1. Ontem, ouvi muitas vezes esta palavra: direitos. E estas: dos homossexuais. Que pouco se tenha falado nos direitos das crianças, a não ser nos exemplos hipotéticos tão ao gosto da causa, diz tudo. A coadopção é apenas um atalho para o reconhecimento social da homossexualidade, como foi o casamento e como será a adopção plena. As crianças não passam de carne para canhão. Todos sabemos e todos fingimos não saber.
2. Ontem, a adopção plena por casais homossexuais ficou mais perto, como vários deputados fizeram questão de nos lembrar. Só os ingénuos poderão ficar surpreendidos. Os que, nas bancadas da maioria, votaram a favor ou se abstiveram na coadopção, mas votaram contra a adopção plena, não são ingénuos. Nós também não. Lembrar-nos-emos, sim. Nas próximas eleições.
3. Ontem, o PSD só não perdeu o meu voto porque nunca votei em Passos Coelho. Nem votarei. Ontem ficou claro porquê. O PSD do qual saiu este grupo parlamentar é um híbrido de paleio liberal e assalto fiscal, por esta ordem, que não me representa nem representa grande parte do seu eleitorado. Seria interessante saber quantas pessoas, na rua, aprovam aquilo que o PSD, no Parlamento, ajudou a aprovar. Também é de tais desencontros, e não só de campanhas pagas pelos nossos impostos às empresas dos amigos, que se faz o descrédito dos políticos.
PP
Pedro, o reconhecimento social dos meus direitos, enquanto pessoa, passa pelo direito a ter filhos, incluindo adoptá-los, permitindo-me, neste caso, passar por um processo de avaliação normal. Foi isto que se discutiu e decidiu ontem com a coadopção por casais de homossexuais. Pensar que isto é ignorar os direitos das crianças e usá-las como “carne para canhão”, enfim… é uma forma de terrorismo argumentativo que já não me espanta.
Ninguém tem o direito de adoptar, ninguém tem direito a uma criança, ninguém tem direito à tutela de outra pessoa para “ser feliz”… É isso que não percebem ou não querem perceber. Terrorismo? Daqui a um ano ou dois, veremos quantas crianças é que foram adoptadas ao abrigo da nova legislação. Rios, torrentes, cataratas, de certeza. Entretanto, o activismo gay canta mais uma vitória e fica mais perto do objectivo principal: a adopção por casais gay. Seja ingénuo se quiser, mas não me obrigue a acompanhá-lo.
“Ninguém tem o direito de adoptar, ninguém tem direito a uma criança, ninguém tem direito à tutela de outra pessoa para “ser feliz”…”
– ninguém? Então como é que é possível que se adoptem crianças? O que foi aprovado foi a co-adopção. Houve uma proposta para a adopção plena que foi chumbada.
Muito bem Pedro. Nos dias que passam o PSD e talvez mais o CDS arriscam-se a ser a prova da sua total inutilidade como “partidos”, representantes de uma “parte”. Cobardes ou irresponsáveis foram os 18 deputados que faltaram à sessão. Cada vez me reconheço menos neste País e salva-se quem puder.
Abraço
é possível que se adoptem crianças no interesse das crianças. é a criança que tem direito a uma família, não são os pais que têm direito à criança. isto vale para qualquer família e quaisquer pais. eu, que sou pai, não tenho direito aos meus filhos, como se eles existissem para me fazer feliz. penso nisto muitas vezes.
Eu quando falei de direito, considero-o tal como é hoje, ou pelo menos como julgo que é, mediado pela lei e pelos processos que supostamente protegem a criança. Não julgo que no caso da co-adopção esses processos deixarão de ser activados.
Se quer saber, pessoalmente, tenho muitas dúvidas em relação à adopção plena por casais do mesmos sexo e nem é por julgar que os putativos pais fariam mal às crianças mas antes por causa das outras crianças e dos pais. A pressão social, o gozo dos outros na escola, com os colegas, os comentários dos pais dos colegas em casa etc – isso para mim é que é um dos maiores obstáculos. A família não existe isolada da sociedade muito pelo contrário é inundada pela sociedade que, em seus termos, faz parte dela, da família.
“(…)nem é por julgar que os putativos pais fariam mal às crianças mas antes por causa das outras crianças e dos pais [delas]”
Toda a pessoa “tem direito a constituir família” : é um direito ter filhos, porque ter filhos é uma forma de se “Ser Feliz”. Claro que não existe o direito ao filho( propriedade), mas acho que é pura fantasia qualquer pessoa querer convencer-se que o acto de ter flhos é um acto puramente altruista ( conservação da espécie, contributo para a manutenção do equilíbrio social, ectc, etc, já para não trazer à lide a especificidade da religião/procriação).
Ora diga lá: o que o levou a ter ( e penso que querer ter ) filhos ?
Não adivinha? Depois mando-lhe uma fotografia da minha mulher. Dou-lhe uma pista: não foi por nenhuma causa, bandeira ou campanha tribal.
Duvida: No futuro, quando chegue a lei que permita a adopçao por parte dos homossexuais (agora é uma questao de tempo como bem diz o Pedro), na condiçao de partirem em iguais circunstancias (economica, estabilidade, emocional, etc), deve prevalecer o direito de adopçao do casal tradicional ou do “casal” moderno? E se estamos de acordo, sendo minimamente racionais, que deve ser a do casal tradicional, podemos afirmar a partida que nao pode haver direitos iguais para algo que é diferente certo?
O Pedro certamente já pensou nesta situaçao…