Benfica: a hora negra ( Parte I- a cultura)

A cultura de um organismo  que compete por recursos é  a base da sua sobrevivência.  A teoria ecossistémica das organizações aplica-se  a partidos, exércitos…clubes. Clausewitz ( muito mais filósofo e psicólogo  do que militar) , que desde o Mar Salgado gosto de trazer à liça, também. Qual é a cultura actual do Benfica? Com pena escrevo: o Fc Porto. Qual o resultado dessa cultura?  A derrota sistemática  ( dois  títulos em 20 anos).

1) O FCP  definiu a sua cultura a partir de 1977. Eles dominam isto, temos de ser unidos, agressivos e implacáveis na resistência.Quando perdemos é porque eles  manipularam, quando ganhamos  é contra tudo e contra todos. Simples. Esta  cultura assenta  numa velha mitologia psico-política. O pressuposto bioniano do inconsciente  colectivo do Messias e  o fantasma do inimigo externo. Produção: um líder eterno sobredominador e um mandamento indiscutível: não podemos  baixar os braços  por um segundo. Como resultado, o FCP produziu uma cultura homogénea que permite, por exemplo, adaptar jogadores  recém-chegados imediatamente ou integrar adjuntos de segunda linha  logo no início de época  e fazer deles treinadores principais titulados (  aniquilando a treta do “projecto” e da “estabilidade”). É-lhes dado um pacote identitário pronto a vestir, as regras nem se discutem, os objectivos idem. Vencer ou vencer é o brasão.

2) A cultura  do Benfica tem sido o oposto. Não pode imitar o rival, que já ocupou o imaginário do resistente contra o domínio de Lisboa,porque é de Lisboa e arrasta a imagem de maior clube nacional. Não pode  deixar de erigir o rival como dragão temível porque ele ganha  no plano nacional e internacional. O que fez então? O que fazem todos os sitiados desorientados. Dispara em todas as direcções , recruta à pressa,  persegue ofegante  um sonho de vitória.  Quando consegue ganhar uma batalha, começa tudo de novo ( assim foi com Toni e com Trapattoni) ou deslubra-se ( assim foi depois da primeira época de Jesus).Com o tempo, instalou-se uma cultura paradoxal de inferioridade: queremos  ser como eles, eles, que nos derrotam sempre.

3) O que fazer? O FCP não conseguiu imitar o Manchester e tornar-se um clube nacional ( veja-se  a pífia festa do título e o recuo de  Carlos Abreu Amorim aterrado com a perda dos votos dos  magrebinos  de Gaia). porque preferiu esgotar o modelo cultural a arriscar alargá-lo, mas não só. Não conseguiu porque o Benfica ainda tem um atributo extraordinário que é a sua implantação no terreno. Este atributo deve ser a base da cultura do Benfica.

Infelizmente, o Benfica não o usa. Dois aspectos seriam essenciais para o potenciar:

a) Intransigente matriz identitária. Significa isto que nos  cargos de topo têm de estar benfiquistas. Na base ( quadros intermédios, maioria do quadro de jogadores), idem. Por pureza de raça? Não. Por inteligência. Quem dirige uma organização cujo principal  atributo é ser o maior  símbolo nacional , mas   que está numa longa situação depressiva e culturalmente abastardada,   tem de transmitir a ideia de que existe um escol  que vem de dentro do clube. Ou seja, que a força para inverter a situação nasce do orgulho  e não da inveja.

b) Reformulação do posicionamento no ecossistema. Defendo o reatamento das relações com o  FCP e , até, da troca de jogadores ( o xito já não existe, as regras são hoje limpas) . Um comando confiante não teme o adversário,  derrota-o. A exaustão  causada pela  luta mediática e pela contratação de jogadores distorce o prisma. Onde pensamos  vencer, perdemos. Veja-se a transformação semântica do campeonato “sujinho, sujinho “em”bela vitória na mais disputada liga dos últimos  anos”, veja-se a descoberta  de talentos para os quadros do FCP. A mentalidade  merceeira é óptima para mercearias, ou para negócios de pneus, mas não nos serve ( se Falcao era fabuloso, não se recuava no último minuto por causa de um milhão, quando depois  gastamos  o triplo em recrutas de bairro).

