Antero/ Hofmannsthal

Para um belo dia de sol, nada como dois  taciturnos. O vienense é cliente antigo destas minhas derivas,  Antero está sempre à mão. É  difícil  traduzir  um estado de alma dado à pieguice poética e ao marasmo  figurativo, mas eles sabiam da poda. O tom depressivo levado a sério consegue  produzir versos divertidos montados numa recompensa justa.

Hofmannsthal, Eu sou o outro ( 1891), tradução livre a partir do francês:

Vivo transfigurado no tempo que há de vir,

Sou o infinito dos possíveis.

Deves arder de desejo por mim

E não hesitar nem sonhar nem temer.

Antero, O Palácio da Ventura ( 1886):

Com grandes golpes bato à porta e brado:

Eu sou o Vagabundo, o Deserdado…

Abri-vos, portas d’ouro. ante meus ais!

FNV

3 thoughts on “Antero/ Hofmannsthal

  1. o radioso caminho diz:

    É boa,o estrangeiro abre para o infinito dos possíveis.
    Tenho de reler o de na Mão de Deus,reavaliá-lo,o modo de dizer pareceu-me agora demasiado marcado pela tradição post-abrilina:bater às portas,tende piedade,os deserdados,mas agora com mais força,a grandes golpes progressistas abri-vos e tremei.
    A ver se volto ao Antero.

  2. De Hofmannsthal, tenho «O Livro dos Amigos» (Assírio & Alvim) — belíssimo.

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