Matar, matar

Kai-hui foi  uma das mulheres de Mao e  morreu às mãos dos nacionalistas, em Changsh, em 1930. Escreveu, nos últimos meses de vida, várias cartas e poemas. Ah! matar, matar,matar! Tudo o que ouço é este som nos meus ouvidos.

O regime pintou-a como fervorosa súbdita, ,como no retrato em cima, mas os textos dos últimos dias  foram cautelosamente omitidos. São de uma enorme elucidez diante do que a espera, mas também diante do abandono de uma filosofia de morte: Tenho de ter uma fé, Deixem-me ter uma fé (  Jung Chang, 2005). Se não tivesse sido morta em Changsh, este desvio antibolchevique custar-lhe-ia a vida  depois.

Quanto mais leio sobre a origem do maoísmo – em vez do período da  Revolução Cultural -, ou seja, sobre a artificialidade da  manipulação soviética e  a promessa demencial, mais desconfio dos cosmopolitas ilustrados  que abraçaram o projecto no sossego ocidental.

FNV

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12 thoughts on “Matar, matar

  1. caramelo diz:

    Cai no erro de ir ver à wikipedia quem era a senhora e agora não consigo parar de abir links para os chineses da familia dela e de todos os que se aproximaram a menos de dez metros de cada um deles. Vou passar as férias a abrir caixinhas chinesas. Só conhecia a Shiang Xing, a do bando dos quatro. Passei tempos heróicos no tempo da nossa revolução cultural a discutir o seu julgamento, quase até à porrada.

  2. João. diz:

    E aqui poderão dar conta da polémica entre o historiador anti-comunista do regime (Robert Conquest) e J. Arch Getty sobre Stalin e a URSS:

    A polémica entre os dois historiadores segue na caixa de comentários do site, a seguir à crítica que Getty faz do livro de Conquest.

    http://www.lrb.co.uk/v09/n02/j-arch-getty/starving-the-ukraine

  3. João. diz:

    Sobre as competências da historiadora citada, Jung Chang:

    http://en.wikipedia.org/wiki/Mao:_The_Unknown_Story#Criticism

  4. João. diz:

    Não sei se distingue.

    Há por aí muita história main stream para a qual, a título de ilustração:

    a)”Sherlock Holmes é inglês”

    e

    b)”Winston Churchill é inglês”

    pertencem ambos ao mesmo subconjunto do conjunto “é verdade que”, ou seja, para o caso, são tomadas, materialmente, como do declarações verdadeiras do mesmo tipo.

    • fnvv diz:

      Pois, mas o que distingo ou não sei eu, não vc (já assim foi com Katyn, essa vergonhosa invenção da CIA…) nem o Partido, graças a Deus, Maomé etc

  5. XisPto diz:

    “mais desconfio dos cosmopolitas ilustrados que abraçaram o projecto no sossego ocidental”
    .
    Percebo o sentido, mas é uma frase particularmente dura, pelo menos neste nosso jardim, naquele tempo. Os maoistas portugas não foram particularmente cosmopolitas, antes o fossem, à Soares, e a coisa não foi assim tão sossegada, até houve quem tenha tentado fazer um julgamento popular de um PIDE e acabou com o nome numa praça. Foi mais uma ilusão dos sentidos e do intelecto, só mais uma.

  6. beirão diz:

    Que cambada de salafrários, esses tais “cosmopolitas ilustrados que abraçaram o projecto no sossego ocidental”!
    Por que será que os nossos queridos média não tugem nem mugem sobre a monstruosidade dos crimes ‘comunas’?. Acerca dos 100 milhões de mortos às mãos dos comunistas nem uma palavrinha. Tudo bons rapazes.

    • João. diz:

      Nos regimes comunistas não existem mortes por causas naturais – é tudo assassinado.

      Nem existem criminosos – é tudo preso injustamente.

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