( cont.)

FNV

51 thoughts on “Benfica: a hora negra ( Parte I- a cultura)

    • fnvv diz:

      Nem quero. ré ré´re´re´….
      abraço

      • zé serra diz:

        agora queres reatar relações com o porto. cheira-me a vassalagem, como dizias quando o espelho ainda estava intacto. acho que o intermediário desse reatamento deveria ser o joão gabriel [aliás, aonde anda ele?] acolitado pelo rui gomes da silva. era giro, não era?

      • fnvv diz:

        é isso , vassalagem, é exactamente isso que está no texto.
        Parabéns pela argúcia tipo Elias.

  1. caramelo diz:

    Sobre o ponto 3, pequeno apontamento etnográfico:
    O Porto será sempre um clube regional; não é o Manchester nem pretende sê-lo. Os adeptos que usam faixas com “quero ver Lisboa a arder”, com o patrocínio do padrinho, não estão interessados em fazer amigos para sul.
    Não há um rio Mondego a dividir a Inglaterra entre celtas e mouros (magrebinos, que é a forma refinada agora em uso), não existem regiões em Inglaterra. As rivalidades entre aqueles chatos povos resumem-se à cena musical: Oásis e Joy Division versus Elton John e musicól. O Reino Unido é outra coisa e aí o Celtic nunca será um clube nacional, a não ser nas casas do Celtic frequentadas pelos escoceses católicos e não existe por lá devoção maior, só ultrapassada pela devoção das gentes de Massarelos pelo FCP. Mas a devoção nacional pelo Manchester em Inglaterra não chega aos calcanhares da devoção nacional pelo Benfica em Portugal. E isto aplica-se resto do Mundo. O Manchester tem de gastar uma pipa de massa em merchandising, e gasta, com excelentes resultados, para vender o Rooney à Tailândia, e pode vestir cada um dos habitantes da Tailândia com as suas camisolas e, bem negociado, substitui até a bandeira da Tailândia pela bandeira do clube. O Benfica chega à Tailândia, ninguém conhece os jogadores, mas toda a gente identifica a bandeira e sabe dos magriços do mundial 66, uma saga que vai passando oralmente de geração em geração, como lendas de velhos guerreiros em luta contra dragões. É assim a vida. Acredito que um jogador do Manchester que viesse para o Benfica iria sentir muito a diferença.

  2. Gustavo Santos diz:

    Filipe,

    belo escrito.
    Mas no seu texto não vi a palavra “competência”. Onde é que ela para?

  3. Vitor Esteves diz:

    …”Um comando confiante não teme o adversário, derrota-o.”….
    Sem dúvida, mas daí a ser necessário reatar relações vai uma distância que me parece dificil de percorrer, e, nas actuais circunstâncias contraproducente. No resto totalmente de acordo.

  4. Jorge Araujo diz:

    Concordo em parte , até porque a grande fraqueza da tripeiragem em geral é uma atracção estupida por Lisboa ( até o pedroto a tinha) e depois encantados adormecem, mas hoje em dia o espaço semi-tripas ( os antigos anti, ou vassalos) é tão forte e cresceu tanto que , vejo-mais a nova cultura numa de ser a aldeia de Asterix contra o Império do Mal. cada vitória, mais uma semana de independência não pondo em causa o super superlativismo. A tripeirada ( vivi por lá uns anos ) é gente excelente mas baixa a guarda com graxa e Lisboa.

    NC

    • XisPto diz:

      Se é o Jorge Araujo em que estou a pensar (basquetebol), o “vivi por lá uns anos” é modéstia excessiva. Diria que de certa maneira foi um teórico do “portismo”, o que explica ter-se sentido interpelado pelo nosso amável anfitrião e intrépido intelectual orgânico do benfiquismo… (caso contrário queira desculpar e ignorar)

  5. luis diz:

    Sou do Porto e portista.
    Tenho 36 anos e apesar de conhecer a história, como bem imaginam, não tenho memória para me lembrar de outro clube português a ganhar à bruta como o meu, ou se quer ganhar alguma coisa que se veja a nível internacional.

