Monthly Archives: Julho 2013

Uma questão ideológica

A seu pedido, Francisco José Viegas foi ontem à comissão parlamentar de Educação e Cultura para dar a sua versão do “caso Crivelli” e acabar com “a palhaçada do quadro”, como lhe chamou. Infelizmente, o caso é sério e está longe de terminado, até porque se desconhece o actual paradeiro da obra. Coisas do país das maravilhas. Viegas, cuja decisão contrariou todos os pareceres técnicos excepto o da sua própria assessoria jurídica, fica mal no quadro – se me permitem a piada fácil. Não acredito no favorecimento intencional a Pais do Amaral, mas, na prática, houve um favorecimento objectivo. Ao permitir a saída do quadro para o exterior, permissão negada aos anteriores proprietários pelo Governo de Sócrates, o Estado privilegia o actual proprietário.  Viegas reconhece que a sua decisão se deve “a uma questão ideológica óbvia”: o respeito pela propriedade privada. Estranho respeito que só protege os mais ricos…

Mas a questão principal, como sabemos, não é essa. A questão principal é que, para Viegas, a propriedade privada de uma obra se sobrepõe ao seu  interesse público. É uma doutrina errada e que abre a porta à lei da selva. E nem se trata de não haver dinheiro para o quadro, ao contrário do que ontem dizia Viegas. Parece haver dinheiro para tudo, dos swaps e das PPPs ao BPN e ao Museu dos Coches, menos para Crivellis. É exactamente por isso que se impede a sua saída –  para que o Estado, com tempo,  possa reunir o dinheiro e pagar o preço de mercado. Não é um confisco, não é uma nacionalização, não é uma expropriação. Acontece o mesmo em países mais liberais do que o nosso, como a Inglaterra, por exemplo, que impediu recentemente a venda de um Rembrandt na posse de um particular a um museu americano. O Governo inglês dispõe agora de três meses para o comprar, o que não será muito difícil, já que tem um fundo  razoável para estas emergências e o hábito de recorrer ao mecenato. Uns verdadeiros comunas.

PP

Pois, boas férias.

Luis M. Jorge

É uma pena

Eu não ter tempo e estar de partida.

Tinha aí uns  links para fazer ( sobre” vermes”  e “idiotas úteis”) para alguns blogues e umas respostas a comentadores.

Fica para mais tarde. Ou nem isso. Não vale a pena.

FNV

Com a irreverência típica dos países livres.

Há uns bons anos atrás um cómico na televisão de um dos países nórdicos que não me fica bem nomear, escandalizava o país. A propósito da barba do príncipe real comentava com a irreverência típica dos países livres que, com aquela barba mal semeada (…) «dava a impressão de ter arrastado à nascença (dratt med seg) os pêlos da cona da mãe» – da rainha, óbviamente.
Ao ler por aí que o Governo retoma briefings diários quarta-feira, e olhando para a barba dos briefingantes…

Daqui.

Luis M Jorge

Intervalo

Uma semana mais dificil e depois uns dias sem net. Volto depois de 15 de Agosto (se os deuses quiserem).

FNV

Grandes Mestres Kazimbas

As previsões, enfim, são falíveis, apenas inocentes previsões.

E as maviosas  estão sempre  à mão quando estamos aflitos.

FNV

Parsifal no Midwest (4)

To-The-Wonder

A assimiliação entre o amor humano e o amor divino proposta por Malick, como vimos, aproxima as palavras de Marina na sequência incial da literatura mística cristã. É uma das chaves do filme, um verdadeiro refrão omnipresente e explícito, por exemplo nas homilias do Padre Quintana (“despertem o amor, a presença divina em cada homem e mulher”) e também na recorrente metáfora do amor como uma ascensão que o casal faz de início sem esforço, impelido pelo desejo, mas que exige, fora do paraíso original, uma permanente purificação sem a qual não sobrevive: “quando receamos ter perdido o amor, talvez esse amor esteja à espera de ser transformado em qualquer coisa mais alta” (Quintana, mais uma vez).

