Crónicas do Planeta Oval: A vitória dos Lions na Austrália

Free at last. Ao fim de dezasseis anos, os Lions voltaram a vencer uma digressão com os 41-16 que espetaram à Austrália, no último sábado. Uma vitória histórica, quase tão histórica como o triunfo do britânico Andy Murray em Wimbledon, e a prova de que o último vestígio do rugby romântico está de boa saúde na era profissional.

Os cangurus deviam  ter adivinhado logo que a noite ia correr mal. Pontapé de saída e Genia, o melhor formação do mundo, faz avant. No minuto seguinte, ensaio do improvável Corbisiero (um pilar inglês, onde é que já se viu?…) e os Lions a ganhar por 7-0.

16994933Ao fim de cinco minutos, o veterano George Smith, convocado especialmente para atirar ao mar a terceira-linha visitante, choca de cabeça com Hibbard, que deve usar a sua como picareta nas minas galesas, e quase cai à baía de Sidney, arrastando toda a estratégia defensiva dos anfitriões.

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E aos dez minutos, Israel Folau, a grande esperança amarela (dois ensaios no primeiro jogo), é terraplanado por North, o seu adversário directo, e sai pouco depois por lesão.

É tudo? Não: Halfpenny converte sem pestanejar quatro penalidades;

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Horwill, o capitão aussie, insiste em chutar para fora todas as que os britânicos retribuem; a mêlée da casa é demolida sem apelo nem agravo,

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a tal ponto que Ben Alexander leva um cartão amarelo por colapsar repetidamente no frente a frente com Corbisiero. Resultado: 19-3 para os Lions ao fim de meia hora.

Curiosamente, a Austrália reagiu nos dez minutos em que jogou com um a menos. Quando todos esperavam uma maré vermelha,  foram os homens da camisola dourada que se instalaram no terreno adversário. E, à beira do intervalo, James O`Connor, um 10 adaptado, marcou um ensaio mais de finalizador do que de estratega: fugiu por entre Sexton e Roberts, os adversários mais próximos,

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aguentou a placagem  de Mike Phillips, que vinha na dobra, e mergulhou em esforço.

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Diga-se que, apesar do seu brilho, do jogo ao pé, dos vastos recursos, O`Connor não tem a cabeça de um médio e isso prejudica a fluidez do jogo australiano. Daí que, nos minutos finais, tenha trocado com o 15 Kurtley Beale, um criativo capaz de pensar depressa em terrenos apertados. Sem vantagem que se visse, aliás. Que saudades de Quade Cooper, o génio que Robbie Deans prefere  não convocar porque nunca se sabe o que vai sair da lâmpada…

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E as saudades só não são maiores porque Will Genia (o melhor formação do mundo, não sei se já tinha dito) acaba, na prática, por ser o abertura que falta aos Wallabies.

Com 19-10 ao intervalo, a Austrália começou finalmente a chutar aos postes no regresso dos balneários.  Duas penalidades certeiras de Leali`ifano e eis o resultado em surpreendentes 19-16. Os Lions roíam as unhas – ou as garras.

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Foi então que Halfpenny roubou a Corbisiero a hipótese de ser o homem do jogo. Primeiro, marcou uma penalidade, mais uma, para embalar os Lions. Depois, graças a um jogo posicional perfeito e a uma magia celta qualquer que lhe permite adivinhar sempre a próxima jogada, esteve em todos os sítios certos a defender e lançou o contra-ataque que deu o ensaio a Sexton, aos 58 minutos (que ele próprio converteu).

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Mas o melhor ainda estava para vir, como diria o Obama. Meia de dúzia de minutos depois, o defesa galês segura um up and under demasiado longo (um erro dos austrais que já dera a North um monumental ensaio no primeiro test),tira as medidas à onda que subia para o engolir, acelera, fura a grande barreira de coral com duas trocas de pés, fixa Beale e entrega a North um ensaio do tamanho do Cruzeiro do Sul.

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Minutos depois, Jamie Roberts marca outro para os Lions, mas já era bater em mortos. Nas bancadas, os adeptos de vermelho faziam a festa, cantavam como se estivessem em Twickenham e diziam adeus aos aussies que iam mais cedo para casa.

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Warren Gatland, o neozelandês que venceu os últimos Seis Nações com Gales e a quem tinham chamado tudo por trocar O`Driscoll (o único homem a jogar em quatro digressões dos Lions)  por Jamie Roberts, era um treinador feliz. E vingado.

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O seu compatriota e adversário Robbie Deans, pelo contrário, seria despedido algumas horas depois. Primeiro kiwi a treinar os rivais e vizinhos, vencedor de um Três Nações depois de jejum, terceiro lugar no Mundial de 2011, não resistiu a uma derrota com os Lions.
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Eu bem dizia: esta não é uma equipa qualquer.  Daqui a quatro anos há mais, na Nova Zelândia. Onde os Lions não ganham desde 1971…

PP

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