou, claro, odiado por franceses e por mullahs:

FNV

Quem parte e reparte…

Os nossos  liberais domésticos, bloggers e analistas, acepilhados de liberalismo, que comem iscas de bacalhau com as mãos por causa da  canalha que faz a sogra viajar de borla na CP, não ligam  a isto.

Lá dentro ficamos a saber que os bancos falidos intervencionados pelo Estado pagaram 2,5 milhões de euros a  grandes  escritórios de advocacia, onde trabalham deputados, comentadores e outros exemplares da nossa direita assumida e/ou do impulso jovem. Tudo legal, claro.

FNV

Partisans

Um partido comunista  governa o Chipre desde  2003. Experimentem perguntar por isto a quem só consome media nacionais.

FNV

Síndroma Dilma

Encostado à parede depois das revelações sobre as fugas ao fisco de Jérôme  Cahuzac, seu ex-ministro do Orçamento, e dos investimentos em paraísos fiscais  de Jean-Jacques Augier, tesoureiro da sua recente campanha eleitoral para as  presidenciais, François Hollande vai anunciar na quarta-feira novas medidas para  “moralizar a vida pública”.

(: http://expresso.sapo.pt/francois-hollande-obrigado-a-lancar-operacao-maos-limpas=f798602#ixzz2PsuVtFXA)

1) No “Público”, televisões  e na TSF, Hollande desapareceu do radar. Temos  de ir ao Expresso para ver a forma como os media lusos  acompanham o caso.

2)  A claque bloguística  da nova esperança da esquerda europeia, que enxameou por aí, também desapareceu.

FNV

Minimalia ( XXXVIII)

Colecciono colonialistas e os seus detractores, os  teóricos pós-coloniais. Aprendi que a  colonização é um estado mental e independente de  épocas: faço-te à minha maneira e só existes na medida dessa vontade.

É por isso que a revolta re-inicia sempre: a identidade tem de ter um autor.

FNV

Com as etiquetas

Quem paga.

Vale a pena recordar duas coisas:

1. Que no Norte da Europa a riqueza é mais distribuida que no Sul.
2. Que de acordo com este relatório da Comissão Europeia Portugal foi o país em que as medidas de austeridade atingiram mais os mais pobres. Eis o gráfico:

fiscal consolidation by income

O pequeno escárnio da nossa direita contra o princípio da igualdade merecia aliar-se a algum pudor.

Luis M. Jorge

A não ser que…

Desse lado já nada me espanta. Absolutamente nada. Agora, Nuno Crato que se cuide:  já devem ter começado ontem a vasculhar divórcios, IRS, multas de trânsito, etc.

FNV

Xosé Cáccamo/ John Ash

Caccámo faz parte dos galegos que todos devemos ter por companheiro. O inglês  (  orientalizado) é pouco divulgado entre nós,  o galego talvez também. Cáccamo é a quarta geração de escritores, tipo premiado, professor doutor em Vigo.

Andava de volta da inutilidade dos  tempos de espera. Quis trazer portugueses  ( Rui Lage, Gastão Cruz) mas  a pompa e as aves perseguiram-me. Vamos aos Documentos da Sombra, do galego. O sossego ( acougar) casa muito bem com as abras ( enseadas):

Logo volta  acougar. A casa paira ,

dormindo buque en abras de mar calmo.

Ash ( The Partian Stations, 2007) é simples:

If we are dying, and we are,

if the war continue,

albeit on somewhat altered terms,

and our cities are collapsing,

then it’s best to make the most of it.

FNV

A cura

O governo e o PR , assaltados por um lampejo de coragem, oferecem aos portugueses eleições antecipadas . O PS ganha sem  maioria e todos estaremos na primeira fila exigindo uma ampla aliança  à esquerda: PCP, Bloco, CGTP, o novo dr. Soares, TSF, Público  etc.

E não nos calaremos enquanto  não virmos, finalmente,  essa  aliança a funcionar e o país  a progredir na senda da igualdade, da liberdade e do progresso.

 

FNV

Vertente técnico-táctica ( 8)

1) Quem pagou os ordenados do Olhanense fez muito bem. Espero é  que não lhes tenha prometido  incentivos mirabolantes, porque é feio criar expectativas.

2) O Proença joga amanhã no Dragão. Quero continuar a quatro pontos dele, porque ainda temos  de lá ir e não me calhava nada ter de o defrontar com uma  almofada curta.

3) Viram o golo do Newcastle? Rejo, Melga Rejo. Pois é. O posicionamento do lateral é  a marca do verdadeiro  lateral . Veloso  ou João Pinto, no final da carreira, disfarçavam  muita coisa com a escola e o hábito.  Eu tenho feito 45m no Universitário  e mesmo sendo sub 50 mantenho  a rotina  e ela mantém-me  a salvo de maiores humilhações. Por outro lado, o Alberto ( lembram-se dele?) perdeu-se porque não tinha escola.

FNV

Sexo, mentiras e blogues ( III)

– Ele disse a uma amiga que eu sou distante.

– Distrai-se?

– O que tem ele de andar a falar da nossa vida …privada?

