Adopção gay: o filme continua

Sobre a causa fracturante do momento, deixo aqui um comentário que fiz no Corta-Fitas, com algumas mudanças e uma actualização.
O filme dos estudos sobre a coadopção gay, que agora corre no Corta-Fitas e no Jugular, é uma sequela do que tive a honra imerecida de protagonizar há uns tempos. Começou e acabou da mesma maneira, mas desta vez foi muito mais rápido. A primeira cena é igual. Alguém escreve uma evidência, por exemplo que os casais gays são mais instáveis ou mais promíscuos e isso desaconselha a adopção. Pedem-nos estudos científicos que confirmem essa evidência, que não passaria de preconceito. É um desafio legítimo, mas, se citarmos estudos a favor da nossa posição, segue-se a tentativa de descredibilização (cena central), que  pode ter duas versões: os estudos não são actualizados ou não têm peer review.
Se os estudos são actualizados e têm peer review, passa-se à cena seguinte: a tentativa de descredibilização dos autores dos estudos. Também aqui há duas versões: ou os autores têm convicções religiosas que os tornam homofóbicos ou não têm o reconhecimento da comunidade científica. As duas coisas estão geralmente ligadas. Não ter reconhecimento da comunidade científica significa, na linguagem do activismo gay, ser alvo de um processo disciplinar na ordem ou na universidade por “homofobia” ou ir contra o “consenso” da comunidade científica. Como aconteceu a Abel Matos Santos, alvo de uma queixa pública na Ordem dos Psicólogos por alegadamente se prestar a um papel “pouco digno e pouco sério”, segundo a Ana Matos Pires.
O objectivo desta sequência é impedir a circulação dos estudos contrários à adopção gay e reservar o estatuto de cientificidade para os autores que a defendem, como se só as conclusões a favor fossem científicas. O mecanismo mais eficaz para criar um falso consenso científico é a tomada de posição pública de uma associação profissional. O caso sempre citado é o parecer favorável à adopção gay da American Psychological Association (APA), em 2004. Apresentado como científico, trata-se apenas de uma moção, votada pelos membros da APA, em apoio das conclusões de um grupo de trabalho da APA chamada Gay, Lesbian and Bisexual Issues, formado por activistas LGBT com o objectivo de combater a discriminação sexual (leia-se: a discriminação de que supostamente seriam alvo os LGBT). As conclusões de um tal grupo de trabalho são previsíveis, mas são também o clímax do filme.
A adopção gay torna-se, assim, o único caso de estudo das ciências sociais em que só uma conclusão é possível – sob pena de processo disciplinar ou descrédito académico. A isto chama o activismo LGBT “consenso científico”, mas este consenso tem pouco de científico porque contraria a própria ideia de investigação: recusa o debate entre hipóteses e nasce do ostracismo do adversário. As associações profissionais e os departamentos universitários pró-LGBT são a nova Inquisição. Mas o fundamento do “consenso” é o mesmo: a eliminação de qualquer visão alternativa.
A partir daqui, e se insistimos em apresentar argumentos que põem em causa as APA e quejandos, resta o insulto. O filme aproxima-se a passos largos do fim. No meu caso, o insulto incluiu até os meus filhos (dei alguma luta e o verniz, ou o que restava dele, estalou por completo). No caso do Abel Matos Santos e do João Távora, o verniz estalou muito mais cedo e passou-se rapidamente dos estudos ao insulto. O verniz está cada vez mais fino. The end.

