O crepúsculo da imprensa (4).

Alberto Gonçalves a propósito de “causas fracturantes”:

os argumentos que sustentaram (digamos) a recente proposta de co-adopção por casais homossexuais tenderam para o sentimentalismo pelintra. Grosso modo, resumem-se no axioma seguinte: quem não está connosco é hipócrita e preconceituoso.

Óscar Mascarenhas, “provedor do leitor” do Diário de Notícias:

José Diogo Quintela, artista cómico atualmente circunscrito a ator de publicidade

No primeiro caso o autor caricaturiza grosseiramente os argumentos a favor da co-adopção para depois os “rebater”. No segundo caso, o árbitro da ética profissional do DN finge ignorar que o estatuto de José Diogo Quintela fora das páginas do jornal em que escreve é irrelevante.

Luis M. Jorge

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6 thoughts on “O crepúsculo da imprensa (4).

  1. caramelo diz:

    É isso mesmo, Luís.
    O Mascarenhas foi parvo. Nunca um provedor de leitores de um jornal poderia utilizar esse tom, que para mais é despropositado.
    O Alberto Gonçalves não falha e nunca desilude. O primeiro texto já é suficientemente imbecil; no segundo (e quarto), nomeia e goza com uma das criaturas histericas sem tino, e esta responde-lhe, se quiser, mas no terceiro bate-se aos pontos, dando como certo que um fotógrafo inventou a morte de crianças, de uma certa forma que ele e os do seu circulo literário patenteram. Isto: “Noutras paragens, inventar a morte dos filhos dá prémio – a fotógrafos. Foi o que aconteceu a Paul Hansen (…) Independentemente da autenticidade do retrato em causa…”, é um tratado.
    O Alberto Gonçalves não aproveita aquilo que o pensamento liberal conservador tem, em teoria, de mais valioso: o atender às pessoas como se fossem indivíduos. Era suposto que esta fosse uma causa querida a esta direita que bebe do melhor chá: saber se aquela criança fica ou não melhor com aqueles pais, independentemente de serem homossexuais, ou se aquelas crianças foram realmente assassinadas e as circunstâncias, e atender à dor dos pais. No fundo, alguma empatia. Mas do conservadorismo, paira mais alto, ao nível da defesa da civilização ocidental contra a barbárie e seus cúmplices desmioloados, ao nível da boa cepa conservadora portuguesa. Em privado, será menos cretino, mas é daquelas criaturas que não apetece conhecer.

    Por falar na imprensa e derivados, uma pequena nona de nostalgia: morreu o Roberto Civita, diretor editorial e presidente do conselho de administração do Grupo Abril, herdeiro de uma nobre linhagem, os Civita, médicis da literatura, que nos deram a conhecer os eternos Zé Carioca, Tio Patinhas, o huguinho zezinho e luisinho, e todos os demais bonecos, amigos e inimigos figadais que se tratavam, educada e nobremente, por “você”, antes do abastardamento do “tu”, quando passaram a ser cá editados, e o manual do escuteiro mirim. Chuif.

  2. o zelador diz:

    O 1º caso é evidente.
    No 2º o inquisidor para as questões da fé,perdão,o árbitro,pertence à nomenklatura e quem não é dos nossos.

  3. Elimina o meu comentário anterior, sff, pois só agora vi teu comentário no tal texto do FNV. Pensei que era coincidência. 🙂

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