-Deve ser um homem  sensível e comunicativo.

-Na cama não tem nada de comunicativo.

– Não me vai falar daquelas xaropadas das sexólogas…

– Não, não. Olhe…, há meses que ele  não me dá nada.

– ….

– Uma roupita, um creme daqueles caríssimos, um fim de  semana na neve, sabe como é.

– Se ele lhe der,  a cama melhora?

– Claro. Eles não dizem “dar uma”?

– Olhe que quem a ouvisse…

– Compreendia. Se me mimam, excito-me. Não consegue entender isto?

FNV

Com as etiquetas

Minimalia ( XXXVII)

Não temos guerra ad portas desde que nos fixámos no sexo.  Malvinas, Argélia, Vietname, Angola ? Escapadelas.

A guerra civil ( desmilitarizada) tem sido  a única opção.

FNV

Com as etiquetas

Pintar a cara de preto

Sempre que se tenta fazer prevenção de DST’S em prisões, a objecção moral ( há outras…) é: “Então estão presos por crimes de droga e vamos dar-lhes seringas?”

Leiam. As 86 gramas de heroína dão para sutentar 86  pessoas durante quatro dias ( uma quarta/dia a cada um),  o “produto indeterminado” deve ser piada ( não há disso).

FNV

Por este rio abaixo

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É possível escrever a história de um rio? Luís Ribeiro, jornalista da Visão, acredita que sim e a resposta é um livro: Histórias do Tejo (Esfera dos Livros, 2012). Em sua defesa, recorde-se que há precedentes notáveis. Fernand Braudel escreveu a história de um mar, o Mediterrâneo. Mas enquanto o Mediterrâneo de Braudel se historiava em várias escalas – na influente conceptualização de estruturas, conjunturas e acontecimentos -, o Tejo de Luís Ribeiro só tem acontecimentos. Histórias e não história, como nos diz honestamente à partida. A diferença entre aquele Mediterrâneo e este Tejo não é apenas a diferença entre um mar e um rio, é a diferença entre a história de um mar e um rio de histórias.
O primeiro contratempo da viagem é, portanto, a superficialidade histórica. O que é que liga a presença dos fenícios em Lisboa aos gancheros que, ainda no século XX, levavam pelo rio a madeira que abastecia Madrid? Nada, além de um Tejo cenográfico. Dir-me-ão que esse Tejo, cenário dos capítulos que se sucedem ao acaso, é o objecto do livro. Mas não é o mesmo Tejo. Entre os fenícios e os gancheros, mudou com o tempo. É por isso que se pode escrever a sua história. Mudou fisicamente, em primeiro lugar. A “enseada amena” dos fenícios era maior no passado. A montante, o curso de água era navegável até mais longe. A linha de costa era mais recuada e mais numerosos e fundos os esteiros. Só assim se compreendem outras histórias apaixonantes, como a descoberta de salgas de peixe romanas por baixo da lisboeta Rua Augusta, ou a trasladação de São Vicente de Sagres para uma igreja à beira-rio hoje desaparecida, ou a construção do Aterro pelo qual Carlos da Maia perseguia Maria Eduarda no mais célebre dos romances de Eça de Queirós. Mas o Tejo mudou também na centralidade geopolítica, nas funções económicas, na composição social das populações ribeirinhas. Porta de entrada na periferia do mundo conhecido para romanos e árabes, eixo central de um reino em crescimento nos séculos XII e XIII, metrópole de um Império transatlântico na época moderna… “Navega nele ainda,/ para aqueles que vêem em tudo o que lá não está,/ a memória das naus”, escreveu Pessoa, aliás citado por Luís Ribeiro. Com uma ironia que espelha as muitas mudanças que lhe passaram ao lado.
Não que a história do Tejo se possa resumir à memória das naus e, portanto, à capital do Império. Eis o segundo contratempo: a concentração geográfica. Lisboa recolhe quase todas as histórias do livro, a tal ponto que poderíamos chamar-lhe sem desnorte Histórias de Lisboa. Curiosamente, ou talvez não, as melhores, as mais vivas, aquelas em que se sente palpitar uma humanidade que vai para lá da caricatura e do anacronismo, são as que se passam fora de tão estreito quadro, como os capítulos dedicados às cheias de 1967 ou aos contrabandistas da raia. Ninguém duvida do cordão umbilical entre o rio e a cidade. Sim, “no princípio, o Tejo criou Lisboa”. Mas, além de o contrário ser mais duvidoso, não se pode olhar para o pólo urbano sem a bacia hidrográfica e sem a vasta região a ele unidas por via aquática, do Algarve à Covilhã e de Almada a Castelo Branco. Se a viagem para Santarém não se fizesse em pleno século XIX por barco, o início das Viagens na Minha Terra de Almeida Garrett seria talvez diferente, e assim a história do romantismo português.
Histórias e não história, pois. Nada contra, mas até o mais bem intencionado propósito de divulgação exige um mínimo de rigor. E a falta de rigor editorial é o terceiro contratempo que nos espera. Abundam os coloquialismos (Soult “chateava-se” em Lisboa, Salazar era “um sovina de primeira”) e as generalizações de café (“a vida de Florbela Espanca foi trágica como só a dos poetas consegue ser”). Pior, os erros factuais acumulam-se com a regularidade das marés. Os Tartéssios não são “a primeira civilização na Europa Ocidental”, a menos que ignoremos a chamada cultura castreja. Não é verdade que “a maioria das línguas descende do fenício”, embora todos os alfabetos descendam do fenício. Ninguém pode sentenciar que “em 1146 D. Afonso Henriques viu o Tejo pela primeira vez” porque, mesmo havendo dúvidas sobre o local da batalha de Ourique (1139), o De Expugnatione Lyxbonensi, fonte paradoxalmente citada na página seguinte à da sentença, diz que o rei português já por várias vezes tentara tomar a cidade. Santarém não voltou a ser cristã apenas com a conquista afonsina, “quatrocentos após o último líder visigótico ser derrubado pelos muçulmanos”, uma vez que estivera na posse de D. Raimundo de Borgonha e de D. Henrique, conde portucalense, até ser perdida para os almorávidas em 1111. Em 1147, Lisboa não tinha 100 mil habitantes e Paris 10 mil; pelo contrário, cálculos recentes apontam respectivamente para 5 mil e 80 mil. Não foi “o velho bispo muçulmano [que] acabou assassinado” no saque dos cruzados, obviamente, mas o bispo moçárabe. O nome mais corrente da padroeira de Santarém não é Irene, mas Iria. O último cerco a Lisboa antes de 1384 não foi o de 1147 (“da última vez que Lisboa se vira cercada, um rei português – Afonso Henriques – estava do lado de fora”), mas o de 1373, durante as guerras fernandinas entre Portugal e Castela. A Invencível Armada espanhola não atacou a Inglaterra “com o beneplácito do Vaticano” porque o Vaticano não passava então de uma colina romana; só depois do Tratado de Latrão com a Itália, em 1929, a Santa Sé, perdidos os estados papais e reduzida a esse território minúsculo, recebeu tal título. Desconheço fontes ou estudos em abono da tirada segundo a qual “historicamente os líderes cristãos defendiam que o baptismo era o único banho que um homem deveria tomar em toda a sua vida”, e muito me surpreenderia se alguma vez “os líderes cristãos” tivessem defendido tal coisa. Não foram “os especialistas do Instituto Português do Património Arquitetónico e Arqueológico” que coordenaram as escavações do estaleiro do século XVI por baixo da Praça D. Luís, perto do cais do Sodré, em 2012, pois o IPPAR deixou de existir em 2006 para dar lugar ao actual IGESPAR. Dona Amélia, mulher de D. Carlos e última rainha de Portugal, não era “a inglesa Amélia de Orleães” – era francesa. O Infante D. Henrique, mais do que “o pai espiritual dos Descobrimentos”, foi o patrocinador material: a Ordem de Cristo, por ele administrada, organizou e pagou a exploração das ilhas atlânticas e da costa ocidental africana até meados do século XV.
Erros menores, alguns; outros nem tanto. Estas Histórias do Tejo nascem nas montanhas de uma boa ideia e morrem na foz de uma má revisão. Editora com altos pergaminhos, a Esfera dos Livros encalha aqui nos baixios do “mar da palha”.