Entretanto, já que vi que pelo Jugular vai grande mágoa e nojo porque o meu comentário não condena o plágio de Abel Matos Santos a Rick Fitzgibbons no artigo do Público. Vale a pena esclarecer isto, não para que a Ana Matos Pires e o Paulo Pinto deixem de se entregar aos bons sentimentos (tarefa impossível, pelas razões acima expostas, e tão cruel como baralhar um miúdo do Ciclo Preparatório), mas em abono da verdade.
O plágio de Abel Matos Santos é lamentável, a qualquer título, e enfraquece a posição de quem o citou e defendeu, como eu aqui fiz. No entanto, o ponto central não é esse. O ponto central é saber se as conclusões de Fitzgibbons são ou não correctas. Um ponto que deixou de ser discutido assim que os defensores da adopção gay se agarraram à acusação de plágio. Compreende-se porquê: poupa-lhes o trabalho de debater o resto. De qualquer modo, não vale a pena lamentar o resultado. Se não fosse Abel Matos Santos a ser acusado de qualquer coisa, seria (e foi) Fitzgibbons. Ao que parece, o senhor pertence a uma associação que entende que a homossexualidade é reversível. O Paulo Pinto, com a sua capacidade de popularizar alta metafísica, chama-lhes os “alucinados da NARTH“, mas o que está em causa, no fundo, é saber se a sexualidade tem origem no meio, e pode mudar, ou se é uma tendência inata, e não pode mudar, ou se ambas as coisas, e como se relacionam. Assim resumida, trata-se da velha dúvida sobre cultura e natureza que ocupa a filosofia ocidental desde Descartes e Locke, para não recuar a Santo Agostinho e à questão da graça e da liberdade. Mas subtilezas para quê? Os profetas da indignação selectiva estão do lado certo da história.
Claro que, pelo caminho, haverá algumas partes gagas. No Jugular, que tão acrisoladamente se arvora em paladino da “academia” e da honestidade intelectual, escreve ou escrevia uma deputada para quem não é grave um Primeiro-Minstro mentir ao Parlamento. Quando ela o disse, não me lembro de grande “mágoa” ou “nojo” no reino da virtude. Nada. Nem sequer um postezinho, um vago embraço, uma tímida alusão. Problema meu, decerto. No lado errado da história, não via que Sócrates e Inês Medeiros estão acima de certas minudências exigíveis à reacção, como dizer a verdade na casa da democracia e tal. Já é mania. Ou “má vontade”, parece. É que, por estas e por outras, também não vejo de onde vem a autoridade do comité jugular para dar lições de ética. O mundo está perdido, é o que é.

PP

33 thoughts on “Adopção gay: o filme continua

  1. p D s diz:

    Pedro,

    não endo eu acompanhado a “polémica” em causa, nem sendo propriamente “defensor” de nenhum dos lados li o seu post com interesse que sempre me suscita.

    E gostei até bastante da forma como foi expondo e explicando o evoluir da polemica, e os “pecadilhos” de um dos lados…

    …mas no final, não pude deixar de ficar com uma ligeira inquietação.

    é que cheguei ao final do seu post, e resumindo conclui o seguinte:

    – Começou e continuou ao longo da sua analise, por sublinhar que os “criticos” de umas das partes (e apenas apontou a estes) não debatiam a “cientificidade” dos argumentos, e apenas tentavam descredibilizar e eliminar á partida todos aqueles que fossem contrarios á sua causa…

    – …terminando, em jeito de conclusão, tentou demonstrar até com exemplos, que “a parte” com a qual o Pedro não está de acordo, tem posturas e posições que são para si contraditórias o que leva a que não tenham credibilidade.

    ou seja, acabou o seu post, a praticar precisamente aquilo que condena!

    Assim sendo, fiquei num dilema: Devemos acreditar na logica inicial do seu texto …. ou devo valorizar a parte final onde pratica aquilo que condena no inicio ?

    • ppicoito diz:

      Está a cair numa generalização. Eu não disse que “o outro lado” nunca tem credibilidade, caso contrário não me prestaria a discutir o tema, como fiz várias vezes. O tema deve ser amplamanete discutido, se tivermos paciência e elevação para isso. Disse apenas que há casos, e o ataque do Jugular a Abel Matos Santos é um deles, em que não se procura debater nada, mas silenciar por todos os meios o adversário. A acusação de plágio entra aqui. Do ponto de vista da deontologia profisisonal e académica, é condenável, mas é igualmente condenável não discutir o resto (e há muito para discutir). Se a táctica, ainda por cima, vem de quem é conivente com a mentira política, não há debate possível. Mas o debate é possível com quem está disposto a ouvir o outro lado e não usa este tipo de tácticas. É só isso (e não é pouco).