Na visão de Malick, o amor não é apenas o sentimento passageiro que os amantes experimentam intensamente ao princípio, mas o esforço impossível, ou só possível graças à “presença divina em cada homem e mulher”, por mantê-lo vivo apesar da passagem do tempo, da usura da vida a dois, do limite imposto pelo nosso egoísmo. Como diz Quintana, sempre a voz do realizador, “o amor não é apenas um sentimento – é um dever. Tu dizes: não posso mandar nos meus sentimentos, eles vão e vêm como nuvens. Ao que Cristo responde: amarás, quer gostes ou não.” (“You say: I can´t command my emotions, they come and go like clouds. To that Christ says: You shall love, whether you like it or not.”)

As nuvens, como os elementos esplendorosamente filmados por Malick, são uma metáfora da efemeridade do amor que nasce do instinto, mas ao cenário-personagem da natureza opõe-se o verdadeiro amor, que nasce de uma demanda do coração. Assim nos diz a música, outro nível de sentido indispensável. Há três melodias, em especial, que se repetem e funcionam como eixos estruturantes de toda a narrativa. (Nota: devo ao meu amigo Carlos Pontes Leça, musicólogo e cinéfilo, a sua identificação.)

A primeira é o Prelúdio do Parsifal de Wagner, que surge a acompanhar a voz off de Marina quando esta e Neil, depois da subida pelas ruas medievais, entram na igreja e no claustro do Mont Saint Michel.  Banda sonora escolhida a dedo, como acontece sempre em Malick. De todas as óperas de Wagner, Parsifal é precisamente aquela em que a simbologia cristã mais se evidencia, ao ponto de Nietzche ter ficado furioso com o compositor pela sua aparente deriva religiosa. A aventura wagneriana de Parsifal, o cavaleiro puro e inocente que sucede ao rei Amfortas na posse do Graal, o cálice de Jesus na Última Ceia, simboliza o esforço de ascese que permite chegar ao amor “mais alto”. Amfortas, chefe dos guerreiros virgens que devotam a vida à guarda do Santo Graal no Mont Salvat (o “monte salvo”, outra imagem do paraíso), não pode, contudo, olhar para esse símbolo do ideal cristão sem sentir a dor de uma ferida antiga nos flancos, recebida em combate como castigo por se ter deixado seduzir pela feiticeira Kundry, que tenta também seduzir Parsifal (sem sucesso). Kundry representa a tentação da carne, Amfortas o pecador que cai, a ferida nos flancos o castigo divino, Parsifal  o amor puro.

O mesmo Prelúdio do Parsifal volta quase no fim do filme, depois de Neil e Marina irem viver para casa dele, no Oklahoma, depois de uma separação em que ela volta a França, depois da reconciliação e do casamento civil e religioso, depois de uma cena fortemente simbólica em que  ela se confessa (“Perdoe-me, Padre. Magoei muita gente, mas sei quem sou”, exacto reverso do Parsifal wagneriano, um inocente que repete não saber quem é…) e comunga do cálice eucarístico, alusão transparente ao Graal. Depois de tudo isto, vem um anticlímax que o Prelúdio acompanha: o adultério de Marina com um vizinho anónimo, que a seduz oferecendo-lhe um instrumento musical, sexo casual num motel barato, traição ao amor divino e ao amor humano que é mais fruto do tédio do que da paixão. Pormenor curioso, a parte do corpo do amante que Marina beija primeiro é uma tatuagem no peito, uma teia de aranha com uma caveira no meio, imagem do pecado que aprisiona a alma e lhe dá a morte.

O Prelúdio do Parsifal de Wagner faz-se ouvir assim no momento mais alto do amor de Neil e Marina, no Mont Saint Michel, cume físico e simbólico da sua paixão, e no momento mais baixo, o adultério na América que precipita o fim do romance e do filme.  Música insinuante e grandiosa, marca o princípio e o fim da narrativa como um eco ou uma citaçaõ interna. (cont.)

PP

Que marca é essa no teu pescoço?

Sobre  Maria Luís Albuquerque  escrevi isto  no início do mês.  Como não tenho trela nem coleira, à medida que  os factos se foram apurando,  conclui que ela mentiu. Todos os homens  mentem, os políticos mentem mais por dever de ofício. Nada há de extraordinário nisto.

