Do Maio de 68 ao Maio de 2013

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Volto a França. O que me surpreende, quase meio século depois do Maio de 68, é que as posições parecem inverter-se. Os conservadores manifestam-se nas ruas e os progressistas batem-se por uma instituição burguesa. Tanto tempo depois, “l`imagination au pouvoir” é agora “le mariage pour tous”. Talvez porque, “au pouvoir”, “l´imagination” aspira a tornar-se respeitável. Os que ontem defendiam modos de vida alternativos, hoje eles próprios na década dos 60, querem que o amor seja reconhecido no papel. E a revolução? E a praia da utopia sob a calçada do conformismo? Quem disse que a família tradicional está em crise?

PP

11 thoughts on “Do Maio de 68 ao Maio de 2013

  1. caramelo diz:

    É uma forma de ver. Eu acho que é mais aquilo que os modernistas brasileiros chamavam antropofagia cultural. Os gays estão a devorar as instituições burguesas. Dito de outra forma, os conservadores estão a ser comidos (honny soit…)

  2. ppicoito diz:

    Aconselho maneiras mais pausadas à mesa. As instituições burguesas demoram séculos a digerir.

  3. Luís Marques diz:

    45 anos

  4. henedina diz:

    mais respeitável sinónimo de casamento?

  5. ppicoito diz:

    Não apenas de casamento, mas de conformismo com os valores tradicionais, formalismo, convencionalismo, etc. Na perspectiva conservadora, que afinal é também a dos progressistas, pelo que se está a ver.

  6. cristiana fernandes diz:

    Deve prepar-se ( penso, dada a sua relutância em relação à co-adopção): o Tribunal Europeu dos Direitos do Homem proferiu um recente acódão ( creio que de Março último) onde condena o Estado Austríaco por este não consentir a adopção a uma pessoa homossexual : ou seja, muito e breve a co-adopçãp não basta para que o Estado Português escape à condenção daquele Tribunal. Estou em crer que, mais cedo do que se pensa ( e por imposição externa ), adopção por pessoas do mesmos sexo será ou terá que ser uma realidade .

    • ppicoito diz:

      Mas qual é dúvida? Nunca duvidei que a coadopção fosse apenas um passo para a adopção gay. E nem é preciso vir o Tribunal Europeu dos Direitos Humanos: basta o actual PSD.

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