      • Silenciar por todos os meios? Humm, interessante… em que parte do silenciamento entra a publicação no Público e depois republicado no Corta-Fitas de um artigo que se limita a ser uma tradução, isto é, plágio? A acusação de plágio não é apenas uma acusação, o plágio é comprovado. Se o pessoal do Jugular (e o Rui Costa Pinto) têm de argumentar com alguém é com Fitzsimmons, o autor do artigo plagiado. Curiosamente, este não tem qualquer crédito na comunidade cinetífica, basta andar 5 minutos pela Net para se perceber isso. Apontar um plágio e duvidar das credenciais académicas de um autor de um estudo plagiado é atacar alguém? Pois…

      • É “Fitzgibbons”, não “Fitzsimmons”. Já agora, que crédito dá Pedro Picoito no seu campo de investigação (a História) a um autor que comprovadamente plagie? Tem direito a ser reabilitado, como o Pedro Picoito tenta fazer?

    • miguel diz:

      O que a resposta de P Picoito demonstra é que necessitamos, urgentemente, de uma Lei de Godwin para os debates em Portugal.

      A lei dirá algo como:” À medida que cresce uma discussão online, a probabilidade de surgir uma comparação envolvendo Sócrates ou o Socratismo aproxima-se de 1″.

      Tal como em relação á lei original deverá considerar-se que “em listas de discussões e fóruns que, se tal comparação é feita, é porque quem mencionou Hitler ou os nazis ficou sem argumentos.”.

      Cito a minha fonte para não ser acusado de plágio: http://pt.wikipedia.org/wiki/Lei_de_Godwin

      • ppicoito diz:

        Essa é forte. Nem eu me atreveria a comparar Sócrates com hitler.

      • miguel diz:

        🙂

        Como seria de esperar, a aproveitar a gralha.
        devia ler-se: ““em listas de discussões e fóruns que, se tal comparação é feita, é porque quem mencionou Sócrates ou os Socratistas ficou sem argumentos.”

        Podemos chamar-lhe lei Picoito para os debates em Portugal, em memória do primeiro polemista a perder um argumento por este motivo.

        miguel

  2. 11º (estava na parte de trás da pedra) "Não plagiarás". diz:

    uma dúvida que me mói moderadamente o juízo desde que este debate iniciou: como fica o jornal pública nesta história em que estamos perante um plágio descarado?

    seja como for,

    sobre a malta do NARTH.. penso que o pedro está a defender o indefensável. acha que a homossexualidade tem cura, independentemente de ter “causas” genéticas ou sociais? acha que se a sexualidade tiver origem no meio ambiente “pode mudar”? o que tem uma coisa a ver com a outra? e, já agora, mudar o quê? o afecto, a atracção ou práticas sexuais em particular? (basta ir ao site para perceber que é mesmo isto que defendem)

    na minha modesta opinião a metafísica começa (ou acaba, não sei) quando damos credibilidade a instituições como essa tal NARTH ou tipos que subscrevem a sua ideologia como o tal fitzgibbons. porque, em abono da verdade… se a homossexualidade tem cura, a heterossexualidade também pois há quem diga que os homens não estão aqui a fazer nada… as mulheres, sozinhas, chegam e sobram para comandar os destinos da espécie.. consta que o cromossoma y está em vias de extinção!!!

  3. Tiago Mendes diz:

    Caro Picoito, fui ver o FB de AMS e lá está a referência e o link do autor a 16 de Maio. Onde está o plágio? No público tb está. Não percebo.