É tão simples e faz tão bem ao pelo.

FNV

Tem toda a razão

É assim mesmo.

O que é interessante é que a subjugação  tradicional ( financeira, física etc) é produto da cultura feminina. Come-se o  que nos põem  à frente. A revolta  deles com a revolta delas vem da erosão da tradição feminina via erosão da família.

FNV

Belisquem-me, por favor

…e digam-me que “Sentir Lisboa” é nome de uma telenovela da TVI e não da lista PSD-CDS às autárquicas de Lisboa…

Por favor…

PP

Do mal o menos

Graças a um requerimento do deputado Hugo Velosa, do PSD, e à vontade da maioria, a votação final da coadopção por casais homossexuais passou para a próxima sessão legislativa. A minha previsão falhou, e ainda bem. Talvez haja agora algum tempo para o debate que não foi feito, a começar no próprio Parlamento.

Não alimento grandes esperanças sobre o resultado final – esta maioria parlamentar está claramente mais à  esquerda do que os seus eleitores. Mas os deputados que, na votação na especialidade,  fugiram para parte incerta têm aqui uma oportunidade de votar em consciência. Como potencial eleitor da fantasmática direita lusa, estarei atento. E não serei o único.

PP

Da série “O som e a fúria”

Dante_Alighieri

“Is Dante underrated today? His memory has been kept alive by poets, among them T.S. Eliot, scholars such as Ernst Robert Curtius or Erich Auerbach, and most recently a biography by A. N. Wilson. The secular world may have fought  shy of Dante`s devout, if idiosyncratic, Christianity, but those who don`t read his Inferno are missing out on a great book. After eight centuries his laurels are secure, but his spirit knows no rest. What advice would his shade give to the reader of [Dan] Brown`s Inferno? Abandon all hope, ye who enter here.”

Daniel Johnson, “Underrated”, in Standpoint, Jul./Aug. 2013.

Calor sólido ( XII)

A custo, o reitor, o comunista ( quis ser ele a guiar), o jornalista, o actor e o anarca enfiaram-se no Range Rover e foram pelo país fora tentar perceber. Tinham posto um anúncio:

” Precisa-se de  revolução, levantamento popular e motim. A tempo inteiro ou parcial. Oferecem-se  regalias: tudo gratuito, camisetas do Che e um livro de Louçã sobre o modelo albanês”.

FNV

Com as etiquetas

Comando? Qual comando?

Os benenosos espumam e fazem contas de alguidar com os mesmos dedões com que se lambem das tripas, mas a procissão ainda vai no adro.

É isto que o  futebol tem de fabuloso e nos livra de fanáticos políticos: estou com um   pó ao Vieira e ao Jesus  que nem vos conto , mas todos os dias passo na Benfica TV.

PS: o puto sérvio, Markovic,  promete…

FNV

Guerras radicais.

Só para quem gosta:

Monster ataca Red Bull. Leiam os comentários.

Um microsite dedicado ao jovem empreendedor Miguel Gonçalves, o amigo do Dr. Relvas (sempre a “bater punho”).

Luis M. Jorge

Agora sem magoar, querida.

Poiares Maduro, a consciência vaporosa do governo remoçado, retornou ao convívio das famílias com punhos de renda e muita meiguice: “Há sacrifícios que os portugueses ainda vão ter de fazer”. Sim, meu anjo. Quererás dizer que “ainda” temos de “racionalizar” quatro mil e novecentos milhões de euros, não é verdade? Cortar nos salários, nas pensões de sobrevivência, despedir professores e enfermeiros, atrasar as cirurgias e mandar os desempregados para a puta que os pariu, não é, lindeza? Pois deixa-me confessar-te uma coisa: gostava mais do Relvas. Porque o Relvas não era sonso. Porque quando o Relvas falava não se dava ares de cupido renascentista nem de astro do cinema independente. E quando o Relvas estuprava, graças a deus estuprava à bruta: sem palmadas no lombo, sem afagos na garupa e sem torrões de açúcar, faço-me entender? Portanto, vê lá se nos fodes com respeito.

Luis m. Jorge

Hamada Badr, 18 anos

Alexandria. O miúdo morre no fim. Não estava a fazer nada, não tinha tomado parte.