    Não discuto muito futebol porque não percebo grande coisa do desporto, apenas aprecio o seu lado social. Adoro Lisboa e tenho muitos amigos benfiquistas. Lamento por eles, porque sofrem sofrem sofrem.

    Gostei do texto e tal como já foi referido trocava só a associação do Manchester pelo Barça. Não sei explicar porquê mas cresci a associar o Benfica com o Real Madrid e com o Manchester United.

    Discordo com essa ideia, que me parece cega e mesquinha, de que o FCP é um clube regional. Pode até ter sido assim em tempos, mas acho piada quando não conseguem ver que a realidade se foi alterando.

    • fnvv diz:

      Caro Luís,
      “Discordo com essa ideia, que me parece cega e mesquinha, de que o FCP é um clube regional”.
      tem todo o direito, claro, mas note ( no texto) que a designação não é inteiramente pejorativa.

    • caramelo diz:

      Ser regional não tem nada de pejorativo. O Benfica é apenas o clube regional com mais projeção universal no país e no mundo, tipo o pastel de nata. A Académica, por exemplo, é universal; não há um canto do mundo que não tenha um doutor que não seja da Académica. Passam cá cinco anos, ficam da académica e vão espalhar o academismo pelo universo, como as acácias. É o clube mais chato do mundo.

  6. Jorg diz:

    1) Muito latim, é o que é. Destilar tanta ‘erudição’ sobre o FêCêPê para o encaixar num modelo de mundo recorda Marx (Groucho) sobre aqueles que se arrogam intuitivos em metafísicas sobre as mulheres, i.e. “Anyone who says he can see through women is missing a lot”…
    Parece-me pois o caso neste caso…

    2) A cultura imperante nos anexos do Colombo, despojos do Benfica de e até Fernando Martins, é a da Farronca & Propaganda, “esteroidizada” por créditos de endinheirados – enquanto deu, até ao Jorge de Brito -, e, mais recentemente, de ‘parvenus’ mais ou menos alarves que acrescentaram o insulto a sornice, que por ali se passeiam a passear as suas auto-atribuidas majestades, e a invocar direitos de renda – mamando créditos na banca, ordenhando Municipios e programas estatais, e usando os ‘média’ [ quase tudo de e na capital ] para vender ‘pugressos’ como o postiço engenheiro domingueiro patrocinava tomadas no passeio para carros eléctricos e escolas com sofás lounge em tekka , reclamando ainda um ‘droit de regard’ – a “verdade desportiva”, “novos ciclos, novas eras”, “pioneiros de não sei o quê”, “outros farão como nós” que se esgota na auto-celebração…

    3) Que fazer? Façam bem, com o orgulho d’oficio que invocava o pai adoptivo de Steve Jobs para pintar as “fences” do lado interno – “You got to make the back of the fence that nobody will see just as good looking as the front of the fence. Even though nobody will see it, you will know, and that will show that you’re dedicated to making something perfect”. Requer engenho, dedicação, respeito pelos outros, e humildade
    – para aguentar, por exemplo, o periodo entre a eliminação da Champions pelo Málaga e o empate do Estoril na 28a. Jornada, e ir ganhando todos os jogos, mesmo que tal parecesse ser inglório – e muito trabalho sério. Existe crença por detrás disto – para mim, sim, aquela emprestada do Americano de origem escocesa e presbiteriana
    “As a Scot and Presbyterian my father believed that man by nature was a damned mess and had fallen from the original state of grace, and that only by picking up God’s rhythms were we able to regain power and beauty. Unlike many Presbyterians, he often used the word ‘beautiful.’
    My father was very sure about certain matters pertaining to the universe.
    To him, all good things, trout [fishing] as well as eternal salvation, came by grace and grace comes by art and art does not come easy…”
    Ou seja, aquela irreverência do Kelvin no célebre instante 90m47s foi apenas um esforço, muito gracioso, “to pick God’s rythms”….