  4. ppicoito diz:

    Esclareçamos já algumas ideias. Primeiro, não gosto da expressão “cura” para a homossexualidade; a homossexualidade não é uma doença. Segundo, não aprovo alguns métodos de associações como a NARTH. Terceiro, e gostaria que isto ficasse muito claro: acredito que uma tendência homossexual pode mudar, tal como alguém que toda a vida foi heterossexual pode mudar, porque na sexualidade há sempre uma parte, e grande, que é uma escolha, apesar da fortíssima componente genética e da não mernos forte componente social. Dou sempre este exemplo: gostar de loiras ou de morenas é uma escolha que não está determinada, que eu saiba, pela genética ou pela cultura. Em última análise, sou sempre eu, por razões não muito claras, que prefiro a Jane Russel à Marilyn Monroe. Acredito que me seja bastante mais difícil, em quaisquer circunstâncias, preferir o Brad Pitt a qualquer uma delas. Digamos que não é uma hipótese provável no próximo milénio, mas tenho a liberdade, em abstracto, de seguir essa opção, como tenho a liberdade de optar por qualquer outra prática sexual, incluindo as mais perversas. Em resumo, acredito que, sendo a sexualidade tão plástica, é possível deixar de ser homossexual (ou hetero, ou etc.). Se a NARTH tem ou não credibilidade na matéria, já é outra questão.

    • Uma coisa é achar que a tendência sexual pode mudar – julgo que não dúvidas sobre isso – outra é haver “terapeutas” que tenham técnicas de conversão da sexualidade, como se a homossexualidade (ou a heterossexualidade) fosse uma doença, como a cleptomania ou o alcoolismo. E muitas dessas técnicas são humilhantes, violentas e completamente anti-éticas.

    • PM78 diz:

      Pedro,

      O que você acaba por defender não é que um homossexual escolha ser heterossexual. O que você defende é que um homossexual escolha praticar sexo heterossexual. Isso é possível e foi tentado. Aliás, foi o que mais foi tentado ao longo dos séculos. É a figura clássica do homossexual pai de família, que arruina essa mesma família porque vive num lugar que não é o dele. O que você defende, no fundo, é a mentira.

      Sejamos claros: é perfeitamente possível um homossexual ter sexo heterossexual e um heterossexual ter sexo homossexual. E até em ambos os casos, com prazer. Mas não é o que ele é, não é o “sítio” dele. Porque o sítio dele é muito mais do que uma noite de cama.

      Descobrir que se é homossexual não é descobrir que se quer ter sexo com pessoas do mesmo sexo. É descobrir uma parte do que se é no mundo, entre as pessoas, nas relações afetivas.

      Conto-lhe o meu caso pessoal. Já não sou novo e sou celibatário. Nunca tive uma relação, nunca tive sexo com homens ou mulheres. Mas sei que sou homossexual. Não é uma questão de provar e gostar. Não é uma questão de tentar. Não é tentativa e erro. Não é capricho. Não é moda. É o que eu sou. Ou parte do que eu sou.

      Dizer que eu podia ser outra coisa se quisesse é ofensivo, porque eu quis ser outra coisa. Eu sou um comodista. Eu prefiro sempre o caminho mais fácil. Ser heterossexual teria sido óptimo para mim. Aquela rapariga que se interessou por mim na universidade, eu podia ter-me interessado por ela e hoje ter uma vida . Eu podia ter filhos sem os ter de os adoptar. Eu podia passar as noites sem estar aqui a explicar o fundo do que sou a pessoas a quem falta o mínimo de empatia e só lhe sobra intransigência para perceber os outros.

      Não, ser homossexual, não é NUNCA uma escolha. Ter sexo homossexual ou heterossexual numa situação ou outra, sim, claro, pode ser uma escolha. Mas há uma diferença entre fazer e ser. Eu, como, lhe disse, nunca tive sexo homossexual. Nunca pratiquei “actos homossexuais”. E no entanto é o que eu sou.