FNV

Abanando

A árvore. No Depressão Colectiva.

 

FNV

Mulheres mortas, desprezo e campanhas

Já alguém avaliou o resultado da campanha televisiva? Parece que era maravilhosa. 

Adiante, que o assunto é sério. Googlemos Igreja Católica contra violência doméstica.Uma pobreza,não é’ E se experimentarmos padres contra a violencia doméstica em Portugal? Outra vez uma tristeza, não é?  Aparecem mais referências a homossexuais e casamentos gay  do que à pancada nas gajas, famílias destruídas etc.

Estamos  conversados. Só os   gays mobilizam os conservadores religiosos  a sério, só os gays os fazem escrever toneladas, organizar petições, comícios etc. Paixões…

FNV

Muito divertido.

O twitter do “Papa Francisco”, em português do Brasil. Highlights:

Chegando ao aerorpoto que tem o nome de um tal de Santo Dummont. @Papa_BentoXVI foi vc quem canonizou esse moço? Não lembro.

Eu ia subir aos céus em uma nuvem santa, mas o Cabral ofereceu o helicóptero dele. resolvi evitar a fadiga. #cansei

Aviso: quem me retuitar ganha ingresso vip pro céu. #promoçãorelâmpago

Dilma pediu pra se confessar comigo. Falei q não rola, vou ficar apenas uma semana.

Ainda não encontrei a Cristina, glória a deus!

Que criança linda! Pena que vai estudar em escola pública.

Para quem prefere a alta finança recomendo o “Elevador da Goldman Sachs“, um clássico.

Luis M. Jorge

Jornalistas

Eu não sou, mas,  se fosse, ainda que mau  e reles,  perguntava:

a) A Vítor Gaspar como é que um ajustamento era bonito em Maio e em Julho escreveu uma autocrítica e se demitiu.

b)  Ao  dr. Portas, à saída de uma reunião, numa entrevista  televisiva, num intervalo do cinema,  onde  fosse, por que motivo 48 horas foram suficientes para se recordar de Sá Carneiro.

FNV

Solidez

Estes vergonhosos criticavam o governo que quis ir além da política sugerida  por estes outros vergonhosos, não é?

O país ainda está melhor que os analistas.

FNV

Dressage

Não são capazes de atender peões e ciclistas? Por acaso  há quem atenda ciclistas, mas esta história de altivez  fez-me lembrar uma em que participei.

Estava de férias num turismo rural no Brejão, julgo que se chamava Sete Quintas, e das poucas vezes que a dona se dignou a falar comigo ( questões de logística) nunca se deu ao trabalho de descer do cavalo. Cheguei  a divertir-me , imaginando-me  escudeiro da Joana d’Arc ou ordenança do general Sherman.

Por vezes há pessoas, instituições, grupos, que falam sempre  para  a gente de  cima do cavalo. Importa não nos  deixarmos tomar  por cavalgaduras.

FNV

Mais gregos

“Mas há uma razão ainda mais funda, estrutural, para que a crise não se vá embora e ela traduziu-se na grande omissão destes dias, no enorme silêncio absurdo e cego com que se discute tudo e três tostões como se as pessoas comuns fossem mera paisagem, os portugueses súbditos sem voz — as eleições não servem para nada, dizem-lhes — e colonizados pelos colaboradores dos “credores” de um protectorado consentido sem revolta. Se nada disto mudar, é só esperar pelos próximos episódios”.

Tenho dito e repito. Por causa de Henrique Chaves, ouviu-se o povo, por causa de umas eleições regionais que  correram mal a Guterres, ouviu-se o povo. Por que não se ouve  povo agora? Acrescento uma nota ao parágrafo do JPP:

A esquerda revolucionária e os cripto-fascistas  desprezam o kairos eleitoral  Descobrimos agora que o centrão partidário, anquilosado e receoso,  é o proto heuretes de um novo tipo de comunidade política: os idiotai  só são chamados quando tem de ser. Nos intervalos foge-se de qualquer perturbação que a decisão popular possa transmitir à cidade.

FNV

A suivre

La Republique, la loi et l’envie de revolution.