    • fnvv diz:

      “Muito latim, é o que é. Destilar tanta ‘erudição’ sobre o FêCêPê para o encaixar num modelo de mundo recorda Marx (Groucho) sobre aqueles que se arrogam intuitivos em metafísicas sobre as mulheres, i.e. “Anyone who says he can see through women is missing a lot”…
      Parece-me pois o caso neste caso…”

      Não é à toa que em Portugal há três palavras com uma curiosa conotação negativa: discussão, intelectual e filosofia.
      Às vezes até se reunem:
      Ó meu intelectual de merda…não quero discutir contigo filosofias baratas”.

      É típico de um país desenvolvido e próspero.

  7. zé serra diz:

    filipe, a vassalagem não está lá? o que propões para o benfica (inclusivamente troca de jogadores) é o que o sporting fez até há pouco. coisa que apelidaste de vassalagem ranhosa. em que ficamos?
    acho que erras no diagnóstico. o problema do benfica esta época é sexual: ejaculação precoce no jogo com o marítimo. os jogos a seguir foram nada mais nada menos que a necessária murcheza antes da coisa voltar a estar ativa. pagaram caro a basófia, mas não creio que seja necessário o repensamento «ab ovo» que sugeres. de resto, vocês são tão bons a regar relvados, a deixar estádios às escuras, a abandonar o estádio antes do adversário vencedor ser condecorado que não precisam de mais. os maus da fita são vocês. continuem a sê-lo.
    abraço tipo «tacuara: – a culpa é toda tua»

    • fnvv diz:

      “Filipe, a vassalagem não está lá? o que propões para o benfica (inclusivamente troca de jogadores) é o que o sporting fez até há pouco. coisa que apelidaste de vassalagem ranhosa. em que ficamos?”

      Filho, vcs não fizeram propriamente – como hei-de dizer isto sem te ofender – trocas….
      o resto está no texto.

      • zé serra diz:

        eh eh eh o teu paternalismo é confrangedor. depois de uma época desastrosa ainda tens o topete de bater na mesma tecla. ora bem, o moutinho foi bem vendido a seu tempo – e não, para mim nunca foi maçã podre – e o izmailov igualmente.
        agora, aqui para nós que ninguém nos ouve: o javi garcia e o witzel teriam dado jeito, certo? e o nolito, o bruno césar, despachados em janeiro também.
        consegues gastar uma palavrita sobre os acontecimentos do jamor? a fuga envergonhada do estádio, o desatino do tacuara… diz lá qqr coisa, vá.
        abraço

      • fnvv diz:

        Claro que consigo, mas primeiro a cultura, sempre a cultura.
        abraço tipo Ghilas

  8. zelisonda diz:

    Caro Jorge Araújo,
    “A tripeirada ( vivi por lá uns anos ) é gente excelente mas baixa a guarda com graxa e Lisboa”. Isso é a foz não é o Porto…

  9. Jorge Araujo diz:

    sim , concordo que á a FOZ , falava acima de tudo da foz, mas a foz pega-se e manda , mal saia o PC , em 1977, aliás começou por correr com a Foz do FCP e ele é de lá

  10. zelisonda diz:

    Não, não é. A casa de família dos descendentes do Honório de Lima situa-se na Rua de Cedofeita, na baixa da cidade e não na foz.

  11. Jorge Araujo diz:

    sim, correcto mais tarde , lá para 1980, ainda havia como dizia o PC( o papa) , necessidade de limpar o CDS , repare a Foz é um sitio onde o Baia mete os putos no colégio, mas nas reuniões de pais não se sentam ao lado, enfim como diria Rei Artur, as coisas são o que são, umas bonitas , outras menos bonitas . Também é injusto, porque Foz tem coisas boas

    • Isso do CDS é com certeza uma alusão ao Américo de Sá, a quem PC derrubou à força de greves dos jogadores e de acusações de Pedroto. Como diz ele próprio diz, “a arraia-miúda é que me pôs na presidência”. É a revolta de Campanhã e do Bomfim.

  12. zelisonda diz:

    De acordo.