      • ppicoito diz:

        Vamos ver a coisa de outro modo, já que diz que me falta empatia e vivo na mentira. Eu sou heterossexual. Sou casado e sou fiel à minha mulher. Não tenho uma especial dificuldade em viver a monogamia, mas posso sentir-me atraído por outras mulheres, estou farto de ler que a monogamia não é “natural” e conheço muitos homens para quem a monogamia é difícil. A monogamia, escolha consciente e livre mesmo que difícil, é uma mentira?

      • PM78 diz:

        A comparação não é boa, porque pode aplicar-se exatamente da mesma forma a uma relação homossexual: mais ou menos parceiros, ou numa perspetiva moral, mais ou menos promíscua. Eu não a faria, mas você pode fazê-la.

        Mono / poligamia é ter mais de uma mesma coisa. É escolher manter uma felicidade num grau ou fazê-la crescer para outro grau. É estar numa situação que satisfaz x e passar para uma situação que satisfaz x+1.

        Um homossexual viver de acordo com a sua orientação sexual não é ter mais de uma mesma coisa. É ter ALGUMA coisa. Um homossexual viver numa relação heterossexual é ter NADA, ou menos que nada, porque se nega, anula e diminui. A ele e a quem está com ele.

        Isto é o que sempre aconteceu. E se a luta dos direitos LGBT estão a colher na sociedade não é porque os seus militantes são agressivos e têm lóbis poderosos. É porque quem rodeia os homossexuais – as famílias, os amigos, os colegas de trabalho, até algumas figuras da igreja – o percebeu. Estas lutas não se ganham com bandeiras. Não se ganham por efeito de uma dissolução da sociedade. Ganham-se precisamente por aquilo que acho que lhe falta neste tema específico: empatia, conseguir colocar-se no lugar do outro, dentro dos círculos da vida quotidiana e da intimidade.

        A vida é assim, imperfeita, contraditória, paradoxal. Lamento.

      • Márcia diz:

        Caro PM78,

        Deixo-lhe os meus sinceros parabéns pelos seus comentários educados, esclarecedores e, sobretudo, educativos. Se toda a gente os lesse e pusesse de parte a intransigência e a intolerância que caracterizam muitas destas pessoas envolvidas na discussão da coadoção ultimamente, acredito que que estes e outros assuntos deixariam de ser os temas controversos que são actualmente. Infelizmente, não penso que isso vá acontecer num futuro próximo. Enquanto existirem pessoas com algum poder e influência que acreditem que a sua opinião é superior, e que os seus modos de vida é que são os correctos e toda a gente deveria viver da mesma maneira e com os mesmos valores, vai sempre existir desigualdade.

  5. ppicoito diz:

    Ou seja, diz o Sérgio Lavos, é plágio, mas além disso o plagiado também não tem credibilidade. Aí tem um bom exemplo de silenciamento. Aconselho-o a dar uma volta de mais de cinco minutos pela internet para perceber como isto funciona. Como disse, qualquer autor que tire conclusões consideradas homofóbicas, por mais rigoroas e científicas que seja, está sujeito à “descredibilização”, entre outras coisas porque este é um campo científico em que o “consenso” (o Gramsci diria a hegemonia cultural) é construída sobretudo por quem dedica toda a vida ao tema, ou seja, activistas LGBT que também são académicos e profissionais. Geralmente, é isso que aparece na internet. É prciso perder um bocado de tempo para ver o outro lado (sei do que falo porque andei muito na internet até perceber isto).