(Publicado no Ípsilon de ontem.)

PP

Minimalia ( XXXVI)

Só há uma síntese perfeita, sem limite nem tradução: o segundo exacto em que morres.

FNV

Com as etiquetas

Res foetida est foeda

Com mais mil milhões ou com menos mil milhões,o destino é o mesmo. Podem sonhar com máquinas de fazer dinheiro, podem espumar, podem incendiar o Ratton, podem fazer revoluções, podem mudar de governo todos os meses.

Aplica-se Althusser: o futuro é muito tempo. E  será um tempo em que desaprenderemos. Talvez um sul da Europa en ravage e depois, muito depois, uma espécie de Plano Marshall, desta vez sem o Botas de Santa de Comba  para o recusar.

FNV

Na casa da Mariquinhas

É como se fosse um caso de plágio, não é? Há muitas histórias dessas, são muito portuguesas, conhece-se muita gente assim, caiam-lhe em cima se o tivesse assumido.

Também é muito português o desejo de uma troika institucional. E uma para os copos sujos nos restaurantes, para o cocó de cão nos passeios, para rissol farinhento  etc.

FNV

I have a dream

waitomo-dawn
Relvas já se foi embora. Faltam Passos, Seguro, Sócrates e todos os que passaram pelas jotas, concelhias e distritais do PS e do PSD nos últimos cem anos.
Então, um dia, voltaremos a ter um país.

PP

Não admira que a esquerda nunca chegue ao poder ( em eleições livres)

No debate quinzenal na AR, Heloísa Aplónia ( do apêndice verde do PCP) refila com o aumento da cantinas sociais. porque o ideal seria os portugusees não necessitarem delas.

Passo Coelho, chavista de ocasião,  explica, com paciência,  que ( por outras palavras)  não esperava ouvir o discurso  de agradecimento da Miss Arizona.

FNV