  13. Jorge Araujo diz:

    bom, vêm do meio, mas não apanhou a 100% com a fozquice no seu pior

  14. vlx diz:

    pensei que era eu o teu morcõn favorito… ;-)))

    Olha lá… Este ano foi tão mau que até eu te deixei sossegado…
    Mas sossega, até o Filipe Vieira já disse: “a nossa hora está a chegar”
    Abraços
    vasco

  15. pmramires diz:

    Quadros intermédios inclui treinador? Se for director de futebol, adjuntos, massagista, etc, de acordo – nada menos que fanáticos como nós. Quanto ao treinador, acho um absurdo. Quer dizer, se poder ser benfiquista, melhor, mas se o Mourinho fosse do Sporting, queria lá saber, temos de escolher o melhor. Por falar em Bayern, é isso que o Bayern faz: estrutura de fanáticos, com uma aglomeração de troféus ganhos pelo clube na vitrina, e no banco o melhor. E não se preocupe com isso do orgulho no clube, eles ganham-no. Olhe, a primeira vez que vi o Fábio Coentrão estava ele a jogar futebol com uma t-shirt da Juve Leo. Hoje é um fanático pelo Benfica. Ou observe o Moutinho, que será, segundo o próprio, portista para a vida.
    Portanto, se inclui treinador, não estou totalmente consigo. Se não inclui, estou consigo totalmente.
    O problema no negócio do Falcão foi a fé no «tractor a pedal». Aquele galináceo indisciplinado já nos fez abdicar de avançados bem melhores do que ele.
    Enfim.

    • fnvv diz:

      Depende. Por ex, o Rui Vitória foi treinador dos juniores e é benfiquista, mas o treinador principal pode não ser. Preferia, sim,é preciso partir muita pedra ( o segundo texto falará disso).
      Agora, um Eriksson só aterra e ganha se a armada for vermelha.
      Agradeço a todos as contribuições.
      SLB/ quem não sabe é como quem não vê…
      FNV

  16. MCS diz:

    Humm… bem, acho que o Filipe começa bem e acaba mal. Comecemos pelo final: reatar relações com o fcp. Para quê? Já que falou no Manchester (MU), qual o tipo de relações que o MU tem com o Chelsea, o Liverpol, M. City? Nenhumas, apenas as institucionais. Troca de jogadores? Para quê? O próprio PC diz que o dep. de prospecção do Benfica é o melhor. O Falcao é um exemplo (era bom na terra dele – estava no México, acho -, mas quantos é que vieram da Am. Sul e foram fiasco na Europa. Nem é preciso ir tão longe, o Javi Garcia foi considerado o segundo maior flop na Inglaterra…pois). Porém, concordo, se foi apenas pela diferença de 1 milhão, foi asneirada.
    O Benfica tem cultura, história, experiência, para seguir o seu caminho e não imitar ninguém, E aqui tem razão, não é com um merceeiro sem qualquer amor ao clube que vamos lá. O LFVieira quer lá saber do Benfica, quer é fazer os negócios dele e ganhar uma pipa de massa. Diz que dedica 14 horas por dia ao clube e que não aufere qualquer salário. Pois, e o dinheiro cai-lhe do céu enquanto dorme. Ele já devolveu os 18 milhões que pediu emprestado ao BPN? Já me estou a desviar do assunto.
    Concluindo, o fcp é, sim senhor, um clube regional, mas como o país é tão pequeno, se chegar até Espinho, já ocupa uma área importante do rectângulo 🙂
    O Benfica para ganhar só precisa de manter um onze base por dois anos seguidos. Foi o que aconteceu com o Trapattoni, o resto já lá está. É mais simples do que parece.

    • fnvv diz:

      O Ince foi do Liverpool para o Unitedl, o Torres do Liverpool para o Chelsea, o Van Persie do Arsenal para o United e o Kolo Touré acaba de sair do City para o Liverpool, mas não é esse o ponto, caro MCF.
      Já disse e volto adizer: nós vivemos obcecados com o FCP. A melhor forma de exorcizar esse complexo é ter relações normalizadas com eles. A troca de jogadores será la fleur au fusil, se quiser, um teste ao crescimento e maturação.

      A simplicidade de que fala é, do meu ponto de vista, nada simples, mas apresentarei os meus argumentos depois e submete-los-ei à sua ( vossa ) crítica.