    Quanto ao plágio na minha área, é preciso ver do que estamos a falar. Há diversos tipos de plágio. Há quem plagie uma ideia, há quem plagie uma página inteira de outro numa tese de centenas de páginas e até há quem se plagie a si mesmo reproduzindo páginas inteiras suas de um artigo para outro. Evidentemente, são casos diferentes. Posso dar exemplos interessantíssimos dos três casos (um deles plagiando-me a mim), mas direi apenas que o Oliveira Marques praticava muito a última modalidade. O julgamento deontológico varia de caso para caso e, que eu saiba, não há uma definição universal do plágio, logo também não há procedimentos disciplinares claros. Conheço um caso de uma tese de doutoramento que foi chumbada por alegado plágio de outros trabalhos do autor e ainda hoje esse caso concreto é objecto de polémicas violentíssimas entre os especialistas (uns a favor, outros contra). Em resumo, a “reabilitação” dependeria da gravidade dos casos.

    • Não duvido de que a gravidade de cada caso contribua para a “pena” que o autor do plágio vá sofrer. No caso em questão, o Abel Matos Santos limita-se a traduzir os argumentos de outro, construindo assim cerca de 80% do seu artigo. Acha mesmo que continua a merecer credibilidade?
      (Outra coisa: se formos à página do Facebook dele, veremos afirmações no mínimo polémicas sobre “hegemonia do Ocidente” e a “ameaça islâmica” aos nossos valores. Exemplo: “Aqui está o resultado do multiculturalismo e da tolerância! Vamos voltar às cruzadas… Portugal e a Europa que não acorde… um dia é tarde demais! Paz à alma deste mártir barbaramente assassinado!”
      Tenho a certeza de que o Pedro Picoito deverá sentir-se muito pouco à vontade em “defender” tal personagem.)

      • ppicoito diz:

        Está enganado, estou muito à vontade: os mouros são todos gays. Uma cruzada, agora que não há bola, sempre ocupava o pessoal.

  6. PM78 diz:

    Honestamente, estranho como a questão científica é tantas vezes trazida para o debate da adopção homossexual. Esta não é uma questão científica, é uma questão estritamente filosófica e de como a filosofia ajuda, através do direito, a organizar a forma como a sociedade organiza as suas possibilidades.

    O Pedro Picoito costuma referir com muito entusiasmo os estudos que “provam” que os homossexuais são mais promíscuos e instáveis que os heterossexuais. Isto só enfraquece o seu “caso” porque irão haver outros que dizem o contrário e certamente muitos outros que dirão que isso poderá ser assim nos gays homens e exactamente o oposto nas lésbicas.

    Imagine-se então que se usava como impedimento para os gays adoptarem eles serem mais promíscuos que os heterossexuais. Isto como impedimento seria o equivalente a impedir os negros, os brancos ou os ciganos de aceder a determinada situação por praticarem mais um determinado tipo de crime. Imaginemos por exemplo que num país nórdico surgia uma lei que proibia as mulheres mães solteiras de fazerem segundos casamentos com homens portugueses devida à tua incidência de violência doméstica e à probabilidade maior de afectarem a criança inocente filha da mulher.

    Não há direitos que se possam vetar a um grupo atribuindo a esse grupo “pecados dominantes”. É a caixinha de Pandora.

    Se ficarmos pela filosofia, ficamos tão melhor.

    • ppicoito diz:

      PM78, não é com nenhum entusiasmo que cito os estudos sobre a instabilidade doas relações gays. Mas note que nos seus três comentários está a falar da asunção de uma sexualiade verdadeira, etc., que faça a pessoa feliz. Ou seja, as crianças só aparecem como um meio de dar a felicidade aos gays. É exactamente isso que critico: que as crianças sejam meios para um fim

      • PM78 diz:

        Não entendeu a minha posição. Eu apenas lhe digo que não pode sustentar o seu caso contra a adopção por gays com argumentos gerais sobre o que são os gays. O seu argumento tem de resistir aos casos concretos dos gays mais estáveis, extremosos, carinhosos e com mais vocação para a parentalidade. O seu argumento tem de ser mais forte do que os gays santos.

        E eu acho que, no campo das ideias, você tem realmente um caso, que é o da naturalidade do vínculo, da dupla referência (masculino + feminino).

