Da síntese

O Vítor Cunha consegue dizer  em  apenas vinte  e três linhas aquilo para o qual eu  preciso de uma inteira  : A  (bela) Raquel tem um colar.

Vai daí, sob a pressão da síntese, não lhe ocorreu que às vezes há bolinhas a imitar pérolas. É, aliás, o mais comum.

FNV

4 thoughts on “Da síntese

  1. floribundus diz:

    numa desaparecida indústria de 750 trabalhadores apanharam um rapaz de 16 anos
    a ‘comer’ uma raquel.
    perguntado porque estava ela de costas, o jovem respondeu:
    ‘queriam que comesse a velha de frente?’

  2. caramelo diz:

    Pormenor irrelevante para um empreendedor como o Vitor Cunha. Era demasiado bom para se deixar passar. A Raquel transformou-se numa mina de semiótica.

  3. manuel.m diz:

    Ego te absolvo

    O leitor tem problemas de consciencia ao comprar uma peça de roupa que sabe ter sido fabricada numa sweatshop algures no Oriente ? O leitor, que sabe que os operários dessas sweatshops são submitidos a condições de trabalho desumanas em troco de uma ninharia, chega mesmo a pensar se não será cumplice de uma versão moderna do esclavagismo?
    Se pensa assim não deve, sossegue a sua consciencia e aproveite. Siga o que diz Vitor Cunha, o jovem magnifico Martim e tantos outros, e sinta que ao fazer a compra está na realidade a ser um benemérito, pois a vida brutal do Bangladeshi que lhe fez a T-Shirt seria, se possivel, muito pior se o leitor não tivesse tido esse gesto de largesse.
    O quase-nada que essa miseravel gente ganha é ou não é melhor que nada ?
    Alias esse ponto de vista é defendido há muito por organismos ou pessoas de grande reputação,
    (ainda que admitamos que todos são estrenuos defensores do neo-liberalismo e ideias afins).
    Veja,por exemplo, o que publicou no seu Boletim de Junho de 1996 o conhecido National Center for Policy Analysis, pelo qual George W. Bush sentia grande estima e admiração:

    “Apesar das condições de trabalho dessas sweatshops sejam francamente más, as pessoas que nelas trabalham fazem-no de livre vontade, fazem notar os especialistas, porque um mau trabalho é melhor que não ter trabalho algum. Se os maiores retalhistas americanos que fazem negócios com esses países, onde a exploração dos trabalhadores é uma realidade comum, deixassem de o fazer, então milhares de crianças e adultos iriam engrossar o numero de desempregados.”

    Pela mesma altura, em 25 de Junho do mesmo ano, uma economista, Lucy Martinez-Mont, reputada defensora do comercio livre, escrevia no Wall Street Journal :

    “Proibir as importações de artigos feitos por crianças teria como consequencia a eliminação de postos de trabalho, aumentar os custos de produção, fazer encerrar fábricas nesses países pobres e aumentar a divida pública. Os países ricos estariam assim a sabotar os países do terceiro mundo e a negar às crianças pobres qualquer esperança num futuro melhor”.
    (Ah ganda Martim que sorte tiveste em ter nascido em Cascais !)

    Mas vamos um pouco mais longe e proponho ao leitor o seguinte cenário :

    -Alguém lhe propõe a ‘compra’ de uma jovenzita do Bangladesh para ajudar lá em casa. O negócio é aliciante, o preço baixo, e sabe-se que elas comem pouco , dormem em qualquer canto e não precisam de folgas nem férias. E melhor que tudo o leitor estaria a melhorar a sorte de uma familia pobre com uma catrefa de filhos que com o seu dinheiro podia afastar a ameaça da fome.
    O que diria ? Não ? Acharia imoral ? Então pergunte a si próprio que diferenças substantivas encontra entre esta situação e o que defende o Vitor e o jovem Martim.
    Manuel.m

  4. o oriente é vermelho diz:

    Bolinhas? Lenço?
    O que é facto é que ela se pôs bem a jeito.
    Desconhece a directiva implacável ?Luta dura,vida simples.
    O grande Lenine escrevia ao estúpido Gorki(é Pessoa,o reaças,que o apoda):–Não
    posso ouvir música desta(sonata a Kreutzer de Beethoven),o que é preciso é dar
    porrada pela cabeça abaixo das pessoas.

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