    • André diz:

      “O Falcao é um exemplo (era bom na terra dele – estava no México, acho -”

      Quanta asneira cabe numa frase? O Falcão é colombiano e não era “bom na terra dele”, porque veio desse desconhecido River Plate da Argentina, onde era ídolo e melhor marcador, fama essa espallhada por todo o mundo. Falcão não foi uma questão de scouting: a minha avó com internet chegava lá. Hulk, por exemplo, foi, ou Fucile (Liverpool de Montevideo). Jackson estava a ser seguido há dois anos. O FCP tem 300 observadores dedicados à captação, não sei como funciona no Benfica, mas não parece ser grande coisa, salvo honrosas excepções. Refiro-me aos casos em que jogadores são autenticamente desenterrados à obscuridade; situação não aplicável a Witsel, francamente visível no Standard de Liege e na selecção, ou Javi Garcia, vindo do Real Madrid. Parece estar agora mais focado nos Balcãs, porque a América do Sul tem as vias privilegiadas de aquisição dominadas pelo FCP. É um mero palpite.

  17. MCS diz:

    Enquanto o Filipe trata da 2.ª parte, deixe-me contar uma história. Esta é apenas uma das menos significativas. Ah, antes que me esqueça, isso que refere em Inglaterra são relações de Dinheiro, não são institucionais. Entre Benfica e fcp não será possível, porque nenhum tem dinheiro para comprar entre eles, só se comprassem refugo e disso têm ambos de sobra. Esta história diz respeito ao SLB para que os andróides não fiquem com a mania da perseguição (o Porto é a minha cidade de paixão, sim, sou do Norte). Então é assim: há uns anos, 10 talvez, fui convidado por uns amigos que eram dirigentes de um clube da segunda divisão, nos arredores do Porto, para assistir a um jogo lá na terra. A meio da segunda parte, estava eu já completamente entediado, resolvi dar uma volta pelos corredores e deparo-me com 3 dirigentes (um era o presidente, o SLB tinha vindo jogar a Braga, acho) do Benfica a falar com alguém. Pensei: aquela cara não me é estranha. Chamei o meu colega e perguntei quem era aquele tipo que eu estava a conhecer. Resposta: é o árbitro X, mora aqui perto. Na semana seguinte esse árbitro estava a apitar o Benfica na Madeira contra o Marítimo. Estive MUITO atento ao jogo, claro. Foi um jogo sem casos, o SLB venceu por 2-1. Mas os últimos 15 minutos foram magníficos: o Marítimo quando queria reagir nem passava do meio-campo. Quem se aproximasse de algum jogador do Benfica era logo falta, os do Marítimo podiam levar cacete que não era nada. O último lance do jogo foi a cereja: corte do defesa do Benfica na zona do meio-campo para canto. O árbitro transforma esse lance em ponta-pé de baliza. Entre ir buscar a bola e repô-la em jogo acaba a partida. Conclusão: jogo “aparentemente” limpinho. No dia seguinte diz-me o meu colega: “viste como é que se faz? Agora pensa nisto: todas as semanas estão aqui dirigentes do fcp a falar com “gente do futebol”… Claro que se não tiverem bons jogadores isto não vale de nada. Mas tendo as costas bem resguardadas ajuda e muito. Isto para dizer o quê: enquanto o Corleone estiver no fcp nem pense em reatar relações. O Filipe não os conhece, é o mesmo que negociar com os talibãs, é impossível. O Corleone nasceu do ódio ao Benfica, enquanto ele lá estiver não vale a pena. Ah, e teria outros casos para contar, esses mais graves e dizem respeito a jogos internacionais nas Antas/Dragão (sim, internacionais e recentes. O apito dourado é na época do Mourinho, convém não esquecer), mas sem provas não passa de conversa de tasco, por isso, calo-me.
    Eia, grande lençol!

    • fnvv diz:

      Boa história, mas não muda a minha opinião. Repare: se a grande força do adversário é o ódio que nos tem e a mística que lhe associou., então se..
      Depois vou contar como o Carlos Eduardo foi para o FCP ( não importa aqui o clube, import ao processo). É exemplar .

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