        Onde terá dificuldade é em sustentar o seu idealismo na vida real:

        1. As institucionalizações são sempre transitórias?
        2. Há sempre um casal heterossexual interessado em adoptar para cada criança que precisa de ser adoptada?
        3. Estar numa instituição é sempre melhor para a criança do que ser adoptada por um casal de gays ou de lésbicas?
        4. É negativo como valor social e como valor para as crianças aumentar a pool de pessoas interessadas em adoptar?

        O,que tem de provar é que a adopção por gays é sempre a pior solução disponível, mesmo quando os gays em causa são os “melhores gays do mundo”.

        Para sustentar na vida real uma posição contra a adopção por gays não pode dizer que eles muitas vezes são maus; tem de dizer que, mesmo quando eles são os melhores, não prestam.

        Eu creio que o Pedro não conseguirá esta proeza. E não o conseguindo é que surge a reivindicação da adopção por homossexuais como reivindicação de um direito, que não é o direito de adoptar, mas o direito de não ser excluído da possibilidade de ser considerado como adoptante.

    • fnvv diz:

      Exacto.
      Tenho enlisted muitos estudos e livros sobre o tema, mas acho que as teoris da cultura e a filosofia lidam melhor com o assunto

    • Miguel diz:

      Nada nesta história “científica” é racional. A “ciência” aqui é uma arma de arremesso usada e abusada pelos “dois lados”. A ciência, a séria, não nos diz nada sobre a adopção gay. Estatística não é ciência, é um instrumento de análise. Se o trabalho analítico (científico ou não) for medíocre, não há estatística que o resgaste. Ainda menos se pelo meio se cometem erros (de palmatória) de lógica e erros conceptuais (básicos) de epistemológia.

      • ppicoito diz:

        Estou de acordo. Só estranho que se chegue a essa conclusão depois de tanta gente me ter pedido estudos cientíicos que sustentasem a minha posição e de tanta gente ter tentado rebater a minha posição com estudos científicos.

  7. ABCXZD diz:

    É difícil de acreditar que se continue a teimar, pelo lado negativo, sobre a ciência, quando as posições e os estudos são esmagadores neste tema. A ciência é sinónimo de conhecer a realidade. É dela que ela fala. A quantidade impressionante de organizações profissionais que tomou posições favoráveis não é fruto de uma cabala. É fruto do que a experiência e conhecimento de casos reais lhes trouxe. Admira-me verdadeiramente que ainda se discuta isto. Acho que são raros os temas tão contestados, por pessoas fora da área (e.g. historiadores), quando pelo contrário há tanto consenso por parte daqueles dentro da área. E sei porque é assim. Porque o preconceito e a sua cegueira tolhe o quociente emocional das pessoas.

    • ppicoito diz:

      não é verdade, o tema está longe de ser pacífico, mas à cautela mande-me uma lista dos temas sobre os quais posso falar ou não, a bem do meu quocienrte emcional

      • ABCXZD diz:

        Sr. Picoito, pode indicar a quem o lê quais são as organizações colegiais/profissionais, referências mundiais, que dizem existir problemas e quais as organizações da mesma natureza que indicam não haver razões para criar barreiras à parentalidade por casais do mesmo sexo? Indique também as referências contidas em cada declaração de posição dessas entidades. Faça o favor de nos fazer esse exercício, a bem da honestidade. Sobre os temas, posso dizer-lhe conforme for lendo o que escreve sobre assuntos fora da sua área. Com certeza.

  8. ppicoito diz:

    Sr. ABC etc., se quer ser juiz do que escrevo fora da minha área comece por assinar com o próprio nome e indique a sua profissão e credenciais científicas. Depois falamos, com certeza.

  9. margarete diz:

    P.Picoito,

    Ignorando os comentários provocadores e acreditando que valoriza de facto a discussão saudável, gostava de ler a sua resposta à última intervenção do/a PM78 (Maio 28, 2013 às 6:24 am)

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