Realmente, que mania esta dos europeus quererem fazer cumprir  as suas lei nos seus países…

FNV

25ºderivado do ácido lisérgico

Enquanto não leio a tradução  ( excelente, de certeza) que o Miguel Serras Pereira fez do livro do Oliver Sacks, continuo na trip.

Era capaz de jurar que Cavaco tinha dito que havia eleições  em Junho de 2014 se não houvesse acordo,  mas ontem ouvi-o dizer que o governo cumprirá o mandato.

FNV

 

Prevemos grande adesão ao PSD em 2030.

Ainda não vi Nuno Crato, o aiatolá do “combate ao facilitismo”, penitenciar o Governo a que pertence pelos maus resultados dos exames de português e matemática. Quando chegarem os próximos relatórios PISA da OCDE veremos em que estado deixou o ensino (a menos que também os suspenda, como já aconteceu neste caso).

Luis M. Jorge

Olhemos então para o futuro.

Esta semana, no The Economist:

Portugal’s borrowing costs have surged, and the latest central-bank forecasts suggest that the economy will barely recover in 2014 after three years of deep recession. Instead of the promised turnaround, the bank now expects only 0.3% growth next year. The main culprit is bigger-than-expected cuts in public spending that were necessary to keep the bail-out on track. This forecast is hardly likely to strengthen confidence in Portugal, Greece or across the wider euro zone that austerity is working. Nor will it support the fond hopes in Brussels that Portugal was safely pulling away from Greece and would follow Ireland by getting out of its bail-out programme. Just now, neither country looks anywhere near ready for graduation.

E já agora, um pequeno apontamento sobre a América no Financial Times:

Wall Street returns to era of big profits. In dollar terms the biggest Wall Street banks are enjoying themselves more than at any time since 2007. After years of struggle, pre-crisis levels of profits are back.

Tendo em conta a estima que me merecem os nossos leitores da Crinabel vou resumir a coisa como se fossem muito estúpidos: a austeridade na Europa está a falhar. Nos Estados Unidos, pelo contrário, apesar das invectivas a Krugman e dos sérios avisos de dezenas de sábios lusitanos em blogues e matinés da Júlia (a dívida, a dívida!, lembram-se?) tudo parece estar a correr bem.

Não agradeça, estamos cá para servir.

Luis M. Jorge

Whatever.

Há anos em que o mundo nos serve um prato de lentilhas, ignorando que detestamos lentilhas. Nessa altura podemos obsequiar as tulipas com um belo adubo natural. Tenho poucas filosofias de vida excepto esta convicção de que a merda que recebemos há-de ser acarinhada por outros como um presente raro e inapreciável.

Deus não colocaria tantos palermas no extremo de um continente se não lhes destinasse um papel qualquer no decreto teleológico. Seremos talvez como gramíneas, prontas a ceifar. Ou baratas que resistirão a explosões atómicas e a invernos nucleares.

Os arqueólogos do futuro visitarão as ruínas deste tempo enternecendo-se com o nosso amor à “austeridade” e a nossa esperança na “retoma”.

“Pareciam Incas a perscrutar o sol”, dirão em mandarim: “qualquer erupção era um presságio”.

“E morreram de quê?”

“É difícil saber. Fanatismo, tacanhez, credulidade, religião e pudicícia. Parece que não queriam viver “acima das possibilidades””.

“Eram estúpidos?”.

“Não, eram da “direita””.

“Direita?”.

“Sim: uma espécie de milenarismo primitivo. Sangue, sacrifícios humanos, apocalipse, essas merdas”.

“Pobres infelizes”.

“Passa-me o seitan.”

Luis M. Jorge

Calor Sólido ( XI)

– Queria um acordo, faxavor, Dos pequenos.

– Só temos moles.

– Dos que incham?

– Sim. E sabem a treta.

– ‘Tá bem. Vou ali à minha lambreta buscar uma caixa.

– Não precisa. Entregamos no facebook.

– Mas assim os outros meninos ficam  a saber tudo…

– Também temos  para eles.

– Dos moles,  que incham?

– Não. Dos que apitam.

FNV

Com as etiquetas

Antena islâmica

Hoje só isto. Fabuloso:

FNV