Ao contrário dos opinadores.

Para um homem acusado de “falta de liderança”, Pedro Passos Coelho geriu a crise do Governo melhor do que se esperava. Senão, vejamos. A seguir à demissão de Gaspar encarregou um serventuário de compor o elogio fúnebre ao ex-ministro, pontuado por algumas críticas. Check. Depois nomeou, para consolo da Europa, um rosto familiar que lhe prometia tranquilidade e obediência. Check. Após o abandono de Paulo Portas cometeu o gesto inspirado de recusar a saída ao segundo homem da coligação, dando tempo ao CDS para retroceder. Check. Quando Portas regressou ao aprisco do rebanho governamental, enlaçou-o meigamente como o bom pastor que acaricia a ovelha tresmalhada pelas pulsões da puberdade. Check. Agora perdeu dois dias a amansá-lo, a domar-lhe a rebeldia, a assegurar que sim, pois claro, que lhe atribuirá mais “responsabilidades”. Check.

Com isto ganhou várias coisas. Primeira: afirmou-se como o adulto da coligação. Segunda: transferiu para o CDS todas as imputações da disputa. Terceira: deu de si a imagem de homem obstinado, pertinaz com as razões da nação, capaz de todos os sacrifícios para salvar os portugueses da sanha predatória dos “mercados”.

O povo assistiu à ópera bufa com as emoções contraditórias do costume. Mas a imolação pública, intencional, de Pedro Passos Coelho, como uma espécie de patriotismo sacrificial, talvez possa beneficiá-lo qualquer que seja o resultado dos seus esforços.

Luis M. Jorge

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20 thoughts on “Ao contrário dos opinadores.

  1. murphy diz:

    Tente explicar isso à Constança…

    🙂

  2. caramelo diz:

    O adulto promete ao miúdo mais poder se este deixar de fazer birra e voltar para casa? Parece-me uma familia disfuncional.

  3. caramelo diz:

    Portanto, o Passos tem uma noção de liderança não muito exemplar. O miúdo vai começar a ditar mais ordens à mesa e a exigir ser ouvido sobre as economias da casa.
    Isso de o homem ser um bloco de gelo, agora com o aquecimento global, parece-me arriscado. Vai acabar por derreter e provocar a subida das marés e eu acho melhor começarmos a ter aulas de natação.

    • Não: o miúdo julga que “vai começar a ditar mais ordens à mesa”.

      • caramelo diz:

        O que eu sei é que o grande lider já tinha deixado fugir o maior dos pequenos génios discretos, o seu maior pilar. O desmoronamento, convém lembrar, não começou com o Portas. O Passos, para que não caia de vez, precisa agora desesperadamente do Portas, não o contrário, Portanto, imaginar uma atitude paternalista do Passos em relação ao Portas, faz sorrir. A propósito, o Portas não era afinal um dos melhores ministros deste governo? Parece que agora, pelo retrovisor, se limitava a vender pechisbeque aos mexicanos. O Passos, mais do que um bloco de gelo, é uma laje de mármore funerária.

  4. João. diz:

    Um líder não rebaixa Portugal como o fez em relação à Bolívia. Um líder, se não queria antagonizar os EUA, teria simplesmente não dado asilo ao Snowden se ele viesse com o presidente da Bolívia e nunca teria impedido o presidente de aterrar para reabastecimento tratando-o como algum delinquente. E não acredito que Passos não soubesse o que estava em curso com o avião do presidente da Bolívia até porque se trata de um chefe de Estado. Desculpe a linguagem mas o Passos Coelho tem que ser das maiores merdas que já governou este país.

    • caramelo diz:

      João, era só um indio a andar de avião.

      • João. diz:

        Nestas coisas, nada como um dia após o outro. Veremos quando um governante português quiser ir a um país da Unasur ou sobrevoar um dos seus espaços aéreos. Espero que devolvam na mesma moeda e mandem o Cavaco ou quem lá for ir dar uma volta ao bilhar grande. Isto deu uma volta. Somos nós agora o quintal do Tio Sam. Somos governados pelo coronel tapioca tuga e sua tropa macaca.

  5. miguel diz:

    essa é que é essa Luis!
    o amigo pedro deu a resposta aparentemente mais surreal possível e com ela conseguiu reforcar a sua posicao…que serenidade, que sentido de estado, que lideranca!
    vamos ao fundo, mas a música nao cessará jamé

  6. Bone diz:

    A sua obsessão com os processos começa a tornar-se doentia e afasta-o do essencial. Ou não? Certo é que contribui para alimentar um cultinho miserável em torno da personalidade política miserável de PPC. Senhor, a quem servis?

  7. Jorg diz:

    Eu vejo a coisa parafraseando aquele ex-ministro das finanças de alta “posição” no ‘ranking’ do FT – isto se estivermos a fazer o pino –
    “(..)uma grande intuição politíca (..) que o leva a resistir (…)”

    E no guião da opera Bufa presente, como ‘background’ cronológico, não nos espetavam nas trombas a bovinidade apologética – e duradoura, pois desde o Rato até Nafarros até hoje, o mitómano é ainda visto mais como um chefe d’aldeia do Asterix a quem caiu o céu em cima da tola – dos “compagnons” de partido, ou seja nunca PPC foi “minino” d’oiro aparado por tanta eminência eunuca…

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